terça-feira, 18 de abril de 2017

Capítulo Vinte e Sete

No momento em que tinham terminado a sua refeição e limpado a cozinha, já era meia-noite. A exaustão em Vanessa bateu tão forte, que ela mal podia arrastar os pés para cima. Felizmente, ela já tinha tomado banho antes do jantar, por isso tudo o que tinha que fazer agora era tirar a roupa e subir na cama.

— Eu vou tomar um banho rápido, antes de me juntar a você. — Zac sussurrou em seu ouvido, com Vanessa quase dormindo. Ela conseguiu acenar com a cabeça e a última coisa que ela ouviu foi o chuveiro sendo ligado no banheiro.

Algum tempo depois, Vanessa acordou, desorientada. Por um momento, ela não tinha ideia de onde estava. Seu coração acelerou e sua respiração tornou-se superficial. Tudo o que podia sentir era o corpo quente de Zac atrás dela, sua perna cruzada sobre a dela, seus braços abraçando-a perto dele. Ela se acalmou imediatamente, lembrando-se de todos os eventos do dia e percebendo que ainda era meio da noite.

— Volte a dormir, querida. — ele murmurou, sua respiração formigando na sua nuca. Ela sorriu e, suspirando satisfeita, fechou os olhos e obedeceu.

*
No dia seguinte, foi um dos mais maravilhosos dias da vida de Vanessa. Ela não conseguia se lembrar da última vez que se sentiu tão despreocupada e feliz. Depois de preparar o café da manhã para ela, Zac a levou em uma viagem para mostrar-lhe algumas casas.

A Toscana era o mais perto do paraíso na Terra que Vanessa poderia imaginar. Ela não conseguia parar de olhar para fora da janela e memorizar a paisagem. Londres iria parecer tão claustrofóbica, quando ela retornasse em casa depois disso.

A primeira casa que viu estava tão degradada, que Vanessa se perguntou como não tinha caído ainda. Era um grande retângulo, de três andares, com enormes buracos no telhado e paredes parcialmente ausentes. A terra em torno dele foi negligenciada, e tinha uma necessidade desesperada de uma UTI.

Zac olhou para ele com tanta paixão e expectativa, que se Vanessa não soubesse o que ele estava olhando, ela teria pensado que eles estavam em pé na frente da mansão Playboy.

— O que você acha, querida? — Ele sorriu para ela, pegando sua mão e levando-a mais perto de casa.

— É... Eu acho que é... Velha. E mal se segura em pé.

Zac riu, andou atrás dela e a abraçou, trazendo sua boca ao lado de seu ouvido antes de falar.

— Feche os olhos. — disse ele, em voz baixa, roçando seus lábios sobre sua orelha. Ela fez. — Agora imagine que não há buracos no telhado e ele estava coberto de novíssimas telhas vermelhas. Imagine fumaça saindo da chaminé. Imagine batentes de madeira escura e janelas enormes. Uma madeira escura, porta sólida. Imagine as cortinas nas janelas dentro. — Vanessa sorriu, mantendo os olhos fechados e imaginando a cena que Zac descrevia a ela. Ele começou a tomar forma em sua mente e ela realmente gostou do que viu.

— Agora, vamos entrar. Você vê o piso de madeira? Você sente o chão aquecido? Olhe à sua direita – você vê a lareira original, completamente restaurada? Sente o calor das chamas dentro? — O timbre da voz do Zac tinha ficado baixa e rouca. Seu hálito quente na orelha dela estava enlouquecendo Vanessa. Ela não estava pensando na casa.   Ela os imaginou sentados no chão em frente à lareira, se beijando, arrancando as roupas um do outro. Um suave gemido escapou de seus lábios involuntariamente e os braços de Zac apertaram seu corpo.

— Vanessa? Você ainda está imaginando a casa? — Ele beijou seu pescoço sob a orelha, espalhando seus pensamentos muito além de qualquer imagem da casa. — Eu nem sequer descrevo os outros quartos ainda. Especialmente o quarto principal. Tenho grandes planos para ele. — Vanessa o sentiu sorrir contra sua pele. Virando-se para encará- lo, ela abriu os olhos e disse:

— Eu vou levá-la. — Zac jogou a cabeça para trás e riu.

— Eu pensei que você disse que era velha e mal estava em pé.

— Bem, você pode ser muito persuasivo. — Ele baixou a cabeça e a beijou.

— Isso é o que eu quero, baby. Eu quero uma casa como esta, cercado por minha própria terra, ter um pomar, uma vinha, uma horta, dois cães. Quero restaurar tantas casas quanto esta que eu puder, dar-lhes a vida que elas merecem. — A paixão nos olhos dele era contagiante e Vanessa sentiu seus lábios se espalhando em um enorme sorriso. A vida que Zac queria para si mesmo era incrível, e o conhecendo, ela tinha certeza de que um dia ele iria conseguir tudo o que sonhou.

Vanessa queria dizer-lhe tudo isso, mas por trás de seu sorriso havia uma pontada de tristeza. Por um momento, ela se imaginou nesse cenário futuro com Zac, mas depois ela teve que agitar-se mentalmente e se lembrar que seu futuro era muito incerto - e não incluia Zac. Com medo de que se ela falasse qualquer coisa, ele poderia sentir, ela só o beijou,tentando empurrar a tristeza para longe antes que ele a flagrasse nela.

Vamos, vamos lá. Temos mais algumas casas para ver. — ele disse, quando ela separou seus lábios dos dele.

*
As outras três casas que viram estavam em condições melhores, mas Vanessa olhou para elas com a mente aberta. Ela não via mais as ruínas de um prédio de tijolos, ela via a casa cheia de vida e possibilidades.
Já passava da hora do almoço, quando eles terminaram o seu passeio, e a barriga de Vanessa roncou para lembrá-la de que não tinha comido nada desde o café da manhã. Zac olhou para ela e sorriu, manobrando o carro. Ele pegou dois sacos de papel no porta- malas e deu um para Vanessa, gesticulando para que ela o seguisse. Sentaram-se na grama, a poucos metros de distância da estrada, e comeram os sanduíches que Zac tinha feito para eles.

Isso é apenas um aperitivo. Eu tenho planos para fazer algo especial no jantar hoje à noite.

Claro que ele tem. Como posso ter tanta sorte e ser tão condenada, tudo ao mesmo tempo?

O jantar foi realmente especial. Zac fez costeletas de cordeiro com um pouco de molho mágico, com ingredientes que ele se recusava a revelar. Vanessa não costumava comer cordeiro, mas a forma como Zac tinha preparado fez seu paladar pular de alegria e chorar por mais. A noite estava linda e quente, e Zac sugeriu que comessem a sobremesa na jacuzzi. Vanessa correu para cima para colocar seu biquíni, enquanto Zac cortava frutas em pedaços e as colocava em uma tigela grande.

Ele a alimentou com morangos, melão e pêssego, e beijou-a após cada mordida. Em algum momento ele tinha conseguido remover seu biquíni e descartá-lo na borda da jacuzzi, sem sequer Vanessa perceber. Não que ela estivesse reclamando.

Ele arrastou seus dedos ao longo de suas costas , enquanto ela se sentava em seu colo, montada nele e, literalmente, comendo em sua mão.

O que sua tatuagem significa? — Ele perguntou, enquanto arrastava com os dedos os símbolos nas costas.

Amor, sonhos e sorte.

Zac levantou uma sobrancelha, esperando algum esclarecimento.

Essas são as três coisas que eu acho que ninguém pode viver sem. Você tem que amar alguém ou alguma coisa, não importa se é romântico ou não, mas se você não tem algo que você ama em sua vida, então você está perdido. Danificado. Quebrado. — Vanessa suspirou e fez uma pausa antes de falar novamente. — Você precisa ter um sonho, caso contrário, o que está te esperando para olhar em frente? Sem um sonho, é como se estivesse andando em um túnel constantemente escuro e não há luz na outra ponta. E você precisa de sorte, é claro, porque sem ela as coisas não dão certo, por mais que você tente.

Zac olhou para ela enquanto ela falava, as sobrancelhas levemente franzidas sobre os olhos arregalados.

Você está certa. Eu nunca pensei sobre isso antes, mas você está certa. — disse ele, e alimentou Vanessa com um morango. Quando ela mordeu o fruto maduro, um pouco de suco escorreu do seu queixo e, instantaneamente, os olhos de Zac nublaram quando ele abaixou a cabeça e lambeu.

Você sabe, eu acho que há uma última coisa a adicionar à sua lista, no entanto. Algo tão importante quanto os outros três. — ele murmurou contra seus lábios.

O quê?

Esperança.

*
Mais tarde naquela noite, enquanto estavam deitados na cama nos braços um do outro, Zac suspirou e disse:

Você se lembra daquela noite no carro, depois que já tínhamos trabalhado no  bar juntos, quando eu lhe disse sobre o meu colapso depois que meu pai morreu? — perguntou Zac, roçando os dedos sobre o braço de Vanessa distraidamente.

É claro.

Eu lhe disse que o que me fez buscar ajuda, foi o fato de bater em uma cara e deixá-lo em coma. Essa parte era verdadeira. Mas houve outra coisa, que  me  fez perceber o pedaço inútil de merda que eu havia me tornado. Beppe tem sido meu melhor amigo desde que me lembro. Ele, Gia e eu éramos inseparáveis. Ele agarrou-se a nós para salvar sua vida. Ele estava em nossa casa, tanto que nossos pais começaram a tratá-lo como um dos seus filhos.

Por quê? Onde estavam os pais dele?

Seu pai era muito violento. Ele culpou Beppe e sua mãe por arruinar sua vida, quando foi o contrário. Os pais de sua mãe a deserdaram quando ela se casou com seu pai. Eles odiavam o cara, e com razão. Ela estava grávida, e cega de amor, e não podia ver que ele era um bastardo até que fosse tarde demais. Quando meu pai morreu e eu comecei a espiral fora de controle, Beppe estava lá por mim, mesmo que ele tivesse um monte de problemas pessoais. Gia se isolou de nós dois, e do mundo. Efetivamente eu tinha perdido minha irmã tanto quanto eu tinha perdido o meu pai. Comecei a odiar Beppe e sua constante importunação, eu pensei que ele não sabia o que eu estava passando, que ele não tinha o direito de me dizer o que fazer ou o que eu precisava. Ele ficou do meu lado, mesmo que eu fosse um idiota com ele. Se não fosse por ele, eu teria terminado muito pior do que eu terminei.

— Poucos dias antes que eu quase matei o cara, Beppe foi internado no hospital. Seu pai tinha batido tanto nele, que pensou que o tinha matado. O covarde que ele era, ele pegou uma faca e matou sua esposa antes de mergulhá-lo em seu próprio peito.

A mão de Vanessa voou para a boca. Ela ficou sem palavras, porque um caroço  enorme se formou em sua garganta. Zac abraçou um pouco mais apertado, antes de continuar:

Eu descobri sobre o assunto no noticiário da TV. Eu estava tão absorto em minha própria vida de merda, que eu tinha deixado o meu melhor amigo sozinho e desamparado. Eu não poderia nem mesmo lhe fazer uma visitá-lo no hospital. Naquela noite eu fiquei bêbado e queria morrer. Eu me senti tão inútil. Eu nem me lembro como a briga com o cara começou, eu só sabia que eu coloquei todo o meu desespero, tristeza, autopiedade e raiva sobre ele.

A voz de Zac balançou e ele fez uma pausa para se recompor.

Zac, você não tem que me dizer isso. — Vanessa sabia que falar sobre isso o fazia reviver tudo de novo, e ela não queria vê-lo com tanta dor.

Não, eu preciso. Eu tenho um ponto com tudo isso, eu prometo - apenas me ouça. O dia que visitei o cara no hospital, eu juntei a coragem de visitar Beppe  também. Ele estava fora da UTI e sua recuperação estava progredindo bem. Quando ele me viu, a dor em seus olhos quase me matou. Ele não estava com raiva de mim, ele estava ferido além do reparo. E não apenas por aquilo que tinha acontecido com ele, mas pela maneira que eu estava. Ele viu através de mim, e sabia que eu tinha ao ponto em que eu tentava me firmar, ou não haveria como voltar atrás. Ele não disse nada para mim, então, ele apenas olhou para mim. Ele sabia que não estava em condições de me ajudar, não fisicamente, não mentalmente. Eu não aguentei mais e sai.

A próxima vez que o vi foi dois anos depois. Depois que ele ficou melhor, ele foi morar com seu avô - pai de sua mãe - aqui na Toscana. Ele era a única pessoa da família de Beppe que havia restado, e desde que ele tinha dezessete anos, precisava de um guardião. Ele não voltou para Gênova, até ele completar dezoito anos, porque seu avô precisava dele aqui. Ele voltou um ano mais tarde, depois que seu avô decidiu vender tudo o que possuía, exceto essa propriedade, e mudar para a Sicília - de onde ele era originalmente - para se aposentar. Ele deu a maior parte do dinheiro para Beppe e o fez prometer que ele iria viver sua vida, fazer algo para si mesmo, encontrar um sonho, um objetivo.

Quando Beppe voltou, era como se ele nunca tivesse saído. O momento que eu o vi, senti a mesma conexão que costumava ter antes. Ele me perdoou sem pensar duas vezes, embora eu não merecesse isso.

Zac parou novamente, dominado pela emoção de falar sobre seu passado e de Beppe, e do amor que sentia por seu amigo.

Eu acho que o que eu estou tentando dizer - e eu sei que eu prometi que não iria falar sobre isso enquanto estivéssemos aqui, mas eu só vou dizer dessa vez, e não mencionarei isso nunca mais. Você tem que falar com Ashley, deixe-a explicar o que está acontecendo, e encontre espaço em seu coração para perdoá-la. Ela é sua melhor amiga, vocês duas tem uma vida de lembranças boas juntas. Jogar uma conexão assim longe por causa dos sentimentos que ela tem por Christopher, que eu tenho certeza que ela lutou contra, mas apenas não conseguiu evitar, seria imperdoável. Eu sei que você vai se arrepender se não se permitir dar a chance de entender. E perdoar. Você conhece Ash, e você sabe que ela nunca faria nada sem uma boa razão. Você sabe o quão grande é o seu coração. — Zac puxou o dedo sob o queixo de Vanessa, para ela olhar em seus olhos. Ela não resistiu.  Seus olhos estavam nublados, enquanto as lágrimas ameaçavam derramar a qualquer momento. — Me prometa que vai tentar, Nessa.

Balançando a cabeça, ela fechou os olhos e as lágrimas corriam pelo seu rosto.

*
Eles ficaram na casa de Beppe por mais um dia. Vanessa já tinha colocado em sua cabeça que ela ia falar com Ashley e tentar o seu melhor para perdoá-la, não só porque ela tinha prometido a Zac, mas porque ele estava certo sobre tudo. Elas tinham uma conexão muito especial, que ela não podia simplesmente jogar fora porque não concordava com a decisão da outra. Ashley era uma pessoa muito responsável, ela nunca faria nada sem considerar as consequências, e se ela sentia que cuidar de Chris era a coisa certa a fazer, então talvez fosse. Talvez ela precisasse de ajuda e aconselhamento. Vanessa tinha certeza de que sua prima não tinha compartilhado seu segredo com ninguém, e estava levando esse fardo enorme, por conta própria.


Vanessa precisava de mais um dia longe da realidade, no entanto. Ela gostava de estar sozinha com Zac no meio do nada. Ele cuidava tão bem dela, mimando-a com comida maravilhosa, fazendo-a rir. Se pudesse, Vanessa teria ficado aqui com ele para sempre.

***LEIAM COM ATENÇÃO***
Me perdoem pelo sumiço. As coisas estão difíceis por aqui.
Aproveitando a deixa, gostaria de avisar que estamos na reta final da história. 
Faltam apenas 10 capítulos para o fim. 
E já digo que esta será a última. Não adaptarei mais nenhuma história e também não escreverei mais fanfics. 
Primeiramente, não tenho mais a mente e o entusiasmo que eu tinha quando comecei a postar.
Segundo, eu venho me distanciando cada vez mais desse universo de Zanessa. Infelizmente, as chances de Zac e Vanessa voltar são uma em um milhão. Zanessa sempre fará parte de mim, da minha infância. Por causa deles, conheci pessoas inesquecíveis e disso não tenho o que reclamar.
Terceiro, porque eu preciso estudar. Estou tentando entrar na faculdade mais concorrida do meu estado e para isso preciso estudar muito. Não tenho tempo nem para respirar direito.
E quarto e último motivo, não posso escrever sobre aquilo que não presencio na minha vida. Talvez um dia eu volte a postar, mas será algo meu, pessoal. Não deixarei de escrever  nunca,até porque é algo que faço por amor. Talvez daqui  alguns anos vocês avistem por aí algum livro de auto ajuda da psicóloga Rafaela Diniz (sonho *-*)
Enfim,  obrigada por todo carinho que vocês têm por minhas fics, sem vocês nada disso seria possível,
Amo vocês para sempre ♥
P.S.: A história que comecei a pouco tempo, intitulada "Paixão Proibida" será excluída devido a todos esses motivos citados acima.