segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Capítulo Dezessete

— Você quer vir para o bar hoje à noite? — Zac perguntou quando estacionou seu carro na frente da casa de Ashley. Vanessa queria ir, porque queria passar mais tempo com ele, mas, ao mesmo tempo, sentia que precisavam passar algum tempo separados. Estava ficando insano - desde que ela chegou, eles tinham passado quase todas as horas juntos.

— Não, acho que vou passar essa noite.

— Por quê?

— Porque... — disse ela, esperando que ele chegasseà mesma conclusão que ela e não tivesse queexplicar. No entanto, ele continuou a olhar para ela com uma pergunta em seus olhos. — Acabamos de passar a tarde inteira sozinhos em um barco, Zac. Você já não está cansado de mim?

— Não. — Isso foi tudo o que disse. E ele continuou a olhar para ela como se esperando que ela mudasse de ideia.

— Eu não vou. Tenho um encontro com a minha mãe, no Skype. E, além disso, eu preciso te dar algum tempo para sentir minha falta. — Ela piscou para ele e, beijando seu rosto em despedida, pulou para fora do carro. Zac esperou que ela entrasse antes de partir.

Vanessa entrou e encontrou a casa vazia. Ela nunca tinha tido qualquer problema em ficar sozinha. Pelo contrário, muitas vezes, ela preferia. Em Londres, era apenas ela e Gina na grande casa; sua mãe raramente convidava amigos -não que ela tivesse muitos. Stella não tinha muitos amigos também. Ela nunca se preocupou em conhecer melhor as pessoas, a fim de ganhar o direito de chamá-las de amigos. Claro, ela se dava bem com todos na escola, saía com eles, se divertia, mas nunca deixava ninguém entrar. Ela até mesmo teve dois namorados, se é que vários meses de encontros pudessem ser considerados como tendo um namorado.

Isso até que ela foi diagnosticada pela primeira vez com câncer. Depois, ela se fechou completamente. Os e-mails e telefonemas ocasionais de Lisa tinham sido a única fonte de amizade que ela tinha deixado em sua vida.

Estar na Itália, na casa de Ashley, parecia completamente diferente. Havia algo sobre esse lugar que fazia Stella ansiar por ter outras pessoas ao seu redor. Até a ideia de passar a noite toda sozinha ali a enervava, enquanto em casa, ela teria acolhido como uma oportunidade de assistir a um filme ou ler um livro, de forma imperturbável.

Subindo as escadas, Vanessa tentou banir seus pensamentos, porque a última coisa que ela precisava agora era estragar seu humor. Um pensamento negativo levaria a outro e, antes que percebesse, ela estaria no chão, tremendo e chorando, lembrando o quão fodida sua vida era. Ela passou por isso muitas vezes e se recusava a deixar que isso acontecesse aqui, neste lugar perfeito, para onde ela tinha vindo para escapar e encontrar a felicidade, ainda que temporariamente.

Além disso, Vanessa queria parecer bem para sua mãe. Elas não se falavam há alguns dias e Gina precisava ver que ela estava feliz.

Trocando seu vestido por um short e uma camiseta regata, ela ligou seu laptop. A tela iluminou-se e, enquanto esperava para se conectar à internet, Vanessa desceu e fez uma xícara de chá de camomila. Voltando lá para cima e sentando de pernas cruzadas sobre a cama, Stella olhou para o relógio. Eram sete horas. Ela ainda tinha cerca de uma hora até que sua mãe estivesse online.

Para passar o tempo, ela começou a navegar sem rumo on-line, assistindo a vídeos no You Tube e organizando suas estantes no Goodreads, quando o celular vibrou.

Zac: O que você está fazendo   

Vanessa: Por quê? Você já está sentindo a minha falta? ;)

Zac: Claro que sim. Venha já pra cá.

Stella: Não posso. Ainda não falei com a minha mãe.

Zac: Depois? 

Vanessa: Zac... Eu já estou de pijama. Prefiro ficar em casa.

Zac: Pijama? E como exatamente ele é?;) 

Vanessa sorriu. Ela adorava quando Zac flertava com ela, mesmo dizendo para ele parar. Mas eles estavam enviando mensagens de texto agora; não era pessoalmente. Era apenas um pouco de diversão. Certo?

Vanessa: Short que mal cobre minha bunda e uma camiseta regata que mal cobre... Qualquer coisa.

Zac: Estarei aí em 10 min. 

Vanessa: Nãããoo, eu estava brincando. É um moletom largo. Nada sexy, eu juro. 

Zac: Tarde demais. A imagem já está na minha cabeça. 

Vanessa: Você vai ter que se encarregar da imagem por sua conta porque minha mãe está ligando. Tchau!

Quando Vanessa clicou no botão verde piscando na tela de seu computador, ela não podia deixar de sorrir.

— Oi, mãe! — Vanessa acenou quando o rosto de sua mãe apareceu.

— Oi, docinho. Você parece feliz.

— Sim, eu sei — ela disse, pensando que não tinha rido ou, até mesmo, sorrido tanto assim, antes de conhecer Zac. Devia ser estranho para sua mãe vê-la assim. — Você está ótima, mãe.

— Obrigada, querida. As meninas no trabalho me importunaram para ir a um SPA com elas na semana passada. Eu acho que teve resultado.

— Você foi a um SPA? — Vanessa estava mais do que surpresa. Sua mãe nunca fez nada parecido. Gina era uma bela mulher, mesmo que não desse muita atenção à aparência. Talvez a separação fosse boa para as duas.

Como eram apenas as duas sozinhas por muito tempo, elas ficaram muito próximas uma da outra e compartilhavam tudo. Vanessa sentia falta de sua mãe e realmente queria falar com ela sobre Zac, sobre as estranhas mudanças de humor de Ashley, sobre como ela estava com medo de que tudo isso fosse uma bolha cheia de pó mágico e que, mais cedo ou mais tarde, iria estourar.

— Eu acredito que tudo acontece por uma razão. As pessoas entram em nossas vidas por uma razão; nada é uma coincidência — Gina disse finalmente, depois que ouviu vanessaa colocar tudo para fora de seu peito. — Eu sei que você não quer se machucar, querida, mas, às vezes, temos que correr riscos e explorar as possibilidades apresentadas na nossa frente. Lembra-se do filme com Jim Carey, “Sim, senhor”?

— Lembro.

— Então... tente ser mais como ele. Diga “sim” para as coisas que você normalmente não diria.

— Você sabe, esse é um conselho terrível de uma mãe para sua filha!

Gina riu.

— Provavelmente. Mas eu sei que tipo de filha criei. E eu confio em você.

Elas conversaram por quase duas horas. Gina disse a Vanessa sobre suas conversas telefônicas com Niki e como estava feliz que sua antiga melhor amiga tinha finalmente decidido estender a mão para ela. Nenhuma das duas queria desligar, mas, no final, Stella viu sua mãe tentando esconder um bocejo pela terceira vez consecutiva, então, elas se despediram.

Vanessa desceu até a cozinha para pegar algo para comer, quando Niki entrou pela porta da frente. Ashley ainda não estava em casa, o que era estranho - ela nunca trabalhava até tão tarde na galeria. Vanessa tentou ligar para ela, mas o telefone foi direto para a caixa postal. Sua tia não achou estranho, de qualquer forma; ela disse que o sinal na galeria não era tão bom e ela provavelmente se atrasou. Ashley era uma boa menina - ela nunca saía tarde sozinha, ficava bêbada ou desaparecia sem ligar, e isso dava à sua mãe um motivo para confiar nela implicitamente.

Elas jantaram juntas e Vanessa se ofereceu para lavar os pratos, uma vez que Niki parecia exausta. Ela agradeceu e foi direto para seu quarto.

No momento em que Vanessaa voltou para o quarto dela, eram quase onze horas. Pegando o telefone para tentar ligar para Ashley novamente, ela viu que tinha uma chamada não atendida de Zac.

— Ei, o que aconteceu? Você ligou?

— Sim. Nós temos um problema. — Ele parecia preocupado. — Ashley está aqui.

— Aqui onde? No bar?

— Sim. — Vanessa a não podia acreditar nisso. Sua prima a abandonou hoje, depois foi para o trabalho, supostamente, e agora estava fora festejando sem ela. Isso era tão diferente dela.

— Ela está sozinha? — perguntou Vanessa pensando que talvez Ashley tivesse um encontro e fosse por isso que ela não a tinha convidado.

— Não mais — disse Zac, com a voz triste e parecendo um pouco irritado.

— Zac, me diga o que diabos está acontecendo.

— Ela chegou aqui há uma hora atrás. Eu não te liguei porque achei que você sabia, e talvez estivesse vindo também. Ela mal falou comigo e começou a pedir shots. Quando tentei fazer com que ela pegasse leve, ela gritou para eu não me meter e foi à loucura na pista de dança. Agora, ela tem um ser desprezível em cima dela.

— Oh, Deus. Estou indo para aí.

— Não. Você fica em casa. Eu vou cuidar disso.

— Zac, o seu turno não acabou. Como exatamente você vai cuidar disso? Eu irei e a arrastarei para casa, pela bunda, se preciso for.

— Não, Vanessaa. Eu não quero você saindo sozinha tão tarde. Eu vou lidar com isso.

— Zac... — Vanessa realmente não gostou de seu tom super protetor e estava pronta para discutir um pouco mais, ou, até mesmo, desligar na cara dele e ir lá, quando ele a interrompeu.

— Por favor, Nessaa. Fique aí. Eu não posso lidar com Ashley e me preocupar com você saindo sozinha à noite. — Sua voz era suave, mas comandando.

Apesar de não gostar, Vanessa concordou. 

Passava da meia-noite quando Zac ligou para ela ir para a porta, porque ele não queria tocar a campainha e acordar Niki. Ele tinha Ashley em seus braços e ela estava desmaiada. A reação de Vanessa deve ter sido perto de horrorizada, porque ele disse imediatamente.

— Está tudo bem. Ela desmaiou no carro. Ela vai estar com uma baita ressaca amanhã, mas, por outro lado, ela está bem.

Vanessa assentiu e eles a levaram para o quarto, tirando seus sapatos e cobrindo-a com o cobertor.

Voltando para a sala, Zac sentou-se no sofá e Vanessa sentou ao lado dele.

— O que está acontecendo com ela, Zac? Isto é tão diferente dela.

— Eu sei. — Ele colocou o braço sobre as costas do sofá e seus dedos roçaram o ombro de Vanessa. Ela estremeceu, sentindo muito frio. Seu corpo estava tão quente e convidativo ao lado dela, que, em um impulso, ela se aconchegou nele. Sem perder o ritmo, seu braço ficou mais apertado em torno dela e seus dedos começaram a fazer círculos em seu braço.

— Nós temos que conversar com ela. Fazê-la confessar o que a está incomodando — disse Vanessa, e sentiu Zac concordando com a cabeça.

— Você não estava brincando sobre o pijama, afinal de contas — ele disse, colocando sua bochecha em cima de sua cabeça. Ela nem tinha percebido que estava usando apenas o short e a camiseta regata que dormia. Ela tinha estado tão preocupada com Ashley. Enrijecendo em seus braços, Vanessa pensou em como responder. — Ei, relaxe. Eu não mordo — ele disse, sentindo seu mal-estar, e apertou seu abraço de modo tranquilizador ao seu redor.

Que pena, ela pensou.Acho que eu poderia gostar.

Então, ela imediatamente repreendeu-se por pensar isso.

Vanessa esticou o pescoço para olhar para o rosto de Zac. Ele levantou a cabeça dela e a encarou. Seus lábios estavam tão perto que ele só tinha que mergulhar a cabeça para baixo dois centímetros e eles tocariam os dela. Sentindo-a olhar para a sua boca, Zac mordeu o lábio inferior e seus olhos nublaram de desejo, suas pálpebras semicerrando. Ele liberou o lábio de seus dentes e ficou com marcas de mordidas vermelhas brilhantes sobre ele.

Vanessa engoliu lentamente, sua frequência cardíaca aumentando quando ela se lembrou do gosto daqueles lábios. Sinos começaram a tocar em sua cabeça enquanto ela tentou sem sucesso se afastar e tudo ao seu redor turvou. Havia apenas Zac e ela, seus olhos cor de avelã vidrados com o calor e seus lábios tão convidativos e próximos.

Zac trouxe a outra mão ao rosto dela e acariciou-a ternamente. O que surpreendeu Vanessa foi que ele não saltou nela como tinha feito antes. Ele estava mostrando uma resistência surpreendente, considerando o quão íntimo aquele momento era. Era como se ele esperasse por ela, como se fosse a sua decisão a tomar.

Ela derreteu em sua mão e fechou os olhos, entregando-se totalmente ao momento. Exalando alto, Zac apertou os braços em volta dela, quase a esmagando, e, trazendo seu rosto para o lado do pescoço dela, inspirou-a. Então, ele lentamente, quase agonizante, tocou seus lábios em seu pescoço.

Vanessa estremeceu fisicamente. Ela nunca sentiu essas dores intensas de prazer antes. Se ele podia fazer isso com ela só com um beijo suave em seu pescoço, como seria fazer amor com ele? O pensamento a fez ofegar, quando outra onda de luxúria trovejou através de seu corpo.

— Nessa — Zac sussurrou, sua voz rouca. — Assim você me mata aqui. — Ele arrastou os lábios e a ponta da língua por seu pescoço até sua linha da mandíbula. Vanessa gemeu quando emoções conflitantes se espalharam dentro dela; ela precisava se afastar, porque, se não o fizesse, eles acabariam passando a noite juntos - e, ainda assim, ela nunca se sentiu tão bem em toda a sua vida. Foi o momento mais incrível de sua existência, e como ela deveria interrompê-lo?

— Zac...

— Por favor, não me diga para parar, minha linda. Eu te quero tanto — ele sussurrou, quando seus lábios encontraram os dela.

Desta vez, o beijo foi lento e luxurioso. Ela saboreou cada momento enquanto ele acariciava sua língua na dela. Chupando seu lábio inferior, Zac enterrou suas mãos em seu cabelo e deitou-a no sofá. Ele deitou em cima dela, seus lábios nunca deixando os dela, suas mãos acariciando suas coxas, sua cintura, seus seios. A coxa dele abriu suas pernas quando ele se posicionou bem em cima dela, e ela gemeu baixinho.

O que estou fazendo? Dando amassos com Zac no sofá da minha tia, pelo amor de Deus! E se ela acordar e nos encontrar? E se Ash acordar?

Todos os pensamentos de Vanessa foram cortados, porque Zac tinha aumentado a pressão de sua coxa entre as pernas dela e sua mão estava sob sua blusa.

Oh, Deus!

Vanessa ofegou sob seu toque, seu corpo todo tremia de necessidade. Ela o beijou de volta, como se sua vida dependesse disso. Seus lábios estavam ansiosos e qualquer coisa, menos gentil. No momento em que Zac apertou sua coxa entre as pernas dela, ela mordeu o lábio inferior e gemeu, suas mãos encontrando seu caminho sob sua camisa. Seus olhos cinzentos estavam tão desfocados que pareciam pretos.

Deus, ela estava tão perto!


Zac queria fazê-la gozar e observá-la o tempo todo, bebendo em seu rosto, seus lábios, com todo o seu corpo tremendo debaixo dele. Ele moveu a mão sob sua blusa, sobre os seios, a barriga, até que ele substituiu sua coxa pelos dedos. A respiração de Vanessa travou enquanto tentava ser silenciosa, e ela arqueou o corpo, a cabeça caindo para trás. Zac inclinou-se e beijou seu pescoço, em seguida, afastou-se para ver como ela se desfazia, gozando em seus braços.

Foi a coisa mais linda que ele já tinha visto e extremamente sexy.

Ele estava imaginando esse momento desde que a conheceu na praia e derramouágua oxigenadaem seu pé ferido. Ela arqueou o corpo da mesma forma e ele ansiava para fazê-la fazer isso por prazer, e não dor.

Lentamente, Vanessa relaxou em seus braços, e olhou para ele, as pálpebras semicerradas. A pele dela estava corada e seus lábios estavam inchados e vermelhos. Zac inclinou-se e beijou-a de novo, suavemente, saboreando o gosto doce dela. Ela colocou as mãos atrás do pescoço dele e puxou-o para ainda mais perto.

Bem, ela não estava empurrando-o. Isso era um bom sinal. Ele não seria capaz de aguentar se ela começasse a agir estranha com ele agora. Eles haviam cruzado a linha e, de agora em diante, era tudo ou nada. Sem mais essa besteira de amizade. Zac queria Vanessa como nunca quis nada antes.

A julgar pela reação de seu corpo a ele, ela o queria da mesma forma.

Quando  Vanessa  se  acalmou,  ela  começou  a  perceber  o  que  tinha  acontecido.  Zac  havia deixado claro que queria estar com ela, e ele estava tentando ser apenas seu amigo porque ela lhe pediu. Ela sucumbiu à sua atração por ele e lhe deu falsas esperanças.

Ela não poderia, de forma alguma, quebrar seu coração.

Ele merecia alguém que pudesse estar com ele, sem quaisquer complicações, como um relacionamento de longa distância, ou, ainda pior, câncer. Havia uma possibilidade muito real de que, quando ela voltasse para Londres e fizesse seu check-up, o câncer tivesse voltado. Tinha sido assim após a primeira cirurgia.

Vanessa gentilmente colocou a palma da mão sobre o peito de Zac, tentando empurrá-lo de cima dela. Ela tinha que ter muito cuidado como reagir agora - ela não queria machucá-lo, mas, ao mesmo tempo, ele tinha que saber que isso não poderia acontecer novamente.

— Zac — ela sussurrou, ainda um pouco sem fôlego. Ele levantou-se de cima dela e olhou em seus olhos, os seus próprios cheios de saudade. Ela empurrou-o um pouco mais, até que se sentou no sofá. — Isso foi incrível.

— Mas? — Sua expressão nublou e ele franziu a testa, sentindo que haveria um “mas”.

— Nós não podemos fazer isso agora. Ashley está muito frágil no momento e eu não quero jogar uma relação entre nós sobre ela. Ela deixou claro que não aprovaria e acho que seria uma boa ideia colocarmos as necessidades dela em primeiro lugar. Vamos falar com ela amanhã, ver o que está acontecendo.

Ele olhou para ela, franzindo a testa, por um longo tempo. Ela sabia que o colocou em uma posição horrível e se odiou por isso. Zac queria estar com ela, mas se ele dissesse isso agora, ele pareceria um idiota, por não se importar com os sentimentos de sua amiga.

Ele fechou seus olhos e esfregou o pescoço, tentando organizar seus pensamentos.

— Tudo bem. Você está certa. Vamos falar com ela amanhã de manhã; eu vou passar por aqui para tomar café. E nós vamos começar daí.

Vanessa assentiu e levantou-se do sofá. Mesmo que isso fosse exatamente o que ela queria que ele dissesse, lá no fundo, ela não podia evitar de se sentir um pouco decepcionada. Foi muito fácil, considerando o que tinha acontecido e a intensidade da atração de Zac por ela. Ela esperava que ele discutisse com ela, fizesse alguma grande declaração sobre como ele não podia ficar longe dela um segundo a mais - mas não o fez.

Vanessa odiava a forma como Zac espalhava suas emoções em todo o lugar, fazendo-a perder o foco sobre o que era certo e o que ela realmente queria.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Capítulo Dezesseis

Vanessa acordou cedo - mais uma vez. Recentemente, ela estava dormindo apenas algumas horas por noite, e estava começando a cobrar seu preço. Ela se sentia cansada e fora de equilíbrio. Apesar disso, ela decidiu sair para uma corrida, porque isso iria elevar seus níveis de energia, mesmo que o simples pensamento de fazer qualquer coisa remotamente física agora parecia uma tortura.

Colocando suas roupas para malhar, Vanessa deixou a casa o mais silenciosamente que pôde, porque ninguém mais estava acordado ainda. Na praia, ela decidiu correr na direção oposta à sua rota habitual, porque a chance de encontrar Zac era muito grande, ela não tinha vontade de ver ou falar com ele tão cedo. Ela precisava de um pouco de oxigênio bombeando em seu sangue primeiro, a fim de pensar direito e enfrentá-lo.

Ontem foi um dia duro. Vanessa tinha sido jogada de um extremo emocional para o outro, e ela estava se sentindo tonta até o momento em que, finalmente, chegou em casa e caiu na cama. Lembrando como carinhosamente Zac a segurou em seus braços na noite passada trouxe um sorriso ao seu rosto. Ambos cometeram erros, mas o importante foi que eles assumiram a responsabilidade das suas ações. Quando ele a deixou depois, ele tinha prometido sem mais jogos. Sem mais provocações. A atmosfera no carro havia mudado quase que instantaneamente - Vanessa tinha relaxado e Zac  parecia  menos intenso sobre como se sentia.

Isso lhe deu esperança de que talvez eles pudessem trabalhar com isso. Talvez a atração entre eles crescesse para uma amizade e, talvez, no momento em que ela  tivesse que ir para casa, Vanessa teria ganho um bom amigo, em vez de um coração partido.

Ela ainda o queria, cada pedaço dele. Ele ainda pode fazer seu corpo agir por conta própria com um único olhar.
Mas só se poderia esperar.

*
Zac tinha saído de sua casa no piloto automático. Tinha dormido apenas umas duas horas, e se sentia exausto. Mesmo sem perceber, ele colocou suas roupas para correr e saiu.

Ele colocou o volume de seu iPod no máximo e, tentando não pensar em nada, começou a correr. Infelizmente, a música alta não conseguia abafar seus pensamentos completamente. Logo, as imagens de Vanessa ontem inundaram seu cérebro. Sua dança com esse cara, aquele risada adorável e contagiosa dela, sua decepção com ele, seu corpo quente relaxando contra seu peito, seu cabelo macio, cor de mel entre os dedos.

Beppe estava certo. Zac era um idiota. Ele a fez chorar ontem à noite, por Cristo! A última coisa que ele queria fazer era machucá-la. Ele encerrou todos os jogos.

Vanessa foi a melhor coisa que tinha entrado em sua vida, há muito, muito tempo, e ele seria condenado se a perdesse. De agora em diante, ele seria o que ela precisava que ele fosse.

Correndo e pensando, Zac tinha esquecido completamente em prestar atenção para onde estava indo - até que ele percebeu que ele não estava em sua rota normal. Era tarde demais. Vanessa estava vindo em sua direção, usando seu bonito short de corrida e camiseta regata incrivelmente apertada.

Ela definitivamente não estava tornando a sua tarefa mais fácil. Como ele deveria resistir a ela, quando ela era tão sexy? Zac era um cara que não babava a cada menina bonita, ele era um cara que estava rodeado por um monte de mulheres, que tinha amigas e que poderia, em geral, controlar-se muito bem com as mulheres. Ele era um salva-vidas - ele trabalhava em torno de mulheres lindas e seminuas o tempo todo, sem a desconfortável sensação do calção repentinamente ficar muito apertado.

No entanto, no momento em que Vanessa apareceu em sua linha de visão, seu coração começou a bater mais rápido, e seu short definitivamente, ficou muito mais apertado.

Ao vê-lo, ela diminuiu o passo para um movimento lento e, mesmo à distância, Zac podia ver a boca espalhando-se num sorriso.

—O quê foi? — Ele perguntou, quando ela chegou até ele e parou, ainda sorrindo e com um brilho de diversão em seus olhos.

—Eu fui na direção oposta hoje para me certificar em não correr direto para   você. E olha onde isso me levou.

—Você está tentando me evitar, tesoro? — Seu sorriso era contagiante e ele se viu sorrindo, seu humor melhorando instantaneamente.

—Yeah.

—E por que isso?

—Eu não dormi muito, e você pode ser demais.

 Eu a domino. Eu gosto disso.

—Pare de sorrir como um idiota. Porque que você está tão feliz?

—Nada. — Vanessa prendeu-o com um de seus incrivelmente sexys olhares exigentes, mas ele não deu mais detalhes.

—Tudo bem: não me diga. Oh, a propósito, este não é o seu caminho também.

—Você está me perseguindo, Zachary?

—Não. Eu não dormi bem, e não estava prestando atenção para onde estava indo.

—Eu acho que minhas pernas que encontraram as suas por conta própria.
Vanessa revirou os olhos e passando por ele, continuou sua corrida.

—Te vejo depois — ela gritou por cima do ombro.

Zac pensou em correr atrás dela, mas decidiu contra. Claramente, ela precisava de seu espaço agora, e ele não ia se intrometer. Ele ficou maravilhado com a bunda dela por mais alguns momentos antes de continuar sua própria corrida.

—Pare de olhar para minha bunda, seu pervertido — ela chamou, sem sequer olhar para trás, mas o sorriso em sua voz era evidente. Zac riu abertamente, e correu para longe dela.

O dia tinha começado bem, e Zac se perguntou como iria acabar. Por alguma razão, desde que Vanessa tinha chegado seus dias se tornaram imprevisíveis. Antes disso ele tinha tudo muito certo em sua vida diária - como seus dias começavam, como eles terminaram, ele sabia. Na maior parte das vezes, não houve surpresas: apenas rotina. Agora, ele não tinha mais certeza de nada.

E ele gostava disso.

*
Vanessa sorriu todo o caminho de volta para casa. Às vezes, as coisas estavam destinadas a ser, e por mais duro que você tentasse evitá-las, você simplesmente não podia. Isso sempre foi uma verdade em sua vida, mas a diferença é que era geralmente sobre algo ruim.

Talvez minha sorte esteja virando? Já era tempo!

Quando ela chegou em casa, ela quase colidiu com Niki quando invadiu a porta da frente.

—Oh, desculpe, querida. — ela disse, enquanto a abraçava. — Tenho que correr, te vejo mais tarde?

—Claro. Tenha um bom dia, tia Niki.

—Você também, querida.

Vanessa lembrou que tinha a intenção de perguntar a sua tia sobre a conversa com sua mãe, mas não tinha tido a oportunidade. Pensando em Gina, Vanessa percebeu que não havia lhe ligado há um tempo. Talvez esta noite ela fique em casa, e fale com ela pelo Skype. Pegando seu telefone, ela escreveu uma mensagem rápida para sua mãe, pedindo-lhe para encontrarem em um bate-papo nesta noite. É claro que ela concordou quase que imediatamente.

Ashley estava na cozinha quando Vanessa entrou, mexendo o açúcar em dois copos de café.

—Eu te amo — disse Vanessa, enquanto pegava seu copo e beijava a bochecha de sua prima.

—Eu sei — disse Ashley, pegando o seu próprio copo e caminhando até a mesa. — Correndo com Zac de novo?

—Na verdade, correndo dele. Tentei evitá-lo, mas de qualquer maneira nós nos encontramos.

—Oh. Por que você estava tentando evitá-lo?

Vanessa suspirou e disse Ashley tudo o que aconteceu desde que elas tinham conversado no estádio domingo, assistindo ao jogo de Zac. Ashley era a sua amiga mais próxima e a matava esconder coisas dela, mesmo que isso significasse que ela tinha que sentar e ouvir outro discurso.
Depois que ela terminou a história, Ashley estava muito quieta, e havia algo em seus olhos - tristeza? Derrota? Compreensão? Vanessa não conseguia identificar exatamente o quê, mas não estava lá quando ela começou a falar.

—Eu acho que você não pode fugir do que está destinado a ser. — ela finalmente disse, tentando forçar um sorriso, mas não conseguindo.

—Isso é exatamente o que eu pensava. Não seria justo se fosse algo ruim, Ash. Mas eu estou tão pronta para finalmente algo de bom que esteja destinado a ser.

—Eu sei. Eu também.

—O que há de errado? — Vanessa apertou a mão de sua prima, porque ela parecia ter ficado muito triste em apenas alguns segundos.

—Nada. — Ela forçou um sorriso e desta vez quase conseguiu parecer convincente. —Eu só estou cansada.

Vanessa não queria pressioná-la, mas era evidente há algum tempo que algo definitivamente estava incomodando sua prima - algo que ela não tinha compartilhado com ninguém. Ela parecia uma pessoa que carregava um enorme fardo, tudo por conta própria. Vanessa  queria fazê-la falar, mas como? Se ela empurrasse, Ashley só iria se afastar ainda mais.

Ela iria falar com Zac. Talvez ele tenha algumas dicas sobre o que fazer.

—Então o que você quer fazer hoje? — Perguntou Ashley.

—Não sei. Primeiro, eu gostaria de tomar um longo banho quente. Então... Eu não sei. Talvez ficar em casa hoje ? —Tomar banhos de sol à beira da piscina?

—Parece bom. — Ashley sorriu, e Vanessa pensou que ela detectou um alívio em seu sorriso.

O humor de Ashley parecia melhorar ao longo do dia. Elas nadaram na piscina e descansavam em torno do jardim até o almoço. Então, Ashley fez alguns petiscos surpreendentes - mussarela e pesto bruschetta, batatinhas no vapor com manjericão, pedaços de melão envoltos em presunto de Parma, e iogurte congelado com biscoitos amaretti para a sobremesa. Stella simplesmente adorava comida italiana - tão simples e tão deliciosa.

Enquanto estavam na piscina, tentando digerir os alimentos, Vanessa estava lutando contra o desejo de tirar um cochilo. Sentia-se exausta, e o estômago cheio combinado com o tempo agradável e ensolarado não ajudou.

—Nessa?

—Sim?

—Eu tenho que sair por um tempo. Você acha que fica bem sozinha por umas duas horas? — Ashley perguntou.

—Sim, mas aonde você vai? Eu pensei que você não tinha que estar na galeria até ás cinco?

—Não, não é a galeria. Eu tenho que, hum, executar uma missão. — Foi a imaginação de Vanessa ou Ashley parecia um pouco culpada?

—Ok. Vá, eu vou ficar bem.

Ashley imediatamente pulou da espreguiçadeira e foi para dentro se vestir. Isso foi estranho.

Onde Ashley estava indo, que não poderia levar Vanessa com ela? E por que agia tão misteriosamente sobre isso? Alguma coisa estava acontecendo, com certeza.

Empurrando todos os pensamentos longe do seu cérebro, Vanessa relaxou e deixou o sono assumir seu corpo cansado.

Ela acordou duas horas depois. O sol ainda estava alto no céu, mas nem sinal de Ashley. Agarrando o telefone, Vanessa digitou:

Vanessa: Você está voltando para casa em breve?

A resposta de Ashley veio poucos minutos depois.

Ashley: Não, sinto muito, me atrasei. Vou direto para a galeria. Vejo você à noite.

Então, Vanessa estava sozinha em casa, sem nada para fazer. Entediada nem sequer começaria a descrever seus sentimentos. Ela pensou em sair sozinha , mas de alguma forma ela, não queria ficar sozinha agora.

O que Zac está fazendo? Será que está no trabalho? Deveria mandar uma mensagem para ele?

Por que não deveria?

Vanessa: Ei, você está no trabalho?

Zac: Não. Por quê?

Vanessa:  Eu estou completamente entediada, Ash me abandonou há duas horas. Quer me divertir?

Zac: Eu estou á caminho. Te vejo em 10 m.

Vanessa se levantou tão rapidamente que se sentiu tonta. Correndo até o andar de cima, ela trocou o biquíni por um vestido de algodão simples e chinelos. Assim que ela entrou no banheiro para arrumar o cabelo, o telefone tocou novamente.
Zac: Use um biquíni.

Porcaria. Ela tinha acabado de tirá-lo. No momento em que ela tinha se trocado novamente e arrumado seu cabelo, Zac já estava esperando do lado de fora em sua BMW.

—Oi — Vanessa disse assim que se jogou no banco do passageiro. — Nós vamos à praia?

—Não — ele disse, com um sorriso malicioso.

—Então, por que eu tenho que usar um biquíni?

—Você vai ver. — Ele piscou, e seu corpo traiçoeiro virou uma bagunça.

Zac estacionou o carro perto das docas. Ele tirou uma grande mochila do carro e, acenou para uma Vanessa muito confusa para segui-lo, indo direto até as docas. Eles passaram por grandes barcos e navios ainda maiores, que transportam de tudo, desde turistas até cargas, antes de chegarem a uma parte diferente. Parecia que era usado para iates particulares, porque todos os barcos ancorados lá eram menores e pareciam de lazer, ao invés de comercial.

Eles chegaram a um belo iate branco, com o nome — Elsa — escrito em azul. Vanessa parou e olhou, porque essa era a última coisa que ela esperava.

—Você veleja? — ela perguntou.

—Sim, desde que eu era criança. Meu pai adorava barcos. Elsa era dele. — Ele pegou a mão de Vanessa e levou-a em direção ao barco. Ele ajudou-a e, em seguida, subiu também. Depois de colocar sua bolsa na cabine, Zac ficou ocupado ao redor do barco, e Vanessa não tinha ideia do que estava fazendo. Ela nunca tinha estado em um barco antes.

—Sente-se, por favor. Nós vamos sair e eu não quero que você caia.Quando sair daqui, em águas mais calmas, você pode olhar ao redor, OK?

—Sim, sim, capitão. — Vanessa falou e sentou-se ao lado dele. Ele sorriu para ela, ligou o motor e partiu do cais.

Eles navegaram por um tempo, com Zac no controle absoluto do barco. Quando chegaram a um lugar isolado, que não poderia ser visto da costa, e sem outros barcos em volta, Zac abrandou e deixou cair a âncora.

—Está com fome? — Ele perguntou.

Vanessa assentiu com a cabeça e ele desapareceu na cabine. Ele trouxe sua mochila e pegou dois sanduíches e dois refrigerantes em lata. Ele também tirou a camisa e, seguindo o seu exemplo, Vanessa se livrou de seu vestido. Deitaram-se no convés, comendo seus sanduíches e desfrutando do sol.

Nenhum dos dois falou por um tempo, mas foi um daqueles silêncios confortáveis, que não havia necessidade de preencher.

Até o telefone de Zac tocar. Ele havia deixado na bolsa e sinalizou a Vanessa para pegá-lo, porque estava mais perto dela. Ela olhou para a tela - era Beppe. Zac fez um gesto para ela pegar e ativar o viva-voz, uma vez que ele estava segurando seu sanduíche e sua bebida.

—E ai? — a voz alegre de Beppe soou do outro lado. — Onde está você, cara?

—No barco.

—Oh, merda. Eu estava esperando tomar uma cerveja.

—Sinto muito, cara. Amanhã?

—Sim, talvez. Hey, já que dancei com sua namorada na noite passada e não consegui nada para mim — Os olhos de Zac arregalaram com o choque, e Vanessa riu — Eu acho que você me deve uma noite só de garotos. Apenas nós dois. — Beppe fez uma pausa, escutando. — Será que foi a risada de Vanessa que ouvi?

—Yeah. E você está no viva-voz, então cale a boca.

—Você a levou em seu barco?

—Obviamente — A voz de Zac era severa.

—Eu pensei não era permitido ninguém em seu barco! Eu estou implorando há meses, é como um ímã para garota...

—Que parte de “calar a boca” você não pegou, idiota? Eu te ligo mais tarde — disse ele e terminou a chamada.

Zac não encarou Vanessa no olho, e calmamente terminou seu sanduíche.

—Ele dançou com sua namorada? Quer elaborar sobre isso? — Vanessa estava tão feliz que não resistiu a provocar Zac um pouco. Na breve conversa de dois minutos, Beppe tinha dado material para provocá-lo por toda a tarde.

—Não — Ele tomou um gole de sua bebida, olhando em sua direção.

—Ok. Que tal, por que sou permitida em seu barco, e ninguém mais é?

Ele colocou a bebida no chão e olhou para ela com tal intensidade que ela sentiu a necessidade de cobrir-se com alguma coisa. Era como se ele estivesse olhando para a  sua alma.

—Este barco é a única coisa de valor que me resta do meu pai. Ele amava-o com todo o seu coração, e eu sinto que seria desrespeitoso com ele trazer qualquer um aqui.

—Mas é Beppe, não é qualquer um. —Max deu de ombros.

 — Eu não sei. Isso não parecia certo. Com o tempo, ele se tornou meu espaço pessoal. Me parece... Íntimo trazer alguém aqui.

A maneira como ele disse a palavra — íntimo — fez com que arrepios de prazer atravessassem o corpo de Vanessa. Ela decidiu deixar quieto. Era perfeitamente claro o que trazê-la aqui significava, mesmo que Zac não houvesse dito isso em palavras.

—Então, noite dos meninos, hein? — Ela perguntou, mudando completamente o tom e o rumo da conversa.

—Yeah. Há algo acontecendo entre ele e minha irmã. Ela está irritando-o e ele tem que extravasar, o que geralmente envolve pegar algumas meninas no lugar.

—Tenho notado a maneira como eles ficam juntos. Mas você disse que era normal, quando eu lhe perguntei.

—Eles sempre tiveram um relacionamento estranho, mas agora é diferente. Eles tiveram uma briga, pois o chefe de Gia gosta dela, e a beijou. Beppe ficou louco com ela, e depois daquele fiasco todo com a canção, ela não tem falado com ele.

—Então foi por isso que Gia tinha partido na outra noite, depois que Beppe cantou Lenny Kravitz . Falando em estranho, Ashley tem agido estranho recentemente. Ela me abandonou hoje para ir "executar uma missão" — Vanessa fez aspas com os dedos. — Ela se recusou a dizer onde ou com quem. E ela tem tido terríveis alterações de humor. Você sabe alguma coisa sobre isso?

—Não. Ela não me disse nada.

—Temos que descobrir o que está acontecendo, porque ela está me deixando louca.

Zac concordou com a cabeça, e começaram a arrumar o convés.

—Acho que devemos voltar. Eu tenho que estar no bar às sete.

Zac começou a manobrar o barco, e Vanessa, depois de colocar o vestido de volta, sentou-se ao lado dele. O sol já estava começando a se por e, combinado com o vento do barco em movimento, ela sentia frio. Lembrando que não tinha pensado em pegar um casaco, ela abraçou a si mesma, tentando se manter mais quente.

—Ei, você está com frio? — Perguntou Zac.

—Um pouco.

—Aqui. — Ele vasculhou sua bolsa e tirou seu capuz. Depois de colocá-lo, ele levou seu braço em volta dos ombros dela, e abraçou ao lado dele.

Naquele exato momento, em um barco no meio do mar, nos braços de Zac, Vanessa se sentia verdadeiramente feliz.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Capítulo Quinze

Era segunda-feira à noite e, como esperado, o bar não estava tão cheio. Zac estava no turno com Marco, que era legal e também fazia cocktails na velocidade da luz. Então tudo que Zac tinha que fazer era servir as cervejas e  garrafas de vinho.

Quando Vanessa entrou, Zac quase se arrependeu em convidá-la. Ela parecia quente. Como a superfície do sol. Como ele iria afastar os caras que dessem em cima dela? E ele tinha certeza de que haveria muitos.

— Uau, que é isso? Eu nunca a vi aqui antes. — disse Marco, praticamente babando em todo o balcão e olhando para Vanessa.

— Isso é Vanessa, e se você não parar de olhar de soslaio para ela como um pervertido, eu vou usar você para limpar o balcão. — disse Zac, o mais baixo possível, porque ela estava se aproximando, e ele não queria que ela ouvisse a sua ameaça.

— Relaxa, cara. Eu não sabia que ela era sua menina. — disse Marco, erguendo as mãos na frente e saindo. Zac não o corrigiu. Ele gostou do som de “a sua menina”.

— Hey. — ela disse, pegando o seu lugar habitual no canto do bar. — Por que você está me olhando desse jeito?

— É isso que você comprou hoje? — Perguntou Zac, ficando diante dela e colocando as mãos sobre o balcão.

— Yeah. Você gosta? — Ela sorriu, aquele seu sorriso mais encantador.

— Eu e todas as pessoas com um cromossomo Y aqui. — Ela riu e revirou os olhos.

— Agora estou temeroso que tenha que te beijar, para que todos se controlem e não tentem dar em cima de você. — Zac inclinou-se sobre os cotovelos em direção a ela, e notou sua expressão mudar instantaneamente de diversão encantadora, para algo mais sério. Ela queria que ele a beijasse. Zac inclinou-se ainda mais e ela aquietou completamente, sem fôlego e seus lábios se separaram.

Merda. Isso vai ser mais difícil do que eu pensava.

Vanessa tentou manter os olhos no dele, mas não resistiu parando em seus lábios. Zac beijou o canto da sua boca e permaneceu por alguns segundos, antes de se forçar a se afastar. Ela soltou a respiração que estava segurando e, novamente, como esta manhã, a decepção era evidente em seus olhos.

Ainda não, querida. Ainda não.

— Você quer jogar, Zac? — Ela perguntou, o timbre de sua voz soando baixo. — Porque eu posso jogar muito, se é isso que você quer.

Ela não estava sorrindo e brincando mais. Com um último olhar em sua direção, Vanessa foi para a pista de dança.

Porra.

*
Vanessa estava furiosa. Zac estava agindo como um idiota. Ele poderia muito bem ver o efeito que tinha sobre ela, mas ainda assim ele brincava com ela. E não só isso, mas a humilhando ao se afastar no último momento, sorrindo com satisfação e a deixando na vontade.

Ela estava cansada de seus jogos. Primeiro, ele a quis, então ele tinha prometido que seriam apenas amigos, e então ele começou a persegui-la, deixando ela desesperada o desejando.

Como se ela tivesse em algum momento parado de desejá-lo.
A parte racional de seu cérebro lhe disse que era melhor assim. Ficar com raiva de Zac era bom. Pelo menos a distraia de sua necessidade de estar com ele em todos os sentidos possíveis. Mas a maior parte, aquela irracional, mandava que ela o deixasse insanamente ciumento esta noite.

A vingança é uma cadela.

No momento em que ela chegou à pista de dança, dois rapazes a localizaram imediatamente e foram em sua direção. Um homem alto e muito atraente chegou primeiro, e, tomando-lhe a mão, girou em torno dela. Ele era um dançarino muito bom - não como Beppe, mas não havia ninguém como Beppe - e Vanessa gostava de dançar com ele. Seus pés estavam começando a doer por causa dos sapatos novos, mas ela decidiu ignorar a dor. Sem dor, sem ganho, certo?

Ela conseguiu roubar alguns olhares na direção de Zac e ele parecia tão irritado como Vanessa queria que ele estivesse. Quando a quarta música começou, Vanessa teve que desculpar-se, porque seus pés não estavam apenas a matando - eles já estavam mortos  e enterrados. O cara - que ela não chamou o seu nome por causa da música alta - ofereceu-se para comprar uma bebida para ela, mas ela recusou educadamente. Isso poderia empurrá-lo um pouco longe demais. Ela não queria ser responsável por seu nariz quebrado.

Sentando em seu banquinho, ela abanou-se dramaticamente e pediu ao outro bartender uma sangria sem álcool. Ele parecia apreciar os eventos acontecendo em torno dele e apresentou-se como Marco, beijando sua mão, antes de fazer o seu cocktail.

— Está se divertindo? — Perguntou Zac, sua voz dura.

— Sim, muito. Você estava certo. Foi muito melhor vir aqui do que ficar jogada na frente da TV durante toda a noite. — Ela estava empurrando testando seus limites e sabia disso.. Os olhos de Zac brilharam perigosamente com algo possessivo e raiva. Vanessa se recusou a recuar ou arrepender. Ele estava recebendo o que merecia.

— Bom. Estou feliz. — disse ele e, dando-lhe o sorriso apertado mais sarcástico, que Vanessa já tinha visto, se afastou para atender um cliente.

OK, então ele estava mandando a bola em seu campo. O que ele esperava? Que ela apenas se sentasse aqui e iria esperar ele provocá-la um pouco mais? Primeiro faz ela se sentir vulnerável, então a esfaqueia pelas costas? Vanessa odiava fazer jogos mentais com as pessoas que amava, mas agora começou isso e iria ter que ficar até o fim.

*
Mesmo que Zax soubesse por que ela estava fazendo isso, isso não tornava menos doloroso. Ela dançou com o babaca a noite toda. Pelo menos ela teve o bom senso de não deixá-lo comprar-lhe qualquer bebida ou flertar com ele no bar. Isso teria sido o impulso necessário para Zac, e o cara teria voado para fora da porta traseira com pelo menos três costelas quebradas.
Vanessa era inteligente. Ela sabia exatamente quanto empurrar sem cruzar a linha.

Zac lamentou provocá-la com aquele beijo antes. Não era justo. Ela tinha ficado tão convencida de que ele iria fazer. Ainda mais, ela queria que ele fizesse tanto quanto ele tinha. O olhar em seus olhos havia mudado no instante em que Zac tinha se afastado, da luxúria e expectativa, para ferido e determinado. Ele nunca teve a intenção de fazê-la se sentir assim. Agora, ele estava dividido entre seu arrependimento e a necessidade de pedir desculpas, e seu desejo de arrastá-la para fora que pista de dança e trancá-la na sala dos funcionários, até que tivesse encerrado o trabalho.

— Parece que cheguei bem na hora de suavizar esse vinco entre as sobrancelhas, mano — a voz de Beppe interrompeu os pensamentos de Zac.

— Onde você estava, cara? Eu tentei te ligar ontem e três vezes hoje. O que diabos aconteceu?

— Você não recebeu as fotos que lhe enviei?

— Eu recebi, mas isso não serviu como explicação de onde você estava. Ou melhor, como você estava.

— Eu estou bem. — disse ele, embora sua expressão sugerisse que ele não estivesse nada bem.

— Beppe... — Zac começou.

— Olha, cara, eu não quero falar sobre isso. Estou aqui para relaxar, ficar bêbado e de preferência voltar para casa com uma gostosa. Então, apenas deixe pra lá, OK?

Zac assentiu. Ele conhecia seu amigo o suficiente para saber que, se ele não quisesse falar, ele não falaria. Ele o pegaria em outro momento melhor ainda esta semana e o faria derramar tudo sobre ele e Gia, porque ultimamente, algo definitivamente estava acontecendo.

— Falando de gostosa... — Os olhos de Beppe foram até a pista de dança, e ele fixou em Vanessa, que estava dançando com aquele idiota, de costas para eles. — Merda, é a Vanessa — ele disse, enquanto se virava, com um sorriso fixo no rosto, claramente se divertindo. — O que você fez?

Por que você assume imediatamente que eu fiz alguma coisa? — Zac perguntou, deixando o copo que estava secando bater um pouco com força demais no balcão.

Porque Vanessa está ali, dançando com um cara, quando normalmente ela não sai do seu lado, quando estamos juntos. E você está aqui, irritado. — Quando Zac não discordou, Beppe continuou: — Então, o que você fez?
É uma longa história.

Deixe-a curta.

Suspirando, Zac esfregou a parte de trás do seu pescoço.

Eu a quero, cara. E ela também me quer. Mas ela vem com essas desculpas estúpidas, que nós não podemos ficar juntos, quando eu posso ver que ela também me quer tanto. Na outra noite, eu a levei para casa para lhe entregar a minha camisa do Gênova, e em um momento de fraqueza, eu a beijei. Ela me beijou de volta, e se seu telefone não tivesse começado a tocar, ela teria ficado a noite, eu sei disso. Mas então ela se afastou e eu a levei para casa. Eu decidi nesse momento, que a faria me querer tanto quanto eu a quero. Eu não quero que ela tenha algum arrependimento, se acontecer de estarmos na mesma situação novamente e não houver nada que nos impeça. — Zac fez uma pausa e olhou para a pista de dança. O cara que estava dançando com Vanessa ficou mais corajoso e a estava segurando mais perto. Ele franziu a testa.

OK, isso foi antes do jogo de sábado. Vocês dois pareciam se dar bem, então.

Sim, nós estávamos. Até que eu tomei a decisão de provocá-la. Fomos correr hoje e eu quase a beijei, me afastei no último momento. Hoje à noite, quando ela entrou aqui, eu quase a beijei novamente. Ela queria que eu fizesse isso. Ela estava pronta para isso. E não só eu me afastei, mais uma vez, mas eu pareci triunfante sobre isso. Honestamente, eu estava triunfante, mas por um motivo diferente. Eu estava tão feliz que eu tinha esse efeito sobre ela - que ela me quer tanto quanto eu a quero. Claro, ela entendeu tudo errado, e não parou de dançar com aquele idiota lá a noite toda.

Você é o idiota. Pare de jogar e fazer planos. Se você a quer, pegue-la! Diga a ela como você se sente.

Eu disse a ela!

Você tem certeza? — Beppe levantou uma sobrancelha.

Pensando nisso, Zac não tinha dito a Vanessa como ele se sentia. Ele disse que ela o estava deixando louco de ciúmes, e ele flertou escandalosamente com ela, mas foi isso.

Qual é o ponto? — Ele sentiu que ela provavelmente daria alguma desculpa esfarrapada novamente, e o afastaria.

Beppe não disse nada, apenas balançou a cabeça.

Eu vou salvar sua bunda hoje à noite, mas você me deve. — ele piscou para Zac e se dirigiu até a pista de dança.

Beppe se livrou do cara que estava dançando cara com vanessa em dez segundos, depois que algumas palavras aquecidas foram trocados e, lançando seu sorriso mais encantador, começou a dançar com ela. Ela balançou a cabeça e olhou na direção de Zac, mas não conseguiu resistir aos movimentos de Beppe, e logo estava completamente envolvida na dança.

*
Vanessa tinha certeza de que Zac tinha enviado Beppe para dançar com ela. Era uma sorte para os dois, que Beppe era um dançarino incrível, e ela estava contente que ele se livrou desse cara - ela estava começando a pensar em maneiras de fazer isso sozinha, sem causar uma cena.

Uma música lenta começou a tocar e Beppe envolveu em seus braços. Vanessa relaxou contra ele.

Vanessa — ele disse, e ela levantou a cabeça de seu peito. — Eu sei que Zac é um idiota, acredite. Mas ele está completamente fora de sua praia aqui, cara. Você precisa ajudá-lo.

O que você quer dizer?

Ele nunca sentiu nada por uma garota, como ele está sentindo por você. Ele não sabe como lidar com isso. Ele pode ter deixado você meio louca hoje, mas é porque ele não acredita que você o quer, e ele tem medo de que você vá rejeitá-lo.

Vanessa não falou nada, apenas colocou a cabeça no peito de Beppe. Ele estava certo.

Zac estava com medo de ela rejeitá-lo, porque ela já tinha feito isso antes.

Ele é um bom rapaz. Ele merece alguém como você.

Vanessa sentiu as lágrimas brotando, e não queria que Beppe visse, então ela apenas balançou a cabeça contra seu peito.

Eles dançaram um pouco mais, até que o lugar estava quase vazio e as bebidas finais foram anunciadas, Zac começou a fechar o bar. Beppe a levou de volta para o seu lugar e ela sentou-se desajeitadamente, incapaz de olhar para Zac.

Você me deve uma gostosa agora. — Beppe piscou para seu amigo, e dando um beijo de despedida em Vanessa, partiu.

Os últimos clientes saíram com ele, assim como Marco e as garçonetes. Estavam apenas os dois.

Desde que o conheceu, Vanessa nunca se sentiu estranha em ficar sozinha com Zac, mas agora ela não sabia o que dizer. Estudando os dedos de sua mão esquerda atentamente, ela pensou em começar com um simples — me desculpe — porque ela realmente sentia muito. Como de costume, ela tinha estragado a situação fora de proporção.

Ela viu os dedos de Zac se entrelaçam com a dela e olhou para cima.

Zac, eu sinto muito. Eu exagerei... — ela começou, mas ele a interrompeu.

Não, Vanessa, a culpa é minha. Eu não deveria ter provocado você assim. Sinto muito.

Eu vim aqui para passar algum tempo com você, porque... Bem, eu senti sua falta hoje. E eu passei toda a noite dançando com outra pessoa, mesmo tendo prometido que intencionalmente não iria provocar ciúmes. — Ela colocou a cabeça entre as mãos, tentando coletar seus pensamentos. Zac ficou em silêncio, como se estivesse esperando que ela fizesse o primeiro movimento. — É só que... Quando você deu aquele beijo ao lado de meus lábios, em vez de sobre eles, eu me senti... Enganada. Como se eu não fosse nada mais do que um jogo para você.

Vanessa...

Não, espere. Deixe-me terminar. Eu sei que eu te afastei para longe antes, e eu meio que merecia, mas, por favor, não faça isso de novo — Falar sobre isso trouxe de volta todo o espectro de emoções que Vanessa passou, quando ele se afastou dela e sorriu com satisfação. Ela sentiu as lágrimas descerem, e se odiava por isso.

Zac deu a volta no bar e girando seu corpo no banco, abraçou com força. Ela escondeu o rosto em seu pescoço, inalando seu aroma especial Zac, e relaxou instantaneamente. Ele acariciou seu cabelo, brincou com ele, mas não disse nada.
Acho que devemos esfriar isto.— Vanessa disse, sua voz abafada pela sua   camisa. Seja meu amigo, OK? Eu quero estar perto de você, mas sem flertes, provocações, comentários sugestivos e toques prolongados. Eu preciso de um tempo para resolver minha própria cabeça.

O aceno de Zac era pouco perceptível. Ele não a soltou, apesar de tudo. Ele continuou a segurá-la e brincar com seu cabelo.


Ficaram assim por um tempo até que ambos estavam prontos para partir.