quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Cinco

Os primeiros dias de volta em Londres foram pura tortura para Vanessa. Mesmo que fosse meados de agosto, estava muito mais frio do que em Gênova e ela teve pouco tempo para adaptar à mudança de temperatura. Só de pensar em desempacotar sua mala a deixava tonta. Tudo naquela mala lembrava Zac. Isso tinha que ficar trancado lá dentro, caso contrário, ela iria desmoronar.
Tudo o que ela tinha força era para ficar rodeando a casa, comer ocasionalmente, quando sua mãe a força, mudar os canais de TV sem rumo e ler. Vanessa não queria pensar ou falar. Ela estava dormente, e quanto mais tempo ela ficasse desse jeito, melhor, pensou.
Na sexta-feira à noite Gina sentou-se ao lado dela no sofá, pegou o controle  remoto da sua mão, desligou a TV e disse:
— Já chega. Eu esperei seu tempo para se chafurdar. Agora você vai me contar tudo, para que eu possa ajudá-la. Eu me recuso a ficar sentada, assistindo você ficar mais e mais deprimida.
Vanessa não queria falar, porque ela não viu nenhum ponto. Sua mãe não podia fazer nada sobre isso, então por que sobrecarregá-la com isso? Mas ela parecia determinada a descobrir o que tinha acontecido e Vanessa não tinha forças para discutir com ela.
Em uma voz constante, ela lhe contou tudo. Ela se sentia estranhamente bem em tirar do peito. No momento em que ela terminou, Vanessa já se sentia melhor. A carga compartilhada era fardo pela metade, certo? Gina não a interrompeu ou fez perguntas. Ela esperou pacientemente até que a história tenha terminado antes de falar.
— Eu acho que você cometeu um erro.
Como é?Vanessa sentou-se no sofá, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.
Quando você encontra alguém que te ama assim, você não deixar ir, Nessa. Nunca.
— Você ouviu alguma coisa que eu disse? Eu fiz isso por ele! Eu não quero que ele fique comigo no hospital, quando ele poderia estar livre para viver sua vida. — Vanessa gritou, com os olhos cheios de lágrimas. A única coisa que ela sempre podia contar era sua mãe estar ser lado dela, e agora ela parecia estar se voltando contra ela.
— Eu vi vocês juntos, querida, eu não sou cega. Esse menino nunca estará livre para viver sua vida se ele te ama tanto quanto eu suspeito que ele ama. — Gina aproximou-se de Vanessa e a abraçou. Ela não resistiu. — Eu entendo porque você fez o que fez. Mas me prometa uma coisa. — Ela se afastou para olhar nos olhos de sua mãe. Gina colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e afastou as lágrimas de Vanessa com seus polegares, segurando seu rosto.
Sua consulta com o doutor Hansen é na próxima semana. Prometa-me que, se você receber o sinal verde, você vai ligar para Zac.
Vanessa começou a sacudir a cabeça, mas Gina parou.
— Prometa-me, Nessa. Se você estiver em remissão, não há nenhuma razão para ficar longe.
— Pode sempre voltar, mamãe. Você sabe que...
— Querida, você não pode pensar assim, ou você nunca vai ser capaz de viver a sua vida. Você tem que aproveitar todas as oportunidades de vida te dá, e usá-lo para o seu pleno proveito.
Vanessa levou um momento para pensar sobre suas palavras. Será que mãe estava certa? E se o câncer tiver desaparecido? A chance era muito pequena, mas não era impossível.
— Prometa-me, querida.
— Ok. Se eu receber o sinal verde, eu vou ligar para ele.
Depois de conversar com Gina, Vanessa sentiu-se melhor do que se sentia em dias. Ela arrumou seu quarto, apesar de sua mala ainda permanecer trancada em seu armário. Então, ela tomou um longo banho, secou o cabelo e vestiu jeans e uma camiseta limpa, em vez do pijama que ela não tinha tirado durante os últimos quatro dias. Ela ainda encontrou forças para ligar seu laptop e falar com Ashley pelo Skype, que estava muito feliz em ouvi-la. Elas conversaram por quase uma hora, evitando temas como Zac e câncer. Depois que se despediram, Vanessa olhou para o e-mail e quase caiu da cama quando viu dois e-mails de Zachary Efron. Seu coração batia forte em seu peito e seus ouvidos tornaram-se surdos a tudo ao seu redor, exceto o sangue correndo para seu cérebro. Seu instinto foi o de excluí-los sem lê-los, mas seu dedo parou. Ela prometeu a sua mãe que iria dar ao seu relacionamento outra chance, se estivesse tudo bem com ela.
Então, talvez ela pudesse espiar a seus e-mails, não responder até que ela tivesse sua consulta com o médico.
Deus, ela sentia falta dele. Ela precisava saber o que ele tinha dito.
Nessa,
Eu sinto muito sua falta.
Eu não tenho outra maneira de entrar em contato com você - Ashley se recusa a me dar o seu endereço da casa ou número. Graças a Deus que você decidiu me enviar aquele vídeo hilário com o cavalo, que pelo menos eu tenho o seu endereço de e-mail.
Então, eu estou preso a escrever e-mails.
Por que você partiu? Eu me perguntei a mesma coisa várias vezes e eu ainda não tenho uma resposta. Eu não acredito por um segundo que você não me ama, então o que é? Sem saber por que você me deixou é horrível.
Eu estou perdido sem você, tesoro. Eu te amo.
Por favor... Escreva de volta. Ou ligue. Eu preciso ouvir a sua voz.
Com amor, Zac.
Vanessa mal conseguia ler as linhas finais. Sua visão estava embaçada pelas lágrimas.
Mãos trêmulas, ela clicou no segundo e-mail, que chegou essa manhã.
Nessa,
Você não escreveu de volta ou ligou. Isso não me surpreende, eu conheço você. Eu sei em primeira mão como você é teimosa - deve ser um traço de família, porque Ashley é tão teimosa quanto. Eu a procuro todos os dias para me dar o seu número, mas ela se recusa.
Eu não vou desistir. Eu sei que você recebe meus e-mails e eu também sei que você está muito curiosa para excluí-los sem ler. Vou chegar ao fundo deste caso, nem que seja a última coisa que eu faça. Eu te amo e eu não vou deixar você ir tão facilmente. Nunca é tarde demais para consertar o que você acha que está entre nós dois.
Ligue para mim. Por favor. Eu preciso de você, Vanessa.
Com amor, Zac.
Vanessa queria escrever de volta, mas ela não podia. Por que dar-lhe uma falsa esperança? Era da natureza de Zac ser tenaz e tentar consertar tudo. Em poucos dias,  ela saberia com certeza se o câncer voltou. Ela decidiria o que fazer em seguida, mas agora tudo o que ela podia fazer era ter esperança. E rezar.
Naquela noite, Vanessa sonhou que estava nos braços de Zac. Ele a abraçou e sussurrou o quanto a amava. Em seu sonho, Vanessa foi capaz de dizer-lhe que o amava muito. Era tão libertador, tão certo. Um sentimento distante que algo estava errado pairava no ar ao seu redor, mas Vanessa estava tão feliz que o ignorou. Do nada, Zac a afastou e olhou para ela, magoado e decepcionado.
— O que você quer dizer, você não me ama? — Ele perguntou.
— Não, Zac, não foi isso que eu disse. Eu disse que te amo. — disse Vanessa e tentou alcançá-lo novamente, mas ele balançou a cabeça e se afastou dela. — Eu te amo, Zac. Por favor, acredite em mim. — Ela estava implorando agora, mas tudo o que ele fez foi afastar mais e mais dela, o arrependimento nos olhos dele esfaqueando seu peito como uma faca.
Ela acordou ofegante, suando, e desorientada. Demorou alguns segundos para perceber onde estava e que tinha sido apenas um sonho. Mas a sensação de peso no peito persistiu.  Isso parecia tão real, ela finalmente contar  a  Zac que o amava. Percebendo que ela nunca foi capaz de fazer isso, Vanessa caiu de costas na cama,  enquanto o desespero pairava sobre ela.
Um pensamento surgiu em sua cabeça e ela levantou-se da cama de forma tão abrupta que se sentiu tonta. Firmando-se em seus pés, Vanessa correu para o seu armário e, pegou a mala, ela vasculhou até que encontrou o esboço que Ashley fez de Zac e ela. Alívio e calma tomou conta dela quando ela o segurou contra o peito. Era a única coisa que lhe restava de Zac. Voltando para a cama, ela olhou para o desenho por alguns longos momentos antes de traçar a sua forma na folha e sussurrar:
— Eu te amo.
*
No dia seguinte, Vanessa foi ao estúdio de tatuagem onde havia feito a sua tatuagem há dois anos. Ela disse a Zac que o amor, sonhos e sorte eram as três coisas que  ninguém poderia viver sem. Era hora de acrescentar à lista a que ele tinha sugerido: Esperança.
— Sinto muito Vanessa, mas a notícia não é boa. — disse Hansen, olhando-a por trás dos óculos de aros grossos. — O ultrassom mostra que o câncer está de volta, e desta vez ele está espalhado por todo o seu fígado. Não podemos operar para removê-lo.
Vanessa e sua mãe tinham ficado brancas no momento em que o médico disse suas primeiras palavras. Todo o mundo de Vanessa caiu ao seu redor enquanto ele falava. Era isso. Tinha acabado.
— O que podemos fazer, doutor Hansen? —  perguntou Gina.
— A quimioterapia. Essa é a nossa única opção agora. As chances de que vai curar completamente o câncer são pequenas, mas pelo menos vai lhe dar mais tempo.
Mais tempo? Por que ela precisa de mais tempo? Ela tinha perdido tudo o que ela queria viver. Não havia nada para lutar por mais tempo.
— Não. Eu não quero quimioterapia. Ela vai enfraquecer o meu corpo, mesmo que prolongue a vida por alguns meses. Eu não acho que vale a pena.
Vanessa... — sua mãe começou, mas ela interrompeu.
— Eu não vou passar pela quimio novamente, mãe. Eu me lembro muito bem o inferno que foi passar por ela a última vez, e para quê?
— Está em uma fase muito precoce, Vanessa. Quanto mais cedo você começar a quimioterapia, maior a sua chance de derrotá-la.
Gina estava olhando para ela com olhos arregalados e tristes. Vanessa devia a sua mãe, pelo menos, tentar.
— Eu vou pensar sobre isso. — ela mentiu, só porque ela não aguentava ver a tristeza nos olhos de Gina.
— Não demore muito. Uma semana no máximo. — disse o médico.
— Que tal um transplante? — Gina perguntou enquanto se levantava.
— Nós podemos colocá-la na lista de espera por um doador, se é isso que você quer. Mas deixe-me ser honesto: doadores de fígado são muito raros. Pode levar um longo tempo para encontrar um. Se você concorda com a quimioterapia, isso vai lhe dar uma chance para esperar. Mas se você não fizer isso, o câncer pode se espalhar para o resto do corpo de Vanessa, e nem mesmo um transplante será capaz de salvá-la.
No momento em que chegou em casa, Gina foi para o seu quarto e fechou a porta. Ela não tinha dito uma palavra desde que tinham deixado o consultório médico. Vanessa fechou-se em seu próprio quarto, e a primeira coisa que fez foi desativar sua conta de email. Não há mais Zac. Não há e-mails. Nenhum contato.
Ela ia morrer e ele estava muito melhor sem ela. Ela esperava que ele seguisse em frente e se esquecesse dela.
Esperar. Isso é tudo o que lhe restava.
Mesmo as lágrimas haviam secado completamente. Ela não podia chorar, não podia mesmo ficar zangada com a grande injustiça chamada “vida”. Tudo o que tinha de força era para dormir.
Vanessa deve ter dormido por algumas horas, porque, quando Gina a acordou sentiu- se descansada.
— Como você está se sentindo, querida? — Perguntou a sua mãe, e para surpresa de Vanessa ela não parecia como se tivesse chorado. No momento em que Gina tinha se fechado em seu quarto, Vanessa tinha pensado que era para chorar em privado, mas sua mãe parecia bem. Sem olhos inchados, sem manchas vermelhas. — Acabei de falar ao telefone com meia dúzia de pessoas. Eu estive ligando a todo mundo que conheço por toda à tarde.
— Ligar para quem? E por quê? — Perguntou Vanessa, confusa.
— Estive pesquisando novos métodos para tratar câncer de fígado há meses. Eu encontrei algo promissor logo depois que você foi para a Itália. Há este novo método, chamado de saturação quimioterapia. É ainda experimental, embora os pacientes tanto na América e na Europa têm respondido bem a ele, mas não é oferecido no NHS. Nós precisamos fazer isso em particular no Queen Ann hospital em Oxford - que é o único lugar no país que oferece o tratamento. Eu tive que puxar uns cordões, mas eu consegui para a gente na próxima semana! — ao rosto de Gina iluminou num sorriso animado. Vanessa se sentiu tonta. Isso era muita informação para processar em um tempo tão curto.
— Espere. Então, qual é o procedimento exatamente? — Ela perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente.
Eles dão uma dose muito maior de quimioterapia, injetam diretamente no fígado. Com quimioterapia tradicional, apenas cerca de dois por cento dos produtos químicos atingem os tumores, e o restante ficam espalhados em todo o corpo danificando tudo em seu caminho. Com saturação de quimioterapia, eles isolam temporariamente o fornecimento de sangue para o fígado e injetam os produtos químicos diretamente sobre ele, sem dar-lhes a chance de se espalhar para o resto do corpo.
— E os efeitos colaterais?
— Não há efeitos colaterais. Os pacientes costumam ir para casa no mesmo dia após o procedimento.
— Isso parece bom demais para ser verdade, mamãe. Por que então o Dr. Hansen não ofereceu hoje como uma possibilidade?
— Porque é um procedimento experimental, não é oferecido no SNS.
Vanessa precisava de tempo para processar tudo isso. Quanto mais pensava sobre isso, mais perguntas surgiam em sua cabeça.
— Quanto é? — Se não fosse no SNS, isso significava que eles teriam que pagar por isso - e não seria barato.
— Não se preocupe com isso, querida. Eu vou pagar por isso.
— Como?
Temos uma poupança. Inferno, eu vou empenhar a casa se eu tiver que fazer.  Se há alguma chance de que isso irá funcionar, eu venderia minha alma ao diabo para conseguir o dinheiro. — Os olhos de Gina se encheram de lágrimas e Vanessa se sentiu mal por ter pensado em desistir de sua luta.
— Existe uma chance que não vá funcionar? — perguntou Vanessa.
— Há sempre essa possibilidade, mas o câncer está na primeira fase, o que me deixa muito otimista sobre o resultado. É um tratamento muito intenso, que produz grandes resultados - no entanto, ele também não afasta o risco de fatalidade. — A voz de Gina balançou a última palavra. Mas ela era médica, e sabia que quase todos os procedimentos realizados em um hospital podem terminar sendo fatal. Vanessa viu a determinação nos olhos de sua mãe, e que ela devia isso a ela, encontrar a vontade de lutar novamente.
— Temos que tentar, querida. Mesmo que ele não a livre de todos os tumores completamente, ele vai nos dar muito mais tempo para encontrar um doador, e você vai ser capaz de viver plenamente a sua vida, sem quaisquer efeitos colaterais. Você poderia ir para a faculdade. Poderíamos viajar. Qualquer coisa que você quiser.
Vanessa nunca teria o que queria.
Mas ela faria isso por sua mãe. Gina merecia. Ela já perdeu muito-mais do que uma pessoa deveria perder em uma vida.
~♥~♥~♥~
TÁ ACABANDO AMORAS!!!
Faltam apenas mais dois capítulos e o epílogo!
Comentem bastante,porque vou tentar postar mais esse fim de semana!
Xoxo - Rafa

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Quatro

Uma vez lá dentro, Vanessa sentou-se no sofá e ligou o abajur. Ela não podia se mover, não podia chorar, não conseguia respirar. As paredes começaram a se aproximar dela e ela se sentia presa, sufocando, com náuseas. Sentindo seu estômago queimar com ácido, ela correu para o banheiro e vomitou. E então vieram as lágrimas novamente. Ela gritou no banheiro vazio, até capotar no chão frio. Quando ela acordou, Vanessa não tinha ideia de que horas eram. Tudo que ela sabia era que não tinha forças para chorar. Espirrando água fria no rosto, ela tentou corrigir sua aparência horrível, mas era inútil - seus olhos estavam vermelhos e inchados, sua  pele estava pálida, apesar de seu bronzeado, seus lábios estavam secos e ela tinha círculos escuros sob os olhos.
Saindo do banheiro, Vanessa ouviu a porta da frente abrir e fechar. Ashley estava em casa. De repente, a raiva oprimiu Vanessa. Ashley sabia sobre isso o tempo todo! Ela era a única que sabia todos os seus segredos.
— Por que você não me contou? — Não havia necessidade de esclarecer. Ashley podia entender imediatamente o que ela quis dizer com sua expressão atordoada, mas sem esperança no rosto de Vanessa. Ela não respondeu de imediato, obviamente, tentando formular a resposta de uma forma que não irritasse Stella ainda mais.
Tarde demais para isso.
— Como você pôde esconder isso de mim, Ash? — Lágrimas de frustração desceram por suas bochechas, e Vanessa as afastou com as costas da mão. — Como é que você não me contou que o seu pai tinha câncer? Que Zac cuidou dele sozinho!
— Não era para eu dizer, Nessa. Esta é a vida pessoal de Zac, ele era o único que deveria ter dito.
— Você deveria ter me dito, quando eu te perguntei se estava ok a gente namorar. Se você tivesse me dito então, eu teria terminado as coisas imediatamente. Eu não teria...
— Você não teria se apaixonado por ele? Eu acho que você já estava apaixonada por ele. — Ashley jogou as mãos para cima em exasperação. — Eu tentei avisá-la tantas vezes, mas eu acho que não é assim que funciona. Nós não escolhemos quem amamos, não é?
— Não. Se você tivesse me dito no primeiro dia que eu o conheci, eu o teria evitado como a peste. Nada teria acontecido entre nós.
— Você não pode me culpar por isso, Vanessa. — Vanessa disse calmamente, e aproximou-se de sua prima. — Eu mantive os seus segredos, também.
Vanessa quebrou nos braços de Ashley. Seus soluços rasgavam seu coração em pedaços, mas ela não poderia ter se importado menos. Seu coração já foi rasgado em pedaços.
— Você contou a ele sobre você? — Ashley perguntou, quando ela se acalmou o suficiente para falar.
— Não! E eu não vou. Nem você. — respondeu Vanessa, determinação misturando com a tristeza em seus olhos.
— Ele não vai deixar você se o câncer estiver de volta. Você sabe disso, né?
— Sim, eu sei, e é exatamente por isso que não vamos dizer a ele. A possibilidade é por volta de oitenta por cento - especialmente depois que ele voltou depois da primeira cirurgia e quimioterapia. Eu não vou submeter Zac a isso novamente. Ele sofreu bastante com seu pai, eu seria a pessoa mais cruel na Terra, se eu permitisse ele ficar lá para mim também. Eu prefiro que ele pense que tudo está acabado entre nós e siga em frente com sua vida.
— Ele não vai seguir em frente. Ele te ama, Vanessa. Dê-lhe a oportunidade de estar lá para você.
— Não.
Vanessa saiu dos braços de Ashley e afastou a última de suas lágrimas.
— Amanhã eu vou lhe dizer que está tudo acabado entre nós. Vai levar tempo, mas ele vai seguir em frente. Ele vai conhecer alguém e se apaixonar e ter a vida que ele merece. Ele não merece ficar preso com uma pessoa doente, especialmente quando ele não sabia que eu estava doente. Eu vivi uma mentira com ele esse tempo todo. É tudo culpa minha, se eu apenas lhe contasse no início que eu tinha câncer, talvez ele nunca tivesse...
— Não é algo que você pode considerar, certo? — Ashley interrompeu. — Não procure qualquer culpa, Vanessa. Não é culpa de ninguém. Serão dois corações quebrados. Não há vencedores aqui.
A chuva caía do céu. Não havia nuvens - apenas um céu cinza infinito. Ironicamente, lembrou Vanessa de casa. Ele refletia perfeitamente o seu humor.
Ela estava sentada em uma espreguiçadeira sob o toldo, olhando para a chuva e esperando que a água que caia afogasse seus pensamentos.
— Hey. — Zac disse, quando veio ao seu lado e se sentou na espreguiçadeira.
Ela mandou uma mensagem a ele para vir há meia hora atrás. Não havia nenhum ponto em retardar isso.
— Oi — ela disse sem se virar para encará-lo. — Eu estou indo embora amanhã. — Não havia nenhum ponto em andar em círculos também. Quanto mais cedo ela o afastasse, melhor.
— O quê?
— Minha mãe está indo para casa amanhã, e eu vou voltar com ela.
— Temos mais 10 dias, Nessa. Você não pode ir mais cedo. — Vanessa não disse nada. Ela nem sequer olhou para ele. Ela não podia. Se o fizesse, seu coração iria quebrar tudo de novo e já foi quebrado muitas vezes.
— Olhe para mim! — Ele exigiu. Suspirando, ela fez isso. — É essa a sua resposta? Você pensou em tudo o que eu disse na noite passada e é essa a sua resposta? Você não me quer?
Vanessa não respondeu, ela só olhava para ele com determinação em seus olhos. Se ela abrisse a boca para falar, ela não tinha certeza se poderia controlar.
— Merda. — Ele se levantou e caminhou ao redor. A raiva rolando fora dele era nauseante. Seus olhos estavam em chamas, com os punhos cerrados, todo o seu corpo estava vibrando de raiva.
Ele sentou-se na espreguiçadeira.
— Nessa, eu te amo. — Ela olhou para ele e tentou manter o rosto impassível e sem emoção, quando a única coisa que ela queria fazer era beijá-lo e dizer que o amava também. — Mesmo que você vá agora, a Inglaterra não é a Austrália. É apenas uma hora de voo. Eu não quero que este seja o fim, eu quero você. Eu quero fazer isso funcionar. Se você não quer ficar aqui, eu vou para Londres. Eu vou para a universidade lá. Eu...
Ele parou, porque Vanessa não estava nem olhando para ele mais. Ela olhava para a chuva que caia na piscina atrás de Zac, e mesmo que ela tentasse manter a emoção fora de sua face, uma única lágrima derramou pelo seu olho e desceu seu rosto. — Vanessa. — ele disse, seu tom firme. Ele queria que ela olhasse para ele, mas ela simplesmente não conseguia. — Vanessa, por favor. Olhe para mim. — Sua voz era mais suave agora. Ela não resistiu e fitou-o com um olhar vazio. — Eu te amo. Eu... Por favor, não vá embora. Não me deixe.
— Eu tenho que ir. — foi tudo que ela disse.
— Por quê?
— Porque eu não me sinto da mesma maneira. Eu pensei que sentia, mas eu não sinto. — Doeu fisicamente dizer essas palavras. Vanessa conseguiu até manter seu tom de voz convincente, porque essa era a maior mentira que já tinha dito.
— Bobagem! Eu sei que você me ama, Nessa. Não tente me afastar, porque você é covarde demais para admitir o que realmente sente.
— Pense o que quiser. Eu estou dizendo a você como eu realmente me sinto. E me sinto atraída por você, eu adoro o sexo e eu me divirto com você. Mas eu não te amo, Zac. Eu não quero construir uma vida com você.
— Pare de mentir porra! Eu sei que você me ama. Eu já vi isso em seus olhos. Há luxúria e paixão lá, mas há também o amor. E confiança.
Vanessa não disse nada. Como poderia? Ele estava certo. Era exatamente como se sentia, ela o desejava, mas ao mesmo tempo ela confiava nele com sua vida e amava com todo seu coração quebrado.
E era exatamente por isso que ela tinha que afasta-lo o mais longe possível dela.
— Me desculpe se eu enganei você, mas eu não te amo, Zac. Eu amo como você me faz sentir na cama, eu adoro falar com você e passar um tempo com você. É isso aí. Não posso me comprometer com você e ser uma parte de seu futuro, porque quando eu fecho meus olhos eu não vejo você no meu.
Ele recuou fisicamente com suas palavras. O desapontamento e mágoa em seus olhos quase a matou. Mas Vanessa tinha que permanecer forte. Ela não chorou e ela não desviou os olhos longe do dele, enquanto ele sofria. Ele não disse nada. Ele apenas ficou lá, olhando para ela, incapaz de formar palavras ou mostrar qualquer tipo de reação.
E, em seguida, Ashley entrou - e tudo desabou.
Ele pulou da espreguiçadeira e parou a poucos centímetros do rosto de Ashley, elevando-se sobre seu pequeno corpo. Para seu crédito, ela não recuou. Ashley cruzou os braços na frente do peito e teimosamente ergueu o queixo para olhá-lo nos olhos.
— O que você disse a ela? — Ele gritou.
— Eu não lhe disse nada. Ela fez sua própria escolha.
— É? Então, ontem à noite eu digo a ela que a amo e quero passar o resto da minha vida com ela, ela chega em casa e pensa sobre as coisas e a única pessoa aqui é você. Um pouco coincidência demais, você não acha?
Ashley, deu de ombros, seus olhos nunca deixando Zac. Seu corpo tremia enquanto tentava se controlar. Vanessa sabia que ele nunca machucaria fisicamente Ashley mas ainda assim, o seu enorme corpo pairando sobre sua prima a deixou desconfortável.
— Zac, se afaste de Ashley. Não é culpa dela. — Ela levantou e se aproximou dele.
— Eu discordo — ele rosnou, ainda se concentrando em Ashley.
— Por que você não pode simplesmente aceitar que eu não te amo? Seu ego é tão grande que você não pode sequer imaginar a ideia de que uma mulher não está completamente apaixonada por você?
— Oh, eu posso aceitar que nem toda mulher é apaixonada por mim — ele disse, tirando sua raiva contra Ashley e voltando para Vanessa. — Eu não aceito que você não é. Porque você é. E vocês duas estão mentindo para mim. Eu só não sei por quê. Mas deixe-me garantir que vou descobrir, e quando eu descobrir, eu vou ter a chave do que está acontecendo aqui.
Ele saiu da casa, batendo a porta com tanta força que as janelas tremeram.
Vanessa não poderia prender por mais tempo. Ela caiu no chão e chorou nos braços de Ashley até que ela não tinha lágrimas ou força.
Gina e Niki chegaram em casa tarde da noite, sem perceber o drama que tinha acontecido há apenas algumas horas atrás. Vanessa saiu de seu quarto para contar a sua mãe que ela comprou uma passagem para o mesmo voo e estaria partindo com ela. A julgar pelo seu rosto, Gina queria lhe fazer um milhão de perguntas, mas Vanessa murmurou — Eu não quero falar sobre isso — e bateu a porta do quarto. Para se manter ocupada, Vanessa arrumou a mala, e quando terminou, já estava no meio da noite.
Seu telefone tocou com uma mensagem e ela o pegou com os dedos trêmulos, certo de que era de Zac.
Zac: Eu te amo. Por favor, não vá embora.
Ela não respondeu. Em cinco minutos ele tocou novamente.
Zac: Seja o que for que está segurando você, nós podemos resolver.
Não, ele não poderia resolver isso. Vanessa desligou o telefone e subiu na cama, exausta demais para lutar com o sono por mais tempo.
*
Zac não conseguia dormir. Tudo o que podia pensar era em Vanessa partindo em poucas horas. O que ele poderia fazer? Se confessar seu amor por ela, compartilhar seus segredos mais profundos, servir a sua alma em uma bandeja de prata, não a impediu de partir, o que poderia?
Em uma última tentativa desesperada de ela mudar de ideia, ele enviou duas mensagens. Ela não respondeu. Ele enviou outra, mas essa voltou sem ser entregue. Ela desligou o telefone. Ela o expulsou de sua vida. Para sempre.
Zac jogou o telefone na direção da parede e quebrou em pedaços. Ele enrolou em uma bola em sua cama e chorou como nunca tinha chorado antes - nem mesmo quando seu pai morreu.
*
— Eu sinto muito, Ash. Eu atrapalhei a sua vida nesses dois curtos meses que estive aqui. — Vanessa disse, enquanto se despedia com um abraço na sua prima no aeroporto. — Zac provavelmente vai culpá-la pelo que aconteceu, mesmo que isso não tenha nada a ver com você.
— Ele vai voltar. Ele precisava de alguém para gritar antes, eu tenho certeza que ele realmente não me culpa. — Ashley a abraçou de volta e quando ela se afastou, seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu vou sentir sua falta. Prometa-me ligar todo dia.
— Eu vou. Vou sentir saudades, também.
Vanessa odiava despedidas. Uma vez sentada no avião, ela respirou fundo, mas isso não fez nada para aliviar a pressão em seu peito. Ela se inclinou para trás em sua cadeira, com as mãos segurando os braços. Uma mão quente deslizou sobre seus dedos.
— Como você está, querida? — Perguntou a sua mãe, a preocupação estampada em suas belas feições.
— Eu já estive melhor.
— Quando você estiver pronta para falar sobre isso, eu estou aqui. Eu não vou julgar.

Vanessa assentiu, apreciando verdadeiramente que, apesar de sua mãe estar preocupada, não iria pressioná-la a falar, porque agora toda a força da Vanessa estava focada em fazer seu corpo funcionar fisicamente. Colocando seus fones de ouvido, ela ligou o iPod, selecionado Framing Hanley álbum “Promise to Burn”, virou o volume no máximo e fechou os olhos.
~♥~♥~♥~
DESABAFO:LEIAM,POR FAVOR
Olá meninas,como estão? Espero que estejam todas muito bem!
Bom,infelizmente, hoje venho dizer que estou triste com a ausência de vocês aqui no blog.
Sei que a vida de todas é corrida, a minha também é, mas faço o impossível para arrumar um tempinho para não ficar em falta com vocês aqui e para comentar em todas as fics que leio.
Já não é a primeira vez que preciso falar disso e isso vai cansando,sabe. Não estou mendigando comentários (não me interpretem mal,por favor) , mas preciso de um feedback para saber o que estão achando, porque talvez não esteja valendo a pena publicar essa adaptação.
Há alguns anos atrás, a falta de participação das leitoras me fez excluir um de meus blogs, espero não precisar fazer isso novamente, aliás, não quero postar para o nada. Afinal, o blog é um meio de comunicação entre nós,um lugar  onde aprendo,recebo críticas e elogios e, assim, melhoro o que é necessário.
Então minhas amoras, comentem, deixem opiniões, mostrem que estão lendo. Não quero acabar com tudo isso. É minha última história (no caso,adaptação) e quero poder recordar os melhores momentos daqui alguns anos.
Enfim, acho que é isso. Me perdoem se alguém me interpretar mal, mas foi apenas um desabafo. Não estou brigando com ninguém, de forma alguma. Espero o feedback de vocês, até mais, minhas flores!
Amo vocês ♥
-Rafa

domingo, 24 de setembro de 2017

Capítulo Trinta e Três

Os próximos dez dias se passaram em um borrão. Vanessa mal viu sua mãe, porque Niki a levou para Milão, Turim, Veneza, Verona, Toscana e sabe Deus onde mais. Toda vez que voltavam para casa, as duas mulheres estavam brilhando de felicidade. Gina tinha dito várias vezes que, se algum deles quisesse se juntar a elas, eram bem-vindos. Ashley se recusou por causa dos compromissos de trabalho, supostamente, mas Vanessa suspeitava que ela estivesse preocupada com Chis. Ela tinha ido visitá-lo muito mais vezes durante essas últimas duas semanas, mas se recusou a falar sobre isso. Vanessa odiava que sua prima teimosa estivesse sofrendo sozinha, mas se ela não quisesse falar, ela não poderia obrigá-la. Manter essa grande segredo de sua mãe também estava pesando para Ashley, e Vanessa tinha notado como ela se distanciou de Niki, tentando mantê-la na ignorância.
Vanessa tinha passado todo o seu tempo com Zac. Ele lhe deu mais duas aulas de direção, o que ela tinha realmente apreciado neste momento. Ela ainda não tinha certeza se algum dia iria tirar a carteira de motorista, mas como ela estava se divertindo e depois ainda ficava com Zac no carro, Vanessa decidiu não pensar nisso e apenas desfrutar o momento.
Ele também a levou para seu barco algumas vezes. Ele ancorava em algum lugar isolado, e eles ficavam no convés, tomando sol e conversando. Vanessa não tinha certeza  do que ela gostava mais - fazer amor com Zac ou conversar com ele. Quando ele a tocava, ele a fazia quebrar em milhões de pedacinhos de prazer, antes que ele colocasse de volta juntos - e, em seguida, começava tudo de novo. Quando conversavam, ele sempre conseguia surpreendê-la, dizendo algo completamente bizarro ou obscenamente engraçado. Vanessa não podia imaginar nunca ficar entediada em sua presença.
Felizmente, ele não tinha tentado novamente confessar qualquer um dos sentimentos que tinha por ela. Vanessa tinha certeza de que ela não teria sido capaz de se controlar, se ele tivesse feito isso. Seria demais. Era duro o suficiente para ela, que a data da sua partida se aproximava com a velocidade da luz.
Sua mãe supostamente partiria no prazo de três dias e Niki a tinha levado em uma última viagem. Aparentemente, havia um mercado de antiguidades muito famoso em uma pequena cidade perto de Pádua chamado Piazzola sul Brenta, e as pessoas em toda a Itália iam visitá-lo. Niki foi uma vez antes, e afirmou que Gina iria adorar. Vanessa orou para qualquer coisa que a sua mãe decida comprar, se encaixe com as restrições de bagagem.
Era sexta-feira à noite, e Ashley tinha uma exposição na galeria. Seu chefe conseguiu garantir uma mostra exclusiva do mais recente trabalho de um artista muito popular, e Ashley estava muito animada durante toda a semana. Um grande número de pessoas era esperado para aparecer, e seria uma noite agitada, por isso, provavelmente seria bem tarde antes que ela chegasse em casa.
Zac estava agindo estranhamente o dia inteiro, e cada vez que Vanessa lhe perguntava o que estava acontecendo, ele desviava a questão, ou a beijava até que ela se esquecesse de como formar alguma palavra. Logo depois, às 8 horas da noite, ele disse a ela para se vestir, porque eles iriam sair. É claro que ele não iria lhe dizer onde, mas o sorriso bobo em seu rosto dizia a Vanessa que ele tinha algo planejado e esta era a razão para seu comportamento estranho durante todo o dia.
Ela rapidamente colocou um vestido amarelo e um par de sandálias, e estava pronta para ir. Quando eles saíram, Zac segurou a mão dela na sua e eles começaram a descer a rua, em vez de entrar em seu carro. Logo Vanessa percebeu que eles estavam indo para a praia.
O sol estava quase desaparecendo, então havia apenas algumas sombras alaranjadas lambendo a superfície da água. A praia estava praticamente vazia, apenas um corredor ocasional podia ser visto correndo, enquanto caminhavam lado a lado ao longo da costa.
— Feche os olhos. — disse Zacc, movendo-se na frente dela em um movimento rápido.
— Por quê?
— Apenas feche,Nessa. — ele suspirou, e deu-lhe um sorriso desarmante. Ela revirou os olhos antes de fechá-los. Zac a beijou e sussurrou: — Mantenha-os fechados até que eu diga que você pode abri-los. — Vanessa assentiu. — Prometa-me que você não vai espreitar.
— Eu não vou espreitar.
— Bom. — Ele levou as duas mãos na sua, mas não se mexeu. Sentiu-o mover a parte superior do corpo, mas ele não começar a andar. O que ele estava fazendo? Por que ela tinha um mau pressentimento sobre isso? Era como se ele estivesse indo fazer algo grande esta noite, algo que não haveria retorno depois.
Em poucos minutos, Zac puxou seus braços para a frente e ela começou a andar. Demorou cada grama de autocontrole que Vanessa possuía para não abrir os olhos e ver o que estava acontecendo ao seu redor. Eles caminharam juntos por alguns minutos, antes que Zac parasse e, respirando fundo, falasse: — Abra.
Ela fez isso. Eles estavam em frente de seu posto de salva-vidas e havia velas acesas em torno de todo o espaço.
— Uau. Como você fez isso? — Vanessa teria visto as velas de longe se tivessem sido acesas, a poucos minutos atrás.
— Eu tive um pequeno ajudante. — Ele piscou para ela e a levou pelas escadas, fazendo um gesto para que ela se sentasse. Quando o fez, ele se ajoelhou na areia em frente a ela. — Estou tão feliz que você usou esse vestido esta noite. — Confusa, Vanessa deu uma rápida olhada em seu vestido, perguntando o que havia de tão especial sobre ele. E então lembrou-se: era o vestido que usara no primeiro dia que ela chegou em Gênova: o vestido que ela estava usando quando viu Zac pela primeira vez.
— Você estava usando o mesmo vestido, quando eu a vi pela primeira vez e você mudou minha vida para sempre. — disse Zac, e Vanessa abriu a boca para dizer alguma coisa, qualquer coisa, apenas para que ela pudesse interrompê-lo, porque ela já sabia aonde isso ia. Zac colocou um dedo sobre os lábios silenciando-a. — Eu sei que você não quer ouvir isso, mas eu não posso prendê-lo mais.
Ele tirou o dedo de seus lábios e substituiu-o com a boca, dando-lhe um beijo lento  e suave.
— Nessa, eu te amo. Eu te amei desde que primeira vez que te vi. Meu cérebro precisava de algum tempo para recuperar o atraso, mas meu coração era definitivamente seu desde aquele momento. — Zac fez uma pausa, estudando seu rosto e esperando algum tipo de reação. Vanessa não sabia o que dizer. No fundo, ela sabia que Zac a amava, mas agora que ele tinha tido todo esse trabalho para realmente dizer isso, se tornou real.
Ela estava partindo em menos de duas semanas. Ela tinha uma consulta com seu oncologista em três semanas. Que diferença faria que ele a amava, ou que ela o amava, quando havia uma forte probabilidade do câncer estar de volta?
— Zac, eu... Eu não sei o que dizer. — Era exatamente como se sentia. Nada que falasse iria soar direito.
— Você não tem que dizer nada. Eu não fiz isso para colocá-la contra a parede, Vanessa. Eu... Eu preciso de você. Eu não quero perder você. — Sua voz tremia de emoção e Vanessa estava à beira das lágrimas. Ela odiava não ser capaz de dizer a ele o quanto ela o amava, e ainda assim, ela teria que partir. Ela odiava ter que quebrar seu coração.
Zac viu em seus olhos. Ele viu seu conflito interno e o resultado. Ele balançou a cabeça, os olhos cada vez mais desesperado.
— Não faça isso, Nessa. — ele sussurrou. Vanessa sentiu uma lágrima quente deslizar pelo seu rosto. — Não. — Zac se levantou e começou a andar como um animal enjaulado.
—Zac... — Vanessa começou, imaginando o que ela poderia dizer para tornar isso melhor. Ela queria colocar toda a culpa em si mesma e não deixa-lo se sentindo como se tivesse feito algo errado.
— Me ouça. — ele disse a interrompendo e ajoelhando na frente dela. — Eu não sei por que você está tentando me afastar para longe. Não há nada que nos impeça. Nós vivemos em países diferentes, é verdade: mas, se quisermos, podemos fazer isso funcionar. Eu sei que é possível. Eu nunca quis nada tão desesperadamente. Você me faz sentir vivo, como eu sou necessário. Ninguém precisou de mim desde que meu pai morreu Vanessa. Minha mãe se enterrou em seu trabalho e eu raramente a vejo, e Gia se fechou completamente comigo, ainda com sentimento de culpa que não ajudou a tomar conta do nosso pai.
— O que você quer dizer? — Perguntou Vanessa, percebendo que Zac nunca tinha compartilhado como seu pai havia morrido. Ele não gostava de falar sobre isso e Vanessa nunca tinha pressionado o assunto, porque ela sabia o quão doloroso era se lembrar.
Zac passou as mãos pelos cabelos, arrastando-os ao longo de seu rosto, como se reunindo coragem para falar.
— Meu pai tinha leucemia. Quase um ano antes de morrer, ele precisava de cuidados 24hs por dia. Gia se apavorou. Ela o idolatrava, e ver aquele homem forte e confiante reduzido a uma pessoa doente e frágil deitada na cama o dia todo, a deixou apavorada. Ela se jogou em seus estudos - era seu último ano na escola secundária e ela precisava de boas notas para ser aceita pelo Instituto de Artes Culinárias. Minha mãe passou a ser o único ganha-pão em toda a nossa família e trabalhava quase o tempo todo. Assim ela me abandonou. Eu tinha quatorze anos quando dei um tempo da escola por um ano, para cuidar dele em tempo integral. Ele morreu duas semanas depois do meu aniversário de quinze anos.
Vanessa não conseguia segurar as lágrimas por mais tempo, deixando elas descerem livremente por suas bochechas. A vida era tão injusta. O pai de Zac tinha morrido de câncer, e, em seguida, o próprio Zac se apaixonou por uma garota que estava com câncer. Como isso era possível? Por quê? Zac não merecia isso. Ele era uma pessoa incrível, que merecia uma vida longa, cheia de amor, felicidade e sorte.
— Desde então eu me senti desconectado, fluindo com a corrente e sem qualquer objetivo. Até que eu conheci você. Você me dá tudo que eu preciso, Nessa. Você me completa, você conecta todos os pedaços de mim. Eu me sinto completo quando estou com você. Quando eu olho para o futuro, vejo você do meu lado.
Não. Vanessa definitivamente não estava no futuro de Zac, porque ela nem sabia se tinha algum futuro. Mas não podia dizer isso a ele. Se ela lhe contasse a verdade, ele ficaria com ela. Ela não podia permitir que isso acontecesse, ninguém merecia ver duas pessoas que amava morrendo. Mesmo se houvesse uma chance de que ela não morresse, ela ainda não queria que Zac sofresse por ela, enquanto entrava e saía de hospitais e chorava até dormir todas as noites.
— Zac, eu sinto muito sobre seu pai. — ela começou, e ele acenou com a cabeça em reconhecimento. — Você é incrível, mas eu... Eu preciso de algum tempo para limpar minha cabeça. Eu preciso pensar.
Ela não poderia lhe dizer que nunca poderiam estar juntos. Não esta noite. Seu coração ia explodir se ela lhe desse mais dor em tão pouco tempo. Além disso, ela precisava de um tempo para se recompor e se preparar para o que ela tinha que fazer.
— Ok. Falaremos amanhã. — Ele se levantou e começou a soprar as velas. Quando ele terminou, ele estendeu a mão e Vanessa a pegou, levantando-se. — Vamos para casa.
— Posso te pedir uma coisa? Você se importa se eu dormir sozinha esta noite? — Seu rosto caiu e Vanessa se sentiu como a maior vilã do mundo. — Eu só... Eu acho que vai ser melhor se eu pensar sobre isso sozinha.
Zac relutantemente concordou, e a levou até a sua casa. Antes que ele entrasse em seu carro, ele disse:
— Eu sei que tudo que eu disse esta noite é uma responsabilidade muito grande, e eu sei que estou lhe pedindo um compromisso enorme. Eu também sei que provavelmente não vai ser fácil, mas eu sei que, enquanto tivermos um ao outro, nós podemos tudo. — Ele circulou sua cintura e puxou-a para ele, enterrando o rosto na curva do seu pescoço. — Eu te amo, Nessa.
Ela enganchou as mãos atrás do pescoço quando Zac encontrou sua boca e a beijou. Vanessa não se conteve sobre o beijo. Ela lhe deu tudo o que tinha - porque essa ia ser a última vez que ela o beijaria.
Zac sentou-se no carro, fechou a porta e partiu, levando a sua alma com ele.
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