domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz Natal!!!

Que neste natal,o Menino Jesus renasça no coração de cada um de vocês e traga muita paz,saúde, sabedoria, serenidade e muito amor para vocês e suas famílias. 
"Que o Natal comece no seu coração 
Que seja pra todos sem ter distinção 
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for 
O melhor presente é sempre o amor" 
Um abençoado natal para todas vocês e suas famílias🙏🎁🎄🎅✨😘
P. S. : créditos na foto, por favor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Capítulo Onze

Na manhã seguinte, Vanessa acordou com um  sobressalto. Ela olhou em volta freneticamente, porque nos primeiros dois segundos, ela não tinha certeza de onde estava. Será que ela tinha ficado em Zac? Não. Ela estava em sua própria cama.

Havia algo sobre estar com Zac que turvava a realidade. Ficava um agradável borrão, um borrão onde não havia motivos pelos quais eles não deveriam estar juntos. Um borrão onde não havia nenhum caso de câncer, apenas planos e sonhos para o futuro.

Infelizmente, o momento em que o borrão limpava, a realidade batia em Vanessa como um furacão. O que ela tinha feito na noite passada? Por que ela tinha permitido que as coisas fossem tão longe? Zac a tinha beijado e foi... Épico. Foi um beijo que fez todo o seu corpo tremer de desejo. Foi um beijo que valia a pena esquecer a realidade por ele.

Se uma coisa ficou clara ontem à noite, era que Zac não tinha qualquer intenção de deixar Vanessa sozinha. Ele a queria, e ele viria atrás dela. Mais cedo ou mais tarde ela iria rachar. Mais uma vez - como tinha feito na noite passada. Mas da próxima vez, poderia não haver um telefonema para interrompê-los.

A única coisa que podia fazer era ficar longe dele, mesmo como amigo. Mas como ela poderia fazer isso? Ele era uma presença permanente na vida de Ashley. Não havia nenhuma maneira que ela pudesse evitá-lo nas próximas oito semanas.

E, francamente, ela não queria. Zac era ótimo , e ela mal podia esperar para passar mais tempo com ele e conhecê-lo melhor.

O inferno com a realidade.

Quando Vanessa desceu, Ashley e Niki já estavam na cozinha, fazendo café e  uma comida com um cheiro delicioso.

—Oi gente. Vocês acordaram cedo.

—Cedo? São 11:00hs — disse Niki e, caminhando até Vanessa, deu-lhe um beijo na bochecha. — Dormiu tarde ontem à noite?

—Yeah. Desculpe por isso, Ash. Eu deveria ter ligado, mas eu acho que eu perdi a noção do tempo.

Zac a tinha conduzido direito para casa depois que Ashley tinha ligado, mas eles tinham ficado no carro e conversado um pouco. Nenhum deles queria deixar sua pequena bolha acolhedora. Eles não haviam tocado em nenhum dos tópicos “campo minado”, em vez disso tinham falado sobre música, filmes, comida e lembranças da infância.

Eles descobriram que tinham muita coisa em comum - eles gostavam do mesmo tipo de filmes e ouviam as mesmas bandas. Logo depois que Vanessa tinha admitido que gostava de rock dos anos 80 e 90, Zac tinha sorrido e dito que ele adorava também. Ele encontrou rapidamente um CD do Aerosmith e eles cantaram “Crazy”, em pleno pulmões juntos. Então ele confiscou o iPod da Vanessa e rolou pela sua playlist.

—Você tem múltipla personalidade ou algo assim? — Ele perguntou, depois que vasculhou sua coleção de música.

—O quê? Por quê? — Ela tentou pegar de volta seu iPod, mas ele moveu a mão muito rapidamente.

—Green Day, Bon Jovi, Aerosmith, Linkin Park e 30 Seconds to Mars nunca  deveria estar no mesmo aparelho que Rihanna, Destinys Child e Lady Gaga, — ele disse, ainda percorrendo a seleção.

—Eu gosto de ter diferentes tipos de música, dependendo do meu humor.

—Sério? Você tem Zero Assoluto e Paolo Nutini? — Ele olhou para ela, incrédula.

—Bem, sim. Eu estava tentando relembrar o italiano, e acho que é muito mais fácil estudar uma língua através da música.

—E o que diabos é Framing Hanley?

—É realmente uma grande banda. Você vai gostar.

Eles haviam escutado as músicas favoritas de Framing Hanley de Vanessa, depois que ela conseguiu recuperar seu iPod das mãos de Zac, antes que ele encontrasse outra  coisa para provoca-la. Ela tinha razão - ele amou. No momento em que Vanessa finalmente se arrastou para longe de Zac, Ashley já havia ido para a cama há muito tempo. Vanessa subiu as escadas e foi para seu quarto o mais silenciosamente possível.

Ashley não parecia muito feliz com ela agora. Mas Vanessa percebeu que ela não teria trocado o tempo que passou com Zac por nada, nem mesmo pela aprovação de sua prima.

—Está tudo bem, Vanessa. Você me disse que estava com Zac, então eu sabia que você estaria segura. É por isso que eu fui para a cama e não esperei por você. — Vanessa teria apostado que a preocupação de Ashley não era apenas pela sua segurança. Especialmente do jeito que ela disse, mas ela não poderia se importar menos. Nesse momento em que tudo o que ela queria fazer era se divertir e esquecer tudo. Ela lidaria com a vida dentro de oito semanas.

Niki colocar algumas panquecas, ovos mexidos, torradas, geleia, salame e manteiga na mesa, e fez um gesto para que se sentassem. Ashley trouxe o café e de repente todas pareciam felizes e contentes enquanto atacavam a comida.

—Eu tenho uma notícia — disse Niki, depois de esperar que todas comessem alguma coisa. As meninas olharam para ela com expectativa. Ela sorriu e disse: — Eu conversei com Gina na noite passada.

—Oh, meu Deus! Sério? Como foi? — Vanessa estava tão animada. Ela esperava que Niki desse o primeiro passo e procurasse sua mãe, mas ela realmente não tinha certeza se ela algum dia faria isso. Lisa sorriu e olhou para a mãe com interesse.

—Foi um pouco estranho no começo, eu acho. Mas depois, foi como se nunca tivéssemos perdido contato! Nos falamos por cerca de uma hora e me senti... Certa.

Pensando bem, Niki parecia radiante esta manhã, como se um peso enorme tivesse sido tirado dos ombros.

—Estou tão feliz por você, mamãe. — Ashley levantou-se e deu a Niki um beijinho na bochecha, enquanto caminhava até o balcão, e recarregava seu café.


—Eu tenho que ligar para minha mãe antes de sair. — disse Vanessa. — Aposto que ela está muito animada também.

—Aonde você vai? — Perguntou Ashley, enquanto voltava para a mesa.

—Não eu...Nós. Estamos indo ao jogo, lembra? — A julgar pelo olhar confuso no rosto de Ashley, ela não lembrava. — Gênova vs Sampdoria, o jogo beneficente? Beppe nos disse sobre ele na segunda-feira.

—Ah, certo. Eu tinha esquecido completamente sobre isso.

—Você ainda vai, certo?

—Yeah — Ashley encolheu os ombros, como se ela fosse só porque não tinha nada melhor planejado.

—Você está bem? — Perguntou Vanessa, porque sua prima parecia estar agindo bem estranha durante toda a manhã, e não foi só por causa da sua saída ontem à noite.

—Eu estou bem. Eu só tenho um monte de coisa na minha cabeça.

—Você quer falar sobre isso?

—Talvez mais tarde. Temos que ficar prontas. — Ela deu um sorriso tranquilizador a Vanessa, como se para mostrar que ela não era a razão de seu estado de espírito, pegou  a sua xícara de café , e subiu as escadas para o quarto dela.

—O que há com ela? — Vanessa perguntou a sua tia.

—Não sei. Ela não me disse nada. Quando cheguei em casa ontem à noite ela estava no estúdio e não saiu até que eu fui para a cama. Talvez ela esteja em algum tipo de humor de artista. Isso já aconteceu antes.

Vanessa assentiu com a cabeça, aceitando a explicação de sua tia, porque ela não parecia preocupada. Elas eram muito próximas, por isso, se Niki tinha certeza que Ashley estava OK, então ela deveria estar.

—Então, Ash me disse que você já passou muito tempo com Zac — Niki sorriu descaradamente para ela, e Vanessa corou.

—Sim, ele é ótimo. Não olhe para mim desse jeito, nós somos amigos.

—Ceeeerto. — Sua tia riu. — Você sabe que você sempre pode falar comigo sobre qualquer coisa, certo? Eu estou aqui para você, querida.

—Obrigado, tia Niki. Eu sei.

—Bom. Eu tenho que ir agora, mas espero que todas possamos estar aqui para o jantar, não? Eu sinto falta vocês.

Ela deu a Vanessa um beijo e saiu pela porta, indo para o trabalho.
Sorrindo, Vanessa subiu para seu quarto para ficar pronta. Assim que ela fechou a porta, ela ouviu seu telefone vibrar em seu criado-mudo.

Era uma mensagem.

Zac: Você já está usando a minha camisa?

Vanessa sorriu e digitou de volta.

Vanessa: Prestes a colocar

Quase imediatamente ela recebeu uma resposta.

Zac: Então você não está usando nada agora?

Isso a fez rir, mas também a excitou. Imaginou-o ainda na cama, de cueca, apoiado no cotovelo e digitando em seu telefone.

Vanessa: Você?

De onde veio isso? Ela não deveria incentivar sua paquera agora, certo? Mas era tão difícil resistir.

Zac: Um pouco. Mas é facilmente removível. Basta dizer a palavra.

Vanessa: Mantenha as calças, garotão. Ou vamos nos atrasar para a partida.

Zac: Desmancha-prazer.

Vanessa abanou a cabeça e, sorrindo, entrou no banheiro para tomar um banho.

Meia hora depois, ela estava quase pronta. Seu cabelo estava lavado, mas não tinha tempo para secar e arrumar, então ela só o prendeu em um rabo de cavalo, e amarrou uma fita azul e vermelha em volta dele para combinar com as cores do clube. A maquiagem era mínima - apenas rímel e gloss. Era hora de decidir o que fazer com a camisa do Zac.

Era enorme. Quando ela vestiu, bateu em seus joelhos e as mangas cobriram dois terços de seus braços. Oh, e havia espaço para mais duas pessoas dentro dela também. Pelo lado positivo, o cheiro era maravilhoso. Ela estava lavada, mas o cheiro de Zac ainda permanecia sobre ela. No momento em que Vanessa colocou, ela sentiu como se ele estivesse bem ali ao lado dela.

Certo. Voltando a camisa.

Só uma coisa apropriada veio à mente - legging e um cinto. Vanessa tinha uma legging azul escuro, que descia pouco abaixo dos joelhos. Ela normalmente usava para fazer  ioga,  mas  seria  perfeita  para  esta  ocasião,  porque  a  camisa  era  metade vermelho metade azul escuro. Vasculhando a gaveta de acessórios no guarda-roupa, Vanessa encontrou uma faixa estreita vermelha, que ela amarrou na cintura com um nó bagunçado.

Pronto. Ela estava pronta para a partida de futebol, de forma casual e, pensou, original. Por fim, ela colocou os tênis, e saiu do quarto, bem na hora que a campainha tocou.

— Ash, você está pronta? — Ela chamou quando passou pelo seu quarto, a caminho da porta.

Quase. — Ashley gritou de volta.

Abrindo a porta da frente, Vanessa ficou cara a cara com Beppe e Gia, e ambos estavam sorrindo.

Você é um idiota — Gia disse a ele em italiano, então ela tirou a mão de seus ombros e entrou, beijando Vanessa  em ambas as faces. — Uau, você está adorável!

Sim. Mas eu não usaria essa mesma palavra. — disse Beppe, enquanto ele piscava para ela e a abraçava, beijando seu rosto também.

Quando Beppe entrou, Vanessa viu que Zac vinha logo atrás. Ele estava usando uma camisa da Gênova, mas a sua era a alternativa - branca com duas listras azul e vermelha na frente. A outra diferença era que a sua efetivamente servia perfeitamente nele.

Ciao, tesoro — disse ele quando se inclinou para beijar seu rosto. — E eu pensando que você não conseguiria deixar minha camisa sexy — ele sussurrou em seu ouvido, fazendo com que aumentasse a velocidade de sua frequência cardíaca.


Fico feliz que você goste. Eu não sonharia em desonrar sua camisa.

Desonrar? Você está brincando comigo? Eu nunca vou lavá-la novamente.

Uh, nojento. — Vanessa franziu o nariz e riu.

Eles deixaram o carro de Zac em frente à casa de Ashley, porque o estádio Luigi Feraris - ou o Marassi, como era conhecido - era bem no meio da cidade, e não havia estacionamento. Eles foram de ônibus até a estação de trem, e de lá pegaram um dos ônibus fornecidos especialmente para os torcedores que iam ao estádio.

O clima na cidade era elétrico. Pessoas vestidas nas cores das duas equipes andavam por toda parte, cantando, rindo e com bandeiras. Vanessa não conseguia tirar o sorriso do rosto. Era exatamente o que ela tinha imaginado que essa partida histórica seria!

Zac estava segurando a mão de Vanessa desde que tinham deixado sua casa. Ele tinha provocado um olhar crítico de Ashley, e alguns mais atrevidos de Beppe e Gia, mas depois ninguém mais se importou. Mesmo o humor de Ashley animou quando chegaram à estação e entraram no ônibus especial. Era como se todos se conhecessem - as pessoas pararam e falavam umas com as outras, e realmente não importava quais as cores da equipe que eles usavam. Um cara bonito em uma camisa do Gênova cumprimentou Vanessa pela sua roupa, e provavelmente teria flertado um pouco, se Zac não a tivesse puxado para perto e disparado um olhar ameaçador em sua direção. 

Vanessa riu e balançou a cabeça. Em outras circunstâncias, ela provavelmente teria se irritado, mas hoje era um dia tão especial, que ela não poderia evitar. Então ela notou um outro cara, em uma camiseta da Sampdoria conversando com Ashley, e pouco antes de descer do ônibus ele anotou o número dele e entregou para ela, que enfiou no bolso de trás da sua calça jeans, com um sorriso.

O ônibus parou em frente ao estádio e eles entraram, com Beppe gemendo pela centésima vez que estaria sentado na Tribuna Centrale em vez de Gradinata Sud, onde todos os fãs do Sampdoria que se preze estariam. Zac insistiu que ele nunca colocaria os pés em Gradinata Sud, porque todos os fãs estavam em Gênova Gradinata Nord. Então Tribunata Centrale tinha sido o acordo quando foram comprar os bilhetes. Mesmo que soubessem onde iriam se sentar com semanas de antecedência, os gemidos não pararam até eles pegarem seus assentos, e as meninas os ameaçarem para se calarem.

O estádio estava completamente cheio. Vanessa não podia ver um assento desocupado em qualquer lugar. O lugar estava tão cheio de energia, que o chão estava vibrando sob seus pés. Todas as trinta e cinco mil pessoas aqui tinham futebol em suas veias. Eles provavelmente tinham se apaixonado um desses clubes desde que eram bebês. E demonstravam.

Vanessa sentou-se ao lado dos degraus, e Zac se sentou ao lado dela, ainda segurando sua mão. Ele estava zumbindo com antecipação. Seus olhos estavam brilhantes e ele não tirava o sorriso do seu rosto. Beppe sentou-se entre Ashley e Gia, e imediatamente começou a provocá-las, com um largo sorriso enquanto brincava com  elas. Ele nem percebeu como as mulheres ao seu redor olhavam para ele, mas não era porque ele não estava ciente de quão atraente ele era. Vanessa pensou que tinha mais a ver com Gia - quando ela estava por perto, Beppe não tinha olhos para mais ninguém.

Você está bem? — Zac perguntou, inclinando-se para Vanessa. Ela havia ficado perdida em seus pensamentos por um minuto, e imaginou que demonstrou isso em seu rosto.

Yeah. Eu estou ótima. Eu não posso acreditar que eu estou aqui, no Marassi. Eu não consigo pensar em qualquer lugar que eu preferiria estar agora. — ela sorriu para ele, querendo dizer cada palavra.

Mesmo que esteja perto do topo da minha lista, eu posso pensar em uns dois outros lugares que eu prefiro estar agora. — Zac sussurrou em seu ouvido, e muito suavemente mordeu o lóbulo da orelha. Foi tão suave, que por um segundo Vanessa achou que houvesse imaginado, mas a agitação em sua barriga confirmou.

Bem nesse momento, o estádio explodiu quando as duas equipes saíram para aquecer no campo. Vanessa estava em pé também, tentando dar  uma olhada melhor.

Quando ela fez isso, o que ela viu não a agradou. Rico e aquela menina, Antônia - que tinha beijado Zac no clube - juntamente com um grupo de outras pessoas estavam subindo as escadas em sua direção. Rico estava conversando com outro cara na frente, enquanto Antônia estava segurando a mão de alguém e rindo de algo que ele havia dito.

A mão de Zac se esticou em Vanessa. Ele tinha visto eles, também. Ela se virou para olhar para ele e seu rosto era ameaçador. Sentindo-se irritada, Vanessa soltou sua mão e se sentou em seu lugar.

Esta rotina de ciúmes estava se tornando cansativa. Zac não tinha o direito de ficar com ciúmes, ela não era sua namorada, pelo amor de Cristo. Eles não estavam nem mesmo ficando. Mesmo que ela tentasse dizer a si mesma que estava irritada com Zac, ela também estava se sentindo muito desconfortável ao ver Antônia. No momento em que a viu, se lembrou dos seus lábios em Zac naquela noite. Isso quase a deixou insana.

Esses lábios perfeitos e deliciosos são meus.

Ela acabou de pensar isso? Então, para resumir, Vanessa estava irritada com o ciúme infundado de Zac, enquanto ficava territorial sobre seus lábios. Isso mexeu um turbilhão de emoções contraditórias dentro dela, e ela não tinha ideia de como controlá-las.

À medida que se aproximavam, a sensação desconfortável no estômago se intensificou. Ela não queria aquela cadela perto de Zac. Obviamente, não era difícil ganhar o seu afeto - já que o cara estava em cima dela e ela não parecia se importar. Beppe os tinha visto, também, e estava sorrindo em sua direção, claramente apreciando  o show. Ele estava com os dois braços esticados, um sobre o encosto de Gia e outro de Ashley, e parecia um modelo masculino em um anúncio de Calvin Klein. As meninas estavam ocupadas conversando animadamente, e não tinham notado o grupo que se aproximava.

Vanessa orou para que eles não os vissem, e apenas passassem. Ela não teve essa sorte.

Hey, Vanessa. Como você está? — Rico disse, e se abaixou para beijar seu rosto.

Será que ela imaginou, ou Zac realmente grunhiu profundamente em sua garganta?

Ei, cara. — Rico acenou para Zac que, indelicadamente, acenou de volta, mas não disse nada. Beppe fingiu estar muito interessado em Gia e Lisa conversando, e simplesmente o ignorou.

Então essa é a famosa Vanessa. — disse o rapaz ao lado de Rico. — Ele não para de falar de você. — ele continuou, apontando na direção de Rico com um sorriso atrevido. Rico lançou-lhe um olhar, mas o cara não se importou.

Sávio, muito tempo sem te ver. — disse Zac e apertou a mão do cara. — Há quanto tempo você está na cidade?

Umas duas semanas. Devemos sair, Zac. Eu não te vejo há anos.

Claro. Dê-me uma ligada.

Rico tentou dizer alguma coisa, mas Sávio o chamou para subir as escadas.

Aproveitem o jogo, eu falo com você depois — disse ele, enquanto subiam.

Quem era? — Perguntou Vanessa.

O irmão de Rico, Ele vive em Milão. Nós costumávamos ir juntos para a escola, mas desde que ele foi para Milão para trabalhar, nós perdemos contato. — explicou Zac, sua voz inexpressiva, enquanto olhava ao campo em frente.

Qual é a idade de Rico? — perguntou Vanessa, e não tinha a intenção com a questão de mostrar qualquer interesse no rapaz. Era só que Sávio parecia mais velho e ele teria a idade de Zac, se tivessem ido para a escola juntos. Zac virou a cabeça e  olhou para ela, seus olhos castanhos parecendo quase preto quando estudava a  pergunta.

Dezenove.

Oh. Isso explica muita coisa. — Zac olhou para ela com curiosidade, inclinando a cabeça para um lado. Vanessa sentiu a necessidade de elaborar. 

— Bem, ele é muito... Despreocupado. Imaturo. Não é tão intenso. — Como você, ela queria acrescentar, mas não o fez. Zac murmurou “Hmmm” e olhou para a frente, apertando os músculos da sua mandíbula.

Pelo amor de Deus!

Eu vou ao banheiro. Volto já — disse Vanessa, e levantou abruptamente. Ela realmente não precisava ir ao banheiro, mas a partir do momento que Zac estava agindo como um idiota, ela precisava ficar longe dele por um minuto.

Eu vou com você para lhe mostrar onde ficam. — disse Zac, quando se levantava.

Eu sou capaz de encontrar os banheiros, Zac. Você não precisa me acompanhar em todos os lugares que eu vou. — Ela lançou-lhe um olhar frio e virou, subindo as escadas.

Ela passou por onde Rico e companhia estavam sentados e acenou para eles, quando os viu. Aparentemente Antônia tinha achado seu lugar muito desconfortável, já estava sentada no colo de um cara. E não era o cara que estava segurando a mão dela no caminho.

Vadia.

Com sua visão periférica Vanessa viu Sávio cutucando Rico, e ele levantou-se, caminhando em sua direção.

— Vanessa, espere. — Ele falou com ela, enquanto ela estava olhando ao redor, procurando a placa que sinalizasse o banheiro.

Hey. Por acaso você sabe onde fica o banheiro feminino?

Sim, bem ali — Rico apontou à sua esquerda.

Obrigada — Vanessa disse e tentou ir embora, mas Rico ficou onde estava. — Você quer me dizer alguma coisa?

Sim — disse ele, parecendo um pouco desconfortável e, de repente muito jovem. Vanessa imaginou que seria tão fácil se ele fosse o cara que ela gostava. Ela iria se divertir muito com ele - ele parecia ser alguém que gostava de uma boa risada. Ao mesmo tempo, ela não ficaria submetida a olhares intensos, crises de possessividade e flertes ultrajantes.

Mas ele não era o cara que ela queria.

Você está namorando Zac? — Ele perguntou, timidamente.

Não.

Você quer sair comigo?

Ela queria? Ele parecia realmente gostar dela.

Lembrou-se de sua dança no clube naquela noite, e como tinha sentido se sentido bem, antes da vadia da Antônia enfiar a língua na boca de Zac e estragar tudo.

Eu adoraria — ela disse, e sorriu para ele. Ele sorriu de volta, um pouco surpreso. Era um belo sorriso. Rico era bonito. E divertido. E exatamente o que Vanessa precisava agora.

Legal. Eu vou ligá-la na próxima semana. — disse ele e retornou em direção a escada, olhando para ela e sorrindo. Vanessaa sorriu de volta, e de alguma forma sentia que havia tomado a decisão certa. Zac iria descobrir de uma forma ou de outra, e, provavelmente, ficar puto, mas ela não estava namorando com ele, e ele não tinha o direito de dizer a ela o que fazer. Ela veio aqui para tentar tirar da sua mente o seu câncer e sua vida sem futuro - e não ser infeliz por um cara.

Quando Vanessa voltou, o jogo ainda não tinha começado, mas as equipes estavam de prontidão, o que significa que iria começar a qualquer minuto. Beppe estava sentado em sua cadeira, conversando com Zac. Ele não se moveu quando ela apareceu ao lado dele. Ele apenas olhou para ela, com os olhos brilhando com diversão, e os braços cruzados sobre o peito.

Você está no meu lugar. — ela disse, cruzando os próprios braços sobre o peito.

Então? Aposto que você vai ficar muito mais confortável dessa forma — disse ele, e piscou para ela.

Eu aposto que eu não ficaria.

É, provavelmente você está certa — disse ele, enquanto ostensivamente reajustava seus jeans. Vanessa não podia acreditar no que acabara de acontecer.

Mova-se, pervertido — disse ela, com a intenção de parecer ameaçadora, mas o encantador sorriso de Beppe venceu-a e, mordendo o lábio, ela não pôde deixar de sorrir também. Ele voltou para o seu lugar entre Gia e Lisa. Vanessa sentou-se e olhou para Zac, que parecia um pouco no limite, ainda. Mas, em seguida, deu-lhe um sorriso lento e tomou-lhe a mão, apertando-o levemente.

Aquele homem era um mistério para ela. Ela nunca conheceu ninguém que pudesse mudar de humor tão rapidamente. O que passava pela sua cabeça? Ele sempre foi assim, ou era ela o motivo?


Vanessa não tinha mais tempo para pensar sobre isso, porque as duas equipes entraram em campo e o estádio irrompeu novamente.