domingo, 25 de junho de 2017

Capítulo Trinta

Adormecer com o corpo de Zac em volta dela e acordar com o som de sua respiração se tornou uma realidade cotidiana de Vanessa. Como ela iria se acostumar a dormir sozinha, quando ela voltasse para casa, ela não tinha ideia.
O simples pensamento de deixa-lo fazia seu peito contrair dolorosamente. Daqui a pouco mais de três semanas ela teria que voltar para Londres, de volta a sua vida. Estar em Gênova, estar com Zac, tudo isso deu a ela uma sensação de fuga - como um mundo de fantasia, em que ela foi permitida entrar apenas com acesso limitado. Sua vida real, pacientemente esperando por ela no Reino Unido.
— Mmmm — Zac murmurou atrás dela, colocando o seu corpo mais perto até que ele se encaixou perfeitamente no seu, e entrelaçando as pernas dele com a dela. — Ainda não. Eu não quero levantar ainda.
Como ele poderia dizer quando ela tinha acordado? Ele fazia isso a cada momento, ela mal tinha aberto os olhos, quando ele sabia que ela estava acordada.
— Eu também não.
Três horas mais tarde, depois de uma longa manhã e um chuveiro ainda mais longo, Vanessa e Zac desceram as escadas até a cozinha para encontrá-la vazia. Isso era estranho, ela se lembrou que Ashley havia dito que teria um dia de folga hoje, e estava esperando ansiosamente, desde que ela tinha trabalhado vários turnos extras recentemente. Vanessa espiou lá fora pelas portas francesas, mas sua prima não estava lá. Ela poderia ainda estar dormindo? Eram 11:00hs, e Ashley nunca dormia até tão tarde. Pegando seu telefone, ela começou a digitar uma mensagem.
Nessa: Onde você está?
Ash: Estúdio. Conseguiu nalmente arrastar a bunda de Zac para fora do quarto?
Vanessa sorriu e olhou para Zac, que ligou a máquina de café e estava fazendo sanduíches para o café da manhã. Tronco nu. Calça jeans pendurada baixa em seus quadris, e Vanessa lembrou que ele não tinha colocado qualquer roupa, antes que eles saíssem do quarto. Sentindo seu olhar quente em suas costas, ele virou a cabeça sobre o ombro e fixou nela aqueles seus olhos lindos. Percebendo que ela ainda estava olhando para ele, Vanessa conseguiu arrancar os olhos e voltou sua atenção para o telefone nas mãos. Ele riu, mas não comentou sobre sua boca escancarada para ele mais uma vez.
Nessa: Sim, eu consegui . Ele está preparando o café da manhã. Voc pode vir se encontrar conosco?
Ash: Me dê 10 minutos.
— Ashley está em seu estúdio. Ela diz que vai chegar em poucos minutos. Você se importa de fazer um sanduíche para ela também? Eu suspeito que ela está trancada lá toda a manhã e não comeu.
— Claro. — disse Zac, e abriu a geladeira para tirar mais alguns ingredientes.
Vanessa não podia ver seus músculos se movendo sob a pele lisa, bronzeada por mais tempo, sem tocá-lo. Ela sorrateiramente caminhou por trás das costas e colocou os braços ao redor da cintura dele, beijando-o entre as omoplatas. Ele continuou espalhando manteiga em uma fatia de pão, como se ele não estivesse ciente de que ela estava abraçando-o. Aceitando o desafio silencioso, Vanessa moveu suas mãos ao longo de seu abdômen devagar até que chegou ao botão da calça jeans. Soltando-o com um único puxão de seus dedos, Vanessa deslizou a mão ao longo do interior de sua cintura enquanto traçava uma linha reta ao longo de sua espinha com a ponta da sua língua. Mesmo sem perceber, ela gemeu baixinho dentro de sua garganta. A mão de Zac prendeu a dela, e ele parou de fazer qualquer coisa. Girando tão rápido que ela mal conseguia reagir, ela estava de costas, pressionada contra a bancada, com ele prendendo-a entre seus braços. O indomável fogo em seus olhos fez todo o corpo de Vanessa estremecer de prazer - ela adorava quando ele perdia o controle com ela.
— É bastante difícil quando você olha para mim como se quisesse me comer o tempo todo, mas se você não quiser voltar ao seu quarto, é melhor parar de me provocar. — Zac resmungou, inclinando-se para ela, sua respiração roçando os lábios. Involuntariamente, Vanessa fechou os olhos e abriu os lábios, deixando escapar um suspiro. Ele lambeu o lábio inferior com a ponta da língua, mas não a beijou. Vanessa abriu os olhos para encontrá-lo ainda a centímetros de seu rosto, seus olhos ardendo por ela. Os músculos de seus braços estavam duros com a tensão, como se ele estivesse usando toda a sua força física para se controlar.
— Então você está caminhando para me trancar nas próximas três semanas? — ela disse, com a voz baixa e rouca. Ela queria que ele perdesse o controle tanto quando estava disposta a empurrá-lo.
— Talvez ainda mais. — disse ele em voz baixa, sua expressão suavizando do puro desejo para algo mais leve. Vanessa sentiu as lágrimas ardendo em seus olhos. Era porque ela havia expressado a quantidade de tempo que eles ainda tinham juntos, ou por causa da mudança repentina de Zac de comportamento? Ela não tinha certeza. Ela não teve muito tempo para analisar sua reação, porque ele baixou a cabeça e esmagou sua boca na dela, atacando sua língua desesperadamente. Ele moveu uma mão para sua nuca e apertou a cabeça contra seus lábios, não a deixando se afastar. Não que ela tivesse qualquer intenção de se afastar.
— Oh, vamos lá! — A voz de Ashley parecia vir de algum lugar distante. — Vocês estão colados há mais de duas semanas. Vocês ainda não estão enjoados um do outro?
Ela passou por eles e abriu um armário para pegar uma xícara, derramando café nele. Zac sorriu contra os lábios de Vanessa, mas não se afastou.
— Nunca. — ele sussurrou, o que fez Vanessa dar um sorriso. Com o canto do olho, ela viu Ashley revirando os olhos, antes que se jogasse em uma cadeira à mesa.
Involuntariamente, Zac se afastou de Vanessa e foi terminar os sanduíches que estava fazendo, enquanto ela pegava mais duas xícaras e servia café.
— Então, o que vamos fazer hoje? — Vanessa perguntou, quando todos eles se sentaram à mesa e começaram a tomar seu café da manhã.
— Nós precisamos ir ao shopping para comprar um presente para Beppe. Seu aniversário é na sexta-feira. — Zac disse entre mordidas.
— Ah, eu esqueci completamente! — Ashley disse. — O que devemos comprar?
— Eu estava pensando em novos fones de ouvido. Ele ama música e os seus queridos Sony são mais velhos do que eu. — disse Zac, tomando um gole de seu café.
— Eu duvido que qualquer coisa possa ser tão velha assim. — Ashley brincou com ele e Vanessa não conseguiu segurar o riso. Zac jogou um pedaço de pão em Ashley e ela gritou. — Ewww, você jogou maionese em todo o meu top!
— Lembre-se da última vez que brincou com a minha idade, que eu te joguei na piscina?
— Como eu posso esquecer? Você arruinou meu vestido e quarenta minutos de maquiagem. — Ashley franziu o cenho, enquanto limpava a maionese em sua blusa com um guardanapo de papel.
— Mantenha essa memória fresca na sua cabeça, ou eu vou ter que atualizá-la. — Ele jogou um pedaço de pão para ela, assim que ela terminou de limpar a mancha.
— Ei, pare com isso. Você é tão imaturo. Honestamente, Nessa, eu não sei como você pode suportá-lo, e muito menos gostar dele.
— Eu não encontrei nada nele ainda imaturo. E confie em mim, eu tenho sido muito cuidadosa na minha pesquisa. — Vanessa disse e sorriu quando Zac riu. Ashley revirou os olhos e se levantou.
— Que seja. Vou me vestir e sugiro que vocês façam o mesmo, para que possamos sair. E eu não vou ficar esperando vocês fazerem nada no quarto. — Ashley pisou fora da cozinha e subiu as escadas em direção a seu quarto.
— Quando ela ficou tão mandona? — Vanessa perguntou, quando se levantou e levou seu prato vazio para a pia. Zac a seguiu e a agarrou no balcão novamente. Ele afastou o cabelo sobre seu ombro e, deslizando a manga de sua camiseta até o outro ombro, acariciando suavemente sua pele, antes de beijá-la.
— Não podemos fazer nada, lembra? — Vanessa protestou sem muita força.
— Eu nunca fui bom em seguir instruções. — Ele girou em torno dela e beijou-a profundamente, levando seu tempo.

*
Beppe morava na cobertura de um prédio recém-construído, apenas a dez minutos a pé do centro da cidade e da Ferrari Piazza. Vanessa levantou uma sobrancelha quando eles tiveram que passar por dois portões de segurança separados, antes de chegarem ao estacionamento subterrâneo. Eles foram recebidos por um porteiro no hall de entrada, que reconheceu Zac imediatamente e sorriu calorosamente para Vanessa e Ashley. Ele acompanhou-os até o elevador para a cobertura, apertou o botão e conversou educadamente com Zac até que as portas do elevador se abriram.
A cobertura era enorme e decorada exatamente como você esperaria de um apartamento de solteiro - cores neutras, mobiliário elegante, sistema de som de alta tecnologia, TV de tela plana grande e, claro, uma mesa de bilhar.
E já estava cheio de pessoas, a música estava bombando através das paredes. Garçonetes escassamente vestidas servindo coquetéis em bandejas, e não havia um, mas dois bares improvisados na enorme sala de estar. Parecia que Beppe tinha lembrado que os seus convidados do sexo feminino deveriam ter algum colírio para os olhos, porque os dois barman atrás dos balcões eram lindos. Uma das garçonetes os recebeu, e apontou para uma enorme mesa cheia de presentes, acenando para que deixassem os seus presentes lá, também.
Beppe estava jogando sinuca com um casal de amigos, e parecia que ele estava se divertindo bastante.
— Feliz aniversário, homem. — Zac disse quando eles se aproximaram de Beppe, e lhe deu aquele cumprimento masculino. Vanessa deu um passo atrás dele, oferecendo desejos de feliz aniversário, beijos habituais e um abraço. Ele segurou-a um pouco mais que o normal - só para irritar Zac, Vanessa suspeitou. Quando ele a soltou, ele piscou e sua suspeita foi confirmada. Ela não pôde deixar de sorrir para ele - Beppe era tão atrevido, e ainda assim era impossível não gostar dele. Depois de abraçar Ashley, Beppe disse,
— Divirtam- se, a festa está apenas aquecendo.
Eles misturaram com o resto dos convidados, Zac e Ashley ocasionalmente cumprimentavam alguém quando eles passavam. Vanessa não poderia vislumbrar Gia em qualquer lugar. Será que as coisas estavam tão ruins entre ela e Beppe, que ela perderia o seu aniversário?
Ashley encontrou um amigo da escola e ficou para trás para conversar, enquanto Zac  e Vanessa continuavam sua caminhada em torno do lugar. Ele pegou um cocktail de uma garçonete que passava e tomou um gole.
— Vou verificar no bar se eles têm algo não alcoólico. — Vanessa disse e Zac assentiu, assim que alguém se aproximou dele e eles apertaram as mãos.
Se o barman era lindo de longe, de perto ele era absolutamente inacreditável. Não era justo alguém ser tão perfeito - olhos azuis amendoados, cílios grossos, pele dourada, cabelos escuros ondulados, maçãs do rosto salientes, a boca sensual. Ele estava usando uma camiseta preta apertada que não fez nada para esconder seus ombros largos e tórax bem definido. Por que esse cara não estava em um anúncio de cuecas da Armani, em vez de garçom?
— O que posso fazer por você? — Ele perguntou, com um sorriso sedutor, quando percebeu que Vanessa estava olhando para ele com admiração.
— Você tem algo não alcoólico? — ela perguntou, devolvendo o sorriso.
— Claro. Posso misturar-lhe qualquer cocktail sem álcool. O que você gosta?
Ela escolheu um Tom Collins sem álcool e o barman riu. Alguém colocou a mão no ombro de Vanessa e afastou sua atenção das covinhas do barman. Esperando que fosse Zac, ela se virou, mas viu Rico em seu lugar. Ela ofereceu-lhe um sorriso educado depois que ele beijou em ambas as bochechas.
— Ei, como você está? — Ela perguntou.
— Bem. Você? — Ele olhou para ela de uma maneira que ela não gostou. Seu olhar percorreu todo o seu corpo, desde suas pernas nuas, com a saia plissada curta, até sua camiseta decotada. Quando ele finalmente encontrou seus olhos, havia luxúria em seu olhar. Vanessa pensou que se separaram de forma amigável, com ela sendo honesta com  ele sobre seus sentimentos por Zac. Então, por que ele estava olhando para ela assim?
— Eu também. — Ela precisava pegar seu cocktail e dar o fora daqui, porque se Zac a visse com Rico ele ficaria puto.
— Então, você está aqui sozinha? — Rico perguntou, tomando um gole de cerveja, seus olhos nunca deixando os dela. Ela supôs que ele não sabia sobre ela e Zac, mas ainda assim, ela já o tinha rejeitado uma vez.
— Não. — Vanessa pegou o cocktail no balcão, agradecendo ao barman, que lhe recompensou com seu sorriso lindo, e tentou sair. — Eu te vejo por aí, Rico.
— Vanessa, espere. —disse ele e tocou seu braço antes que ela virasse as costas para ele. — Eu sei que você e Zac estão juntos, mas eu preciso te contar uma coisa. — Ela voltou sua atenção de volta para ele. O que ele poderia dizer a ela que seria do seu interesse? — Cerca de uma semana depois que saímos, eu o vi em um clube, completamente embriagado. Ele tinha uma garota em cima dele, e não parecia se importar. — Vanessa franziu a testa. Rico tomou isso como um bom sinal e continuou.
— No dia seguinte, eu o vi no mesmo clube com Beppe. Ele não parecia tão bêbado, mas ele saiu com duas meninas.
Assim que Vanessa estava prestes a abrir a boca para corrigi-lo, Zac apareceu ao lado dela, a raiva irradiando dele.
— Por que você não cuida da sua maldita vida, Rico? — Ele rosnou e Vanessa sentiu que ele estava pronto para atacar a qualquer momento agora.
— Eu só queria que ela soubesse que você estava fazendo com ela pelas costas. Acho que algumas pessoas nunca mudam. — Rico se manteve firme, nivelando Zac com o seu próprio olhar zangado. Vanessa precisava intervir, caso contrário, estes dois estariam se socando em menos de dois segundos.
— Rico, pare de se intrometer na vida das outras pessoas. Agora saia. — Ela esperava que estivesse sendo bastante autoritária, porque ela não se sentia muito assim. A raiva de Zac a estava sufocando.
— Se você não quer acreditar em mim, então tudo bem...
— Eu acredito em você. — disse Vanessa, e continuou, antes que ele dissesse algo estúpido. — Não que isso seja da sua conta, mas eu sei de tudo isso. — A expressão de surpresa do Rico a fez sorrir. Ele poderia ter esperado um soco no seu rosto - mas não que ela já soubesse o que ele estava contando. Claro, Vanessa não esclareceu que tinha sido antes que ela e Zac ficassem juntos - ela não lhe devia nenhuma explicação. Por que ele estava tentando criar problemas entre eles? Ele parecia um cara tão legal. Recuperando rapidamente de seu choque, Rico franziu a testa, ainda não se afastando deles.
— Desculpe meu erro, eu só pensei que você não era burra o suficiente para se envolver com uma fraude, um mentiroso, um psicótico filho da... — Ele não terminou a frase, porque Zac deu um soco e seu queixo gritou em protesto, mandando-o cambaleando alguns passos para trás. Agarrando-o pelo colarinho de sua camisa, Zac firmou-o antes que ele caísse. Já havia alguns olhares curiosos sobre eles e mesmo que a música fosse alta, as pessoas ao redor podia ouvir a troca. Zac inclinou-se na direção do rosto do Rico e em voz baixa disse,
— Você chama a minha namorada de burra de novo, e eu juro que vou arrancar sua língua para fora. — Ele empurrou-o, mas não forte o suficiente para fazê-lo tropeçar e cair. O rosto de Rico estava vermelho com humilhação, quando ele se virou e saiu.
— Que diabos foi isso? — Perguntou Beppe, quando ele se aproximou deles com uma expressão atordoada em seu rosto.
— Você o convidou? Sério? Você pensou que eu e ele na mesma sala, era uma boa ideia? — Zac deu alguns passos na direção de Beppe e ficou a centímetros de seu rosto, mas seu amigo nem sequer pestanejou. Uau, Beppe tinha algumas bolas. Pela visão de Vanessa, Zac parecia absolutamente e terrivelmente irritado agora. Ela não tinha certeza de que combinar seu olhar zangado com um ainda mais irritado era uma boa ideia. Vanessa aproximou-se deles, caso ela precisasse separá-los. Desde que Beppe tinha aparecido, a maioria das pessoas ao redor deles havia se dispersado, sentindo o fim de uma briga e, felizmente, eles não tinham uma audiência mais.
— Ouça-me, Zac. — disse Beppe, com uma voz calma, mas firme. — Este é o meu aniversário, minha casa. Enquanto você estiver aqui, você vai respeitar os meus convidados, e eu não dou a mínima para o fato de você ter um problema com isso. Entendeu? — A expressão de Zac mudou imediatamente de raiva cega a arrependimento. A ligação entre os dois era tão forte, tão surpreendentemente clara, que Vanessa não tinha dúvida de que poderia trabalhar qualquer coisa que acontecesse entre eles.
— Você está certo, eu sinto muito. Eu não devia ter feito isso.
— Está tudo bem. Agora, vá pegar um cocktail e relaxar. Juro, se eu te ver assediar alguém de novo, eu mesmo vou acertar você. — Beppe ameaçou, mas sua boca se espalhou em um sorriso. Zac virou-se para Vanessa, lamentando claramente suas ações.
— Sinto muito, linda. Eu não queria envergonhá-la, mas aquele idiota queria causar problemas entre nós. Não ajuda que cada vez que eu vejo seu rosto, me lembro dos seus lábios sobre o seu, e eu quero dar um soco sem precisar de nenhuma razão adicional.
Vanessa colocou os braços ao redor de seu pescoço e sorriu.
— Você não está com raiva? — Perguntou Zac.
— Não. Ele estava me dando nos nervos, também. — Zac sorriu e a beijou.
Quando eles se separaram, ele pegou sua mão, e a levou em direção às portas francesas que levavam até o terraço. No entanto, antes de chegarem a elas, a porta da frente se abriu e Vanessa viu Gia entrando. Ela parecia um pouco incerta, seu andar confiante habitual um pouco hesitante. Em suas mãos ela tinha um pequeno presente embrulhado em azul escuro e dourado, e ela negou com a cabeça, quando uma garçonete fez um gesto para ela deixar na mesa de presente. A garçonete franziu a testa, mas não insistiu. Gia olhou ao redor com olhos preocupados, obviamente, à procura de Beppe.
Vanessa puxou a mão de Zac e apontou o queixo em direção a sua irmã.
— Ela veio. — ela disse e sorriu, por que não tinha certeza. Talvez porque ela soubesse que a chegada de Gia faria Beppe muito feliz.
— Eu não achei que ela viria. Eles não se falam desde aquela noite no bar de karaokê. Beppe não queria admitir, mas ele ficou arrasado. — disse Zac. Vanessa assentiu com a cabeça enquanto observava os eventos se desdobrarem diante dela. Beppe viu Gia viu do outro lado da sala e dirigiu-se para ela com passos longos e firmes. Ele parou bem na frente dela e hesitou por alguns segundos antes de envolvê-la em seus braços. Gia pareceu surpreso com a reação dele, mas se recuperou rapidamente e abraçou-o de volta.

Vanessa sorriu e arrastou Zac de volta para seu destino original.
***
Olá meninas!Como estão?
Peço desculpas por estar demorando tanto para postar,
mas logo entro de férias do meu trabalho e terei mais tempo para atualizar a fic.
Vocês estão gostando da história? Deixem seus comentários,por favor. Não custa nada!
Aproveitando que passei por aqui, quero divulgar o novo projeto da Andreia,dona das Fanfics Dya.
Ela estará voltando em breve com novidades e atualizando as fanfics já existentes!
Passem por lá e comentem bastante para que ela possa postar logo ;-D
Fiquem com Deus,minhas amorinhas e até mais ♥
Link da fic -->  Bleeding Hell MC



sábado, 3 de junho de 2017

Capítulo Vinte e Nove

Vanessa tomou um gole de sua sangria sem álcool, enquanto observava Zac trabalhar atrás do bar. Esse homem lavava o termo — colírio para os olhos — a um nível totalmente novo. Ela nunca se cansava de vê-lo se mover - a maneira como seu grande corpo tornava cada movimento parecer fácil, preciso e sexy a deixava insana. Toda vez que ele esticava o braço para pegar uma garrafa na prateleira superior, a camiseta subia e ela tinha um vislumbre de seu abdômen, cada vez que ele pegava um copo para derramar algo nele, Vanessa notava como suas mãos eram grandes e como ultrapassava o tamanho do copo, cada vez que alguém vinha pedir uma bebida, ele olhava nos olhos, sorria educadamente e faia com que a pessoa se sentisse como se  fosse o único cliente no bar.
A cada segundo livre que ele tinha, Zac vinha até ela e a beijava, levando um pequeno pedaço dela com ele. Desde a semana passada, eles estavam inseparáveis. Ele veio para a casa, depois que ela e Ashley tinham terminado a sua conversa emocional, e nunca mais saiu. Ele praticamente morava com ela.
Vanessa sentia como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros depois de ter conversado com a sua prima, e tinham compartilhado tudo que estava incomodando. Algo dentro dela quebrou, rasgou e voou para longe, deixando-a de alguma forma mais leve. Ela notou uma mudança em Ashley, também. Ela parecia muito mais calma, muito mais parecida com a Ashley que ela conhecia, embora ela ainda ficasse triste após cadavisita ao Christopher, fechando-se em seu estúdio por horas. Mas Zac não a julgou. Pelo menos agora ela sabia a razão de seu comportamento irracional.
— Cara, eu gostaria que alguém me olhasse assim. — A voz de Beppe assustou Vanessa fora de seus pensamentos, e ela percebeu que estava olhando fixamente para Zac de novo.
— Muitas mulheres olham para você assim, Beppe. — Vanessa brincou, quando ele pegou o banco ao lado dela.
— Não, não desse jeito. — Ele acenou para Zac, e ele respondeu com a cabeça, parecendo saber o que o amigo queria. Um momento depois, uma cerveja apareceu na frente de Beppe, e Zac se inclinou para beijar Vanessa, sorrindo, e desapareceu para atender um cliente.
— Eu conheço alguém que te olha diferente. — Vanessa disse com um sorriso, esperando parecer indiferente. Ela realmente queria fazer Beppe se abrir com ela, e ela não tinha ideia do por que. Ele parecia tão perdido às vezes, apesar de sua atitude arrogante.
— É? — Beppe tomou um gole de sua garrafa, tentando esconder o seu sorriso.
— Yeah. Você a conhece também. Muito bem. Ela é uma coisinha pequena, curvilínea, mal-humorada, com longos cabelos escuros e olhos castanhos surpreendentes. Na verdade, se você olhar para a sua direita, você verá o mesmo par de olhos castanhos incríveis em outra pessoa. — Vanessa apontou para Zac e sorriu.
S— e por “diferente” quer dizer que ela quer me matar, sim, ela olha para mim desse jeito. — Beppe rolou o frasco em suas mãos distraidamente, olhando para ele. Vanessa não tinha certeza de qual deveria ser seu próximo passo. Ela deve aceitar a sua sugestão e virar a conversa para uma direção mais séria, ou deveria mantê-lo despreocupado? O que faria Beppe se abrir mais?
— Eu não sei nada sobre isso. — disse ela, ainda um pequeno sorriso em seus lábios. — Eu vi vocês dois juntos. Quando Gia fixa o olhar em você, todo o mundo ao seu redor desaparece. E você não tem olhos para mais ninguém, embora as mulheres em sua volta continuem olhando para você com aquela fome crua nos olhos, que promete um bom tempo.
Beppe lentamente virou a cabeça para olhar para Vanessa, inclinando-a para o lado, claramente surpreso com sua observação. Seus olhos castanhos a estudaram por alguns segundos, antes que sua atenção voltasse para sua garrafa de cerveja.
— Você está surpreso com o que eu disse, ou por que eu notei?
— Ambos. Eu não pensei que fosse tão óbvio. — Sua voz tinha ficado baixa, e por alguma razão, isso quebrou o coração de Vanessa. Ela sabia muito pouco sobre Beppe, e ainda assim, a necessidade de aliviar sua dor era quase insuportável. No entanto, ela não queria empurrar sua sorte. Ele parecia um cara muito privado, que não foi gostava de compartilhar muito, mesmo com os seus amigos.
— Ouça, Beppe - se você quiser conversar, sobre qualquer coisa, me ligue. Eu sou uma boa ouvinte. — Ela colocou a mão em seu antebraço, e ele olhou para ela antes de concordar. Isso era o suficiente para ela.
— Vocês dois parecem muito juntinhos. — disse Zac, olhando para a mão de Vanessa no braço de Beppe com uma careta. — O que está acontecendo? — Sua pergunta foi dirigida a seu amigo. A atitude de Beppe mudou imediatamente, como se alguém tivesse apertado um interruptor, e sua arrogância habitual retornou.
— Você está com ciúmes, mano? — Ele perguntou, colocando o braço sobre os ombros de Vanessa e apertando-a contra ele. Ela riu, sabendo que ele estava apenas brincando com Zac.
— Você precisa deste braço? Se assim for, eu sugiro que você o remova dos ombros da minha namorada.
Todos os três ficaram tensos com suas palavras. Namorada? Vanessa não sabia como reagir a isso. Ela era sua namorada? Eles estavam ficando exclusivamente, mesmo que fosse apenas durante a duração da sua estadia, mas isso a tornava sua namorada? Zac estava olhando para ela com ansiedade, como se estivesse esperando que ela fosse se opor ao termo que ele usou. Ele não parecia como se estivesse arrependido de ter dito isso, porém. Beppe estava assistindo a interação silenciosa entre eles com diversão.
Os lábios de Vanessa espalharam em um sorriso lento e, apoiando-se nos cotovelos para Zac em frente ao bar, ela disse:
— Não se preocupe, querido. Ele estava apenas me fazendo companhia, enquanto meu namorado está ocupado trabalhando. — O sorriso feliz que Zac concedeu-lhe, fez seu coração doer por ele. Ela desejou que já fosse meia-noite, e eles estivessem voltando para casa. Inclinando-se em direção a ela até que ele pegou seus lábios, e Zac murmurou contra eles.
— Bom. — Ele a beijou, lenta e profundamente, não se importando com ninguém ao seu redor. — Vá e divirta-se com Beppe. Eu não quero que você fique entediada até a morte sentada aqui me olhando a noite toda — ele disse, enquanto separava sua boca da dela.
— Não há nada de chato em te observar a noite toda.
— Oh, pelo amor de Deus! — Beppe resmungou e, escorregando do seu banquinho, puxou a mão de Vanessa, até que ela estava em pé também. — Vamos dançar, antes que vocês dois me deem diabete.
*
Zac não iria trabalhar no fim de semana, o que Vanessa suspeitava ser por sua causa. Ashley, no entanto, tinha alguns turnos extras na galeria porque seu colega de trabalho estava de férias por duas semanas. Considerando que Gia se isolou nessas duas últimas semanas, e Beppe também tinha desaparecido, isso deixou Zac e Vanessa sozinhos por todo o fim de semana.
Vanessa tinha realmente esperado que Beppe fosse aceitar a sua oferta paraconversar, mas ele não tinha ligado. Eles haviam dançado a noite toda na quarta-feira e ele logo relaxou. Quando eles se separaram depois que Zac tinha trancado o bar, Beppe parecia quase de volta ao normal. Stella não sabia por que estava preocupada com ele, mas ela não podia deixar de se sentir dessa maneira. Naquela noite, no bar, quando ela mencionou Gia ele parecia tão desesperado, tão quebrado. O que a irmã de Zac fez com ele?
— Pronta para ir? — Perguntou Zav, e Vanessa forçou todos os pensamentos de Beppe para o fundo da sua mente. Ela precisava se concentrar em seu namorado agora, porque aparentemente ele tinha algum tipo de surpresa para ela.
— Sim. Você ainda não me falou para onde estamos indo. — ela disse, dando um passo para fora e fechando a porta atrás dela.
— Não. E nem adianta perguntar. Você vai ver. — Zac sorriu, mas havia algum tipo de reserva por trás de seu sorriso. Normalmente, quando ele sorria, iluminava todo o seu rosto, e era tão contagiante que você não poderia deixar de sorrir de volta. Vanessa olhou para ele com desconfiança, estreitando os olhos. — Basta entrar no carro, por favor.
Ela decidiu confiar nele, mas tinha uma suspeita de que ela não ia gostar de qualquer surpresa que ele tinha reservado para ela.
*
Meia hora depois, eles chegaram a um enorme estacionamento vazio. Era atrás dois edifícios comerciais, que estavam com todas as suas portas e janelas trancadas. Zac desligou o motor e virou-se para olhar para Vanessa, sua expressão ansiosa.
—Saia — ele  disse,  e  atirou a  porta  aberta. Vanessa decidiu agradá-lo e saiu também, se perguntando por que ele estava agindo de modo estranho. Ele circulou o carro e veio para ficar ao lado dela, passando as mãos pelos cabelos nervosamente.
Fala logo, Zac. Você está me deixando louca com todo esse comportamento enigmático. — Vanessa cruzou os braços na frente do peito e franziu a testa.
— Ok. Mas não se desespere.
— Isso não é um bom começo.
— Nessa, me prometa que não vai surtar antes de ouvir o que tenho a dizer. — Ele agarrou seus braços e olhou nos olhos dela atentamente. Ela assentiu com a cabeça, por que não tinha certeza do que dizer, e estava um pouco assustada. — Eu trouxe você aqui para ensiná-la a dirigir.
Os braços de Vanessa caíram para os lados, e ela se contorceu para fora de seu alcance.
— O quê? — Ela estava tão chocada que não sabia mais o que dizer. Zac sabia o quanto ela temia carros, e especialmente a condução. Como ele poderia até pensar que isso era ok?
— Você prometeu que me escutaria. — Ele ainda estava olhando para ela firme, sem recuar. Vanessa assentiu com a cabeça, decidindo dar a ele uma chance de se explicar antes que ela se apavorasse. — Naquela noite, quando você me disse que estava com medo dos carros, você também disse que não queria passar a vida sem vivê-la, apenas com medo dela. Eu estive pensando sobre isso por um longo tempo, Nessa. Eu não quero que você tenha mais medo, eu quero ajudá-la a superar um dos maiores medos em sua vida. Dirigir é uma necessidade nos dias de hoje, não é algo que você deve desistir sem tentar— Ele fez uma pausa, esperando a reação dela. Vanessa não sabia o que dizer. Ela ainda estava com medo de ficar atrás do volante de um carro - isso não tinha mudado, mas as palavras de Zac faziam sentido. Aproveitando o silêncio e o fato de que ela não tinha fugido, Zac continuou. — Você é forte, amor. Eu sei que você é. Eu já vi isso. Não deixe que seus medos a controlem. Você pode realmente nunca desfrutar em dirigir, mas se você fizer isso, isso significa que você é mais forte do que os seus medos, do seu passado. — Ela ainda não tinha dito nada, mas estava mordendo forte seu lábio inferior. Vanessa queria fazer isso, ela queria que Zac a ajudasse. Ela confiava nele. A questão era, ela podia? — Olhe ao seu redor, querida. Não há ninguém aqui. Temos um estacionamento do tamanho de um campo de futebol para nós. Eu estarei ao seu lado, ninguém vai se machucar, eu prometo.
Por sua própria vontade, a cabeça de Vanessa concordou com a cabeça.
O que estou fazendo?
Zac sorriu. Desta vez, seu sorriso era absolutamente genuíno e nem um pouco preocupado. Ele não perdeu tempo perguntando se ela tinha certeza disso, ou se era isso queela  realmente  queria.  Ele sabia  que  tinha  que  usar  seu  torpor  momentâneo e empurrá-la para fazer isso, caso contrário, ela iria mudar de ideia.
Ele já me conhece tão bem, Vanessa pensou enquanto subia até o assento do motorista.
Sentada lá, com o volante na frente dela, ela sentiu o pânico começar a subir. Zac entrou ao seu lado, e ao som de sua porta se fechando a fez saltar.
— Ei, olhe para mim. — disse ele suavemente, tomando-lhe a mão. — Você pode fazer isso, tesoro. Eu não a forçaria nisso, se eu pensasse que você não poderia. Apenas confie em mim, ok? — Vanessa assentiu, ainda incapaz de formar qualquer palavra. Ela poderia fazer isso. Não havia ninguém por perto. Ela poderia dirigir este carro. Era seguro.
Cantando essas palavras uma e outra vez, Vanessa respirou fundo e disse:
— Vamos fazer isso. — Estendendo a mão para a chave, ela colocou na ignição. Tomando outra respiração profunda, ela apertou o botão de ignição e o motor rugiu para a vida. Essa foi a parte mais fácil, ela tinha visto Zac fazer o tempo todo. Agora o quê?
— Coloque o seu pé esquerdo na embreagem e pressione-o com firmeza até o fim. Agora, coloque o pé direito no freio no meio. O pedal de lado é o acelerador. Você aperta o freio e o acelerador com o pé direito. Esquerda é apenas para a embreagem. — Vanessa assentiu e agarrou o volante com as duas mãos. — Agora, coloque sua mão sobre a marcha, e eu vou guiá-la através delas. — Zac deslizou sua mão sobre a dela e colocou sobre a marcha primeiro. — Agora, tire o pé direito do freio, coloque no acelerador e pressione suavemente. — Vanessa fez o que lhe foi dito e o carro rugiu mais alto. — levante seu pé esquerdo da embreagem lentamente, enquanto ainda pressiona o acelerador.
O carro avançou e Vanessa deu um grito assustado, esquecendo todos os pedais. O motor do carro morreu. Zac riu e Vaness virou para ele, horrorizada.
— O que aconteceu? Eu quebrei seu carro?
— É preciso muito mais do que isso para quebrar um carro, querida. Relaxe. Isso é completamente normal para um piloto de primeira viagem. Talvez eu deva explicar como o carro funciona, para que você saiba quando pressionar e como.
Ele passou a explicar como soltar a embreagem sem pressionar o acelerador ao mesmo tempo em marcha, que faz parar o motor. Ele também lhe mostrou como mudar de marcha e como pressionar os freios levemente, para que eles não quebrassem seus pescoços. Quando ele terminou, Vanessa sentiu um pouco mais confiante em sua compreensão de como a máquina funcionava. Forçando o cérebro a se concentrar inteiramente em fazer o movimento do carro, e enchendo todas as suas dúvidas emedos, no canto mais distante disponível de sua consciência, Stella ligou novamente o motor. Desta vez, quando o carro avançou, ela não tirou os pés dos pedais. Ela apertou a embreagem para baixo, mantendo a pressão sobre o acelerador e com a ajuda de Zac mudou para a segunda, soltando a embreagem totalmente.
— Eu consegui! Mudei a marcha. — ela gritou feliz quando olhou para Zac, que estava sorrindo, como se tivesse acabado de descobrir que ele ganhou na loteria.
Eles passaram o resto da tarde guiando em torno do estacionamento vazio, e no momento em que decidiram que era hora de ir embora, Vanessa tinha aprendido a mudar todas as marchas, virar e até mesmo dar ré .
— Excelente, tesoro. Estou tão orgulhoso de você. — Zac disse quando eles pararam, e Vanessa recostou-se no banco, exausta.
— Eu também. — disse ela. — Obrigada por me obrigar a fazer isso.
Zac inclinou-se para ela e beijou-a suavemente, cobrindo seu rosto. Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e acariciou sua bochecha, hipnotizando-a com aqueles olhos incríveis, ao mesmo tempo. — Eu faria qualquer coisa por você. — ele sussurrou e ficou sério. Havia algo mais que ele queria dizer, Zac podia ver isso. Mas ele decidiu contra e plantou outro beijo em sua boca. — Vamos lá, vamos sair. Vou levá- la para jantar e assistir um filme, você merece.
Vanessa alegremente trocou de lugar com ele, e mal podia esperar para jantar. Agora que toda a pressão estava fora, ela percebeu o quanto estava com fome.

Ela realmente estava extremamente grata, por ele ajuda-la a superar esse medo, mas ela sabia que, mesmo que o que ela fez hoje foi um grande passo para ela, nunca seria capaz de fazer isso em uma rua, com outros veículos em movimento em volta dela. Empurrando ainda mais esses pensamentos nos cantos escondidos de sua mente, Vanessa relaxou em seu banco e entrelaçou os dedos com os de Zac sobre a alavanca de câmbio, ansiosa por sua noite com ele. 
♥♥♥
Boa noite meus amores! 
Aqui está mais um capítulo para vocês!
Espero que gostem e comentem bastante!
Sinto falta de vocês...Prometo que em julho tentarei postar com mais frequência.
Amo vocês ♥
P.S.:Obrigada a todas que estão sempre comentando :-)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Capítulo Vinte e Oito

Zac queria ir com Vanessa, depois que ele estacionou o carro na garagem, mas ela insistiu em ir sozinha. Isso era entre ela e Ashley, e tanto  quanto ela apreciava o apoio de Zac, ela precisava ser madura e enfrentar sua prima. Sozinha.
Ele saiu, fazendo ela prometer que ligaria logo depois que tenha terminado de falar. No interior, Ashley estava sentada no sofá, à espera de Vanessa. Ela mandou uma mensagem a ela antes de saírem de casa de Beppe , e sabia que sua prima iria esperar por ela.
— Oi — disse ela, levantando-se com ansiedade, incerteza escurecendo seus olhos castanhos geralmente brilhantes.
— Oi — Vanessa respondeu, deixando sua bolsa no chão e caminhando para se sentar no outro sofá. Ashley sentou-se, com as mãos remexendo em seu colo. Ela estava nervosa, que não era um bom sinal. Se ela tinha tanta certeza que Vanessa iria entender seu raciocínio, ela não estaria tão nervosa. — Então fale. Estou pronta a ouvir com uma mente aberta o que você tem a dizer, Ash.
Limpando a garganta, Ashley começou, mas foi incapaz de encontrar os olhos de Vanessa.
— Eu conheci Chris algumas semanas antes do acidente. Ele veio para a galeria querendo comprar uma pintura muito específica. Claro que eu sabia quem ele era, sua foto estava constantemente esparramada em todas as revistas de fofocas. Eu tinha minha opinião formada sobre ele com base no que eu li, e acho que eu provavelmente olhei para ele com um pouco de desprezo. Ele pode ser o filho de um bilionário, mas nos meus olhos, ele não era nada mais do que um mimado playboy privilegiado. Ele pegou minha opinião sobre ele quase imediatamente, e não parecia satisfeito. Mas descobri que ele sabia muito sobre arte e era muito apaixonada por ela, assim começamos a conversar sobre pinturas, e senti que talvez eu estivesse sendo muito dura em minha opinião. Não era justo formar uma opinião dele baseada unicamente em fofocas. Eu nunca o conheci antes.
— De qualquer forma, ele comprou a pintura que estava procurando e saiu. Na semana seguinte, ele voltou, mas eu não estava trabalhando naquele dia. Ele pediu especificamente por mim, e recusou a ajuda de outra pessoa, então o dono da galeria me ligou e me pediu para ir e lidar com ele. Eu fui, e lhe vendi uma outra pintura. Antes de sair, ele me convidou para uma bebida. Eu realmente não queria ir, mas senti que eu ia deixar meu chefe chateado se eu não fosse - afinal, Chris era um grande cliente para ter em uma pequena galeria. Então saímos naquela noite e eu me diverti muito. Chris em particular foi era nada que os jornais demonstrava ser. Eu senti esta conexão estranha entre nós que eu não conseguia explicar.
— Quando ele me deixou em casa, ele me beijou. Eu me senti como se eu fosse atingida por um raio. Eu nunca, nunca, senti uma emoção tão intensa durante um beijo. Quando ele se afastou, eu sabia que ele tinha sentido algo semelhante, também. Isso estava em seus olhos.
Ashley parou e afastou uma lágrima de seu rosto. Em circunstâncias normais, Vanessa teria ido sentar-se ao lado dela e abraçá-la, oferecendo o máximo de apoio que  precisava. Não agora, no entanto. Ashley tinha que terminar a história antes que Vanessa decidisse se ela merecia algum consolo.
— Ele nunca me ligou depois disso. Eu o vi no dia do acidente, com uma morena em seu braço, e eles estavam andando pelo centro de compras, felizes e confortáveis juntos. Quando eu passei por eles, ele me viu. Ele olhou diretamente para mim, pesar e sofrimento na sua face. Eu não poderia lidar com isso, eu estava muito ferida e envergonhada para falar com ele. Então, eu só passei por eles como se eu não o conhecesse.
Naquela mesma noite, ele bateu com o carro e ficou em coma por vários dias. Eu não sei por que eu fui vê-lo no hospital, eu acho que precisava de algum tipo de encerramento. Ele parecia tão vulnerável e frágil na cama, com todas aquelas máquinas conectados em torno dele. Sentei-me ao lado dele, e senti que a única maneira que eu poderia ser capaz de seguir em frente era perdoá-lo pelo que fez, e através dele perdoar o homem que matou meu pai. — Outra lágrima escapou dos olhos de Ashley e Vanessa sentiu o familiar raio quente descer pelo seu rosto também. — Eu lhe contei a história da minha vida, pensando que ele não poderia me ouvir. No final, eu disse que o perdoava e me virei para ir embora. Eu não sei por que, mas eu senti a necessidade inexplicável em dar uma pausa na porta e olhar para ele uma última vez. — Ashley ergueu os olhos para Vanessa, pela primeira vez desde que ela começou a falar. A angústia neles apertou o coração de Vanessa. — Eu vi uma lágrima deslizar do canto de seu olho. Ele ouviu tudo o que eu tinha dito.
Ashley não podia continuar falando, porque um enorme soluço escapou de sua boca. Vanessa se levantou de onde estava sentada e sentou-se ao lado de sua prima, envolvendo os braços em torno dela e oferecendo o conforto que ela tanto precisava. Depois que ela se acalmou um pouco, Ashley continuou:
— Ele tinha danificado sua coluna no acidente, mas foi operado e lhe deram o sinal verde para começar a fisioterapia depois que ele saiu do coma. Ele se recusou. Ele não quer falar, andar, fazer qualquer coisa. Fui visitá-lo algumas vezes, me sentindo responsável, que ele estivesse deprimido por minha causa, por causa do que eu disse. Notei que pouco a pouco, os balões, cartões e flores em seu quarto começaram a desaparecer. Sua família estava muito envergonhada dele para levá-lo de volta para casa, ele tinha estragado todos os seus jantares extravagantes. Então, eles o colocaram nessa clínica e se esqueceram dele. Sua mãe o visita uma vez a cada duas semanas, por obrigação, não por qualquer outra coisa.
— Eu sinto que o que aconteceu com ele não foi justo. O homem que matou nossos pais e Eric pegou oito anos de prisão, ficando apenas quatro anos, e indenização. Agora ele está fora e livre para viver sua vida. Chris, por outro lado, não matou ninguém, mas está preso em uma cadeira de rodas, toda a vontade para a vida sugado para fora dele. Como isso é justo, Vanessa?
Não era uma pergunta retórica: Ashley realmente olhou para sua prima em busca de uma resposta. Vanessa não tinha uma resposta para isso, então ela apenas deu de ombros.
Eu comecei a visitá-lo na clínica mais e mais vezes. Mesmo que ele nem sequer foque seus olhos em mim, eu me sinto estranhamente aliviada com a sua presença. Se eu não o vejo por alguns dias, eu fico agitada, desconectada. Quero chegar até ele, fazê- lo querer viver novamente. Mas eu não sei como fazer, e isso está me matando, Vanessa.  Eu sou apaixonada por ele, eu nunca me senti assim com ninguém, eu faria qualquer coisa para ajudá-lo.
Ashley começou a soluçar de novo e Vanessa apertou os braços em volta dela. Ela podia entender estar apaixonado por alguém, apesar de todo pensamento racional. Ela também conseguia entender onde Ashley estava vendo a injustiça da situação. Quem era ela para julgar? Ela fez algumas coisas muito irracionais também. E Ashley estava certa - Chris não era o homem que matou seus pais e Eric. Vanessa tinha exagerado quando confrontou Ashley antes, e que era hora de pedir desculpas e admitir alguns de seus erros.
Ash, olhe para mim. — Ela levantou a cabeça e concentrou os olhos lacrimejantes no rosto de sua prima. — Sinto muito sobre como eu reagi antes. Eu deveria ter lhe dado a chance de explicar tudo, mas eu estava tão... Zangada. Não com você. Eu ainda estou com raiva de como eles morreram, o quão estúpido e desnecessário suas mortes foram. Eu não acho que algum dia vou ser capaz de superar isso, mas isso não é desculpa pela forma como eu reagi. Eu deveria ter deixado você explicar tudo, antes que eu saísse correndo. Eu sinto muito. — Ashley assentiu, aceitando o pedido de desculpas, mas as lágrimas continuavam escorrendo pelo rosto.
Vanessa sentiu necessidade de compartilhar algo tão duro de admitir, porque ela  estava cansada do buraco que ardia em seu coração. Ashley era a única pessoa que ela iria considerar fazer isso, e talvez faria sua prima se sentir melhor, sabendo que ela não era   a única pessoa carregando um enorme segredo.
Eu nunca disse a ninguém isso, nem mesmo a minha mãe. — ela começou, e as suas palavras fizeram com que Ashley inclinasse a cabeça para encará-la novamente. — O dia em que ele foi libertado da prisão, tanto eu como a minha mãe estávamos esmagadas. Não podia acreditar o quanto três vidas humanas valiam - quatro anos em uma prisão confortável e indenização. O canalha voltou para casa, para sua família, enquanto nossas vidas estavam arruinadas para sempre. Minha mãe passou o dia inteiro no cemitério, chorando. Eu encontrei-a dormindo no túmulo de Eric.
Eu nunca senti tanta raiva cega, Ash. Eu estava brava com ele, com o sistema judiciário, com o governo, a vida. Eu precisava fazer alguma coisa ou eu ia entrar em combustão. Então, naquela noite, eu fiz a coisa mais estúpida, irresponsável, e vil. Eu peguei uma faca de cozinha da gaveta, coloquei em minha bolsa e me dirigi para sua casa. Eu me escondi do lado de fora e esperei. No momento em que ele saisse de casa eu planejava correr até ele e esfaqueá-lo repetidamente, até que ele morresse nos meus braços.
Vanessa fechou os olhos, incapaz de olhar para Ashley. O que ela deveria estar pensando dela? Como uma pessoa em sã consciência poderia querer matar outro ser humano, não importa o que eles fez para merecer isso? Ela sentiu a mão de Ashley em seu rosto e abriu os olhos para encontrá-la, olhando para ela de forma encorajadora. Não havia  julgamento em seus olhos. Ainda.
Então, eu esperei. Eu o vi com sua família através da janela. Eles estavam jantando, conversamos e rindo. Eu chorei. Depois do jantar, ele saiu para passear com seu cachorro, com sua filha mais nova ao lado. Eu chorei mais. Eu não poderia fazer isso com ele, não só por causa da menina, mas porque eu simplesmente não conseguia. Eu não tinha isso em mim, matar alguém a sangue frio. Então, eu só parti.
Vanessa... — Ashley começou.
Não, eu não acabei. No dia seguinte, fui ao médico para uma consulta bastante tranquila, para o que eu pensava ser uma persistente azia. Eles me disseram que eu tinha câncer.
Nessa, isso não foi... — Ashley tentou interromper novamente, percebendo onde estava indo com isso.
Foi, Ash. Foi o meu castigo por querer matar alguém. Deus, eu sou uma pessoa tão inútil. — Vanessa escondeu o rosto entre as mãos , enquanto ela soluçava, com vergonha do que ela tinha acabado de admitir.
Você não é inútil. Nunca pense isso — Ashley agarrou Vanessa pelos braços e sacudiu- a, até que ela baixou as mãos do rosto e olhou para ela. — Você estava com raiva, e com razão. Seus instintos protetores estavam batendo após ver tia Gina tão arrasada. O que é importante é que você não foi adiante com seu plano, eu duvido que você pudesse ter ido. Você é uma boa pessoa, Vanessa, mas você é humana. Nós cometemos erros, fazemos coisas estúpidas - é o que nos torna humanos. Então, pare de julgar a si mesma.
Por que eu tenho câncer, Ashley? — Vanessa perguntou, sua voz calma, os olhos cheios de dor e pesar. Ashley sacudiu a cabeça. — Minha mãe não merecia perder outro filho. Eu não mereço isso depois de tudo que eu passei. Por quê? Eu sou uma pessoa tão ruim que eu preciso ser punida constantemente? Minha vida se transformou em um pesadelo e eu...

Vanessa não poderia continuar, pois sua garganta havia fechado e tudo o que saiu de sua boca eram soluços. Ashley a abraçou e ficaram assim, chorando e conversando e consolando uma a outra, para um longo tempo.