terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Capítulo Vinte e Três

Quando o cérebro de Vanessa derivou a consciência na parte da manhã, ela percebeu duas coisas: primeiro, que ela dormiu durante toda a noite e se sentia incrivelmente renovada e tranquila e, segundo, o corpo quente de Zac estava enrolado em volta dela e ele respirava suavemente na parte de trás seu pescoço. Ela não se atreveu a mover-se. O momento era perfeito demais. Ela deve ter caído no sono de novo, porque acordou com a sensação incrível dos lábios de Zac em seu pescoço. Eles moviam lentamente em direção a seu ombro e, em seguida, a ponta da sua língua traçou sua pele em volta do lóbulo da orelha. Ele chupou e Vanessa não poderia fingir que estava dormindo por mais tempo. Ela gemeu na parte de trás de sua garganta, e sentiu o sorriso de Zac, exalando ar quente sobre seu pescoço.

— Bom dia. — ele sussurrou.

A única resposta que Vanessa conseguiu formular agora foi um fraco — Mm-hm — Zac moveu suas mãos ao longo de suas coxas e sobre seu estômago, apertando-a ainda mais perto dele, e escondeu o rosto em seu cabelo.

— Podemos ficar aqui para sempre? — Vanessa perguntou, tão envolvida no momento, que ela não queria que acabasse. Quando terminasse, ela teria que enfrentar  a realidade novamente, incluindo Ashley e sua tia. Elas provavelmente já tinham visto o carro de Zac na frente da casa, e estariam esperando por uma explicação. Niki sempre  foi muito compreensiva e pé no chão, mas Stella não tinha certeza de como ela reagiria à notícia de que Zac tinha passado a noite em sua cama. Ela também tinha que contar à sua mãe sobre ele.

— Por mim tudo bem.

Vanessa virou-se para ele, e ele parecia tão perfeito na parte da manhã, como era sempre. Vendo seu cabelo bagunçado, lembrou que seu próprio cabelo devia estar um desastre completo agora. Em qualquer outra ocasião, Vanessa teria se sentido incrivelmente autoconsciente sobre como ela estava na parte da manhã, mas não agora. Os olhos azuis quentes castanhos de Zac brilharam para ela, e ele gostava claramente do que via, porque a sua expressão ficou séria e o brilho se transformou em fogo completo.


Ele abaixou-se e beijou-a, tomando seu tempo e fazendo-a lembrar de cada momento da noite passada. Seu coração deve ter parado, porque quando ele finalmente separou os lábios dos dela, ela sentiu uma pontada no peito e começou a bater novamente. Sua mão traçou o contorno de seu corpo nu e ela estremeceu. Zac assobiou por entre os dentes e, rodeando sua cintura com seu braço forte, a agarrou e trouxe-a para cima dele. Ele segurou seu rosto com as palmas das mãos e levou sua boca contra a dele.

— Eu amei acordar ao seu lado, tesoro. — ele disse, enquanto acariciava seu pescoço. Seu cabelo estava caindo sobre o rosto, mas ele não parecia se importar. — Nas próximas seis semanas eu vou acordar ao seu lado todos os dias. — ele murmurou enquanto guiava seus quadris e suavemente a deitava em cima dele. Vanessa fechou os olhos quando o prazer estourou por todo o corpo. Ela começou a se mover lentamente, ritmicamente, agarrando os ombros de Zac para apoio, quando ele se ergueu nos cotovelos e beijou ao longo de seu pescoço, queixo, seios.


Pelas próximas seis semanas.

Suas palavras fizeram seu coração pular uma batida inesperada, como se ele não tivesse certeza se valeria a pena, mesmo se vencer essa batalha, Zac não estaria com ela.

Sentindo sua tristeza repentina, Zac se levantou até que ele estivesse sentado na cama, Vanessa em cima dele.

— Ei, você está bem? — Perguntou ele. Balançando a cabeça, porque ela não podia confiar em si mesma para falar direito, Vanessa levou sua boca até a dele, violando seu interior ofegante. Irremediavelmente. Seguindo seu exemplo, Zac cavou seus dedos em seus quadris e lhe pediu para se mover mais rápido até que ambos estavam sem ar.

Quando Vanessa estava nos braços de Zac, sua mente ficava completamente vazia. Ela não queria pensar, tudo o que ela queria fazer era sentir.

E ela fez isso.

Ela sentia como se cada parte dele fosse dela.

*
— Eu acho que preciso de um banho. — disse Vanessa, enquanto distraidamente traçava os dedos na tatuagem do ombro de Zac ombro. Ele balançou a cabeça.

— O quê foi?

— Eu não acho que você precisa de um banho.

— Não?

— Não. Acho que nós precisamos de um banho — ele disse com um sorriso brincalhão.

Vanessa se inclinou até à base do seu pescoço e inalou.

— Mmmm, eu acho que você pode estar certo — disse ela e franziu o nariz em desgosto simulado.

— Você está dizendo que eu estou fedendo?

— Não, eu estou dizendo que eu não me importaria em ensaboar você.

Os olhos de Zac acenderam instantaneamente, e em um movimento rápido, ele pegou Vanessa e, dando-lhe um beijo na curvar dos dedos, levou-a até o banheiro.

*
Ela o lavou com água e sabão, e fez outras coisas que o fizeram se sentir como se ele nunca tivesse experimentado esse prazer antes. Estar com Vanessa, tê-la tão completamente, era como acordar de um sonho, todos os seus sentidos estavam tão acentuados, que ele não tinha certeza se ainda estava sonhando ou não.

Era perfeito.

Ela era perfeita.

Zac lavou o cabelo e enxaguou com condicionador, em seguida, apertou o gel de banho na esponja e lavou o corpo dela. Depois que ela tinha feito o mesmo por ele, se secaram e saíram. Ele envolveu-a em uma toalha, pegou uma para si e uma toalha seca para o cabelo dela.

Era tão íntimo ser capaz de fazer isso com ela.

Caminhando de volta para o quarto, sentou-se na beirada da cama e ela veio a ele, de pé entre suas pernas, ela trancou as mãos atrás do pescoço e o beijou.

— Em algum momento temos que sair deste quarto, você sabe. Enfrentar o mundo. — disse ela, quando separou seus lábios dos dele. Ele gemeu e puxou-a de volta para ele, mordendo o lábio inferior.

— Por “o mundo” quer dizer Ashley, certo?

— E tia Niki. Elas sabem que você está aqui, elas devem ter visto o seu carro.

— Então? Eu quis dizer o que eu disse no outro dia. Somos adultos e não precisamos da permissão de ninguém para ter um sexo suado e quente, com a respiração ofegante. — Ele sorriu maliciosamente e deslizou as mãos ao longo de suas coxas, ainda molhadas do chuveiro.

— Isso foi uma citação exata? Porque eu não me lembro do quente, suado, e respiração ofegante.

— Você não lembra, hein? Eu só poderia ter que lembrá-la. — Ele a virou na cama, enquanto ela deu uma risadinha, e desembrulhou a toalha.

— Outra vez?

— Temos três semanas para compensar, amor. E é tudo culpa sua, então agora você vai aguentar o seu castigo. — Vanessa riu novamente quando Zac desembrulhou a sua própria toalha   e não deixou nenhuma dúvida de que ele  estava pronto para ela. Novamente.

*
Era tarde quando finalmente conseguiram se vestir e sair do quarto. A casa estava completamente tranquila, não havia ninguém em casa. Niki estava no trabalho, era óbvio, mas onde estava Lisa?

Zac se ofereceu para fazer macarrão, e Vanessa sentou-se à mesa, olhando para  ele. Seus movimentos eram tão graciosos, era hipnotizante.

— Eu preciso falar com a tia Niki. É sua casa. Não importa se somos adultos ou não,  se ela não está confortável com você passando a noite aqui, então você não vai.

Zac levantou uma sobrancelha.

— É justo. Mas se esse for o caso, o que eu duvido, então eu vou ter que te sequestrar e trancá-la no meu quarto para usar quando eu quiser. — ele sorriu e deliberadamente lambeu um pouco de molho de seu dedo.

— Eu aposto que isso vai cair bem com Gia. — disse Vanessa, a ironia em sua voz não passando desapercebida a ele.

— O que você quer dizer?

— Ela disse a você... Sobre... Sobre como ela me encontrou na sexta-feira? 

— Vanessa estava olhando para o topo da mesa atentamente, incapaz de encontrar os olhos de Zac. Ele deixou o molho no fogão e moveu para se sentar ao lado dela.

— Sim — respondeu ele, preocupado.

 O que foi aquilo? Será que ela está imaginando, ou ele parece culpado?

— Na sexta-feira Lisa e eu estávamos em casa, quando ela fugiu de mim de novo, porque ela tinha que “fazer algo”. — Vanessa começou, fazendo aspas no ar com os dedos. —Eu decidi segui-la. Ela foi para a rua e chamou um táxi. A única opção que eu tinha era pegar outro táxi e demorei muito até para considerar isso. — Zac apertou sua mão, para deixá-la saber que ele entendeu. — Bem, eu chamei um táxi, mas quando ele parou... — Vanessa fechou os olhos, tentando não chorar. — Ele parecia tanto com o pedaço de merda que tinha matado papai e Eric. Eu simplesmente congelei, eu não podia me mover. Ele gritou comigo, quer entrar ou sair, e assim eu bati a porta e fugi. Eu não tinha ideia de onde eu estava quando Gia me encontrou.

— Nessa... — Zac disse, com a voz rouca quando ele puxou-a para si e abraçou-a.

— Eu sinto muito, eu não estava lá para você. Gia me ligou depois que ela te deixou em casa, então eu sabia que você estava segura. Eu só... Eu não podia. Eu estava puto com você, e levou tudo o que eu tinha para me manter longe de você...

— Você estava zangado comigo? Por quê?

Zac olhou para ela por um longo tempo antes que ele falasse, como se estivesse pensando se deveria dizer a ela. No final, ele suspirou e disse:

— Eu vi você com Rico. Beijando-o na rua.

— Foi por isso que você se afastou? Por causa de um beijo estúpido?

— Beijo estúpido? Eu pensei que tínhamos algo, Nessa. Pensei que estávamos fazendo progressos, que estava gostando de ficar comigo e, em seguida, eu deixo você uma noite, e você sai com Rico...

— Você saiu com Beppe! Para ajudá-lo a pegar mulher! Você ia flertar com as meninas durante toda a noite, ou pior. Eu não sentia que tinha o direito de impedi-lo.   — Vanessa levantou-se da cadeira, porque ela estava com tanta raiva que precisava de espaço para se mover. — Achei que você tinha encontrado alguém naquela noite e foi por isso que você desapareceu de repente.

— E eu pensei que você estava namorando Rico! Por que você não me ligou? Por que você nem tentar me encontrar?

— Porque eu sou teimosa e orgulhosa! Quanto mais o tempo passava, mais eu pensei que você tinha encontrado alguém naquela noite e seguiu em frente. Eu pensei que eu finalmente consegui afastá-lo para sempre. — Vanessa estava gritando, e as lágrimas ameaçavam transbordar. Zac se levantou e foi até ela, com os olhos cheios de preocupação e arrependimento. Ele a abraçou com força, até que ela se acalmou.

— Por que você saiu com ele, Stella?

— Porque eu estava com raiva de você por sair com Beppe para pegar meninas a noite toda. Ele me ligou, e eu aproveitei a chance de sair da casa antes que ficasse louca imaginando uma mulher em cima de você.

— Eu não estava interessado em nenhuma das mulheres naquela noite. Eu só pensava em você e como eu prefiro estar com você. Quando eu te vi com Rico , eu perdi completamente o controle. Graças a Deus Beppe estava lá para me arrastar para longe, caso contrário, eu não sei o que eu teria feito. 

Ele beijou o topo de sua cabeça enquanto ela relaxava contra seu peito. 
Sua voz saiu abafada quando ela falou,

— Ele me beijou totalmente de repente. Ele que fez tudo, Zac. Eu o empurrei. Então, quando ele me levou para casa eu lhe disse que tinha sentimentos por você, e não iria sair com ele outra vez.

Zac exalou alto, todo o seu corpo relaxando. Vanessa levantou a cabeça para olhar para ele e acariciou sua bochecha com os dedos.

— Sinto muito, minha linda. Por tudo. Mas não podemos mudar o que já aconteceu. Vamos deixar tudo isso para trás e apreciar o que temos agora.
Vanessa concordou com a cabeça e, roçando seus lábios nos dela, Zac foi verificar seu molho. Ele mexeu, provando-o, acrescentou algumas ervas e reduzindo o calor, deixou no fogão. Derramando água em outra panela, colocou a tampa e deixou-a ferver. Vanessa ficou fascinada ao vê-lo se mover de forma eficiente em torno da cozinha.

— Gia deve pensar que eu sou louca agora. — disse ela, quando ele se sentou ao lado dela novamente.

— Não, ela não pensa isso. Ela realmente não pensa em outras pessoas, na verdade. — Era sua imaginação, ou havia um pouco de amargura na voz de Zac? — Além disso, quem se importa? É a minha casa, tanto quanto a dela. Se eu quero que você fique comigo, você fica comigo, ponto final.

Vanessa assentiu, porque ela não sabia mais o que dizer. Ela precisava falar com Niki primeiro e depois decidir o que fazer.

— Precisamos descobrir aonde Ash vai, Zac. Eu sinto que é a chave para tudo o que está acontecendo com ela. Se ela não vai nos contar, vamos descobrir por conta própria.

—Eu concordo. Mas como podemos fazer isso? Será que ela tem algum padrão de quando vai?

—Eu acho que sim. Nas últimas três vezes, duas foram na quarta-feira e uma sexta-feira, sempre na parte da tarde. Então eu acho que deve acontecer na quarta-feira. Você está trabalhando?

—Não durante o dia. Eu tenho um turno no bar à noite.

—Ok, então temos um plano.

Vanessa sorriu, satisfeita que ela tinha um confidente e cúmplice novamente. O macarrão estava pronto e eles começaram a comer, sem perceber até então, como eles estavam com fome.

No momento em que tinham terminado a refeição e limpado a cozinha, era quase hora de Zac ir. Ainda não havia sinal de Ashley, então Vanessa decidiu enviar-lhe uma mensagem.

Vanessa: Hey Ash, você está no trabalho? Quando você volta para casa?
Ashley: Sim, eu estou no meio da aula. Devo voltar em duas horas. Espere por mim, nós precisamos conversar.

Suspirando, Vanessa digitou,

Vanessa: Eu sei. Eu vou estar aqui.

Essa era uma conversa que ela não estava feliz em ter. Franzindo a testa, ela deixou o telefone sobre a mesa e viu Zac olhando para ela.

— Então? — ele perguntou.

—Ela está no trabalho. Ela quer conversar quando voltar.

Zac pegou a mão dela e levou-a para o sofá, onde ele posicionou-a no colo antes  de falar,

—Eu posso cancelar o meu turno. Podemos conversar com ela juntos.

—Não, está tudo bem. Eu tenho que fazer isso sozinha.

Ashley sabia por que Vanessa não deveria ficar com Zac, ele não. Ela preferia abordar essas questões sem ele presente. A culpa recaiu sobre ela, quando se tornou consciente de como ela teria que esconder tantas coisas dele, quando na verdade tudo o que ela queria fazer era contar-lhe tudo. Isso não era uma opção, no entanto. O que eles tinham era perfeito demais para estragá-la com a feia verdade. Além disso, ambos sabiam que não ia durar para sempre. Eles tinham seis semanas, e Vanessa a intenção de torná-los tão incrível como pudesse, sem pensar mais além disso.

—Eu tenho que ir, amor. — disse ele, quando Vanessa enrolou os braços ao redor do pescoço e provocou seus lábios com os dela. Colocando ambas as mãos entre as omoplatas, Zac puxou para ele e aprofundou o beijo, encontrando a língua com a sua. — Eu venho depois do trabalho. — disse ele sem fôlego contra sua boca. — Eu vou mandar uma mensagem para você vir até a porta. Se Niki não me quiser aqui, eu vou te levar para casa.

—Quantos sacrifícios você tem que fazer, só para fazer sexo comigo. — Vanessa brincou, seus lábios se curvando em um sorriso. Zac estava sério quando se afastou, para olhar em seus olhos enquanto falava.

—Nunca sequer pense que é apenas sobre o sexo. É incrível, é verdade, mas é incrível, porque isso significa alguma coisa... Para mim. Porque é com você.

Ele segurou os olhos dela com o seu, até que sua expressão mudou e ela balançou a cabeça. Zac a puxou para outro beijo e Vanessa percebeu que ela precisava ouvir isso dele. Não porque ela não sentisse isso quando eles estavam juntos, mas porque ela era uma menina e ela queria ouvir belas coisas- especialmente de alguém como Zac, que nunca tinha sido privado de atenção feminina.

Depois de Zac partir, Vanessaa não sabia o que fazer. Ela se sentia inquieta e fora de equilíbrio. Assistir TV não ajudou, porque nada poderia reter sua atenção por mais de cinco minutos, então ela decidiu pegar seu Kindle e ler. A melhor maneira de esquecer o seu próprio drama era mergulhar em outra pessoa, mesmo que fosse ficção.

A porta da frente abrindo a assustou longe do seu livro, e Vanessa viu que era sua tia entrando.

Aqui vamos nós: choque de realidade número um.

—Oi, querida. — disse ela com um sorriso. Bom sinal?

—Oi, tia Niki. Como foi seu dia? — Vanessa estremeceu com suas próprias palavras, mas na verdade, o que ela deveria dizer? Toda a situação era difícil, para dizer o mínimo.

—Ele foi agitado, como de costume. Você já jantou?

—Não, ainda não.

—Vamos lá, então, eu trouxe alguns ingredientes, vamos fazer alguma coisa e conversar.

Niki grelhou alguns bifes e colocou Vanessa encarregada em cortar os legumes e cozinhá-los. Ashley estaria em casa logo, então elas fizeram comida suficiente para todas as três.

Quando os legumes estavam no fogo, e os bifes descansando, Niki se serviu de uma taça de Prosecco e sentou-se à mesa em frente à Stella, que estava descascando um pepino para a salada.

—Então, eu vi o carro de Zac aqui na frente esta manhã. Você quer compartilhar algo? — Sua voz era brincalhona, divertida mesmo.

—Ele passou a noite aqui. — disse Vanessa, corando. — Comigo.

—Eu entendo. — Niki bebeu o vinho, e o coração de Vanessa estava martelando dentro de seu peito enquanto ela esperava a reação de sua tia. Ela não precisava de sua permissão, isso era verdade, mas ela se sentiria muito melhor se estivesse tudo bem para ela Zac aqui, e com o seu relacionamento. — Você já contou a Gina? — ela finalmente perguntou.

—Ainda não. Quando conversamos pela última vez eu disse a ela sobre Zac, dos meus sentimentos por ele, mas eu também tinha algumas reservas em relação a estar com ele. Ela me aconselhou a ir com o meu coração e dar uma chance, se eu achava que valia a pena.

—Isso soa como algo que ela diria. — Niki disse e sorriu. Em seguida, ela se aproximou da mesa e pegou a mão de Vanessa na dela. — Olha, querida, eu sei como a vida tem sido injusta com você, e eu sei que deve ser difícil se permitir querer muito alguma coisa, só para perceber que poderia ser tirado de você a qualquer momento. Mas você tem que deixar ir esse sentimento. Você tem que tentar e apreciar o que você tem agora e não pensar muito no futuro, porque ninguém sabe o que ele contém. Se Zac é o que você quer agora, então esqueça todo o resto e fique com ele. Veja aonde isso vai. Não perca nenhuma chance na vida, porque você está com medo de que você pode se machucar.

No momento em que ela terminou de falar, tanto Niki como Vanessa tinham lágrimas derramadas em seus olhos. Sua tia sabia exatamente como ela estava se sentindo, porque ela tinha estado lá, ela tinha perdido o homem que ela amava. Niki sabia exatamente o que estava incomodando Vanessa e exatamente o que dizer para levantar o peso de seus ombros. Tudo o que ela tinha dito era absolutamente verdadeiro. Mesmo que a sua vida parecia perfeita, no momento, havia um futuro incerto pairando sobre ele, isso poderia mudar em um piscar de olhos. Isso não significa que você deve parar de viver.

—Obrigada. — Isso era tudo que Vanessa poderia dizer. Niki sorriu e soltou sua mão, inclinando-se para trás em sua cadeira. — Tia Niki, você tem certeza que está tudo bem Zac passar a noite aqui? Não apenas a noite passada, mas... Algumas outras noites assim?

—Eu não me importo, você é uma mulher adulta. Apenas certifique-se que sua mãe saiba. Parece errado manter isso afastado dela.

—Claro. Eu realmente quero dizer a ela. — disse Vanessa e sorriu. Ela mal podia esperar para compartilhar como estava feliz com sua mãe.

—Zac é um cara realmente ótimo, eu sabia que você ia gostar dele, mesmo antes de você chegar. Ele ajudou Ashley em muita coisa. Ele é definitivamente alguém que você pode contar, e isso é muito raro de encontrar.

O timer para os legumes colocou um fim à conversa, e eles ficaram ocupadas servindo a comida em pratos. Ashley entrou logo que Vanessa estava colocando a salada na mesa e fixou-lhe um prato também. Elas terminaram sua refeição rapidamente, o riso fácil e brincadeiras fluindo. Ashley parecia de bom humor, o que era extremamente benéfico para a conversa mais tarde. As meninas enxotaram Niki para fora da cozinha para ir relaxar, enquanto limpavam a mesa. Uma vez que terminou, Ashley serviu uma taça de prosecco para si e abriu uma garrafa de San Pellegrino aranciata para Vanessa, e elas foram para a sala de estar.

—Você sente como se precisasse partilhar algo comigo? — Ashley perguntou, um tom divertido em sua voz.

Será que ela é louca?

—Eu tenho, na verdade. Zac passou a noite aqui, como você deve ter imaginado.

—Como em “Zac e eu fizemos sexo” passou a noite aqui? — Os lábios de Ashley subiram como se quisesse sorrir, mas estava tentando se controlar.

—Como se “Zac e eu tivemos o melhor e mais alucinante sexo que tive na vida” passou a noite aqui — disse Stella, arqueando uma sobrancelha e sorrindo.

—Ewww, isso é nojento. Ele é meu amigo, eu não preciso ouvir sobre suas habilidades no quarto.

Isso não era como Vanessa tinha imaginado que a conversa correria. Com Ashley, ela nunca sabia o que esperar - sua grade emocional estava totalmente fora de controle. Ainda assim, ela estava feliz por sua prima ter aceitado a ideia de que ela e Zac ficariam juntos.

—Então, você está bem com isso? — Vanessa perguntou.

—Se você está bem com isso, então eu também estou.

—Mas isso não foi o que você disse antes...

—Eu sei o que eu disse. Não era qualquer coisa que você já não soubesse. Você é um das pessoas mais atenciosas, responsáveis, e compassivas que eu conheço, Nessa. Acredito que se você chegou a um acordo com o resultado de sua decisão, é porque deve valer a pena. Eu encerrei em julgar as pessoas. — Ashley se encolheu com suas próprias palavras e dor crua nublou seus traços por um segundo. Antes que Vanessa pudesse comentar, porém, Ashley sacudiu a cabeça, dispersando a emoção tão rapidamente como tinha aparecido.

—E, além disso, eu estou feliz que vocês finalmente resolveram isso, a tensão sexual entre vocês dois estava me dando uma dor de cabeça. — As duas riram e tomaram um gole de sua bebida. — Você não disse a ele, não é? — Ela não precisava esclarecer que estava falando do câncer, Vanessa sabia.

—Não. E eu não vou. Ontem à noite, quando ele entrou no meu quarto nós conversamos e decidimos não pensar além das seis semanas que me restam aqui. Ele sabe que eu estou retornando para casa depois disso, e não vamos mais ficar juntos, e ele está bem com isso.

—Você tem certeza?

—Sim. Isso é o que ele disse, então não há nenhum ponto em não acreditar. Eu não quero que ele me olhe de forma diferente. Tudo que eu quero é aproveitar o que temos agora e não pensar em mais nada. Estou cansada de pensar nas coisas demais, Ash.

—Eu sei. Eu também. — Houve uma inesperada tristeza em sua voz e Vanessa pensou em lhe perguntar mais uma vez, o que ela estava escondendo e por quê. Mas a conversa sobre Zac estava indo tão bem, que ela não queria estragar o momento.

—Estou tão feliz por você estar bem com nós dois juntos. Isso teria me feito sentir muito mal, se você não estivesse. Você é muito importante para mim, Ash. Espero que você saiba disso — Vanessa estendeu a mão e entrelaçou os dedos com sua prima, na esperança de que, talvez, se ela soubesse o quanto Vanessa a amava, ela diria a ela o que estava acontecendo com ela.

—Eu sei. Você é muito importante para mim, também. Me desculpe se eu agi como uma cadela antes...

—Pare com isso: você não agiu assim. Você estava apenas preocupada com nós dois, eu sei disso. Mas às vezes o que queremos não é o que é melhor para nós, e mesmo que nós sabemos que isso não vai acabar bem, ainda devemos mergulhar de cabeça e aproveitar cada minuto, pois desejamos tanto que qualquer pensamento racional é deixado para trás.

Ashley assentiu, imersa em seus pensamentos, e Vanessa não pôde evitar em se perguntar se ela estava aplicando suas palavras a outra situação.
—Ele está vindo hoje à noite? — Ashley finalmente perguntou.

—Sim. E você vai ter que se acostumar com ele bastante por perto. E por bastante, eu quero dizer todas as noites. Pelo menos, é o que ele diz.

—Eu não estou surpresa. Quando Zac quer alguma coisa, ele vai com tudo. — Lá estava ela - aquela tristeza novamente.

Estou perdendo alguma coisa?

—Ash, há algo que você gostaria de compartilhar? —Ashley sacudiu a cabeça e bebeu o resto do seu vinho.

—Estou cansada, eu tive um longo dia. Eu acho que vou para a cama.
—Claro. Amanhã você vai trabalhar?

—Sim, na galeria durante o dia. Estarei em casa à noite.

Ela deu um beijo de boa noite em Vanessa, e subiu as escadas até seu quarto.  Olhando para o relógio na parede, Vanessa percebeu que tinha pelo menos duas horas até Zac chegar. Sentindo-se de repente exausta, ela foi para o seu quarto, deixando seu telefone no travesseiro ao lado dela e, saboreando o cheiro de Zac em toda a sua cama, caiu no sono.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Capítulo vinte e Dois

Ashley queria sair no sábado à noite, mas Vanessa alegou estar exausta de sua caminhada em torno da cidade durante todo o dia e dispensou a saída. Sua prima perguntou se importaria se ela saísse sem ela, e, claro, Vanessa disse que não tinha nenhum problema.

Gia veio para buscá-la cerca de uma hora mais tarde.  Ela olhou para Vanessa, avaliando-a, verificando se ela tinha se recuperado do incidente colapso-no-meio-da-rua. Rebocando um sorriso no rosto, Vanessa deu a impressão de que estava absolutamente bem, apenas um pouco cansada. Enquanto esperavam Ashley ficar pronta, Vanessa contou tudo a ela sobre a exposição que tinham visto naquele dia, e sua atitude feliz pareceu convencer Gia que ela estava de fato bem.

Depois que elas saíram, a fachada cuidadosamente sustentada por Vanessa desmoronou. Lágrimas brotaram de seus olhos e ela não sabia exatamente o porquê.  Algo dentro dela quebrou. Era como se ela tivesse segurando por tanto tempo, que não podia mais segurar as suas paredes artificiais.
Ela correu para o quarto e fechou a porta atrás dela, deslizando no chão e chorando até que não tinha mais lágrimas.


Quando ela se acalmou, ela tomou um banho e foi para a cama. Seus olhos estavam secos, mas o peito ainda estava pesado. Normalmente, ela se sentia melhor depois que deixava sair todo o fluxo de lágrimas, mas não desta vez. Cavando profundamente em seu interior para descobrir o motivo de seu coração pesado, pela primeira vez, ela foi capaz de admitir a si mesma algo que ela sabia o tempo todo, mas não queria assumir.

Ela estava apaixonada por Zac.

Mas ela o tinha perdido, com seu desejo obstinado de proteger seus corações. Como ela poderia amar alguém, quando ela não sabia se viveria o suficiente para ter uma vida real com ele? E se quando voltasse para Londres, os médicos falassem que seu câncer estava de volta? Ou que tinha se espalhado para outros órgãos, ou seu sangue? O que ela diria a Zac?
Talvez fosse melhor acabar agora, quando ainda era possível. No entanto, isso também era extremamente difícil.

Em seu desespero, Vanessa fez algo que nunca tinha feito antes, nem mesmo quando descobriu sobre o câncer. Naquela época, ela tinha sua mãe e os médicos, e sentiu que alguém estava olhando por ela, protegendo-a, orando por ela. Agora ela não tinha ninguém que pudesse lhe dizer o que fazer.

Ela fechou os olhos e imaginou Eric e seu pai olhando por ela quando falou,

—Pai, Eric... Eu não sei se vocês podem me ouvir. — ela começou, sua voz um sussurro. — Mas eu preciso de vocês. Preciso de sua orientação. Eu me sinto tão perdida, tão sozinha. — Ela fechou os olhos, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Eu sinto a falta de vocês tanto, tanto. Eu sinto muito que nunca falei com vocês antes, mas... É difícil. Vocês se foram e eu... Minha mãe e eu fomos deixadas para trás e nos perdemos em algum lugar ao longo do caminho. Nós existíamos, mas não vivíamos. Pela primeira vez na minha vida desde então, eu sinto que quero viver. Eu quero ter um futuro, uma família. E, pela primeira vez na minha vida eu tenho uma razão para viver. Eu tenho alguém que me faz feliz e que me faz imaginar uma vida longa pela frente. Mas eu acho que eu deveria dizer “tinha”, não “tem”, porque eu o afastei muitas vezes, e ele não me quer mais. — Vanessa fechou os olhos, porque um bolo gigante havia se formado em sua garganta, e ela não podia falar mais.

—Por favor — continuou ela, a palavra quase inaudível. — Me ajudem. Me mostrem o que devo fazer. Eu o quero, mas estou com medo e eu sinto que não é justo que ele fique comigo, por causa da minha doença. Mas se não estou com ele, eu me sinto completamente vazia. Eu realmente não me importo se estou saudável ou não, porque sem ele, eu vou voltar a apenas existir e fingir viver.

Soluços começaram a escapar de sua boca, em vez de palavras, e Vanessa parou de falar. Ela pensou que tinha chorado todas as lágrimas, mas, aparentemente, algumas ainda ficaram.

Na manhã seguinte, a casa estava muito quieta. Vanessa adivinhou que Ashley ainda estava dormindo, mas ela não tinha ouvido ela chegar na noite anterior. Considerando que Vanessa tinha desmaiado depois de chorar pelo que pareceram horas, isso não era uma indicação real para saber se ela estava em casa ou não. Niki estava longe de ser vista também. Suspirando, Vanessa fez café e, pegando seu Kindle, foi para a piscina. Ela sentou- se em uma das espreguiçadeiras, tomando o seu café, e pensando o que fazer hoje. Ontem à noite, ela esperava ter algum sonho cheio de revelações, mas ela não tinha sonhado com nada.

Ela ainda não sabia o que fazer com Zac. E se ele apenas seguiu em frente? Fazia muito tempo, se ele quisesse vê-la, ele certamente teria vindo até agora. Ou, pelo menos mandado uma mensagem. Mas ele não tinha, então ela não tinha escolha a não ser sentar e esperar. Mais cedo ou mais tarde, ele tinha que ressurgir - ele não podia evitar Ashley para pelas próximas seis semanas, certo? Quando ela o encontrasse, ela saberia o que fazer.

*
—Cara, isso foi épico. Eu sinto como se o velho Zac estivesse de volta, só que sem os problemas de raiva. — Beppe sorriu enquanto bebia o seu café. Cada palavra que ele falava batia no cérebro de Zac como uma broca Kango.

—Pare de ser tão alegre, por favor. Eu estou morrendo aqui. Por que eu deixei você me arrastar para fora da cama está além de mim.
Eles estavam sentados em uma mesa do lado de fora do café favorito de Beppe. Zac estava curvado para baixo sobre a mesa, seu cabelo uma bagunça, e ele usava óculos escuros para esconder os olhos injetados de sangue, ele se sentia como merda. Quando Beppe invadiu a sua casa esta manhã, Zac não podia acreditar o quão bem seu amigo parecia, e como ele parecia pouco afetado por uma noite inteira de festas, álcool e sexo.

—Eu nunca vou sair com você de novo. — Zac disse, enquanto tomava um gole de café.

—Você está brincando comigo? Foi a maior diversão que você teve nos últimos anos. Devo lembrá-lo das duas damas maravilhosas que você levou para casa com  você?

Beppe balançou as sobrancelhas sugestivamente.

—Não. Eu me lembro bem. E não foi o mais divertido que eu tive nos últimos anos.

Os pensamentos de Zac foram para Vanessa, de novo, enquanto ele se lembrava de seus momentos juntos. Qualquer um desses momentos era mais divertido do que qualquer coisa que tinha acontecido na noite passada.

—Você ainda está pensando nela? — Perguntou Beppe, sua voz ficando séria. Zac assentiu. — A noite passada não ajudou? — Zac sacudiu a cabeça.

Beppe suspirou e bebeu o seu café em silêncio por alguns minutos.

—Ok. Eu estou cansado dessa merda. Estou farto de você ficar de bobeira como um covarde, a evitando e punindo, porque ela beijou outro cara. Você realmente a quer? Vá atrás dela! Eu te disse antes, na primeira semana que ela chegou - se você não reclamá-la, alguém o fará. Você fica na ponta dos pés em torno dela durante semanas, e então alguém vem e a agarra. Cresça um par de bolas ai e faça dela sua. Senão a esqueça

—Eu estou tentando esquecê-la... — Zac começou, mas Beppe o interrompeu.

—Bobagem. Você pensa nela o tempo todo, como é que esqueceu? Se você realmente a quer tanto, que duas meninas quentes não podem tirá-la de sua cabeça, você tem um problema, cara. Você está apaixonado por ela.
Diga-me algo que eu não sei.

—O que você vai fazer? Sentir pena de si mesmo e desperdiçar cada chance que você tem até que ela partir, ou vai falar com ela e dizer o que realmente sente?

—E se ela não se sentir da mesma maneira?

—Essa é a única chance que você tem. Se você acha que ela vale a pena, corra atrás dessa chance.

Após o discurso de Beppe, Zac passou o dia todo pensando nisso. Ele foi para casa logo depois que tinha terminado seu café e surfou pelos canais de TV sem rumo, pensando em Vanessa e o que ele precisava fazer.

No final, ele decidiu que Beppe estava certo - ele estava sendo um covarde. Ele estava com medo de dar os passos decisivos com Vanessa, porque ele estava com medo que ela o dispensasse. Ele não queria perdê-la, mesmo que isso significasse ser seu amigo e nada mais.

Agora chega.

Ele ia falar com ela hoje à noite, pegá-la desprevenida e deixa-la escolher - ser sua ou nunca vê-lo novamente.

Ele estava indo com tudo.

*

Zac esperou até ter certeza de que Ashley estaria em casa de volta do trabalho para ligar para ela. Ela parecia feliz em ouvi-lo, e ele sugeriu que passasse lá por um minuto, porque ele queria vê-la e não tinha muito tempo na próxima semana. Ela disse que sentia falta dele e o convidou.

Deliberadamente Zac levou bastante tempo, e passava das dez quando ele chegou à casa de Ashley. Niki estava provavelmente dormindo, e Ashley estaria cansada também. Assim como ele tinha planejado.

*
Vanessa ouviu a porta do quarto de Lisa abrir e fechar suavemente e em poucos segundos, houve uma batida suave em sua própria porta. Supondo que era sua prima, ela disse automaticamente “Entre”, sem se levantar da cama.

Não era Ashley. Era Zac. Ele entrou, fechou a porta atrás de si e, mantendo as mãos na maçaneta da porta atrás de suas costas, ficou lá. A única luz no quarto era a da lâmpada de cabeceira, mas foi o suficiente para Vanessa ver claramente seu rosto. Ele não parecia bem. Seus olhos estavam vermelhos e ele tinha círculos escuros sob eles.

Ela se levantou e passou as pernas sobre a cama, mas não se mexeu para ir até ele. Era mais seguro assim.

—Zac, você está horrível. Está tudo ok? — Vanessa perguntou, preocupada.

—Não. — Ele olhou para ela, e seus olhos geralmente espumantes, pareciam poços pretos sem fundo na penumbra.

—O que aconteceu? — Vanessa não se moveu para ir ate ele. Ela queria desesperadamente, porque ele parecia estar com tanta dor, mas sua intuição estava gritando para que ela ficasse onde estava.


—Você aconteceu, Vanessa. Você. — ele disse, e deslizou para baixo da porta. Sentou-se no chão e colocou a cabeça entre as mãos. Vanessa se sentiu horrível. Ela era a razão pela qual ele estava sofrendo tanto. Em seu desejo de protegê-lo, ela lhe tinha causado a dor.

Foda-se sua intuição. Ela queria estar perto dele, aliviar sua dor se pudesse. Caminhando lentamente por todo o quarto, sentou-se na frente dele, colocando as pernas debaixo dela.

Ela não disse nada, porque ela não conseguia pensar em nada para dizer ou perguntar. Zac precisava falar, caso contrário ele não teria batido em sua porta. Então, ela o deixou levar o seu tempo.

—Eu tentei. Eu realmente tentei ser seu amigo. — ele começou, em poucos minutos, levantando os olhos para encontrar os dela. De perto, eles ainda estavam mais negros. — Eu não posso mais fazer isso. Eu não posso estar perto de você e não poder te tocar, te beijar... — Sua voz era rouca e ele parou de falar para passar suas mãos através de seu cabelo. Vanessa não disse nada. Ela não podia nem se ela quisesse, porque a garganta estava completamente fechada. — Eu tentei manter distância - é por isso que eu não te procurei na semana passada. Eu não queria estar em qualquer lugar perto de você, e ainda assim eu não conseguia parar de pensar em você. Eu queria que tudo parasse. Eu saí na outra noite e bebi bastante. Não funcionou. Eu ainda pensei em você. Eu não conseguia me lembrar da porra do meu próprio endereço, mas eu pensei em você. — Ele fez uma pausa e a maneira como ele olhou para ela mudou de desespero, para misturar com raiva ardente e uma preocupação genuína. Vanessa se perguntou por  que, quando ela percebeu uma lágrima rolando por sua bochecha esquerda. Ela limpou-a rapidamente, determinada a não chorar mais.

—Na noite passada eu bati no fundo do poço. — continuou ele depois de alguns momentos, mostrando determinação em seus olhos novamente. — Eu fui a um clube, tomei algumas bebidas, dancei com uma dúzia de meninas e convidei duas delas para a minha casa. — Seus olhos nunca deixaram os dela quando ele disse isso. Se ele estava esperando uma reação de ciúmes dela, ele conseguiu. Vanessa sentiu o chão tremer sob o seu corpo e, em seguida, o mais puro ciúme a envolveu. Levou toda sua força interior para não saltar nele e bater até que toda a raiva sair fora de seu corpo. Em vez disso, ela permaneceu em silêncio. Tinha que haver mais disso, do que ele apenas desejar machucá-la.

—Eu pensei que duas meninas quentes iriam apagar você da minha mente, mesmo durante a noite. Eu sempre quis um trio com uma morena e uma loira, e assim eu escolhi essas duas. Eu fantasiava em olhar para o meu pau e ver duas cabeças de cores diferentes sugando nele.

Nesse ponto, Vanessa não aguentava mais. Por que ele estava fazendo isso com ela?O Zac que conhecia não era cruel, então, quem era essa pessoa em sua frente?

Ela levantou abruptamente e se afastou dele.

—Saia. — ela disse, tão calmamente quanto podia. Ela não ia quebrar na frente dele e dar-lhe a satisfação de ver como suas palavras a tinham afetado.

—Eu não acabei. — ele disse, sua voz vindo a direita atrás dela.

—Eu não vou sentar aqui e ouvir as suas aventuras sexuais. Você pode ter o que diabos quiser, mas eu não estou nem aí.

—Sério? Então por que você quer que eu saia?

Vanessa virou-se para encará-lo.

—Você pode fazer o que quiser, mas eu não tenho que ouvir isso.

—Mas você tem que ouvir. Trata-se de você.

—Não, isso não é verdade.

—Sim, é verdade. — Ela abriu a boca para argumentar, mas ele a interrompeu. — Nem se preocupe em discutir. Eu vou dizer o que eu vim dizer, quer você queira ouvir ou não.

Vanessa fechou a boca, em parte porque ela estava com medo que pudesse gritar com ele e chamar a atenção de Ashley, e em parte porque ela sabia que ele era teimoso o suficiente para continuar a falar sem o seu consentimento. Reunindo seu mais olhar desaprovador, ela fitou-o, e ele continuou.

—Eu tinha o sonho de todo homem no meu quarto - duas meninas quentes, com tesão, dispostas a fazer qualquer coisa que eu pedisse. Durante toda a noite. Mas em vez de ficar duro com o pensamento delas nuas na minha frente, tudo que eu podia pensar era como nenhuma dessas cabeças tinha a cor de caramelo incrível de seu cabelo. Nem cheiro, gosto ou sensação. Elas eram meras substitutas para o que eu realmente queria. Então, pedi-lhes para sair antes que sequer começasse, percebendo que nada pode tirar você da minha cabeça.

Vanessa não esperava isso. Mais uma vez, ela não sabia o que dizer. O que ele esperava? Um tapinha no ombro?

—Bom para você. Agora, saia. — dispensando-o, ela se virou e se dirigiu para a cama. Ela não a alcançou, porque Zac a agarrou a cintura dela e puxou-a para ele. Sua respiração era quente em seu ouvido, seu peito pressionado em suas costas. E não era a única coisa dura pressionada nas suas costas.

—Você me arruinou, Vanessa. Sua teimosia atingiu um novo limite. Você diz que não quer ficar comigo porque você não quer machucar ninguém e, ainda assim, por não estar comigo, você machuca a si mesma, Ashley e eu.

Ele estava certo. Todo mundo estava bem e feliz antes que ela chegasse e estragasse tudo. Ela machucou Zac recusando-se a ficar com ele, ela tinha machucado Ashley porque Zac não podia ficar perto dela mais e se isolado fora, ela tinha se machucado, porque ela o queria muito.

A mão que estava apertando sua cintura aliviou e acariciando sua pele, virou-a para encará-lo. Seu rosto tinha mudado completamente. Ele não era o idiota que queria que ela sofresse com ele um minuto atrás. Era o Zac que ela conhecia - gentil, carinhoso, honesto. Ele varreu seu cabelo de seu rosto atrás de seus ombros e gentilmente tocou o pescoço no processo. Stella não poderia evitar - ela fechou os olhos e estremeceu.

—Eu vou aceitar qualquer coisa que você me der, minha linda. Qualquer coisa. Se você me der seis semanas com você até partir, eu vou aceitar. Eu não quero ouvir que o que temos é muito intenso para uma aventura de verão. Eu não me importo. — Ouvindo ele falar, fez Vanessa esquecer todas as razões pelas quais ela se negava a ficar com ele.
Seis semanas. Isso era tudo o que tinham, mas agora parecia muito melhor do que nada.

—Já perdemos muito tempo. Por favor, tesoro, eu vou implorar, se é isso que você quer.

Vanessa balançou a cabeça, ela não queria  que  ele implorasse. Ela baixou os olhos para seus lábios e lambeu os seus. Tudo o que ela queria era sentir o gosto dele, e para o inferno com toda a lógica.

Zac não precisava de outro convite. Ele bateu contra a boca dela, sugando seu lábio inferior antes que enfiasse a língua na sua boca, e ela choramingou. Com um gemido, ele separou suas bocas para falar.


— Vou tomar isso como um “sim”. — Vanessa assentiu com a cabeça - ela estava tão tensa no momento, que ela não confiava em si mesma para falar. 

— Você tem certeza? —Outro aceno de cabeça. — Porque se você não está cem por cento com certeza que quer estar comigo, diga isso agora. Em cerca de dois segundos vai ser tarde demais. Assim que eu tiver você, eu não vou deixá-la ir.

—Seis semanas. E então eu vou embora. — Zac concordou com a cabeça. 

— Prometa-me que isso não afetará o seu relacionamento com Ashley.

—Eu prometo. Nós dois sabemos quando isso vai acabar. Sem drama.

—Ok.

Mesmo antes do K sair de sua boca, Zac já estava em cima dela, beijando-a, cavando com as mãos em seu cabelo e empurrando-a de volta na cama. 

Vanessa não conseguia segurar por mais tempo. Ela o queria tanto quanto ele a queria, e ela estava cansada de lutar como ela realmente se sentia.
Zac colocou-a delicadamente na cama, com os lábios devorando a dela com uma paixão que ela não sentia com ele antes. Todas as outras vezes que ele a beijou, ele estava se controlando, ela percebeu. Vanessa respondeu da mesma forma, explorando sua boca com a língua, chupando, mordendo o lábio inferior, em seguida, liberando e beijando-o novamente. Zac gemeu profundamente em sua garganta quando ele enganchou seu braço ao redor da cintura dela e a ergueu com facilidade. Ele posicionou-a no meio da cama e parou na beira para olhar para ela.


Seus olhos eram puro fogo.
E Vanessa era a razão para isso.

Esse único pensamento explodiu em seu coração como fogos de artifício no Ano Novo e queimou qualquer incerteza. Não havia mais peso sobre seu peito, sem mais tristeza. Tudo o que podia sentir eram os olhos de Zac sobre ela.

Ele se levantou e deu um passo para trás. Pânico deve ter aparecido no rosto de Vanessa, porque ele sorriu e disse:

— Não se preocupe. Eu não vou a lugar nenhum.

Agarrando as costas da camiseta ele puxou-a sobre a cabeça e jogou-a no chão. Os músculos de seu peito contraindo com os seus movimentos e Vanessa mal conseguia resistir e tocar cada parte dele. Ainda com seu sorriso provocante, Zac lentamente abriu sua calça jeans e arrastando-a para baixo de seus quadris, saiu dela. Ele estava em pé na frente dela, apenas de cueca preta, que deixava pouco para a imaginação. Os olhos de Vanessa não sabiam o que consumir em primeiro lugar - o seu bronzeado, corpo perfeito, seus lábios molhados, convidando, seus olhos ardentes, suas tatuagens.

Pensando em suas tatuagens, Vanessa lembrou que ela ainda não sabia o que dizia a que estava em seu quadril, então ela fez algo que havia imaginado fazer desde que ela o viu pela primeira vez na praia.

Empurrando-se para fora da cama, Vanessa se arrastou com suas mãos e de joelhos em direção a ele, mantendo seus olhos divertidos com a dela. Quando ela chegou a ele, lenta e deliberadamente, ela puxou o cós de sua cueca para baixo, até que todo o texto surgiu. Então ela parou. Os músculos do abdômen de Zac contraíram, e ela viu os calafrios, onde ela estava tocando.

A tatuagem diz: — A vida é uma jornada, não um destino. — A citação de “Amazing” do Aerosmith. Uma citação que ela amava e lhe disse, mesmo antes de saber de sua tatuagem. Sorrindo, Vanessa abaixou a cabeça em direção a ela e beijou-a, arrastando a ponta da língua sobre as letras.

Zac gemeu e puxou-a para cima, cobrindo seu rosto com as mãos. Ele a beijou ferozmente, enquanto Vanessa arrastava delicadamente as unhas ao longo de seu abdômen totalmente lambível.

*
— Sua vez. — Zac sussurrou no ouvido de Stella, quando ele beliscou seu lóbulo da orelha. Levar isso lentamente o estava deixando louco. Ela o estava deixando louco. Ele havia planejado provocá-la muito antes de realmente fazer amor, mas ele não estava tão certo disso agora. Quando ela lambeu sua tatuagem, isso levou toda a sua força interior para não jogá-la de volta na cama e empurrar dentro dela. Essa era a coisa mais erótica que já tinha acontecido com ele, e ele já esteve com mais mulheres que conseguia se lembrar.

Agarrando a barra de sua regata, ele puxou-a sobre sua cabeça. Ela não estava usando sutiã e ficou em pé diante dele, apenas no seu short, com o cabelo derramado sobre os ombros e costas, e os olhos bebendo todo o seu corpo, que tremia de desejo por ele. Zac tinha imaginado esse momento um monte de vezes, mas a coisa real era muito melhor do que qualquer coisa que sua mente jamais poderia ter criado.

Ele arrastou seus dedos sobre os braços, as costas, o peito, a barriga. Arrepios apareceram em todos os lugares e os mamilos estavam duros por ele. Ele pegou um entre os dedos, apertando-o suavemente, observando a reação dela. Ela engasgou e sua respiração saiu ofegante. Puxando-a para mais perto dele, Zac beijou seus lindos lábios, em seguida, se moveu, deslizando a língua ao longo de seu pescoço, chupando sua pele até que ela gemeu alto e cravou as unhas em suas costas. Elas deslizaram para sua cintura e passaram por sua calcinha, deslizando as mãos sobre a sua bunda ao longo do caminho.

—Você leu minha mente — disse ele, baixando a cabeça e pegando um de seus mamilos em sua boca, enquanto suas mãos estavam ocupadas removendo seu short da mesma maneira que ela tinha retirado o dele.

Zac puxou Vanessa até que ela estava de pé, com os pés sobre a cama, seus short em seus tornozelos, e ele tinha que olhar para cima para encontrar seus olhos. Aqueles grandes olhos cinzentos que brilhavam com tão intensa luxúria, que Zac teve que morder o lábio com força para recuperar o controle. Ele deslizou as mãos ao longo de suas coxas, e ela deu um passo para fora do short e o chutou para o chão. Zac fez o mesmo com sua cueca, e seu olhar queimou sua pele enquanto ela absorvia a visão dele completamente nu. Zac a puxou contra ele, e Vanessa mergulhou seu corpo para baixo e encontrou seus lábios enquanto ele rodeou sua cintura com os dois braços. Suas pernas em volta dele e eles caíram em cima da cama. 

Vanessa riu e Zac roçou a bochecha com o polegar, incapaz de afastar os olhos para longe dela.


— Você é tão linda. — ele sussurrou e roçou os lábios nos dela levemente. 

Sorrindo, ela trancou as mãos atrás do pescoço e puxou-o para ela, beijando-o. Zac deslizou sua mão ao longo de seu peito e seu estômago, até que chegou em sua calcinha. Quebrando o beijo, ele olhou para ela para confirmar que estava tudo bem, e quando ela concordou, ele deslizou um dedo dentro dela.

Vanessa gemeu, suas costas arqueando e os quadris esfregando contra sua mão.

—Nessa... — ele sussurrou, incapaz de desviar o olhar dela.

—Zac, por favor... — ela arquejou e trancou o seu olhar entreaberto nos seus. — Sem mais provocações.

Como se ele precisasse de outro convite.

Rapidamente, ele encontrou um preservativo em sua calça jeans e o colocou. Em seguida, ele deslizou sua calcinha e se posicionou em cima dela, apoiando seu peso em seus braços para que não a esmagasse com o seu corpo. Vanessa envolveu as pernas ao redor dele e acariciou suas costas, enquanto Zac mergulhou os lábios nos dela. O beijo foi lento e profundo, saboreando cada sensação. Cuidadosamente, Zac deslizou dentro dela enquanto ela gritava contra seus lábios. Seu coração batia tão rápido que ele pensou que poderia ter um ataque cardíaco. Neste momento, neste exato momento aqui, estar dentro de Vanessa, foi a coisa mais incrível que ele já havia sentido.

Sua alma se expandiu até que derramou sobre ele a cada movimento de seus quadris.

Quando Vanessa arqueou as costas e mordeu seu ombro, tentando abafar seus gritos, tudo isso se tornou demais para ele e, com um empurrão final ele encontrou sua própria libertação.

Ficaram assim, membros emaranhados juntos, arquejando, pegando a respiração, acalmando seus corpos. Zac acariciou o cabelo de Vanessa e olhou em seus olhos, tentando ver como ela se sentia. Seu coração inchou em seu peito enquanto ele pensava nela, de quanto ele a amava. Sua alma era dela, quer ela gostasse ou não.

Vanessa era sua alma gêmea, sua casa, seu tudo, e ele nunca iria deixá-la escapar. Tudo o que ele desejava agora era ser capaz de dizer a ela o quanto a amava, mas como poderia, quando ele prometeu que eles estariam juntos apenas durante o restante de sua viagem? Sua recém encontrada determinação inundou suas veias, e ele silenciosamente jurou que iria passar as próximas seis semanas fazendo tudo que a levasse a  se apaixonar por ele com tanta força, que ela nunca iria querer deixá-lo.

Suas emoções violentas devem ter sido registradas por ela, porque uma lágrima rolou pelo rosto de Vanessa.

—O quê foi? — Ele perguntou baixinho, limpando a lágrima.

—Nada. Eu estou apenas... Feliz. Eu não me lembro da última vez que me senti tão contente. Tão completa. — Ela corou, como se não quisesse admitir isso.

—Eu também.
Zac a beijou e, puxando as cobertas sobre seu corpo, envolveu-a em seus braços e a segurou enquanto dormiam.