quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Capítulo Seis

Vanessa não dormiu bem naquela noite. Suas emoções estavam por toda a parte, e a cada vez que fechava os olhos, ela via Zac beijando aquela garota.
Às 6 da manhã, ela não aguentava mais e se levantou. Ela fez a única coisa que poderia ajudar a limpar sua mente - ela colocou suas roupas e tênis e foi para a praia. Ainda estava frio lá fora, e Vanessa apreciou o ar refrescante e o silêncio das ruas. Toda a cidade ainda estava dormindo. Quando ela chegou à praia, o sol estava um pouco acima do horizonte, e a água estava se movendo de forma pacífica e criando pequenas ondas, como se também ainda estivesse sonolento.

Vanessa alongou por alguns minutos, antes de iniciar vagarosamente a corrida. Um flashback da última vez que ela tinha corrido fez o seu caminho até seu lóbulo frontal. Não havia jeito que ela algum dia conseguisse correr sem pensar em Zac. No entanto, ela não podia se dar ao luxo de não correr, assim, a sua malhação estava arruinada, porque mesmo que ela não quisesse pensar nele, ela o faria.

Ontem à noite tinha sido uma revelação. Zac estava atraído por ela, é verdade. Mas ele também era um cara que, intencionalmente, faria de tudo para não decepcionar seus amigos. Então, ele foi em frente.

Vanessa estava feliz. Mais ou menos. Bem, ela não estava muito feliz, e estava com ciúmes pra caralho, mas ela também percebeu que era assim que deveria ser. Isso era o melhor. Agora eles poderiam olhar além de sua atração e sair juntos. Ser amigos.

Quantas vezes ela tinha usado essa palavra nos últimos dias? E para que? Ela nunca tinha feito nada para tentar conhecer Zac melhor, ela tinha? Tudo o que ela tinha feito era implorar pelo seu toque como o ar, pensar como seria o gosto dos seus lábios, e saborear a maneira como ele a apreciava com aqueles olhos hipnotizantes. Não era muito simpático. Alguma vez lhe perguntou alguma coisa? Fez um esforço para saber mais sobre ele? Não. Bem, chegou a hora de corrigir esse erro.

Agora que ele mudou e começou a beijar meninas em clubes na frente dela, não havia perigo deles ultrapassarem a linha da amizade. Ela ia chama-lo para jantar hoje à noite e, ter uma conversa, de verdade.

Vanessa estava tão absorta em pensamentos que não notou o quanto ela tinha  corrido. Seus pulmões estavam queimando, suas pernas pareciam gelatina e ela podia sentir a dor começando a se formar no pé lesionado. Tinha estado OK ontem, mesmo depois de passar a noite em saltos, mas agora a ferida estava começando a latejar de dor. Ela diminuiu o passo e, em poucos minutos, desacelerou para uma caminhada. Pegando a garrafa de água, bebeu metade dela e sentou-se na areia para alongar. No máximo, ela estaria caminhando de volta. Não haveria mais corrida para ela hoje.

Vanessa abriu as pernas bem abertas, tanto quanto elas poderiam ir, e trouxe toda a sua parte superior do corpo para a frente até que o peito estava tocando a areia. O alongamento a fez sentir-se incrível! Ela poderia ficar assim para sempre...

— Ciao — disse alguém, diante dela, o que a fez sentar-se abruptamente. — Você é bem madrugadora, não? — Zac disse, um sorriso malicioso nos lábios. Mais uma vez ele estava usando apenas short, e seu peito estava brilhando com o suor de sua própria corrida.

— Eu não dormi bem na noite passada e queria limpar a minha cabeça. Eu não costumo correr tão cedo. — disse Vanessa, olhando para a tatuagem em seu quadril de perto. A parte que ela podia ver era "A vida é uma" e o resto estava escondido sob o short.

— Eu também. — Ele pegou sua própria garrafa de água, e bebeu alguns goles.

Isso estava ficando muito estranho. Talvez a resolução que Vanessa tinha pensado não era tão genial, afinal. Ela não podia nem olhar para ele sem imaginá-lo com aquela  garota e seu ciúme penetrou muito perto da superfície.

— Eu tenho que voltar. — ela ficou de pé e se virou para ir embora. Zac agarrou seu braço e a girou de volta para ele.

— Vanessa, espere. — Ela olhou para sua mão a segurando e franziu a testa. 

Ele a soltou de imediato, mas seu olhar a manteve em seu lugar. — Por que você foi embora tão de repente na noite passada? Um minuto você estava lá dançando, e no próximo você se foi.

— Estou surpresa que você notou. Você parecia bem ocupado.

Droga!

Por que ela tinha que dizer isso? Ele não lhe devia nada. Ele poderia pegar cada menina, em cada clube e era problema dele.

— Eu queria ter certeza de que você e Ashley chegaram em casa a salvo. Você deveria ter avisado que estava indo embora.

— Nós somos adultas, Zac. Nós podemos voltar sozinhas para nossa própria casa, nós não precisamos de um cavaleiro de armadura brilhante para nos acompanhar.

Muito bem. Parabéns. Traga o sarcasmo para disfarçar o seu ciúme. Uma maneira perfeita de fazer um amigo!

— Eu sei. Apenas me faria sentir muito melhor se soubesse que vocês estavam em casa a salvo.

Vanessa se sentiu como uma cadela. Este grande homem estava diante dela, genuinamente preocupado que seus amigos chegaram bem em casa, e ela estava lhe dando respostas atravessadas. O olhar em seus olhos a fez se sentir ainda pior - era preocupação misturada com tristeza e vergonha. Ele sabia por que ela tinha partido - era perfeitamente claro para ambos. Mas ele não deveria se sentir culpado por causa dela.

— Você está certo. Sinto muito - deveríamos ter dito que estávamos saindo.
Zac assentiu e tomou outro gole de sua água, observando-a. Ela se sentia tão exposta sob seu olhar, como se ele pudesse ver tudo o que se passava na cabeça dela.

— Eu realmente deveria voltar... — disse ela, e começou a afastar-se dele.

— Espere. — Ele deu alguns passos para ela, antes que ela parasse. Vanessa sabia o que ele iria dizer, antes mesmo que ele abrisse a boca, e desejou que ela pudesse detê- lo.  Ela não merecia  um  pedido  de  desculpas  e  ela  não  queria  que  ele  sentisse  a necessidade de lhe dar um.

— Eu sinto muito.

— Zac, você não tem que...

— Não, eu preciso. — Ele interrompeu, e seus olhos estavam implorando que ela o ouvisse. — Eu sei por que você realmente saiu assim. E eu sinto muito. Eu fiz isso porque eu estava ficando louco vendo você com Rico.

— O quê?

— Eu nunca tive ciúmes na minha vida inteira, Vanessa. Cinco anos atrás, eu jurei que nunca bateria em outro homem, se não fosse para me defender, mas ontem à noite eu queria arrastar esse babaca do clube e bater nele até que houvesse apenas uma polegada de sua vida, porque ele tinha as mãos em você. E quando ele beijou seu pescoço... — Zac arrastou a mão pelo cabelo curto, lutando para encontrar as palavras. — Eu pensei que eu ia explodir, Vanessa. Se Antônia não tivesse me beijado para me distrair, Rico estaria no hospital agora.

Vanessa estava atordoada. Ela nunca esperava tal confissão.

— Eu não sei o que dizer. — Ela cruzou os braços, porque de repente ela sentia frio, apesar de que estava ficando ainda mais quente. Zac deu um passo na direção dela e ela teve de inclinar a cabeça para trás para olhar para ele.

— Eu não quero me sentir daquele jeito de novo e eu não sei o que fazer. Você não quer ficar comigo, mas é óbvio que não podemos ser apenas amigos.



— Não é que eu não quero ficar com você. Você não é um cara que uma menina usaria para alguma diversão de verão, Zac. E eu vou partir em dois meses. Isso não vai acabar bem e você sabe disso. Eu não vou colocar Ashley no meio disso , porque ela vai estar no meio, quer a gente queira ou não. Você também não iria querer colocá-la nessa posição, ela é uma de suas amigas mais próximas. Você está pronto para arruinar a sua amizade, por causa de uma atração que podemos ter um pelo outro?

E também, o meu câncer pode estar de volta.

— A única razão pela qual você não fica comigo é Ashley, certo?
Não.

— Sim. Minha mãe, Niki e Ashley são as últimas pessoas restantes da minha família. Eu me recuso a machucar qualquer uma delas.
Ele acenou com a cabeça, mas ficou claro que ele não estava satisfeito com a resposta.

— Olha, nós temos que tentar nos comportar como pessoas normais. Isto não é normal, Zac. Nós estamos deixando o outro louco, e nós nos conhecemos há apenas alguns dias. Você não sabe nada sobre mim, e vice-versa. Talvez pudéssemos tentar apenas nos conhecer melhor. Então, quanto mais tempo passarmos um com o outro, o mais provável é a atração comece a diminuir...

— Eu não posso, Vanessa. Isso tudo é novo para mim. Eu nunca me senti assim em relação a uma menina, nunca. Especialmente sobre uma garota que eu acabei de conhecer. Mas eu sei disso: se um cara se aproximar de você, eu não vou ser capaz de me controlar na próxima vez. Eu simplesmente não posso.

Isso significa que nunca seriamos capazes de sair juntos, e Ashley ficaria separada de seus amigos por causa dela. A culpa tomou conta de Vanessa e ela estava pronta para fazer qualquer coisa para manter Zac na vida de Ashley.

E na dela.

— Ok, e quanto a isso? Eu prometo que não vou dançar ou paquerar ou qualquer coisa com outros caras, enquanto você estiver lá.

Ele pareceu pensar sobre isso, antes que ele concordasse. Ele não estava muito feliz com isso, mas pelo menos era alguma coisa. Era a única solução possível para serem capazes de passar algum tempo juntos.

— Eu tenho uma condição, no entanto. — ela disse e sorriu maliciosamente.

— Claro que tem. — ele disse, e sorriu de volta.

— O acordo vale nos dois sentidos.

— Você, com ciúmes? — Zac levantou uma sobrancelha.

— Talvez um pouco. Você aceita ou não?

— Você tem um acordo, tesoro.

Será que ele tem que chamá-la assim? A combinação de sua voz, e ainda falando italiano era enlouquecedora.

— Que tal um jantar hoje à noite? Só você e eu. Nós podemos conversar.

— Eu não posso. Eu vou trabalhar.

— À noite? O turno dos salva-vidas não é até ás seis?

— Eu trabalho em um bar algumas noites por semana. Por que você não vem? Beppe vai aparecer em algum momento, e talvez Gia depois do trabalho.

— Claro. Ashley está trabalhando, também. Mande-me por mensagem o endereço, e eu vou estar lá.

*
Quando eles se separaram, Zac não podia acreditar que havia expressado seus sentimentos tão livremente na frente de Vanessa. Ele a conhecera há cinco dias, mas sentia como se fossem semanas - talvez até meses. Ela trouxe um lado muito aberto e honesto dele, Zac não poderia se ver tagarelando como um idiota por estar com ciúmes de qualquer outra garota que ele conheceu há cinco dias. Na verdade, qualquer outra garota, em qualquer período. Ele tinha vinte e dois anos de idade e teve dois relacionamentos - um por quase um ano, logo após seu pai ter morrido, e um por cerca de oito meses, quando ele tinha dezenove anos. Havia muitas meninas circulando nesse meio tempo, mas ele não chamaria isso de relacionamentos.

E ainda, com Vanessa, ele sentiu como se ele nunca tinha namorado ninguém antes. Tudo o que ele sentia era novo para ele - o ciúme extremo, o intenso desejo, o medo sem esperança de que ele nunca poderia estar com ela, a honestidade absoluta. Olhando-a nos olhos e dizer-lhe exatamente como ele se sentia parecia ser a única opção.

Zac mal podia esperar para conhecê-la melhor e descascar cada camada, até que ele chegasse ao âmago. Ele queria ter tudo dela, e não apenas o seu corpo ou a sua amizade. Ele queria seus medos, seus sonhos, seus segredos, seus desejos, seus pequenos hábitos irritantes - tudo isso.

Essa percepção o fez parar abruptamente. O que isso significa? Por que ele se sentia assim por alguém que tinha conhecido apenas há alguns dias? Será que isso realmente é importante, quanto tempo você conhece alguém, antes de você desenvolver sentimentos por eles? Havia um livro de regras ou algo assim? Tudo o que sabia era que ele não  podia deixar de sentir dessa forma.

Era o que era.

Ele precisava parar de super analisar isso, ou ele ficaria louco.

*
Quando Vanessa chegou em casa, ela tinha a casa para si mesma durante todo o dia. Niki estava trabalhando e Ashley estava compensando a sua ausência no dia anterior, indo para a galeria e a aula de arte em um único dia.

Tomar um banho parecia ser a primeira coisa a fazer. Quando ela secou os cabelos e vestiu um short e um top, ela pegou seu telefone e seu Kindle e saiu para o jardim. Sentada numa espreguiçadeira à beira da piscina, Vanessa chamou sua mãe e falou apenas por alguns minutos, porque ela estava no trabalho. Ouvir sua voz era realmente o que ela precisava. Ela sentia saudades de sua mãe, muito. Ela queria dizer a ela tudo o que estava acontecendo em sua vida agora, porque ela sabia que Gina seria capaz de ajudá- la a resolver a confusão em sua cabeça.

Ouvindo a admissão de Zac que ele tinha sentimentos por ela pegou Stella completamente desprevenida. Não era só desejo que ele estava sentindo. Você não sentia um ciúme doentio a ponto de querer machucar alguém, quando tudo que você queria era o corpo de uma menina. Em vez de estar feliz com isso, Vanessa estava confusa. Ela gostava muito de Zac. Sua atração por ele ia além do simples desejo por ele. Era por isso que ela não queria ceder a seus sentimentos - ela sabia com absoluta certeza que o que ela e Zac tinham era muito intenso para uma aventura.

Ela estava partindo em dois meses, e ela poderia ainda ter câncer. Depois de duas cirurgias, o câncer havia voltado. No entanto, os médicos por melhores que fossem, nunca poderiam ter certeza de que eles tinha conseguido retirar todas as células do câncer. Vanessa rezava todos os dias que ele não se espalhasse para outros órgãos desta vez - porque se o fizesse, ela não teria quase nenhuma chance de sobrevivência.

Como ela podia se permitir ter um relacionamento com um cara incrível e condená- lo a ficar com uma menina doente?

Vanessa balançou a cabeça, porque seus pensamentos tinham ficado muito mais sombrios do que ela imaginava. Sem pensamentos de câncer - que era a sua resolução quando veio para cá. Apenas se sentir normal e ter uma vida normal. Mesmo que fosse por apenas dois meses.

Ela agarrou seu Kindle e começou a ler. Logo, a corrida e a noite mal dormida cobrou seu preço, e suas pálpebras ficaram pesadas antes que ela cochilasse.

O som de mensagem de texto a acordou. Olhando para o telefone, Vanessa percebeu que ela tinha dormido por quatro horas. Sentindo-se revigorada e pronta para sair hoje à noite, ela pegou o telefone e leu o texto. Era de Zac - ele a estava avisando o nome e endereço do bar que iria trabalhar.

Por um segundo Vanessa se perguntou por que ele tinha dois empregos, nenhum dos quais parecia ser uma escolha de carreira. Ela não sabia muito sobre ele, sabia? Talvez se ela acrescentasse algumas camadas extras à sua personalidade, ela seria capaz de olhar além de seu abdômen definido e olhos castanhos apaixonantes, e realmente conhecê-lo.

Ela precisava ficar pronta. Reunindo todas as suas coisas, ela subiu as escadas, enviando uma mensagem a Lisa para avisá-la onde estaria, e se dirigiu para o banheiro. Seu cabelo estava em todo o lugar, porque ela tinha adormecido logo após lava-lo. Suspirando, Stella o prendeu em um rabo de cavalo e escovou os dentes. Então ela  colocou um pouco de maquiagem, pensando no que iria vestir. Ver Zac olhá-la do jeito que ele tinha olhado quando saíram ontem à noite, foi um enorme interruptor, mas ela não queria pressioná-lo hoje. Então ela escolheu um jeans - neutro o suficiente - e um top prata sem mangas, que não tinha nada de especial na parte da frente, embora as costas fossem decotadas quase até a cintura. Tudo preso por três fitas de cetim na parte de trás, que abraçava todas as suas curvas perfeitamente. Com seu cabelo em um rabo de cavalo bagunçado, a atenção era imediatamente atraída para suas costas nuas.

O salto alto seria demais, então Vanessa decidiu pelo mais baixo, usando sandálias pretas simples. Pronto. Tão casual quando possível.


Sua barriga roncou e se lembrou que não tinha comido desde esta manhã.  Descendo para a cozinha, ela fez um sanduíche e bebeu quase uma garrafa inteira de água. Cerca de dez minutos depois, ela sentiu completa, hidratada e animada para sair.

domingo, 28 de agosto de 2016

Capítulo Cinco

No dia seguinte, Ashley estava determinada a compensar os últimos dias, e passar o dia inteiro com Vanessa. Ela havia mudado seu horário, e teria que trabalhar o dia todo amanhã, mas hoje as meninas tinham o dia todo apenas para elas.

Ashley levou Vanessa para um passeio na cidade velha de Gênova. Era o maior centro histórico da cidade na Europa, Ashley apontou. Um número incrível de pequenas ruas e becos, chamada caruggi, se entrelaçavam como uma tigela de espaguete e espalhava  por todo o lugar. Vanessa sentiu como se estivessem sendo transportadas de volta aos tempos medievais, e não podia acreditar que um lugar bonito e tão pacífico, se transformava em um pote borbulhante de atividade criminosa à noite. Ashley explicou que a antiga cidade estava cheia de turistas, lojas e restaurantes durante o dia, mas uma vez que anoitecia, era um lugar para a prostituição e o tráfico de drogas.

Onde quer que olhasse, Vanessa via edifícios incríveis, tais como igrejas, palácios e museus, ricamente construídos para atrair a atenção. Entre eles, as casas coloridas se destacavam, mas estranhamente complementava a extravagância dos outros edifícios. O lugar era verdadeiramente mágico - tinha energia zumbindo por ela, uma espécie de atmosfera arrogante, uma experiência esmagadora que Vanessa nunca tinha passado antes.

Depois de duas horas vagando pelo local e explorando a cidade velha, as meninas pegaram um táxi e foram até para o Centro Commerciale Fiumara - o maior centro comercial de Gênova. Ele estava localizado no distrito de Sampierdarena, que costumava ser uma zona industrial enorme, mas tinha sido reformado e reconstruído em este enorme e moderno shopping. Ele ainda tinha seu próprio parque de diversões, bem como um cinema, uma tonelada de lojas e restaurantes. As ofertas de verão já começaram, e  as meninas aproveitaram bem, matando mais algumas horas.

O tempo estava lindo lá fora, e depois de uma rápida parada em casa para um almoço leve, arrumar a mochila e trocar de roupa, elas se dirigiram para a praia. Ashley tinha apoiado a determinação de Vanessa em conseguir um belo bronzeado durante as férias, e a tinha convencido a comprar um biquíni tão pequeno, que deveria ter sido proibido. Era preto com enfeites dourados que brilhavam a luz do sol e parecia que se movia - quase como se fosse vivo. A parte inferior era cortada na altura dos quadris e amarrado com cordas minúsculas; o top consistia de dois triângulos unidos por um par de fitas pretas. Vanessa era naturalmente magra, mas depois de seu diagnóstico, ela tinha tomado um cuidado extra em sua dieta e fazia exercício todos os dias, assim seu corpo definitivamente poderia encarar esse biquíni. No inicio ela se sentiu exposta, mas decidiu relaxar.

Espero que Zac goste. Ou melhor, goste de mim nele.

O pensamento veio tão de repente, que Vanessa parou abruptamente e sacudiu a cabeça.

AMIGOS! Lembra-se? Ele é um grande cara para ser amigo. Depois você pode babar em mil outros garotos na praia.

Determinada a seguir o seu próprio conselho, Vanessa puxou os óculos de sol sobre os olhos, enquanto se dirigiam para a praia.

*

Zac a viu imediatamente. Seu biquíni movia em sincronia com o seu corpo como se fosse líquido. Ele tinha quatro amarrações - dois nos quadris, um nas costas e um na nuca. Ele imaginou puxando e a deixando livre com dois movimentos rápidos. Só então ele percebeu que Vanessa tinha uma tatuagem - três símbolos japoneses alinhados sob o seu ombro esquerdo. 

Zac se perguntou o que eles queriam dizer e, em sua mente,  traçou as linhas delicadas com os dedos, fazendo-a tremer de desejo e expectativa.
Mas agora não era a hora para pensar nisso - primeiro, ele estava no trabalho e, segundo, o short laranja salva-vidas não era tão indulgente em disfarçar uma ereção, como seu short preto foi.

Se Ashley estava tão desconfortável com ele e Vanessa se envolverem, então por que a trazer bem aqui? Vinte metros de distância de seu posto? A praia era tão grande, que poderia ter ido a qualquer lugar e ele nem saberia.
Mas cara, ela estava gostosa...

Pensando bem, ele não estava tão triste que elas vieram aqui. Lisa era uma garota muito atraente, e ainda assim ele conseguiu manter a amizade com ela durante anos, nunca sequer tendo a ideia de levar as coisas mais longe. Talvez ele pudesse fazer a mesma coisa desta vez também.

Zac percebeu que estava encarando, quando Ashleyu acenou para ele. Era melhor ir e dizer “oi”.

— Ciao, bellissimi ragazze — disse ele, a beijou em ambas as bochechas. Dar beijinhos em Ashley tudo bem, ele tinha feito isso milhares de vezes. Mas no momento em que ele tocou os lábios no rosto de Vanessa, ele amaldiçoou a tradição italiana. Era para ele beijá-la a cada vez que a visse, e não sentir nada? Seu corpo parecia pensar sozinho e se mover para ela. No momento em que tocou a costas de Vanessa ela derreteu, e instintivamente colocou a mão em seu abdômen.

Era como se seu corpo agisse por vontade própria. Sim, eu sei como soa.

— Como vai? — Ele perguntou, quando a tortura do beijo de saudação tinha acabado.

— Tudo bem. Decidimos trabalhar o bronzeado de Vanessa hoje.

— Sim, você precisa disso. Você está pálida. — ele brincou e encontrou seus olhos pela primeira vez.

Pálida e sem falhas.

— Hey! — Vanessa protestou e ironicamente bateu-lhe no braço. Ele faria qualquer coisa para ter aquelas mãos em todos os lugares em seu corpo. — Eu moro em Londres, lembra?

Um grupo de rapazes passou e, é claro, quase quebraram o pescoço para olhar para suas meninas.

Isso ia ser muito mais difícil do que ele imaginava. Elas estariam vindo para cá o tempo todo, usando quase nada. Ele era uma pessoa forte, mas não era feito de pedra. Mais cedo ou mais tarde ele ia rachar.

Ele precisava de uma distração. Do tipo feminino. E rápido.

*

Zac estava ali em pé, atirando punhais a cada cara que passava e efetivamente os expulsando. Como Vanessa poderia ter um encontro?

— Não finja que você não gosta disso.

Com ele tão perto, seu corpo elevando-se sobre ela e seus olhos azuis queimando, Vanessa não conseguia pensar direito. E ainda por cima, quando ele falava em italiano com aquela voz sexy, ela sentiu fogos de artifício explodir em seu peito.

— Vocês tem planos para hoje à noite? Eu vou sair com Beppe e Gia para comer alguma coisa e talvez ir para um clube mais tarde. Vocês querem vir?

Ashley olhou para Vanessa em uma pergunta silenciosa - ela queria ir, mas obviamente tinha visto a reação de sua prima a Zac e agora não tinha tanta certeza de que era uma boa ideia. Vanessa odiava que a fizesse se sentir dessa maneira. Ela não queria separar Ashley de seus amigos - era ruim o suficiente que ela estava com dois empregos no verão e não poderia passar tempo suficiente com eles, sem esse acréscimo.

— Claro. Nós não temos planos. Gostaríamos muito de ir. — Vanessa tentou arrancar seu sorriso mais amigável, mesmo que ela sentisse qualquer coisa, exceto amigável em relação a Zac. Será que ele precisa ficar tão perto dela?

— Tem certeza que você está bem com isso? — Perguntou Ashley, quando Zac voltou para seu posto.

— Sim, absolutamente, eu adoraria sair e me divertir um pouco. Talvez eu possa encontrar um cara bonito e arranjar um encontro. — Ela piscou para sua prima, e viu o seu sorriso de alívio.

O resto da tarde passou voando. Quando chegaram em casa, Vanessa percebeu que a pele dela estava corada do sol. Suas bochechas estavam agradavelmente rosadas e se olhasse bem de perto, ela até poderia ver as marcas bronzeadas nos quadris e costas.

Vanessa tomou um banho, tomando cuidado extra para lavar toda a água salgada de seu cabelo. Quando ela saiu do banheiro, ainda tinha cerca de uma hora antes delas saírem. Maquiagem nunca tinha sido seu forte - menos era mais - é o que ela sempre pensou. Mas tendo em vista que ela estava saindo, Vanessa decidiu fazer um pouco de esforço extra. Ela hidratou todo o seu corpo e usou base com cor no rosto para complementar seu bronzeado. Então ela experimentou o delineador e duas camadas de rímel, até que ficou satisfeita com o resultado. Com olhos esfumaçados assim, os lábios dela teriam que ficar sem nada, por isso ela colocou um pouco de gloss claro e sorriu  para seu reflexo.

Agora, o problema número dois - o que vestir? Vanessa precisava de algo sexy, mas casual e elegante, e não muito formal. Depois de esvaziar metade do conteúdo do guarda-roupa em cima da cama, ela escolheu um top de paetês preto que fechava no pescoço, e caía solta em torno do corpo e short preto que abraçava seus quadris e chegava bem acima dos joelhos. Seu cabelo cor de mel se destacava muito bem com em preto, e Vanessa não fez muito para mudar o seu estilo habitual. Ela só secou e o deixou cair sobre os ombros em ondas incontroláveis. Parecia que tinha arrumado, mas tinha feito um sexo incrível e ficou assim.

Perfeito.



Pegando as sandálias de salto alto na mão, ela abriu a porta do quarto, assim que Ashley estava prestes a bater. Sua prima estava incrível - um vestido perfeitamente cortado em estilo império simples em azul e vermelho. Ela amarrou os cabelos loiros em um rabo de cavalo, acentuando os ombros magros.

— Você está incrível! — ambas falamos ao mesmo tempo e rimos.

— Não, sério, Vanessa, eu nunca te vi assim. Você não costuma usar maquiagem e eu nem sabia que você sabia como usar delineador.

— Não é ciência da nasa, não é? Você está sexy, Ash! Eu não posso acreditar que você ainda não agarrou um homem italiano sexy.

Ela quis dizer isso como uma piada, mas algo brilhou na expressão de Ashley. Algo como tristeza e talvez arrependimento. Foi apenas por um segundo e depois foi embora, um sorriso substituindo e apagando todas as provas.

— Vamos sair e corrigir esse erro, então. — ela disse, e puxou a mão de Vanessa.

— Você tem um ótimo ponto.

*
Eles tinham organizado em se encontrar na Piazza de Ferrari, ao lado da fonte. Desde que era a maior e mais popular praça da cidade, ela estava borbulhando com pessoas, no momento em que Vanessa e Ashley chegaram.

No momento em que Zac a viu, ele sabia que essa ia ser a noite mais difícil da sua vida. Em muitos aspectos.

Vanessa estava quente. Não, isso não era uma palavra boa o suficiente para descrever seu fascínio. Ela parecia mais quente do que o mais profundo poço do fogo do inferno.

Suas pernas continuavam para sempre no short e salto alto. O top que ela usava brilhava e imitava todos os seus movimentos. Seus olhos de lobo estavam em chamas e perfeitamente acentuados pela maquiagem escura.
Zac não conseguia tirar os olhos dela. Ele queria tecer seus dedos através de seu cabelo selvagem, pegar seus lábios nos dele e não parar até que ele explorasse cada centímetro de seu corpo. Com sua língua. Duas vezes.

Beppe foi o primeiro a cumprimentá-las, com um abraço e um beijo. Ele estava praticamente brilhando com prazer. Ele murmurou alguma coisa quando beijou cada uma dela e elas riram. Em seguida foi Gia, que estava em uma de suas raras noites de folga e estava realmente satisfeita em ver as meninas. E, em seguida, foi a vez de Zac. Ele deu a Ashley um abraço e um beijo e elogiou-a. Felizmente, no momento em que foi cumprimentar Vanessa, Beppe, Gia e Ashley estavam envolvidos em uma conversa animada e estavam se dirigindo para o restaurante ao longo da rua movimentada.

Vanessa estava na frente dele, observando-o com a mesma apreciação e valorização que ele tinha por ela. Na verdade, ele tinha feito um esforço especial esta noite e abandonou sua calça jeans desbotada e camiseta por jeans Diesel e uma camisa de manga curta Calvin Klein.



— Ciao, Zac. — disse ela, e colocando a mão em seu ombro, inclinou-se para beijá- lo na bochecha. Ele cheirava tão bem – doce, limpo e fresco, como uma manhã de primavera.

— Você está linda, tesoro. — ele sussurrou em seu ouvido, pouco antes dela se afastar. Seus lábios se separaram, como se quisesse dizer alguma coisa, mas nada saiu. Vanessa olhou para ele, diretamente para ele, e ele nunca se sentiu mais vulnerável, como se ela pudesse ler todos os seus pensamentos.

— Você não parece tão ruim também. — ela disse finalmente, com um sorriso irônico. Ela acenou para os seus amigos em um silencioso “Vamos?” E, apertando a mão na parte inferior das costas dela, Zac a levou ao longo da Via XX Settembre e para o restaurante.

Esta noite ia ser ainda mais difícil do que ele havia pensado inicialmente.

*
A música no clube era tão alta que Vanessa mal podia ouvir seus próprios pensamentos. Eles estavam sentados em uma mesa privada com um enorme sofá de veludo montado em um semicírculo. A hostess era amiga de Beppe, e eles não tiveram que esperar para entrar. Foi um bônus que eles também conseguiram uma mesa VIP, depois de Beppe sussurrar algo em seu ouvido que a fez corar.

Todo mundo estava de ótimo humor. O jantar tinha sido divertido - a comida era incrível e a conversa fluiu bem. Vanessa tinha descoberto que Beppe estava estudando Direito na Universidade de Gênova, e sua boca estava entreaberta com surpresa por alguns longos momentos.

— Você vai ser advogado? — Ela perguntou, olhando para ele, incrédula.

— Yeah. Por quê? Eu não me pareço com um advogado para você? — Ele disse e piscou para ela.

— Não, não realmente. Não com todas as tatuagens, piercings e barba de cinco dias.
— Eu escondo as tatuagens sob o terno. — ele disse, e riu como se fosse óbvio.  — E eu removo todos os meus piercings, incluindo este. — Ele estalou o piercing da língua com a parte de trás de seus dentes e deu a Vanessa um de seus olhares mais sedutores. Ela corou e desviou o olhar - Beppe poderia ser descaradamente paquerador quando ele queria. Não admira que a maioria das mulheres se apaixonasse por seu charme em dois segundos.

Ela também descobriu que Gia amava seu trabalho no restaurante. Seu chefe era um famoso chef e empresário, e mesmo que colocasse muita pressão em sua equipe, ela tinha a honra de trabalhar para ele. Nesse ponto Beppe tinha murmurado algo que soou como — um idiota com um ego gigante — mas ninguém prestou atenção nele, porque  Gia continuou a falar animadamente sobre o quão demais era seu chefe e seu trabalho.

O vinho foi fluindo e até o final do jantar todos tinham tomado pelo menos duas taças. Vanessa tinha se mantido a suco de laranja e ninguém lhe tinha provocado sobre isso - eles devem ter se acostumado a sua existência não alcoólica.

Zac se sentou o mais longe possível dela. Ele falou, sorriu e comeu a sua comida, mas ele não tinha conversado com ela ou sequer olhado em sua direção. Isso a deixou arrasada. Não só porque ela desejava sua atenção como o oxigênio, mas também porque ele tinha virado cento e oitenta graus em questão de minutos. Primeiro, ele a tinha cumprimentado como se quisesse saltar sobre ela ali mesmo na rua, e então ele a ignorou completamente.

Agradeça a Deus pela música alta aqui!

Vanessa estava tão doente do excesso de pensamento, que ela só queria parar de pensar completamente e se soltar. Havia algo sobre música alta e pouca luz que deixa as pessoas esquecerem seus problemas e inibições - e isso era exatamente o que ela pretendia fazer.

Ashley puxou sua mão e sussurrou “Venha”, enquanto a levava para a pista de dança lotada, onde Gia já estava balançando ritmicamente no ritmo da música. Era house mix, o que não era o que Vanessa costumava ouvir, mas para a noite era perfeito. Poucos minutos depois, ela havia perdido completamente a si mesma na dança - a música alta e monótona ecoando através de seu corpo.

Ela sentiu a mão de Ashley em seu braço e se virou para sua prima. Não houve oportunidade de ouvir o que ela queria dizer, então elas recorreram a gestos e muita leitura labial. Ela apontou para a sua mesa e fez um movimento de beber com a mão e boca. Vanessa assentiu com a cabeça e voltou para a mesa.

Quando elas se aproximaram, perceberam que não estavam apenas Zac e Beppe sentados lá. Houve um acréscimo de cinco pessoas - três meninas e dois rapazes - que estavam sentados confortavelmente em sua mesa e tentando falar com o outro. Tratava-se principalmente de se inclinar e gritar no ouvido, bem como  gestos animados. Era muito engraçado de se ver. Até os olhos de Vanessa fixarem em uma garota que estava sentada tão perto de Zac que estava praticamente em seu colo. Eles se revezaram para gritar nos ouvidos de cada um, seguidos por sorrisos e acenos.

Não havia nada de engraçado nisso.

O ciúme tomou conta de Vanessa e superou todos os outros sentimentos e sons. Ela queria ir até lá, puxar a vadia pelo cabelo e arrastá-la para longe. Mas ela não ia fazer isso. Se ela tinha aprendido alguma coisa nesta vida, era que um cálculo cuidadoso e uma ação inteligente sempre ganha da raiva cega.

Ela seguiu Ashley até a mesa e viu uma garrafa fechada de suco. Devia ser para ela, já que todos os demais estavam tomando cocktails e, além disso, tinha sido a sua bebida eleita para essa noite no restaurante. Estava muito barulhento para ela sequer tentar perguntar a alguém se era para ela, então ela o pegou, tirou a tampa e bebeu metade da garrafa de uma vez. O líquido frio se espalhou dentro de seu corpo e a fez sentir incrivelmente bem contra o calor no clube.

Quando ela abaixou a cabeça e tirou a garrafa de seus lábios, ela notou que Zac estava olhando para ela. Sua amiga estava dizendo algo em seu ouvido e ele parecia satisfeito. Muito satisfeito. Vanessa levantou a garrafa para ele em um silencioso “brinde” e ele imitou com o copo. A menina que vinha falando entusiasmadamente com ele há alguns segundos, se afastou de sua orelha, e agora estava olhando para ele como se esperasse uma resposta. Ele nem sequer percebeu que ela tinha parado de falar. Zac estava com o olhar intenso fixo em Vanessa, e ela não podia se obrigar a desviar, mesmo que quisesse desesperadamente. A menina franziu a testa e fez beicinho, e olhou entre ele e Vanessa, sua carranca aprofundando.

Bem na hora, Beppe apareceu ao lado de Vanesa e, puxando-lhe a mão, levou-a a poucos metros de distância. Ele a colocou na frente de um cara e saiu. Este era, provavelmente, o único método de apresentação possível em um ambiente tão barulhento. O rapaz se inclinou para ela e disse:

— Oi, eu sou Ricardo. — em italiano. — Você pode me chamar de Rico. — Mesmo com a música alta, Vanessa podia ouvir o “r” rolando em sua língua.

— Vanessa — disse ela, enquanto se inclinava para responder. Ele cheirava bem e não parecia tão ruim. Não que ela pudesse ver claramente na luz fraca, mas o que ela viu aprovou- ele era alto, bem vestido em jeans escuros e uma camisa, e tinha olhos azuis de bebê que eram visíveis mesmo no escuro.

— Quer dançar? — Perguntou ele, inclinando-se, mas não se afastou imediatamente. Ele permaneceu ao lado de seu ouvido um pouco mais do que o necessário, e Stella não tinha certeza de como se sentia sobre isso. Ele parecia bom o suficiente e ele parecia bonito, mas...

Mas ele não era Zac. Ele não faz o meu interior girar em desordem com um único olhar.

Pensar em Zac, a fez virar a cabeça em sua direção instintivamente, e ela viu que ele não estava prestando atenção nela ou em seu companheiro. Zac tinha retomado sua conversa com a menina e parecia que as coisas estavam progredindo bem para ele, porque sua mão estava em sua coxa nua e ela estava gostando claramente isso.

Se Vanessa fosse uma personagem de desenho animado, seus ouvidos estariam liberando vapor agora, porque ela estava fervendo de raiva por dentro. A solução, no entanto, estava bem na frente dela. Ela sorriu docemente para Rico e o deixou levá-la para a pista de dança.

Isso era bom. Dançar e não pensar sobre as coisas. Ela iria desfrutar da companhia deste belo cara e esquecer Zac e Miss sacanagem. Como se lesse seus pensamentos, Rico rodeou a sua cintura com as mãos, e eles mudaram juntos o ritmo. Quase não havia espaço entre seus corpos enquanto dançavam, e logo Vanessa começou a apreciá-lo. Rico era um bom dançarino - sem esforço e muito ritmo. Ele girou em torno dela e, colando-se a ela por trás, colocou as mãos nos seus quadris.

Eles dançaram o que pareceram horas - mudando constantemente de posição, e não falando uma única palavra. Vanessa queria desviar seus pensamentos de Zac e ela o fez dançar com Rico parecia certo. Legal. Ela deixou todos os pensamentos conscientes partirem, e tudo o que ela tinha que sentir era o corpo de Rico ao lado dela e o ritmo da música.

*

Zac não podia acreditar em seus olhos quando Beppe arrastou Vanessa para apresentar Rico. As meninas amam Ricardo. Ele era charmoso, bonito, bem comportado e fácil. Ele nunca foi conhecido por manter uma namorada por mais de 15 dias. E ainda o amavam, porque, dizia que nesse tempo, ele sabia como se divertir.

Então era isso que Vanessa queria? Diversão sem amarras? Então Rico era perfeito para ela.

Eu vou matar Beppe, aquele idiota.

Seu amigo sabia muito bem que Zac queria Vanessa para si mesmo. Eles nunca tinham discutido o assunto, mas Beppe sempre poderia lê-lo como um livro  aberto. Desde que eles eram crianças, não havia nada que Zac poderia fazer nas costas dele, porque Beppe sempre estava dois passos à frente. Ele apenas o conhecia muito bem.

Rico levou Vanessa para a pista de dança e começaram a mover-se com a musica. Em todo momento ele estava em cima dela - girando em torno dela, tocando os ombros, cintura, braços e pescoço. A pior parte foi que ela parecia se divertir. Ela iria se afastar, se ela não quisesse, certo?

Zac estava com ciúmes. Pela primeira vez em sua vida, ele sentiu um ciúme avassalador que consumiu todos os seus pensamentos racionais. Ele queria afastar Rico para longe de Vanessa e socá-lo, até que o cara precisasse de uma reconstrução facial.

Mas ele não fez isso. Em vez disso, ele levou Antônia para a pista de dança, que alegremente, passou os braços em volta dele.

Dois poderiam jogar esse jogo.

Só que ele não tinha certeza de qual era o jogo exatamente. Ou até mesmo se realmente era um jogo.

*

Vanessa foi abruptamente puxada de volta à realidade, quando Rico varreu seu cabelo na frente de seu ombro esquerdo e deu um beijo suave na parte de trás de seu pescoço. Não era desagradável, não muito. Ela ainda tentou gostar. Ela podia sentir exatamente o quanto ele gostava.

Infelizmente, com os olhos retornando a realidade ao seu redor, a primeira coisa que viu foi Zac dançando com aquela garota. Seu corpo se movia com tanta graça, totalmente a vontade na pista de dança. Era hipnotizante, e Vanessa não conseguia desviar o olhar.

Ela sentiu um beijo no pescoço, mas desta vez houve até um pouco da língua. Seu cérebro começou a gritar para ela fugir, mas estava hipnotizada por Zac e a maneira como ele se movia. Ela desejou que fosse o seu corpo que estivesse por trás dela e seus lábios que a estavam beijando. O pensamento causou arrepios na espinha, apesar do calor, e ela viu arrepios aparecerem em seus braços.

E, em seguida, todo o seu mundo desmoronou no chão.

A menina que Zac estava dançando com os braços ao redor do pescoço dele, o puxou para um beijo. Ele estava dentro. Ele a beijou de volta.

Vanessa sentiu como se estivesse prestes a desmaiar e desculpando-se, deixou Rico sozinho na pista de dança e voltou para sua mesa. Ela precisava sair daqui. Agora.


*
Quando Zac viu Rico beijando Vanessa na parte de trás do pescoço, a raiva fervia em seu sangue e os punhos doíam por bater em alguma coisa, de preferência o rosto  de Rico. Ele queria arrancar a língua do bastardo e fazê-lo engolir de volta. A raiva que ele não sentia há muito tempo tomou conta dele, e ele sentiu seus músculos tensos e preparados para uma luta.

Ele foi pego de surpresa quando Antônia o beijou. O toque dos lábios o trouxe de volta à realidade. Aos poucos, seu corpo aliviou e ele foi capaz de formar alguns pensamentos razoáveis. Vanessa não era dele. Ela poderia beijar quem ela gostava. Ele não deveria ter ciúmes e definitivamente, ele não deve atacar qualquer pessoa que se aproximava dela.


Zac deixou-se ir e se perdeu no beijo de Antônia. Ele foi junto com isso por um tempo, porque o que ele realmente precisava agora era gostar. Ele queria sentir algo por Antônia, mesmo que fosse uma fração do desejo que sentia por Vanessa. Ele precisava tirá-la da cabeça e Antônia parecia ser a pessoa perfeita para fazê-lo.

No entanto, não deu certo. A menina era esperta, ela afastou-se logo que não sentiu nada dele, apenas a mecânica em movimento de seus lábios e língua. Sorrindo para ele com uma mistura de entendimento e arrependimento, ela virou-se e deixou-o sozinho na pista de dança.


Ele olhou ao redor, mas Vanessa tinha ido embora.


♥♥♥

Olá meninas!
Me desculpem pela demora,
mas aqui esta o capítulo!
Comentem,por favor,
estou começando a pensar que vocês 
não estão gostando da história!!!
Até mais,xoxo

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Capítulo Quatro

Seus olhos bateram nela direto, e em um par de segundos, sua expressão mudou várias vezes - surpresa, entendimento e prazer. Os cantos de sua boca subiram naquele sorriso sexy, e ele sorriu para ela.

Graças a Deus, Vanessa estava sentada, ou seus joelhos teriam dobrado. Como era mesmo possível uma única pessoa possuir tanto charme? Ele caminhou em sua direção, sua arrogância perfeitamente acentuada por sua calça jeans desbotada e camiseta preta. Seus olhos brilhavam perigosamente quando ele se sentou na extremidade inferior de sua espreguiçadeira e disse:

— Algo que eu deveria ter dito esta manhã... — Vanessa piscou, incapaz de formar palavras - mais uma vez. — Oi, eu sou Zac.

Nããão, não, não, não, não!
Zac? Zac da Ashley?
Eu não posso acreditar nisso!

—Então, você já ouviu falar sobre mim.—Sim, eu ouvi falar de você - você é o melhor amigo da minha melhor amiga! Você é provavelmente o único homem em Gênova, se vacilar, em toda a Itália, que eu não posso ter. Você é a única pessoa que eu não posso ter a minha quente e sexy aventura de verão... e é a única pessoa que eu quero ter a minha aventura quente e sexy de verão!

Isso era um desastre.
O sangue quente correu pelas bochechas de Vanessa, enquanto ela se lembrava de tudo que contou a Ashley. Quando ela descobrisse que seu salva-vidas era Zac, ela ia  surtar. Vanessa sabia que sua prima nunca ficaria bem com alguém usando um dos seus amigos mais íntimos para um pouco de diversão de verão. Mesmo que essa pessoa fosse uma de suas amigas mais próximas.

—Sim, eu ouvi sobre você. — eu disse. Tudo ia dar certo. Ela estava caminhando para fingir que não o achava incrivelmente atraente e tentaria ser amiga dele.

—Tudo o que ela lhe disse, eu garanto que a realidade é ainda melhor. — ele disse, e sorriu.
Bom plano, Vanessa, bom plano. Agora tente cumpri-lo.

*

Quando Zac a viu, ele não podia acreditar na sua sorte. Ele não tinha parado de pensar nela o dia todo. Ele sabia que ela o lembrava de alguém - havia uma foto na sala dela junto com Ashley. Ela tinha uns doze anos quando foi tirada, por isso que ele não se lembrou de imediato.

Vanessa. O nome dela era Vanessa - prima de Ashley.

Ela definitivamente parecia desconfortável com a sua paquera e Zac não podia deixar de achar isso adorável. Não são muitas as meninas hoje em dia que tentam se esquivar de seu flerte.

—Zac, pare de importunar Vanessa. — Ashley disse quando saiu, seguida por sua irmã  e Beppe.

Eu não estou incomodando, eu só estou checando minha paciente. Vanessa fechou os olhos e corou.

Uau, ela deve ter dito a Ashley sobre mim, pensou Zac.

A julgar pela expressão quase cômica de surpresa da sua amiga, ela tinha. E era suculento - as meninas trocaram um olhar que falava alto.

—Será que essa é sua mais recente frase de flerte? — perguntou Beppe e caminhou em sua direção, parando em frente de Vanessa e teatralmente beijando-lhe a mão. — Não perca seu tempo com esse perdedor, belíssima.
Vanessa riu, para deleite do Beppe. Ele ainda estava segurando a mão dela. Ela não afastou-se dele, mas sustentou o olhar, seus lábios se separando, enquanto ela lambia-os com a ponta da língua. Zac sabia que as mulheres reagiram dessa maneira com Beppe - seu amigo era alto, magro e tinha essa perigosa vibração de bad boy. Seu rosto perfeitamente simétrico, olhos escuros, piercings e tatuagens também ajudava a atrair as mulheres. Agora, no entanto, Beppe precisava afastar-se de Vanessa, ou Zac iria obrigá-lo a fazer.

—Cai fora, cara. Isso é entre médico e paciente. Na verdade, eu acho que devemos ir para algum lugar mais calmo para examiná-la adequadamente.
Vanessa desviou os olhos de Beppe e soltou a sua mão. Concentrando sua atenção de volta para Zac, ela mordeu o lábio para abafar uma risada.
—Não há necessidade, mas obrigada. Eu estou bem.

Para provar seu ponto, ela passou as pernas pela espreguiçadeira e levantou-se, pisando em seu pé machucado. Não foi uma boa ideia. Zac a viu estremecer de dor e perder o equilíbrio. Felizmente, ele estava de pé no momento em que ela se levantou, e apoiou seu peso, circulando sua cintura com os braços. Ela ficou tensa sob seu toque e sua respiração parou.

—Você tem certeza sobre exame? — Zac sussurrou em seu ouvido, quando ele a soltou e ela apoiou seu peso sobre o outro pé. Vanessa exalou alto, as pupilas dilatadas e ela corou quando olhou para ele.
—Absoluta.

Suas palavras diziam uma coisa, mas seu corpo tinha uma opinião completamente diferente. Zac gostava disso. Ele não conseguia se lembrar quando foi a última vez, se é que teve alguma vez, que uma menina tinha esse tipo de reação apenas em estar perto dele. Claro, ele não carecia de atenção feminina, mas não era nada assim.
Nada tão sincero.

Não se preocupe com eles, Vanessa. Eles são idiotas. — disse Gia quando veio resgatar Vanessa. — Eu sou Gia, a irmã do idiota número um. — Vanessa sorriu para ela, quando seu irmão a abraçou e beijou ambas as bochechas. — Venha, deixe-os fazendo seu churrasco. Vamos conseguir uma bebida.

E ela a levou embora.

*

Gia era quase uma cópia exata de Zac - uma versão feminina de sua perfeição. Seu cabelo escuro era comprido e ondulado, e Vanessa pensou que era como o de Zac ficaria,  se ele não o cortasse curto. Seu rosto era um grande exemplo de simetria perfeita - o nariz reto, maçãs do rosto salientes, boca cheia e aqueles olhos azuis brilhantes. A única diferença era que o corpo de Gia era um caso impecável da feminilidade - pequeno, elegante e cheio de curvas - enquanto Zac era alto, com ombros largos e a energia emitida em equilíbrio em todos os seus movimentos.

Gia pegou dois copos e começou a derramar Prosecco neles.

Eu vou tomar um copo de limonada — disse Vanessa, antes que ela pudesse encher seu copo com vinho.

Você tem certeza? — Vanessa assentiu. — O vinho combina perfeitamente com antepastos...

Sim, quando você tem câncer de fígado - não tanto.

Talvez mais tarde. — não haveria qualquer vinho mais tarde por parte da Vanessa, mas ela não queria ofender Gia; italianos levam seu vinho muito a sério.

Apesar da surpresa inicial com a identidade de Zac, a noite fluiu perfeitamente com pausas não estranhas. Gia era legal, engraçada e direta nas palavras, e Vanessa realmente gostava dela. Beppe parecia pertencer a um romance, não a vida real. Ele era impecável: o seu corpo era magro e musculoso, tatuagens espreitavam sob a sua camiseta apertada, ele estava com a barba de alguns dias em seu rosto, acentuando o seu visual casual, sua sobrancelha direita tinha um piercing, e Vanessa tinha certeza que viu piercing na sua língua também. E, no entanto, aos olhos de Vanessa, seu deslumbramento parecia desaparecer no momento em que se sentou ao lado de Zac.

Beppe gostava de provocar Zac e fazer todo mundo rir. Eles continuaram se provocando, alternando entre Inglês e Italiano o tempo todo, como se fosse a mesma língua. O Inglês de Beppe era muito bom, embora não tão perfeito quando o de Gia e Zac. Vanessa se perguntou por que, e fez uma nota mental para perguntar a Ashley depois.

Falando de Ashley, ela parecia preocupada quando descobriu que Zac era o salva- vidas da Stella, mas quando a noite avançava, ela relaxou. Vanessa foi inflexível  sobre cortar sua paquera pela raiz, porque iria deixar Vanessa claramente desconfortável - e com razão: dois de seus amigos mais próximos se pegando, quando um deles tinha câncer e vivia em outro país, era uma receita para o desastre. Vanessa não queria colocar sua prima em uma posição onde ela tivesse que escolher entre os dois, se as coisas terminassem mal.

O jantar estava delicioso - carne assada, salsichas e legumes. Vanessa teve de admitir que, mesmo brincando, os meninos conseguiram lidar com o churrasco à perfeição.   Zac estava especialmente orgulhoso quando Gia-a-chef elogiou a comida. Ele não fez mais nenhum movimento em direção a Zac enquanto comiam, e ela estava feliz. Isso realmente a fez sentir como um jantar entre amigos, e era fácil esquecer que ela tinha acabado de conhecer todos apenas algumas horas atrás.

— Então, Vanessa, você tem algum plano? Qualquer coisa que você queira fazer enquanto estiver aqui? — perguntou Gia.

Não, eu não fiz planos específicos. Eu estou pronta para qualquer coisa, eu acho.

Bom. Vamos cuidar bem de você, então. — Gia sorriu calorosamente para ela.

Você vem com a gente para o jogo de futebol no sábado? — perguntou Beppe, os olhos brilhando de emoção.

O jogo? Não terminou o campeonato? — Vanessa tinha certeza que a Série A terminou em maio, e não recomeçaria até o final de agosto.

É — disse Beppe, seu interesse claro. — Mas é uma partida beneficente entre Sampdoria e Gênova. A cidade inteira provavelmente irá.

Eu não perderia esse campeonato por nada. Pode contar comigo

Sampdoria x Gênova? No verão? Wow - Vanessa queria tentar ver um jogo, mas ela nunca esperava que fosse o campeonato épico, uma vez que era fora de temporada. Seu rosto deve ter mostrado exatamente como ela estava animada, porque Beppe estreitou os enervantes olhos castanhos para ela e ergueu a sobrancelha perfurada.

Você gosta de futebol?

Yeah. — Ela tentou parecer indiferente, porque sempre pegava as pessoas de surpresa. Futebol tinha sido sua paixão desde que era uma menina, graças ao seu pai e Eric. Seu irmão tinha sido um ávido fã de Liverpool e a tinha levado a inúmeros jogos.   Seu entusiasmo sempre foi muito contagiante e, antes que ela percebesse, Vanessa tinha se tornado tão obcecada como ele. Depois que ele morreu, ela sentia que era seu dever continuar a sua lealdade ao seu time favorito. Ela sentiu que se ele pudesse vê-la, ele estaria orgulhoso.

Então, qual time você vai torcer na partida? — perguntou Beppe, testando.

Gênova. Sem dúvida.

Foi a resposta errada, porque o rosto de Beppe caiu. Por outro lado, os lábios de Zac se espalharam em um sorriso preguiçoso. Então, talvez fosse a resposta certa, afinal.


Só uma pequena advertência. Os torcedores do time perdedor irão pagar a cerveja depois. — Beppe relaxou em sua cadeira, pensando que a situação estava resolvida.

É melhor trazer sua carteira, então. — Vanessa disse, e Zac e Gia riram. O rosto de Beppe ficou sério, e Vanessa sentiu que tinha provocado seu oponente, e estava prestes a ser testada agora.

Manda a ver.

Você sabe sequer quais são as cores que Gênova usa? — Oh, ela não era um fã adequada, era isso? Sua opinião não conta?
O oficial é vermelho e azul, alternativo branco com uma listra vermelha e outra azul.

Beppe ficou boquiaberto e Vanessa teve sua chance de atacar novamente. — E antes de dizer qualquer outra coisa, se não fosse por nós ingleses que vieram para cá e criamos um clube de futebol, o esporte mais popular, provavelmente seria vôlei de praia. É por isso que eu vou apoiar Gênova no sábado - é o primeiro clube de futebol na Itália, fundada por ingleses em 1893 e ainda vestindo orgulhosamente a cruz de São Jorge em suas camisas.
Silêncio. Beppe emudeceu. Zac ficou surpreso. Gia e Ashley haviam saído para limpar a mesa e levar os pratos vazios, sem Vanessa perceber.
Beppe conseguiu reunir os seus pensamentos depois de alguns segundos, e Vanessa, se podia julgar pelo brilho perverso nos seus olhos, estava pronta para a revanche.

Falando de bandeiras, vocês ingleses devem nos agradecer, o povo de Gênova, por lhes emprestar a bandeira do nosso St George para proteger sua frota, enquanto navegavam em nossas águas no século XII — disse ele, e sorriu orgulhoso de si mesmo.

Nós não estávamos falando de bandeiras, estávamos falando de futebol. Não tente mudar a direção da conversa. Na verdade, você provavelmente deveria me agradecer agora, já que eu sou um representante da nação que trouxe o futebol talentoso ao seu país. Se você fizer isso, eu poderia simplesmente ignorar o fato de que você está falando mal da razão pelo qual o futebol italiano ainda existe.

Zac soltou uma risada gutural e foi a coisa mais sexy que Vanessa já tinha ouvido. Ele encheu todo o seu corpo com ondas de prazer e ela se esforçou para manter a calma e continuar impassível, quando o que ela realmente queria fazer era fechar os olhos em êxtase. Seus olhos correram na direção de Zac, e ele brindou a garrafa de cerveja em sua direção, antes de tomar um gole. Ele manteve os olhos sobre ela enquanto bebia, o pomo-de-adão subindo e descendo em sua garganta. Os lábios de Vanessa se separaram quando ela se viu dando um beijo logo abaixo da linha da mandíbula e chupando a carne tenra.



Pare com isso! Amigos, lembra?

Que tal você me agradecer? Nós demos a seu país uma bandeira nacional, porra!

A voz de Beppe estava séria, mas havia diversão brincando em seus olhos.
OK, eu vou. Contanto que você me agradeça pelo futebol.

Ele olhou para ela, incrédulo.

Bem? Nós temos um acordo?

Sobre o meu cadáver. — Beppe pronunciou cada palavra devagar e com cuidado e Vanessa não conseguia esconder o sorriso. — Será que ele que te ensinou isso? — Ele perguntou, apontando para Zac.

O quê? Não!

Você tem certeza? Porque soa muito parecido com algo que esse bundão meio- Inglês diria.

 Meio-Inglês? Isso explica muita coisa.

Eu vou fumar um cigarro. — Beppe se levantou, tirando uma caixa de cigarros do bolso de trás, e se dirigiu para longe da mesa.

Você realmente o pegou, ele só fuma quando está extremamente frustrado. — disse Zac, perfurando seus olhos em Vanessa. Estava ficando escuro lá fora e sem nenhuma luz para refletir, ele parecia quase preto.
Sinto muito. Eu acho que fico um pouco mais na defensiva quando alguém sugere que eu não sou “uma boa fã”, porque eu sou mulher.

Ele nunca disse isso.

Estava em seus olhos.

Zac sorriu e inclinou a cabeça para o lado, a intensidade de seu olhar derretendo qualquer pensamento e razão no cérebro de Vanessa. Ela teria dado qualquer coisa para descobrir o que ele estava pensando.

*

A cabeça de Zac estava cheia de imagens de Vanessa, e em todas elas, ele estava muito mais perto dela do que estava agora.

Ele passou apenas algumas horas com ela, mas foi o suficiente para tirar algumas conclusões sobre ela - ela era inteligente, divertida, com um grande senso de humor, ela sabia quem ela era e estava confortável em sua própria pele, ela respeitava as outras pessoas, mas tinha sua própria opinião e a expressava, e ela gostava de futebol. Ela poderia ser mais perfeita?
Duvido.

Você lê bem as pessoas, não é? — Disse ele em resposta a sua declaração anterior. Ele a pegou avaliando todos na mesa com aqueles olhos achocolatados. Ela não tinha  sido ostensiva  sobre  isso, mas Zac não podia  perder,  porque  ele estava olhando para ela o tempo todo.

Às vezes.

— Você pode dizer que eu estou pensando agora? — Ele sabia que estava brincando com ela forte, e orou que ela mordesse a isca.

Imagino.

Você quer compartilhar?

Eu prefiro não. — Não era a resposta que ele estava esperando, então ele levantou uma sobrancelha em questão.

Por que não? Você pode estar certa. — Ele estava abusando da sorte e ele sabia disso, mas ela o deixava louco. Ele queria pular fora dessa maldita cadeira, puxá-la em seus braços, e beijá-la até que ambos não tivessem mais fôlego.

É disso que eu tenho medo. — Vanessa levantou-se, reunindo alguns guardanapos em um prato vazio. — É melhor eu ajudar Ashley...

Ele estava em pé e ao lado dela em um segundo.

Vanessa... — começou ele, gostando do modo como seu nome rolava em sua língua.

Zac, não. Pare de flertar comigo. Você sabe que não adianta — Ela olhou para ele e sua expressão estava séria e determinada.

Por quê?

Por causa de Ash.

Ela não teve que elaborar. Zac não era estúpido, ele sabia o que ela queria dizer e ele ainda não conseguia se conter. Ele havia tentado evitar durante o jantar, mas quando eles estavam sozinhos, ele não poderia se segurar. Zac não conseguia se lembrar de quando foi a última vez que ele tinha estado tão atraído por alguém.

Olha, eu vou ficar aqui por dois meses e tudo que eu quero é relaxar e me divertir. Você e eu... — ela circulou a mão entre eles, tocando sua barriga e fazendo o seu abdômen flexionar involuntariamente — traz muitas complicações. Por que você não me mostra seu verdadeiro eu, e não o Casanova atrevido? Eu gostaria de conhecê-lo e descobrir por que Ashley o escolheu como um de seus amigos mais próximos. Vamos esquecer a paquera e sermos amigos.

Ele não se importaria de ser amigo dela. Com benefícios. Mas, sim, ela estava certa.

*

Niki chegou em casa, assim que todo mundo estava partindo. Ela parecia exausta - levar seu próprio negócio tinha seus benefícios, mas também significava que ela tinha  que trabalhar quase o tempo todo. Elas conversaram um pouco, enquanto ela jantava na cozinha e, em seguida, pediu licença para ir para a cama.

Quer um pouco de chá de camomila? — Ashley perguntou, colocando a chaleira no fogo.

Sim, obrigada. — Vanessa mandou uma mensagem a sua mãe, porque ela sabia que Gina gostaria de ouvir notícias dela, mas gostaria de lhe dar algum espaço, e não ligaria para saber como ela estava todos os dias. Quando ela colocou o telefone sobre a mesa, Vanessa percebeu que o único som que podia ser ouvido em toda a casa era a água fervente.
Ashley estava de costas para ela, olhando para a chaleira.

Hey. Você está bem? — Tudo o que ela conseguiu foi um aceno de cabeça. — Você está preocupada comigo e Zac?

Os ombros de Ashley caíram e Vanessa sabia que tinha acertado em cheio. Sua prima era muito atenciosa para dizer qualquer coisa, mas ela estava inquieta. Vanessa se levantou e foi até ela.

Ash — ela tocou em seu ombro para fazê-la virar e encará-la. — Não se preocupe. Está tudo bem. Eu não sabia quem ele era e nem ele me conhecia. Mas, agora, que nos conhecemos - nós vamos ser amigos. Ele parece ser um cara muito legal e eu adoraria conhecê-lo e ver o que você vê nele.

Mas... O que você disse antes, sobre o quanto você estava atraída por ele... — Os olhos verdes de Ashley brilharam com preocupação e incerteza.
Eu acho que toda mulher com olhos estaria atraída por ele. Olhe para ele! 
Eu não tenho nenhuma ideia de como você nunca sentiu nada por ele...

Você não está melhorando as coisas. — disse Ashley, mas ela relaxou um pouco e até mesmo sorriu.

Está tudo bem, Ash. Eu posso olhar para além disso. Eu posso ser amiga dele, de todos eles. — Ashley assentiu e todo o seu rosto se iluminou num sorriso, como se uma névoa espessa tivesse sido tirada. — Além disso, meu palpite é que há uma abundância de outros caras para cobiçar aqui, certo?

Você não tem ideia.


Elas riram, enquanto misturavam um pouco de açúcar em seu chá.