sábado, 3 de junho de 2017

Capítulo Vinte e Nove

Vanessa tomou um gole de sua sangria sem álcool, enquanto observava Zac trabalhar atrás do bar. Esse homem lavava o termo — colírio para os olhos — a um nível totalmente novo. Ela nunca se cansava de vê-lo se mover - a maneira como seu grande corpo tornava cada movimento parecer fácil, preciso e sexy a deixava insana. Toda vez que ele esticava o braço para pegar uma garrafa na prateleira superior, a camiseta subia e ela tinha um vislumbre de seu abdômen, cada vez que ele pegava um copo para derramar algo nele, Vanessa notava como suas mãos eram grandes e como ultrapassava o tamanho do copo, cada vez que alguém vinha pedir uma bebida, ele olhava nos olhos, sorria educadamente e faia com que a pessoa se sentisse como se  fosse o único cliente no bar.
A cada segundo livre que ele tinha, Zac vinha até ela e a beijava, levando um pequeno pedaço dela com ele. Desde a semana passada, eles estavam inseparáveis. Ele veio para a casa, depois que ela e Ashley tinham terminado a sua conversa emocional, e nunca mais saiu. Ele praticamente morava com ela.
Vanessa sentia como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros depois de ter conversado com a sua prima, e tinham compartilhado tudo que estava incomodando. Algo dentro dela quebrou, rasgou e voou para longe, deixando-a de alguma forma mais leve. Ela notou uma mudança em Ashley, também. Ela parecia muito mais calma, muito mais parecida com a Ashley que ela conhecia, embora ela ainda ficasse triste após cadavisita ao Christopher, fechando-se em seu estúdio por horas. Mas Zac não a julgou. Pelo menos agora ela sabia a razão de seu comportamento irracional.
— Cara, eu gostaria que alguém me olhasse assim. — A voz de Beppe assustou Vanessa fora de seus pensamentos, e ela percebeu que estava olhando fixamente para Zac de novo.
— Muitas mulheres olham para você assim, Beppe. — Vanessa brincou, quando ele pegou o banco ao lado dela.
— Não, não desse jeito. — Ele acenou para Zac, e ele respondeu com a cabeça, parecendo saber o que o amigo queria. Um momento depois, uma cerveja apareceu na frente de Beppe, e Zac se inclinou para beijar Vanessa, sorrindo, e desapareceu para atender um cliente.
— Eu conheço alguém que te olha diferente. — Vanessa disse com um sorriso, esperando parecer indiferente. Ela realmente queria fazer Beppe se abrir com ela, e ela não tinha ideia do por que. Ele parecia tão perdido às vezes, apesar de sua atitude arrogante.
— É? — Beppe tomou um gole de sua garrafa, tentando esconder o seu sorriso.
— Yeah. Você a conhece também. Muito bem. Ela é uma coisinha pequena, curvilínea, mal-humorada, com longos cabelos escuros e olhos castanhos surpreendentes. Na verdade, se você olhar para a sua direita, você verá o mesmo par de olhos castanhos incríveis em outra pessoa. — Vanessa apontou para Zac e sorriu.
S— e por “diferente” quer dizer que ela quer me matar, sim, ela olha para mim desse jeito. — Beppe rolou o frasco em suas mãos distraidamente, olhando para ele. Vanessa não tinha certeza de qual deveria ser seu próximo passo. Ela deve aceitar a sua sugestão e virar a conversa para uma direção mais séria, ou deveria mantê-lo despreocupado? O que faria Beppe se abrir mais?
— Eu não sei nada sobre isso. — disse ela, ainda um pequeno sorriso em seus lábios. — Eu vi vocês dois juntos. Quando Gia fixa o olhar em você, todo o mundo ao seu redor desaparece. E você não tem olhos para mais ninguém, embora as mulheres em sua volta continuem olhando para você com aquela fome crua nos olhos, que promete um bom tempo.
Beppe lentamente virou a cabeça para olhar para Vanessa, inclinando-a para o lado, claramente surpreso com sua observação. Seus olhos castanhos a estudaram por alguns segundos, antes que sua atenção voltasse para sua garrafa de cerveja.
— Você está surpreso com o que eu disse, ou por que eu notei?
— Ambos. Eu não pensei que fosse tão óbvio. — Sua voz tinha ficado baixa, e por alguma razão, isso quebrou o coração de Vanessa. Ela sabia muito pouco sobre Beppe, e ainda assim, a necessidade de aliviar sua dor era quase insuportável. No entanto, ela não queria empurrar sua sorte. Ele parecia um cara muito privado, que não foi gostava de compartilhar muito, mesmo com os seus amigos.
— Ouça, Beppe - se você quiser conversar, sobre qualquer coisa, me ligue. Eu sou uma boa ouvinte. — Ela colocou a mão em seu antebraço, e ele olhou para ela antes de concordar. Isso era o suficiente para ela.
— Vocês dois parecem muito juntinhos. — disse Zac, olhando para a mão de Vanessa no braço de Beppe com uma careta. — O que está acontecendo? — Sua pergunta foi dirigida a seu amigo. A atitude de Beppe mudou imediatamente, como se alguém tivesse apertado um interruptor, e sua arrogância habitual retornou.
— Você está com ciúmes, mano? — Ele perguntou, colocando o braço sobre os ombros de Vanessa e apertando-a contra ele. Ela riu, sabendo que ele estava apenas brincando com Zac.
— Você precisa deste braço? Se assim for, eu sugiro que você o remova dos ombros da minha namorada.
Todos os três ficaram tensos com suas palavras. Namorada? Vanessa não sabia como reagir a isso. Ela era sua namorada? Eles estavam ficando exclusivamente, mesmo que fosse apenas durante a duração da sua estadia, mas isso a tornava sua namorada? Zac estava olhando para ela com ansiedade, como se estivesse esperando que ela fosse se opor ao termo que ele usou. Ele não parecia como se estivesse arrependido de ter dito isso, porém. Beppe estava assistindo a interação silenciosa entre eles com diversão.
Os lábios de Vanessa espalharam em um sorriso lento e, apoiando-se nos cotovelos para Zac em frente ao bar, ela disse:
— Não se preocupe, querido. Ele estava apenas me fazendo companhia, enquanto meu namorado está ocupado trabalhando. — O sorriso feliz que Zac concedeu-lhe, fez seu coração doer por ele. Ela desejou que já fosse meia-noite, e eles estivessem voltando para casa. Inclinando-se em direção a ela até que ele pegou seus lábios, e Zac murmurou contra eles.
— Bom. — Ele a beijou, lenta e profundamente, não se importando com ninguém ao seu redor. — Vá e divirta-se com Beppe. Eu não quero que você fique entediada até a morte sentada aqui me olhando a noite toda — ele disse, enquanto separava sua boca da dela.
— Não há nada de chato em te observar a noite toda.
— Oh, pelo amor de Deus! — Beppe resmungou e, escorregando do seu banquinho, puxou a mão de Vanessa, até que ela estava em pé também. — Vamos dançar, antes que vocês dois me deem diabete.
*
Zac não iria trabalhar no fim de semana, o que Vanessa suspeitava ser por sua causa. Ashley, no entanto, tinha alguns turnos extras na galeria porque seu colega de trabalho estava de férias por duas semanas. Considerando que Gia se isolou nessas duas últimas semanas, e Beppe também tinha desaparecido, isso deixou Zac e Vanessa sozinhos por todo o fim de semana.
Vanessa tinha realmente esperado que Beppe fosse aceitar a sua oferta paraconversar, mas ele não tinha ligado. Eles haviam dançado a noite toda na quarta-feira e ele logo relaxou. Quando eles se separaram depois que Zac tinha trancado o bar, Beppe parecia quase de volta ao normal. Stella não sabia por que estava preocupada com ele, mas ela não podia deixar de se sentir dessa maneira. Naquela noite, no bar, quando ela mencionou Gia ele parecia tão desesperado, tão quebrado. O que a irmã de Zac fez com ele?
— Pronta para ir? — Perguntou Zav, e Vanessa forçou todos os pensamentos de Beppe para o fundo da sua mente. Ela precisava se concentrar em seu namorado agora, porque aparentemente ele tinha algum tipo de surpresa para ela.
— Sim. Você ainda não me falou para onde estamos indo. — ela disse, dando um passo para fora e fechando a porta atrás dela.
— Não. E nem adianta perguntar. Você vai ver. — Zac sorriu, mas havia algum tipo de reserva por trás de seu sorriso. Normalmente, quando ele sorria, iluminava todo o seu rosto, e era tão contagiante que você não poderia deixar de sorrir de volta. Vanessa olhou para ele com desconfiança, estreitando os olhos. — Basta entrar no carro, por favor.
Ela decidiu confiar nele, mas tinha uma suspeita de que ela não ia gostar de qualquer surpresa que ele tinha reservado para ela.
*
Meia hora depois, eles chegaram a um enorme estacionamento vazio. Era atrás dois edifícios comerciais, que estavam com todas as suas portas e janelas trancadas. Zac desligou o motor e virou-se para olhar para Vanessa, sua expressão ansiosa.
—Saia — ele  disse,  e  atirou a  porta  aberta. Vanessa decidiu agradá-lo e saiu também, se perguntando por que ele estava agindo de modo estranho. Ele circulou o carro e veio para ficar ao lado dela, passando as mãos pelos cabelos nervosamente.
Fala logo, Zac. Você está me deixando louca com todo esse comportamento enigmático. — Vanessa cruzou os braços na frente do peito e franziu a testa.
— Ok. Mas não se desespere.
— Isso não é um bom começo.
— Nessa, me prometa que não vai surtar antes de ouvir o que tenho a dizer. — Ele agarrou seus braços e olhou nos olhos dela atentamente. Ela assentiu com a cabeça, por que não tinha certeza do que dizer, e estava um pouco assustada. — Eu trouxe você aqui para ensiná-la a dirigir.
Os braços de Vanessa caíram para os lados, e ela se contorceu para fora de seu alcance.
— O quê? — Ela estava tão chocada que não sabia mais o que dizer. Zac sabia o quanto ela temia carros, e especialmente a condução. Como ele poderia até pensar que isso era ok?
— Você prometeu que me escutaria. — Ele ainda estava olhando para ela firme, sem recuar. Vanessa assentiu com a cabeça, decidindo dar a ele uma chance de se explicar antes que ela se apavorasse. — Naquela noite, quando você me disse que estava com medo dos carros, você também disse que não queria passar a vida sem vivê-la, apenas com medo dela. Eu estive pensando sobre isso por um longo tempo, Nessa. Eu não quero que você tenha mais medo, eu quero ajudá-la a superar um dos maiores medos em sua vida. Dirigir é uma necessidade nos dias de hoje, não é algo que você deve desistir sem tentar— Ele fez uma pausa, esperando a reação dela. Vanessa não sabia o que dizer. Ela ainda estava com medo de ficar atrás do volante de um carro - isso não tinha mudado, mas as palavras de Zac faziam sentido. Aproveitando o silêncio e o fato de que ela não tinha fugido, Zac continuou. — Você é forte, amor. Eu sei que você é. Eu já vi isso. Não deixe que seus medos a controlem. Você pode realmente nunca desfrutar em dirigir, mas se você fizer isso, isso significa que você é mais forte do que os seus medos, do seu passado. — Ela ainda não tinha dito nada, mas estava mordendo forte seu lábio inferior. Vanessa queria fazer isso, ela queria que Zac a ajudasse. Ela confiava nele. A questão era, ela podia? — Olhe ao seu redor, querida. Não há ninguém aqui. Temos um estacionamento do tamanho de um campo de futebol para nós. Eu estarei ao seu lado, ninguém vai se machucar, eu prometo.
Por sua própria vontade, a cabeça de Vanessa concordou com a cabeça.
O que estou fazendo?
Zac sorriu. Desta vez, seu sorriso era absolutamente genuíno e nem um pouco preocupado. Ele não perdeu tempo perguntando se ela tinha certeza disso, ou se era isso queela  realmente  queria.  Ele sabia  que  tinha  que  usar  seu  torpor  momentâneo e empurrá-la para fazer isso, caso contrário, ela iria mudar de ideia.
Ele já me conhece tão bem, Vanessa pensou enquanto subia até o assento do motorista.
Sentada lá, com o volante na frente dela, ela sentiu o pânico começar a subir. Zac entrou ao seu lado, e ao som de sua porta se fechando a fez saltar.
— Ei, olhe para mim. — disse ele suavemente, tomando-lhe a mão. — Você pode fazer isso, tesoro. Eu não a forçaria nisso, se eu pensasse que você não poderia. Apenas confie em mim, ok? — Vanessa assentiu, ainda incapaz de formar qualquer palavra. Ela poderia fazer isso. Não havia ninguém por perto. Ela poderia dirigir este carro. Era seguro.
Cantando essas palavras uma e outra vez, Vanessa respirou fundo e disse:
— Vamos fazer isso. — Estendendo a mão para a chave, ela colocou na ignição. Tomando outra respiração profunda, ela apertou o botão de ignição e o motor rugiu para a vida. Essa foi a parte mais fácil, ela tinha visto Zac fazer o tempo todo. Agora o quê?
— Coloque o seu pé esquerdo na embreagem e pressione-o com firmeza até o fim. Agora, coloque o pé direito no freio no meio. O pedal de lado é o acelerador. Você aperta o freio e o acelerador com o pé direito. Esquerda é apenas para a embreagem. — Vanessa assentiu e agarrou o volante com as duas mãos. — Agora, coloque sua mão sobre a marcha, e eu vou guiá-la através delas. — Zac deslizou sua mão sobre a dela e colocou sobre a marcha primeiro. — Agora, tire o pé direito do freio, coloque no acelerador e pressione suavemente. — Vanessa fez o que lhe foi dito e o carro rugiu mais alto. — levante seu pé esquerdo da embreagem lentamente, enquanto ainda pressiona o acelerador.
O carro avançou e Vanessa deu um grito assustado, esquecendo todos os pedais. O motor do carro morreu. Zac riu e Vaness virou para ele, horrorizada.
— O que aconteceu? Eu quebrei seu carro?
— É preciso muito mais do que isso para quebrar um carro, querida. Relaxe. Isso é completamente normal para um piloto de primeira viagem. Talvez eu deva explicar como o carro funciona, para que você saiba quando pressionar e como.
Ele passou a explicar como soltar a embreagem sem pressionar o acelerador ao mesmo tempo em marcha, que faz parar o motor. Ele também lhe mostrou como mudar de marcha e como pressionar os freios levemente, para que eles não quebrassem seus pescoços. Quando ele terminou, Vanessa sentiu um pouco mais confiante em sua compreensão de como a máquina funcionava. Forçando o cérebro a se concentrar inteiramente em fazer o movimento do carro, e enchendo todas as suas dúvidas emedos, no canto mais distante disponível de sua consciência, Stella ligou novamente o motor. Desta vez, quando o carro avançou, ela não tirou os pés dos pedais. Ela apertou a embreagem para baixo, mantendo a pressão sobre o acelerador e com a ajuda de Zac mudou para a segunda, soltando a embreagem totalmente.
— Eu consegui! Mudei a marcha. — ela gritou feliz quando olhou para Zac, que estava sorrindo, como se tivesse acabado de descobrir que ele ganhou na loteria.
Eles passaram o resto da tarde guiando em torno do estacionamento vazio, e no momento em que decidiram que era hora de ir embora, Vanessa tinha aprendido a mudar todas as marchas, virar e até mesmo dar ré .
— Excelente, tesoro. Estou tão orgulhoso de você. — Zac disse quando eles pararam, e Vanessa recostou-se no banco, exausta.
— Eu também. — disse ela. — Obrigada por me obrigar a fazer isso.
Zac inclinou-se para ela e beijou-a suavemente, cobrindo seu rosto. Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e acariciou sua bochecha, hipnotizando-a com aqueles olhos incríveis, ao mesmo tempo. — Eu faria qualquer coisa por você. — ele sussurrou e ficou sério. Havia algo mais que ele queria dizer, Zac podia ver isso. Mas ele decidiu contra e plantou outro beijo em sua boca. — Vamos lá, vamos sair. Vou levá- la para jantar e assistir um filme, você merece.
Vanessa alegremente trocou de lugar com ele, e mal podia esperar para jantar. Agora que toda a pressão estava fora, ela percebeu o quanto estava com fome.

Ela realmente estava extremamente grata, por ele ajuda-la a superar esse medo, mas ela sabia que, mesmo que o que ela fez hoje foi um grande passo para ela, nunca seria capaz de fazer isso em uma rua, com outros veículos em movimento em volta dela. Empurrando ainda mais esses pensamentos nos cantos escondidos de sua mente, Vanessa relaxou em seu banco e entrelaçou os dedos com os de Zac sobre a alavanca de câmbio, ansiosa por sua noite com ele. 
♥♥♥
Boa noite meus amores! 
Aqui está mais um capítulo para vocês!
Espero que gostem e comentem bastante!
Sinto falta de vocês...Prometo que em julho tentarei postar com mais frequência.
Amo vocês ♥
P.S.:Obrigada a todas que estão sempre comentando :-)

2 comentários:

  1. Um capítulo todo Zanessa,ameei.
    Foi tão bom ver o Zac ajudando a Nessa a vencer seus medos, fiquei com dó do Bippe e espero que ele se resolva com a mana do zac.
    Adoro sua história

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  2. Uau
    Muito bom o capitulo
    Tomara que eles se acertem
    Posta logo
    Beijo

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