terça-feira, 11 de outubro de 2016

Capítulo Oito

Quando o bar estava limpo e as portas bem travadas, Zac pegou a mão de Vanessa na sua, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e levou-a em direção ao estacionamento na parte de trás.


— Para onde estamos indo? — Perguntou ela, porque pensou que pegaria um táxi para casa.

— Até o carro. Eu vou levá-la para casa.

— Oh. Ok. Eu não sabia que você tinha um carro.

— Sim, eu tive que deixá-lo um tempo na oficina. Eles tiveram que consertá-lo depois do acidente.

A palavra — acidente — ecoou na cabeça de Vanessa e ela imediatamente congelou  no lugar. Ela não gostava dessa palavra. Após o acidente de carro que tinha tirado a vida do seu pai e Eric, Vanessa não tinha sido capaz nem mesmo entrar em um carro por dois anos. Tinha sido uma luta vencer sua fobia, percebendo que ela não poderia passar a vida assustada. Imaginar Zac em um acidente de carro, no entanto, trouxe de volta as memórias , e por um momento ela sentiu o início de um ataque de pânico.

Fechando os olhos, Vanessa respirou fundo e tentou se acalmar. Zac estava bem aqui ao seu lado, ele não tinha morrido. Tudo estava bem.

— Vanessa? Você está bem?

Ela abriu os olhos para encará-lo, imediatamente relaxando quando encontrou seu olhar cor de safira. Ele havia chegado mais perto dela, provavelmente porque pensou que ia desmaiar. A preocupação em seus olhos era evidente, mesmo no estacionamento pouco iluminado. Mas havia algo mais - ele sabia por que suas palavras a tinham assustado. Ashley deve ter contado a ele sobre o acidente que também matou seu próprio pai.

— Sinto muito. Eu não deveria ter dito nada. Eu... Esqueci — Felizmente, não havia pena em seus olhos, apenas uma preocupação genuína. Vanessa estava feliz que ele tinha se esquecido do fato que ela havia perdido metade de sua família. Ela não queria que ele pensasse nisso cada vez que olhasse para ela.

— Está tudo bem, Zac. Estou bem — Ela desviou o olhar dele para o único carro deixado no estacionamento, era uma BMW 125i prata.

— Você tem certeza? Podemos caminhar, é uma noite quente. Eu posso levá-la para casa e pegar um táxi de volta aqui...

— Zac — disse ela, virando-se para encará-lo, sentindo-se irritada que tinha mostrado vulnerabilidade suficiente para que agora ele estivesse preocupado com ela. — Eu não vou fazer você andar pela cidade depois do trabalho, só porque eu me apavorei sobre você em um acidente. Eu estou bem. Vamos lá. — Ela fez um gesto de impaciência em direção ao carro, e depois de lançar um último olhar desconfiado para ela, Zac abriu as portas e eles entraram.

Ele era um grande piloto. O carro ronronou sob seus pés e ele dirigiu sem problemas. Apesar de sentir-se nervosa, Vanessa não podia deixar de admirar a maneira como ele lidava com a BMW, nem uma vez parando subitamente, ou cometendo qualquer errinho irritante. O que a surpreendeu foi que ela achou muito sexy a maneira como ele mudava a marcha e manuseava no volante. Ela nunca, nunca, achou alguém sexy por dirigir antes.

— Você está me encarando, querida — disse ele com um sorriso diabólico. Vanessa corou e ficou contente pela escuridão da noite. — O que é? Você não acha que eu vou levá-la para casa em segurança?

Ela confiava nele, mas ela não sabia o porquê. Confiar em alguém que dirigia um carro não era algo que ela achava que conseguiria fazer algum dia.

— Você acabou de admitir que esteve em um acidente. Eu queria ter certeza de que você sabia o que estava fazendo.

— Não foi minha culpa. O imbecil estúpido tinha bebido e ultrapassou o sinal vermelho, batendo na gente. Não havia nada que eu pudesse fazer. Felizmente, o carro pegou todos os danos e saímos sem um arranhão.

— Nós? — Vanessa sentiu o pulso acelerar novamente. Isso soava muito como um déjà vu, o motorista que matou sua família havia ultrapassado o sinal vermelho e bebido. E Zac não estava sozinho.

— Sim, eu e Ashley. Não, não, não, não! Eu pensei que ela tinha te contado...

Vanessaa não podia falar, porque a garganta estava completamente fechada, então ela apenas balançou a cabeça. Ashley tinha sofrido um acidente de carro recentemente. O que havia de errado com este mundo? Será que todos que amava seriam mortos em um acidente de carro? Esse era o seu pior medo voltando à vida. Justamente quando ela pensou que tinha conseguido superá-lo.

O carro diminuiu a velocidade e parou. Vanessa tentou afastar a ansiedade, olhando para fora da janela, percebendo que não estavam ainda em frente a casa de Ashley.

— Por que você parou? — ela perguntou a Zac, virando-se para encará-lo. Ele tinha aquele olhar novamente - preocupação misturada com pesar. Ele não disse nada, apenas soltou o cinto de segurança e afastou uma lágrima de seu rosto com o polegar.

Vanessa ainda não tinha percebido que estava chorando. Perfeito. Isso poderia ficar mais embaraçoso?

Ele não perguntou se ela estava bem, porque, obviamente, ela não estava. Não havia nenhum ponto mais em negar o que sentia. Mas, ainda assim, ela não tinha coragem de lhe dizer exatamente como se sentia agora.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, até Zac falar.

— Quando meu pai morreu, eu sai dos trilhos. Eu bebia e festejava a cada noite, dormia com cada menina que mostrava um interesse remoto em mim. Eu não estava interessado em nada nem em ninguém. Minha mãe estava de luto à sua maneira, enterrando-se no trabalho, e raramente em casa. Gia estava ocupada tentando se formar com boas notas e entrar na faculdade. Eu sentia que todos tinham me abandonado. Eu comecei a entrar em brigas e causar problemas em todos os lugares que aparecia.
Isso durou mais de dois anos. Eu estava uma bagunça e não via nenhuma saída. Até que uma noite eu entrei em uma briga, e o cara acabou em coma por uma semana. Ele quase não sobreviveu. Nenhuma acusação foi levantada contra mim, porque eu tinha fugido e o deixado para morrer. Ele tinha drogas com ele e estava completamente pirado quando a ambulância chegou. Ele nem sequer se lembra que eu o mandei para o hospital.
Eu quase matei alguém, e eu não me lembro o porquê. Esse foi o despertar que precisava para tentar resolver meu problema. Era isso ou acabar na prisão, ou pior. Eu precisava lidar com a morte de meu pai. Aceitar e seguir em frente. Então eu parei de beber e festejar, e encontrei um grupo de apoio para jovens que perderam seus pais. Achei que não seria capaz de fazer isso sozinho. Foi aí que eu conheci Ashley, e sua amizade tem sido uma parte vital da minha recuperação.

O tempo todo que esteve falando, ele se manteve olhando para frente, através do para-brisas. Vanessa não podia ver seus olhos, mas ela imaginava que eles estavam cheios de emoção. Ela também achava que ele não contava essa história para qualquer um. Ele fez isso para preparar o caminho para ela, para que compartilhasse seus sentimentos com ele.

Ela estendeu a mão até a alavanca da marcha, e pegou sua mão direita na dela. Zac virou a cabeça em sua direção e ele parecia surpreso. Ele não sabia como ela reagiria ao seu passado e ao fato de que ele quase matou alguém sem nenhuma razão.

— Você deveria estar orgulhoso de si mesmo, Zac. Apesar de tudo, você conseguiu sair desse buraco. Muitas pessoas não podem dizer isso. É muito mais fácil deixar ir e cair ainda mais para baixo. — Ela apertou sua mão para tranquilizá-lo de que ela quis dizer o que disse. Ele assentiu, e Vanessa sabia que era sua vez de falar.

— Eu... Tenho medo de carros. Mas eu não posso passar a minha vida tendo esse medo ou aquele. Então eu entro no carro quando preciso, cerro os dentes, e resisto durante o passeio. Eu me tornei tão boa em suprimir o meu medo, que as pessoas nem percebem o quão desconfortável eu estou. O que eu não consigo me imaginar fazendo é eu mesma um dia dirigir um carro. Embora eu possa garantir que eu nunca vou beber e dirigir ou ser imprudente ao volante, eu nunca poderia prometer que não vou bater em alguém, mesmo que fosse por minha culpa, e mudar a vida de alguém assim...

Vanessa fez uma pausa e engoliu as lágrimas. Cinco anos se passaram e ainda falar sobre a morte do seu pai e seu irmão não era nada fácil. Zac apertou a mão dela, e quando ela olhou para ele, seus olhos estavam pedindo a ela para ir em frente.

Minha vida mudou num piscar de olhos. Só isso — ela estalou os dedos — tudo foi tirado de mim. Meu pai e Eric estavam mortos, minha prima e melhor amiga, a única pessoa que sabia exatamente como eu me sentia, estava se mudando para outro país, a minha tia não queria sequer manter contato. Meu maior medo hoje, é que as pessoas com quem me importo sejam arrancadas da minha vida, e eu não vou poder fazer nada sobre isso. Eu percebo que é o que a maioria das pessoas tem medo, mas eu sei exatamente como é esse sentimento por experiência própria, e eu nunca mais quero passar por isso novamente. Eu luto com esse medo a cada dia, porque eu não quero passar a minha vida sem realmente vivê-la, apenas por ter medo. Eu não quero me separar das pessoas que se preocupam comigo, só porque eu estou com medo de perdê-las. — Ela fez uma pausa e pensou em sua cabeça se ela deveria dizer o que veio a seguir ou não. — Eu não quero não ser capaz de me apaixonar, porque eu estou com medo que meu coração vai ser quebrado de uma maneira ou de outra.

Seus olhos nunca deixaram o dele, como ela disse essas últimas palavras.

*
Conseguir que Vanessa se abrisse com ele, lhe deu uma sensação de  conquista incrível. Ela sempre foi extremamente reservada, mesmo depois que ele admitiu o que sentia por ela.

Eu não quero não ser capaz de se apaixonar, porque eu estou com medo que meu coração vai ser quebrado de uma maneira ou de outra.

A maneira como ela havia dito isso, olhando diretamente em seus olhos, parecia uma admissão. E, no entanto, apenas esta manhã na praia, ela disse que não queria usá- lo como um caso de verão e ferir Ashley no processo. O que Zac deveria pensar agora?

A única coisa que conseguia pensar era o quanto ele queria beijá-la. Ele não conseguia se lembrar de compartilhar esse momento com ninguém. Ashley e Beppe eram as únicas pessoas que ele já tinha conversado sobre seu pai e seus sentimentos. Mesmo Gia não sabia exatamente o quanto ele tinha demorado e passado para superar a morte de seu pai.

Mas se ele a beijasse, não haveria como voltar atrás. Ele não se preocupava com as consequências. No entanto, ele não podia ter certeza de que Vanessa não se importaria tanto. Ele não seria capaz de aguentar, se ele a beijasse e, em seguida, ela o rejeitasse.

No final, o seu instinto de auto-preservação ganhou. Ele puxou a mão dela e reposicionou-se para trás em sua cadeira. Ele podia sentir sua decepção quando ela se mudou de volta em seu lugar também. Ele também estava desapontado, mas ele deveria lhe dar algum espaço para pensar. Ele deixou bem claro que queria estar com ela, e até que ela tivesse cem por cento de certeza de que ela queria tanto quanto ele, ele não ia empurrá-la.

Se ela o rejeitasse, ele não seria mais capaz de ficar perto dela. Ele preferia passar um tempo com ela, do que beijá-la agora, só para deixar as coisas estranhas amanhã, quando sua consciência retornasse.

Max ligou o carro e dirigiu em silêncio o resto do caminho. Eles tinham compartilhado um monte e ambos precisavam de um tempo para processar a informação.

Logo, ele estacionou na frente da casa de Ashley e desligou o motor.

Estou feliz que você veio hoje à noite.

Eu também. — Vanessa sorriu para ele e ele refletiu seu sorriso. Seus olhos mergulharam em seus lábios por um segundo e Zac teve que apertar as mãos em punho para impedir-se de agarrá-la e puxá-la contra ele. — Vejo você amanhã, então. Obrigada pela carona.

Ciao, tesoro. A domani — Ele podia ver o efeito que tinha sobre ela quando falava em italiano, e ele adorava. O simples pensamento dela não ser capaz de resistir a ele era um enorme tesão.

Ele tinha uma suspeita de que ela chegaria, mais cedo ou mais tarde.

*
A luz no quarto de Ashley ainda estava acesa, embora fosse muito tarde. Vanessa esperava que ela ainda estivesse acordada. Subindo as escadas o mais silenciosamente que pôde, porque a tia dela devia estar dormindo agora, Vanessa bateu suavemente na porta de sua prima.

Ei, eu estava esperando por você — disse Ashley, quando fechou o livro que estava lendo. Ela estava vestida em seu pijama, e estava deitada apoiada no cotovelo na cama.

Você não precisava. Você já trabalhou o dia todo. — Vanessa sentou-se na cama ao lado de sua prima, e puxou as pernas debaixo dela.

Eu queria ver você. Eu sinto como se, desde que você chegou, tudo o que eu tenho feito é trabalhar ou me preocupar com trabalho. Quero passar mais tempo com você.

Ash, pare com isso. Eu estou ok. Toda vez que você puder passar comigo está bom.

Olha, amanhã estou livre durante o dia, eu só tenho que fazer a aula de arte à noite. Vamos fazer alguma coisa. Podemos ir ao SPA da mamãe e fazer as unhas ou receber uma massagem. Podemos ir à praia... Eu não sei, você decide.

Eu gostaria disso: Spa e praia — Ambos deram risadas, mas logo o rosto de Vanessa ficou sério.

O que há de errado? — Perguntou Ashley. —Zac deu em cima de você de novo? — Ela fez uma careta.

Não, não é isso. Nós nos divertimos muito hoje. Vamos jantar amanhã.

Como um encontro?  — Ashley tentou esconder sua desaprovação, mas não conseguiu. Isso só cimentou a suspeita de Vanessa, que ela não gostaria que eles se envolvessem. Zac tinha feito a coisa certa, quando ele resistiu a beijá-la esta noite. Se ele não tivesse, elas estariam tendo uma conversa muito diferente agora.

Não, tipo como amigos que dividem uma refeição juntos.

Vanessa entendia por que Ashley não queria que ela se envolvesse com um de seus amigos mais próximos, mas, apesar disso, ela se sentia um pouco irritada. Seria tão ruim se ela e Zacx se envolvessem enquanto ela estivesse aqui? Mas ela não podia se dar ao luxo de pensar isso agora.

Por que você não me disse que esteve em um acidente de carro? — ela perguntou, mudando de assunto abruptamente.

Ashley ficou atordoada em silêncio. Primeiro foi o choque em seu rosto, em seguida o entendimento. E, em seguida, outra coisa que Vanessa não conseguia identificar,  porque sua prima escondeu quase que imediatamente.

Ele lhe disse. — Ela disse baixinho, sem acusar.

Sim, ele disse. Por que não?

Você sabe por que, Vanessa. Qual é a razão? Nós estamos bem. A única coisa que a informação teria lhe causado seria um sofrimento desnecessário.
Vanessa sabia que ela estava certa, mas ainda se sentia como uma pessoa vulnerável e fraca, quebrada, que todos tinham que andar na ponta dos pés ao redor. Ela odiava isso.

Eu posso lidar com isso, Ash. Eu posso lidar com a minha própria merda, você não tem que me proteger — Ela não queria parecer tão dura, mas era como se sentia.

Eu sei que você pode. Você é uma das pessoas mais fortes que conheço, Nessa. Eu te admiro pela forma como você lidou com tudo o que a vida tem jogado em você. Eu só não vejo a razão de lhe dizer. O que você teria feito?

Eu poderia ter estado pelo menos lá para você. Aposto que o acidente trouxe muitas memórias de volta.

Ele fez. Isso também foi outro motivo por que eu não queria te dizer. Eu não quero que você sinta o que eu senti. Eu estava uma bagunça por dias. Mas você sabe o quê? Eu consegui sair desse buraco negro, e eu me sinto muito melhor agora. Não só sobre o meu acidente, mas sobre os deles também.

O que você quer dizer?

Eu não sei como explicar isso exatamente. Acho que o que aconteceu com o meu pai, eu não tinha lidado com isso completamente. Mas eu mesma passar por uma situação semelhante, me fez sentir como se superasse a minha própria experiência, e de alguma forma, conseguiu aceitar plenamente o que tinha acontecido com eles também. Isso provavelmente não faz sentido...

Sim, isso faz. Eu entendo. E, de uma maneira estranha, eu estou feliz.

Você está feliz que eu estive em um acidente de carro? — Ashley brincava com ela e Vanessa sorriu.

Sim. Fico feliz que você esteve em um acidente de carro. Eis uma frase que nunca pensei que diria.

Elas conversaram por um tempo mais longo. Ashley conversou animadamente sobre a galeria de arte e como ela tinha vendido uma pintura muito cara hoje. O cara que tinha comprado ficou impressionado com o conhecimento sobre artes de Ashley, apesar da sua tenra idade. Ele disse que, pessoalmente, pediria a sua ajuda na próxima vez que ele visitasse a galeria. Ela também disse a Vanessa o quão impressionado estava com um de seus alunos em sala de aula, que tinha um estilo único e cujo trabalho estava ficando melhor e melhor depois de cada aula.


Vanessa gostava de ouvir Ashley conversar. Logo, suas pálpebras ficaram pesadas e ela começou a afastar-se para dormir. Seu último pensamento foi que ela não estava em sua própria cama, mas estava tão cansada e tão confortável que não se importava. Ela adormeceu ao lado de Ashley, enquanto suas palavras soaram como a melhor história de ninar.

~*~*~*~
Olá meninas!!! Como estão???
Já que estou de recesso da escola e não trabalho essa semana, 
resolvi fazer uma pequena surpresa pra vocês!!! 
Espero que tenham gostado do capítulo!!!! 
E fiquem ligadas,porque essa semana tem mais!!!
Obrigada por todas as que leem e comentam. Amo vocês ♥
P.S.: Ponny,você disse que os capítulos não estão chegando pra você e isso é normla,já que o blogger vive nos trolando. Entra no grupo da fic no facebook. Lá eu sempre aviso quando posto,ok? xoxo

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Capítulo Sete

O bar Ironia estava muito cheio. Quase todas as mesas estavam ocupadas, e o bar estava lotado. A música era uma mistura de tudo, desde o pop atual a grandes sucessos do rock, deixando a maioria dos clientes satisfeitos. O interior era bastante moderno e elegante - mesas de vidro preto, cadeiras e banquetas vermelhas e brancas, e uma grande quantidade de espelhos e luzes. Isso servia a geração mais jovem.

Vanessa caminhou até o bar, e quando se aproximou viu um único banco branco no canto esquerdo que estava desocupado. Indo até lá, ela olhou em volta à procura de Zac atrás do balcão. Ela o viu e ficou ali, para que pudesse desfrutar de observá-lo, sem ele saber. Era óbvio que ele sabia o que estava fazendo - ele se movia com rapidez e eficiência, preparando e servindo bebidas, enquanto conversava e brincava com os clientes.
Ela poderia ficar lá e observá-lo a noite toda.

Infelizmente, ele a flagrou enquanto ela estava olhando para ele. Envergonhada, ela sorriu e acenou, indo para o banco vazio.


— Hey. — ele disse quando se aproximou dela. Debruçando-se sobre o balcão, ele lhe deu um beijo em cada bochecha. — Um pouco mais e eu não teria sido capaz de segurar um banquinho para você. Está uma loucura aqui hoje. — Alguém chamou o seu nome e ele gritou “espera” em italiano, inclinou-se sobre os cotovelos em direção a ela.

— O que eu posso te pegar, tesoro? — Essa palavra rolou para fora de sua boca perfeita, como se fosse feito para ele. Vanessa não podia imaginar alguém dizendo isso da mesma maneira.

— Um virgem bellini[1], por favor. — Ele balançou a cabeça e voltou com a bebida momentos mais tarde. — Você está sozinho esta noite? — Parecia estranho que fosse uma noite movimentada e Zac fosse o único atrás do bar.
Sim, a garota que supostamente deveria estar aqui, pediu demissão ontem à noite. Os outros dois caras que trabalham aqui já tinham planos para hoje à noite, por isso não conseguiram mudar o turno. Estive aqui a maior parte da tarde tentando encontrar alguém para substituí-la, mas não tive sorte.

Alguém o chamou de novo e, desculpando-se, saiu para preparar mais algumas bebidas. Vanessa percebeu que, a menos que Beppe ou Gia aparecesse logo, ela estaria presa lá a noite toda bebendo seus virgens bellinis sozinha, observando Zac trabalhar.  Não que fosse uma visão particularmente ruim, mas ela tinha a esperança de passar algum tempo com ele, e não apenas admirá-lo de longe.

— Por que você que teve de encontrar alguém para substituir aquela garota? Não há um gerente ou alguém que faça isso? — Vanessa perguntou, quando ele voltou a encher seu copo.

— Sim, existe, mas ele está de férias até amanhã. Os proprietários vivem na Toscana, e como me conhecem desde que eu era uma criança, eu sou a única pessoa de confiança para levar este lugar quando Stephan não está aqui. — Ele mal tinha terminado a frase, antes que tivesse que retornar e servir outra cliente novamente.

— Eu tenho uma ideia. — ela disse, quando Zac retornou para junto dela novamente.

*
Seus olhos brilharam com malícia e no momento em que ela disse essas quatro palavras, Zac sabia que ia ter problemas hoje à noite.

— Por que você não me deixe ajudá-lo hoje à noite?

— O quê? Não.

— Por que não? Você está obviamente sobrecarregado, e eu estou completamente entediada apenas sentada aqui. Você pode fazer os coquetéis, já que eu não sei como fazê-los, e eu possa fazer as coisas mais fáceis. Servir as cervejas, vinhos e outras coisas

— Você não trabalha aqui, Vanessa.

— E quem é que sabe disso? Ninguém está aqui, só você. Se uma das garçonetes perguntar, apenas lhe diga que está fazendo testes comigo para o trabalho.

Alguém o chamou de novo e, tanto quanto Zac queria virar e gritar com eles, não podia. Se era a noite sobrecarregada ou seus olhos cinza arregalados o olhando com entusiasmo, Zac se encontrou pensando sobre sua proposta. Ela estava certa - ninguém estava aqui. Ele precisava de ajuda. Ele poderia de fato dizer que era um teste para o trabalho.

— Ok. — Ele falou as palavras antes que tivesse a chance de mudar de ideia. O sorriso que ela o recompensou valeu a pena cada dificuldade que ele passou essa noite.

— Vá até a sala dos funcionários. Há um armário cheio de aventais pretos, coloque um e venha atrás do bar por ali. — Ele apontou para a pequena abertura na extremidade do bar.

Vanessa pulou de seu banquinho e, literalmente, correu para a sala dos funcionários. Ele ficou olhando para ela correndo em direção ao escritório.
Se ele tivesse visto a parte das costas, há dois segundos atrás, ele nunca teria concordado com isso. Ela estava praticamente nua! Seu rabo de cavalo batia no meio de suas costas nuas enquanto ela andava, e ele imaginou deslizando as mãos sobre a pele lisa e traçando a tatuagem abaixo do seu ombro com as pontas dos dedos, antes de beijar o seu caminho até o pescoço.

Zac só podia imaginar como os homens que estavam no bar reagiria a ela. Alguns segundos atrás, ela estava enfiada em um canto, não causando nenhum problema e, definitivamente, não ficando de costas para uma fileira cheia de tesão de vinte anos de idade.

Essa ia ser uma longa noite.

Poucos minutos depois, Vanessa caminhou em direção a ele usando um pequeno avental preto e um enorme sorriso. Ele rapidamente mostrou-lhe onde guardavam todas as coisas que ela precisava, como garrafas de cerveja, vinho, garrafas de álcool, amendoins e batatas fritas.

— Escutem, caras — ele falou sobre a música alta e atraiu a atenção de todos. — Esta é Vanessa, ela estará me ajudando esta noite. Peguem leve com ela.

A atmosfera em torno do bar mudou imediatamente.

Os homens começaram a brincar e assobiar, o seu interesse crescendo. Eles não tinham tido uma nova garota no bar Ironia em anos, e Zac tinha certeza que Vanessa teria muito em suas mãos esta noite.

— Cuide das bebidas engarrafadas e vinhos; chame-me se você precisar de um cocktail.

O bar não tinha tantas pessoas pedindo apenas cerveja há muito tempo.
Zac ficou preso fazendo coquetéis para as mesas, já que Stella servia as bebidas a quem chegava ao bar. Ela serviu a todos com um sorriso, brincou e riu com eles, mas ao mesmo tempo não aceitou nenhuma merda de qualquer um deles. Algumas observações sarcásticas e flertes foram recuando, procurando alvos mais fáceis. Ela movia-se rapidamente e de forma eficiente, realmente se divertindo. Alguns caras se ofereceram para comprar bebidas para ela, mas ela sempre recusava educadamente. O que havia com ela e a bebida? Ela tinha dezenove anos e estava no exterior de férias, e ainda assim, Zac nunca a tinha visto beber qualquer bebida alcoólica. Não que ele fosse apoiar beber no trabalho, mas ela não tinha bebido nada na noite passada, ou no clube, ou no churrasco de Ashley.

Percebendo que ele estava olhando para ela com metade de um limão firme na mão, Zac sacudiu a cabeça e tentou se concentrar em seu trabalho. Foi difícil, porque Vanessa era muito perturbadora. Sua risada ecoava até mesmo sobre a música alta e lhe dava arrepios de desejo que atravessavam sua espinha. Imaginou-a rir baixinho em seus braços, só para ele, e não em um bar cheio de gente babando em cima dela. De vez em quando ela passava por ele, e o cheiro suave de seu perfume atingia seus sentidos, nublando-os. E a pele nua nas costas... Isso o deixou quase por para não tocá-la.

— Bem, bem, o que temos aqui? Já está explorando a pobre menina inglesa, não é?

A voz de Beppe afastou Zac de seu devaneio. Seu amigo tinha se inclinado sobre o balcão, apoiado em seus antebraços, obviamente apreciando o rumo dos acontecimentos e pensando em maneiras de envergonhá-lo na frente de Vanessa.

— Ninguém está explorando ninguém. Ela está me ajudando. — O aviso na voz de Zac era óbvio. Ou melhor, seria óbvio se Beppe tivesse qualquer respeito por avisos de seu amigo.

— É mesmo? — Ele levantou uma sobrancelha sugestivamente, olhando ao redor e acenando para Vanessa. — Por que todo mundo está bebendo cerveja? Nada de coquetéis hoje á noite? — perguntou Beppe, enquanto tomava uma olhada ao redor do bar.

— Vanessa está servindo a cerveja.

Um “ahhhh” de entendimento saiu de sua boca, juntamente com um olhar travesso dirigido a Zac. — Eu aposto que você está gostando disso. — A ironia em sua voz não foi perdida em Zac.

— O que é que isso quer dizer?

— Não fique na defensiva comigo, cara. Você sabe muito bem o que significa. Eu pude ver que você estava com a cueca entalada na sua bunda no segundo que entrei aqui.

— Isso poderia ser verdade, se eu estivesse usando cueca. — Zac sorriu para o amigo, que fez uma cara de nojo.

— Eu não preciso saber disso.

— Hey, Beppe — disse Vanessa, enquanto inclinava para dar-lhe os beijos habituais e expor toda as suas costas nuas ao lado de Zac. Foi preciso toda a força de vontade que possuía para não agarrá-la e arrastá-la de volta para a sala dos funcionários. — Você não precisa saber o que? — ela perguntou, com um sorriso torto.

— Zac está sem cueca esta noite. — Beppe declarou, orgulhoso de si mesmo e a forma como a situação estava evoluindo ao seu redor.

O olhar de Vanessa arregalou, mas ela não disse nada. Era sua imaginação ou ela corou? Se fosse esse o caso, então talvez ele pudesse empurrá-la um pouco mais.

— Não apenas hoje à noite, homem. — Zac disse, roubando um olhar na sua direção.

Ah, sim, ela definitivamente tinha corado. Zac podia ver claramente o lindo rosado em suas bochechas, quando ela se virou para olhar para ele e ver se ele estava falando sério. Ele piscou para ela e ela balançou a cabeça em descrença. Sorrindo, ela se afastou para atender seu fã-clube.

— Basta encontrar uma sala. — Beppe murmurou, enquanto fazia o seu caminho em direção à pista de dança.

Zac sempre tinha pensado em si mesmo como um bom dançarino, mas seu amigo era outra coisa. Beppe nasceu para acompanhar as batidas da música. Ele era uns dois centímetros menor do que Zac, mas ele ainda era maior do que a maioria dos caras. Vendo seu corpo magro, mas musculoso, movendo tão fluentemente era outra coisa. As meninas adoraram Beppe - ele não estava na pista de dança nem dois segundos, antes que as garotas começassem a circulá-lo, prontas para atacar. E ele gostava de cada segundo.

— Uau, ele sabe se mover, não é? — Disse Vanessa ao lado dele, assustando-o para longe de seus pensamentos, de modo que ele deixou cair o limão que estava segurando no cocktail que estava fazendo. Ele espirrou por todo o bar e sua camisa.

— Sinto muito, não queria assustá-lo — ela se desculpou, enquanto pegava um pano de prato seco. — Aqui, deixe-me ajudá-lo... — Ela começou a secar a mancha úmida em sua camiseta. A última coisa que Zac precisava agora era suas mãos perto dele. Ele pegou a mão dela e rosnou.

— Eu resolvo isso. — Ela recuou um pouco com sua voz dura, mas quando o entendimento bateu em seus olhos, ela mordeu o lábio inferior, tentando esconder o sorriso.

— Sim, com certeza. — Ela deixou o pano de prato na mão dele, e dirigiu-se para o lado oposto do bar.

Cara, essa noite nunca iria acabar?

Zac mal podia esperar para ter Vanessa toda para ele.

*
Vanessa viu quando Zac foi até a parte de trás do bar, até a sala dos funcionários, tirando sua camiseta durante o caminho. A tatuagem em seu ombro direito movia em sincronia com os músculos de suas costas. Vanessa imaginou correndo os dedos ao longo da tatuagem inteira e descobrir exatamente o que ele representava, pois agora parecia um monte curvas aleatórias, embora bonita.

Ele voltou minutos depois, usando uma camiseta preta com “SNATCH” [2]  escrito em letras grandes e brancas na frente. Isso poderia não ter nada a ver, mas Vanessa pensou imediatamente do filme de Guy Richie e sorriu.

— O quê foi? — Perguntou Zac, como a pegou sorrindo.
— Nada. Eu adoro esse filme.

— Sério? Eu também. — Ele chegou mais perto dela, e Vanessa teve de inclinar a cabeça para trás para olhar para ele. Ela amava o quão grande ele era - ele a fazia se sentir vulnerável e segura ao mesmo tempo. — Talvez pudéssemos vê-lo juntos algum dia. — Sua voz caiu para um ronronar sedutor que ressoou por todo seu corpo.

Um alto pigarro arruinou esse momento, e eles se viraram em direção ao som para enfrentar Gia. Ela parecia exausta.

— Se vocês dois acabaram de se foder olho no olho, alguém pode me pegar uma bebida? E bem forte.

A irmã de Zac era bastante franca, e Vanessa gostava disso. Ela não parecia se preocupar com a vida dos outros, o que era uma boa coisa. Gia era o tipo de garota que vivia sua vida como bem entendesse, e deixava que o resto fizesse o mesmo. Vanessa sentia que não faria nenhuma diferença para ela se seu irmão começasse a namorá-la, mesmo que ela partisse seu coração no final.

Zac colocou o cocktail na frente dela, assim que Beppe caminhou na direção deles. Ele se concentrou em Gia, e rodeou sua cintura com o braço, enquanto se aproximava dela.

— Ciao, amore. Eu estive esperando por você. — Seu tom era brincalhão e ele demorou um pouco mais do que o necessário quando beijou sua bochecha.

— Sim, eu aposto. É por isso que você está suado e sem fôlego? Por causa da espera? — Ela brincou com ele sem dó, e ele adorou.

— Sim, eu estava dançando. Mas eu vi a sua bunda perfeita no momento em que entrou, dolcissima. — Gia riu e balançou a cabeça, descartando seu elogio.

— Cara, você pode não falar sobre a bunda de minha irmã na minha frente? Isso é nojento. — Zac reclamou.

— Nojento? Você está cego? — Ele levantou Gia para fora do banco sem esforço, girou em torno dela, enquanto ainda segurava sua cintura e apontou para seu traseiro. — Você chama isso de nojento? É a perfeição em sua forma mais pura, homem. — Ele girou novamente para encontrá-la rindo e se aproximando de seu rosto acrescentou: — Assim como o resto dela.
Gia continuou rindo e, puxando-lhe o braço, ele a levou para a pista de dança. De alguma forma, Vanessa não achava que ele estava brincando.

— Então, qual é o lance de Gia e Beppe? — ela perguntou a Zac, enquanto limpava o balcão. Estava ficando tarde e a maior parte da multidão em torno do bar tinha ido para casa ou arrumado companhia na pista de dança.

— É assim que eles agem. Não é nada incomum. Eles podem ser bastante irritantes, até você se acostumar com esse relacionamento estranho.

— Me parece que ele realmente gosta dela.

— Ele gosta de tudo com estrogênio. — Vanessa revirou os olhos para esse comentário, mas decidiu não forçá-lo ainda mais. — Ele é um grande paquerador, e as mulheres o amam. Ele nunca teve um relacionamento de mais de uma semana e ele não está interessado em compromisso. Minha irmã sabe disso e sabe que ele está apenas brincando com ela. Ela nunca se apaixonaria por qualquer um de seus flertes, porque ela o conhece muito bem.

Vanessaa assentiu, ainda não completamente convencida de que Beppe não gostava de Gia de uma maneira completamente diferente de todas as outras garotas. Ela o conhecia apenas por alguns dias, e Zac tinha sido seu amigo na maior parte de sua vida. Ela não tinha nenhum motivo para ficar discutindo, então ela apenas mudou de assunto.

— Que horas você costuma fechar?

Zac olhou para o relógio.

— Daqui a mais ou menos uma hora.

O tempo voou entre limpar atrás do bar e servir algumas bebidas finais. A pista de dança lentamente começou a esvaziar, até que só restavam Gia e Beppe. Não que importasse. Eles estavam se divertindo muito - a irritada e exausta Gia que veio até o bar tinha ido embora, e uma menina brilhante, despreocupada, e risonha estava dançando  em seu lugar. Beppe era definitivamente seu tipo de medicamento.

— Vanessa — Zac chamou. — Aqui está sua parte das gorjetas desta noite. — Ele se aproximou dela com um punhado de notas.

— Eu acho que você pode estar se esquecendo de que eu realmente não trabalho aqui, Zac. — Ela não se moveu para pegar o dinheiro. Parecia errado, ela tinha feito isso para ajudar Zac, e tinha sido muito divertido fazê-lo. Isso nem tinha passado pela cabeça dela, que ela estaria recebendo dinheiro.

— Confie em mim: eu não esqueci nada sobre hoje à noite. — Ele sorriu e parou a poucos centímetros dela. Normalmente, Vanessa não gosta que seu espaço pessoal seja tão descaradamente desrespeitado, mas com Zac, ela não se importava. Nem um pouco.

— Eu não vou pegar o seu dinheiro, Zac.

— Não é meu dinheiro, é o seu. Nós sempre dividimos as gorjetas entre nós no final da noite. Você serviu bebidas, você tem gorjetas. É assim que o sistema funciona em um bar. — Ele teimosamente estendeu o dinheiro para ela, e não tinha nenhuma intenção de recuar.

— Tudo bem. Mas eu tenho uma condição.

— Você tem uma condição?

— Sim. Eu não vou pegar esse dinheiro, se você não aceitar. — Dois poderiam jogar esse jogo.

O que é? — Perguntou Max, com um suspiro ironicamente entediado.

— Você sai para jantar comigo amanhã, e só comigo. — Vanessa olhou para as notas em sua mão intencionalmente.

— Você está me convidando para sair? —Ele levantou uma sobrancelha sugestivamente e sorriu.

— Não, bem, sim, mas não em um tipo de  encontro. Vamos jantar e conversar.

Amigos conversam, certo?

— Ok.

Vanessa sorriu e pegou o dinheiro.

— Uau, isso é o quanto vocês costumam ganhar de gorjetas? — Havia mais de uma centena de euros em sua mão, e era apenas a sua parte.

— Não, mas posso apostar que seu “mal pode ser chamado de blusa”, ajudou a afrouxar algumas carteiras.

— Mal? Isso é uma blusa!

— Tchau, pessoal, estamos saindo. — disse Gia, quando veio pegar sua bolsa, com Beppe a reboque. — Vanessa, você precisa de uma carona?

— Ela está bem, eu cuido dela — disse Zac, antes de Vanessa ter a chance de abrir a boca.

— OK. Vejo vocês depois — Eles se dirigiram para a porta, o braço de Beppe envolvendo os ombros de Gia.

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[1]  Drink sem álcool a base de suco de  pêssego



[2]  No Brasil, o filme  foi divulgado com o nome  de  “Porcos e Diamantes”