domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz Natal!!!

Que neste natal,o Menino Jesus renasça no coração de cada um de vocês e traga muita paz,saúde, sabedoria, serenidade e muito amor para vocês e suas famílias. 
"Que o Natal comece no seu coração 
Que seja pra todos sem ter distinção 
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for 
O melhor presente é sempre o amor" 
Um abençoado natal para todas vocês e suas famílias🙏🎁🎄🎅✨😘
P. S. : créditos na foto, por favor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Capítulo Onze

Na manhã seguinte, Vanessa acordou com um  sobressalto. Ela olhou em volta freneticamente, porque nos primeiros dois segundos, ela não tinha certeza de onde estava. Será que ela tinha ficado em Zac? Não. Ela estava em sua própria cama.

Havia algo sobre estar com Zac que turvava a realidade. Ficava um agradável borrão, um borrão onde não havia motivos pelos quais eles não deveriam estar juntos. Um borrão onde não havia nenhum caso de câncer, apenas planos e sonhos para o futuro.

Infelizmente, o momento em que o borrão limpava, a realidade batia em Vanessa como um furacão. O que ela tinha feito na noite passada? Por que ela tinha permitido que as coisas fossem tão longe? Zac a tinha beijado e foi... Épico. Foi um beijo que fez todo o seu corpo tremer de desejo. Foi um beijo que valia a pena esquecer a realidade por ele.

Se uma coisa ficou clara ontem à noite, era que Zac não tinha qualquer intenção de deixar Vanessa sozinha. Ele a queria, e ele viria atrás dela. Mais cedo ou mais tarde ela iria rachar. Mais uma vez - como tinha feito na noite passada. Mas da próxima vez, poderia não haver um telefonema para interrompê-los.

A única coisa que podia fazer era ficar longe dele, mesmo como amigo. Mas como ela poderia fazer isso? Ele era uma presença permanente na vida de Ashley. Não havia nenhuma maneira que ela pudesse evitá-lo nas próximas oito semanas.

E, francamente, ela não queria. Zac era ótimo , e ela mal podia esperar para passar mais tempo com ele e conhecê-lo melhor.

O inferno com a realidade.

Quando Vanessa desceu, Ashley e Niki já estavam na cozinha, fazendo café e  uma comida com um cheiro delicioso.

—Oi gente. Vocês acordaram cedo.

—Cedo? São 11:00hs — disse Niki e, caminhando até Vanessa, deu-lhe um beijo na bochecha. — Dormiu tarde ontem à noite?

—Yeah. Desculpe por isso, Ash. Eu deveria ter ligado, mas eu acho que eu perdi a noção do tempo.

Zac a tinha conduzido direito para casa depois que Ashley tinha ligado, mas eles tinham ficado no carro e conversado um pouco. Nenhum deles queria deixar sua pequena bolha acolhedora. Eles não haviam tocado em nenhum dos tópicos “campo minado”, em vez disso tinham falado sobre música, filmes, comida e lembranças da infância.

Eles descobriram que tinham muita coisa em comum - eles gostavam do mesmo tipo de filmes e ouviam as mesmas bandas. Logo depois que Vanessa tinha admitido que gostava de rock dos anos 80 e 90, Zac tinha sorrido e dito que ele adorava também. Ele encontrou rapidamente um CD do Aerosmith e eles cantaram “Crazy”, em pleno pulmões juntos. Então ele confiscou o iPod da Vanessa e rolou pela sua playlist.

—Você tem múltipla personalidade ou algo assim? — Ele perguntou, depois que vasculhou sua coleção de música.

—O quê? Por quê? — Ela tentou pegar de volta seu iPod, mas ele moveu a mão muito rapidamente.

—Green Day, Bon Jovi, Aerosmith, Linkin Park e 30 Seconds to Mars nunca  deveria estar no mesmo aparelho que Rihanna, Destinys Child e Lady Gaga, — ele disse, ainda percorrendo a seleção.

—Eu gosto de ter diferentes tipos de música, dependendo do meu humor.

—Sério? Você tem Zero Assoluto e Paolo Nutini? — Ele olhou para ela, incrédula.

—Bem, sim. Eu estava tentando relembrar o italiano, e acho que é muito mais fácil estudar uma língua através da música.

—E o que diabos é Framing Hanley?

—É realmente uma grande banda. Você vai gostar.

Eles haviam escutado as músicas favoritas de Framing Hanley de Vanessa, depois que ela conseguiu recuperar seu iPod das mãos de Zac, antes que ele encontrasse outra  coisa para provoca-la. Ela tinha razão - ele amou. No momento em que Vanessa finalmente se arrastou para longe de Zac, Ashley já havia ido para a cama há muito tempo. Vanessa subiu as escadas e foi para seu quarto o mais silenciosamente possível.

Ashley não parecia muito feliz com ela agora. Mas Vanessa percebeu que ela não teria trocado o tempo que passou com Zac por nada, nem mesmo pela aprovação de sua prima.

—Está tudo bem, Vanessa. Você me disse que estava com Zac, então eu sabia que você estaria segura. É por isso que eu fui para a cama e não esperei por você. — Vanessa teria apostado que a preocupação de Ashley não era apenas pela sua segurança. Especialmente do jeito que ela disse, mas ela não poderia se importar menos. Nesse momento em que tudo o que ela queria fazer era se divertir e esquecer tudo. Ela lidaria com a vida dentro de oito semanas.

Niki colocar algumas panquecas, ovos mexidos, torradas, geleia, salame e manteiga na mesa, e fez um gesto para que se sentassem. Ashley trouxe o café e de repente todas pareciam felizes e contentes enquanto atacavam a comida.

—Eu tenho uma notícia — disse Niki, depois de esperar que todas comessem alguma coisa. As meninas olharam para ela com expectativa. Ela sorriu e disse: — Eu conversei com Gina na noite passada.

—Oh, meu Deus! Sério? Como foi? — Vanessa estava tão animada. Ela esperava que Niki desse o primeiro passo e procurasse sua mãe, mas ela realmente não tinha certeza se ela algum dia faria isso. Lisa sorriu e olhou para a mãe com interesse.

—Foi um pouco estranho no começo, eu acho. Mas depois, foi como se nunca tivéssemos perdido contato! Nos falamos por cerca de uma hora e me senti... Certa.

Pensando bem, Niki parecia radiante esta manhã, como se um peso enorme tivesse sido tirado dos ombros.

—Estou tão feliz por você, mamãe. — Ashley levantou-se e deu a Niki um beijinho na bochecha, enquanto caminhava até o balcão, e recarregava seu café.


—Eu tenho que ligar para minha mãe antes de sair. — disse Vanessa. — Aposto que ela está muito animada também.

—Aonde você vai? — Perguntou Ashley, enquanto voltava para a mesa.

—Não eu...Nós. Estamos indo ao jogo, lembra? — A julgar pelo olhar confuso no rosto de Ashley, ela não lembrava. — Gênova vs Sampdoria, o jogo beneficente? Beppe nos disse sobre ele na segunda-feira.

—Ah, certo. Eu tinha esquecido completamente sobre isso.

—Você ainda vai, certo?

—Yeah — Ashley encolheu os ombros, como se ela fosse só porque não tinha nada melhor planejado.

—Você está bem? — Perguntou Vanessa, porque sua prima parecia estar agindo bem estranha durante toda a manhã, e não foi só por causa da sua saída ontem à noite.

—Eu estou bem. Eu só tenho um monte de coisa na minha cabeça.

—Você quer falar sobre isso?

—Talvez mais tarde. Temos que ficar prontas. — Ela deu um sorriso tranquilizador a Vanessa, como se para mostrar que ela não era a razão de seu estado de espírito, pegou  a sua xícara de café , e subiu as escadas para o quarto dela.

—O que há com ela? — Vanessa perguntou a sua tia.

—Não sei. Ela não me disse nada. Quando cheguei em casa ontem à noite ela estava no estúdio e não saiu até que eu fui para a cama. Talvez ela esteja em algum tipo de humor de artista. Isso já aconteceu antes.

Vanessa assentiu com a cabeça, aceitando a explicação de sua tia, porque ela não parecia preocupada. Elas eram muito próximas, por isso, se Niki tinha certeza que Ashley estava OK, então ela deveria estar.

—Então, Ash me disse que você já passou muito tempo com Zac — Niki sorriu descaradamente para ela, e Vanessa corou.

—Sim, ele é ótimo. Não olhe para mim desse jeito, nós somos amigos.

—Ceeeerto. — Sua tia riu. — Você sabe que você sempre pode falar comigo sobre qualquer coisa, certo? Eu estou aqui para você, querida.

—Obrigado, tia Niki. Eu sei.

—Bom. Eu tenho que ir agora, mas espero que todas possamos estar aqui para o jantar, não? Eu sinto falta vocês.

Ela deu a Vanessa um beijo e saiu pela porta, indo para o trabalho.
Sorrindo, Vanessa subiu para seu quarto para ficar pronta. Assim que ela fechou a porta, ela ouviu seu telefone vibrar em seu criado-mudo.

Era uma mensagem.

Zac: Você já está usando a minha camisa?

Vanessa sorriu e digitou de volta.

Vanessa: Prestes a colocar

Quase imediatamente ela recebeu uma resposta.

Zac: Então você não está usando nada agora?

Isso a fez rir, mas também a excitou. Imaginou-o ainda na cama, de cueca, apoiado no cotovelo e digitando em seu telefone.

Vanessa: Você?

De onde veio isso? Ela não deveria incentivar sua paquera agora, certo? Mas era tão difícil resistir.

Zac: Um pouco. Mas é facilmente removível. Basta dizer a palavra.

Vanessa: Mantenha as calças, garotão. Ou vamos nos atrasar para a partida.

Zac: Desmancha-prazer.

Vanessa abanou a cabeça e, sorrindo, entrou no banheiro para tomar um banho.

Meia hora depois, ela estava quase pronta. Seu cabelo estava lavado, mas não tinha tempo para secar e arrumar, então ela só o prendeu em um rabo de cavalo, e amarrou uma fita azul e vermelha em volta dele para combinar com as cores do clube. A maquiagem era mínima - apenas rímel e gloss. Era hora de decidir o que fazer com a camisa do Zac.

Era enorme. Quando ela vestiu, bateu em seus joelhos e as mangas cobriram dois terços de seus braços. Oh, e havia espaço para mais duas pessoas dentro dela também. Pelo lado positivo, o cheiro era maravilhoso. Ela estava lavada, mas o cheiro de Zac ainda permanecia sobre ela. No momento em que Vanessa colocou, ela sentiu como se ele estivesse bem ali ao lado dela.

Certo. Voltando a camisa.

Só uma coisa apropriada veio à mente - legging e um cinto. Vanessa tinha uma legging azul escuro, que descia pouco abaixo dos joelhos. Ela normalmente usava para fazer  ioga,  mas  seria  perfeita  para  esta  ocasião,  porque  a  camisa  era  metade vermelho metade azul escuro. Vasculhando a gaveta de acessórios no guarda-roupa, Vanessa encontrou uma faixa estreita vermelha, que ela amarrou na cintura com um nó bagunçado.

Pronto. Ela estava pronta para a partida de futebol, de forma casual e, pensou, original. Por fim, ela colocou os tênis, e saiu do quarto, bem na hora que a campainha tocou.

— Ash, você está pronta? — Ela chamou quando passou pelo seu quarto, a caminho da porta.

Quase. — Ashley gritou de volta.

Abrindo a porta da frente, Vanessa ficou cara a cara com Beppe e Gia, e ambos estavam sorrindo.

Você é um idiota — Gia disse a ele em italiano, então ela tirou a mão de seus ombros e entrou, beijando Vanessa  em ambas as faces. — Uau, você está adorável!

Sim. Mas eu não usaria essa mesma palavra. — disse Beppe, enquanto ele piscava para ela e a abraçava, beijando seu rosto também.

Quando Beppe entrou, Vanessa viu que Zac vinha logo atrás. Ele estava usando uma camisa da Gênova, mas a sua era a alternativa - branca com duas listras azul e vermelha na frente. A outra diferença era que a sua efetivamente servia perfeitamente nele.

Ciao, tesoro — disse ele quando se inclinou para beijar seu rosto. — E eu pensando que você não conseguiria deixar minha camisa sexy — ele sussurrou em seu ouvido, fazendo com que aumentasse a velocidade de sua frequência cardíaca.


Fico feliz que você goste. Eu não sonharia em desonrar sua camisa.

Desonrar? Você está brincando comigo? Eu nunca vou lavá-la novamente.

Uh, nojento. — Vanessa franziu o nariz e riu.

Eles deixaram o carro de Zac em frente à casa de Ashley, porque o estádio Luigi Feraris - ou o Marassi, como era conhecido - era bem no meio da cidade, e não havia estacionamento. Eles foram de ônibus até a estação de trem, e de lá pegaram um dos ônibus fornecidos especialmente para os torcedores que iam ao estádio.

O clima na cidade era elétrico. Pessoas vestidas nas cores das duas equipes andavam por toda parte, cantando, rindo e com bandeiras. Vanessa não conseguia tirar o sorriso do rosto. Era exatamente o que ela tinha imaginado que essa partida histórica seria!

Zac estava segurando a mão de Vanessa desde que tinham deixado sua casa. Ele tinha provocado um olhar crítico de Ashley, e alguns mais atrevidos de Beppe e Gia, mas depois ninguém mais se importou. Mesmo o humor de Ashley animou quando chegaram à estação e entraram no ônibus especial. Era como se todos se conhecessem - as pessoas pararam e falavam umas com as outras, e realmente não importava quais as cores da equipe que eles usavam. Um cara bonito em uma camisa do Gênova cumprimentou Vanessa pela sua roupa, e provavelmente teria flertado um pouco, se Zac não a tivesse puxado para perto e disparado um olhar ameaçador em sua direção. 

Vanessa riu e balançou a cabeça. Em outras circunstâncias, ela provavelmente teria se irritado, mas hoje era um dia tão especial, que ela não poderia evitar. Então ela notou um outro cara, em uma camiseta da Sampdoria conversando com Ashley, e pouco antes de descer do ônibus ele anotou o número dele e entregou para ela, que enfiou no bolso de trás da sua calça jeans, com um sorriso.

O ônibus parou em frente ao estádio e eles entraram, com Beppe gemendo pela centésima vez que estaria sentado na Tribuna Centrale em vez de Gradinata Sud, onde todos os fãs do Sampdoria que se preze estariam. Zac insistiu que ele nunca colocaria os pés em Gradinata Sud, porque todos os fãs estavam em Gênova Gradinata Nord. Então Tribunata Centrale tinha sido o acordo quando foram comprar os bilhetes. Mesmo que soubessem onde iriam se sentar com semanas de antecedência, os gemidos não pararam até eles pegarem seus assentos, e as meninas os ameaçarem para se calarem.

O estádio estava completamente cheio. Vanessa não podia ver um assento desocupado em qualquer lugar. O lugar estava tão cheio de energia, que o chão estava vibrando sob seus pés. Todas as trinta e cinco mil pessoas aqui tinham futebol em suas veias. Eles provavelmente tinham se apaixonado um desses clubes desde que eram bebês. E demonstravam.

Vanessa sentou-se ao lado dos degraus, e Zac se sentou ao lado dela, ainda segurando sua mão. Ele estava zumbindo com antecipação. Seus olhos estavam brilhantes e ele não tirava o sorriso do seu rosto. Beppe sentou-se entre Ashley e Gia, e imediatamente começou a provocá-las, com um largo sorriso enquanto brincava com  elas. Ele nem percebeu como as mulheres ao seu redor olhavam para ele, mas não era porque ele não estava ciente de quão atraente ele era. Vanessa pensou que tinha mais a ver com Gia - quando ela estava por perto, Beppe não tinha olhos para mais ninguém.

Você está bem? — Zac perguntou, inclinando-se para Vanessa. Ela havia ficado perdida em seus pensamentos por um minuto, e imaginou que demonstrou isso em seu rosto.

Yeah. Eu estou ótima. Eu não posso acreditar que eu estou aqui, no Marassi. Eu não consigo pensar em qualquer lugar que eu preferiria estar agora. — ela sorriu para ele, querendo dizer cada palavra.

Mesmo que esteja perto do topo da minha lista, eu posso pensar em uns dois outros lugares que eu prefiro estar agora. — Zac sussurrou em seu ouvido, e muito suavemente mordeu o lóbulo da orelha. Foi tão suave, que por um segundo Vanessa achou que houvesse imaginado, mas a agitação em sua barriga confirmou.

Bem nesse momento, o estádio explodiu quando as duas equipes saíram para aquecer no campo. Vanessa estava em pé também, tentando dar  uma olhada melhor.

Quando ela fez isso, o que ela viu não a agradou. Rico e aquela menina, Antônia - que tinha beijado Zac no clube - juntamente com um grupo de outras pessoas estavam subindo as escadas em sua direção. Rico estava conversando com outro cara na frente, enquanto Antônia estava segurando a mão de alguém e rindo de algo que ele havia dito.

A mão de Zac se esticou em Vanessa. Ele tinha visto eles, também. Ela se virou para olhar para ele e seu rosto era ameaçador. Sentindo-se irritada, Vanessa soltou sua mão e se sentou em seu lugar.

Esta rotina de ciúmes estava se tornando cansativa. Zac não tinha o direito de ficar com ciúmes, ela não era sua namorada, pelo amor de Cristo. Eles não estavam nem mesmo ficando. Mesmo que ela tentasse dizer a si mesma que estava irritada com Zac, ela também estava se sentindo muito desconfortável ao ver Antônia. No momento em que a viu, se lembrou dos seus lábios em Zac naquela noite. Isso quase a deixou insana.

Esses lábios perfeitos e deliciosos são meus.

Ela acabou de pensar isso? Então, para resumir, Vanessa estava irritada com o ciúme infundado de Zac, enquanto ficava territorial sobre seus lábios. Isso mexeu um turbilhão de emoções contraditórias dentro dela, e ela não tinha ideia de como controlá-las.

À medida que se aproximavam, a sensação desconfortável no estômago se intensificou. Ela não queria aquela cadela perto de Zac. Obviamente, não era difícil ganhar o seu afeto - já que o cara estava em cima dela e ela não parecia se importar. Beppe os tinha visto, também, e estava sorrindo em sua direção, claramente apreciando  o show. Ele estava com os dois braços esticados, um sobre o encosto de Gia e outro de Ashley, e parecia um modelo masculino em um anúncio de Calvin Klein. As meninas estavam ocupadas conversando animadamente, e não tinham notado o grupo que se aproximava.

Vanessa orou para que eles não os vissem, e apenas passassem. Ela não teve essa sorte.

Hey, Vanessa. Como você está? — Rico disse, e se abaixou para beijar seu rosto.

Será que ela imaginou, ou Zac realmente grunhiu profundamente em sua garganta?

Ei, cara. — Rico acenou para Zac que, indelicadamente, acenou de volta, mas não disse nada. Beppe fingiu estar muito interessado em Gia e Lisa conversando, e simplesmente o ignorou.

Então essa é a famosa Vanessa. — disse o rapaz ao lado de Rico. — Ele não para de falar de você. — ele continuou, apontando na direção de Rico com um sorriso atrevido. Rico lançou-lhe um olhar, mas o cara não se importou.

Sávio, muito tempo sem te ver. — disse Zac e apertou a mão do cara. — Há quanto tempo você está na cidade?

Umas duas semanas. Devemos sair, Zac. Eu não te vejo há anos.

Claro. Dê-me uma ligada.

Rico tentou dizer alguma coisa, mas Sávio o chamou para subir as escadas.

Aproveitem o jogo, eu falo com você depois — disse ele, enquanto subiam.

Quem era? — Perguntou Vanessa.

O irmão de Rico, Ele vive em Milão. Nós costumávamos ir juntos para a escola, mas desde que ele foi para Milão para trabalhar, nós perdemos contato. — explicou Zac, sua voz inexpressiva, enquanto olhava ao campo em frente.

Qual é a idade de Rico? — perguntou Vanessa, e não tinha a intenção com a questão de mostrar qualquer interesse no rapaz. Era só que Sávio parecia mais velho e ele teria a idade de Zac, se tivessem ido para a escola juntos. Zac virou a cabeça e  olhou para ela, seus olhos castanhos parecendo quase preto quando estudava a  pergunta.

Dezenove.

Oh. Isso explica muita coisa. — Zac olhou para ela com curiosidade, inclinando a cabeça para um lado. Vanessa sentiu a necessidade de elaborar. 

— Bem, ele é muito... Despreocupado. Imaturo. Não é tão intenso. — Como você, ela queria acrescentar, mas não o fez. Zac murmurou “Hmmm” e olhou para a frente, apertando os músculos da sua mandíbula.

Pelo amor de Deus!

Eu vou ao banheiro. Volto já — disse Vanessa, e levantou abruptamente. Ela realmente não precisava ir ao banheiro, mas a partir do momento que Zac estava agindo como um idiota, ela precisava ficar longe dele por um minuto.

Eu vou com você para lhe mostrar onde ficam. — disse Zac, quando se levantava.

Eu sou capaz de encontrar os banheiros, Zac. Você não precisa me acompanhar em todos os lugares que eu vou. — Ela lançou-lhe um olhar frio e virou, subindo as escadas.

Ela passou por onde Rico e companhia estavam sentados e acenou para eles, quando os viu. Aparentemente Antônia tinha achado seu lugar muito desconfortável, já estava sentada no colo de um cara. E não era o cara que estava segurando a mão dela no caminho.

Vadia.

Com sua visão periférica Vanessa viu Sávio cutucando Rico, e ele levantou-se, caminhando em sua direção.

— Vanessa, espere. — Ele falou com ela, enquanto ela estava olhando ao redor, procurando a placa que sinalizasse o banheiro.

Hey. Por acaso você sabe onde fica o banheiro feminino?

Sim, bem ali — Rico apontou à sua esquerda.

Obrigada — Vanessa disse e tentou ir embora, mas Rico ficou onde estava. — Você quer me dizer alguma coisa?

Sim — disse ele, parecendo um pouco desconfortável e, de repente muito jovem. Vanessa imaginou que seria tão fácil se ele fosse o cara que ela gostava. Ela iria se divertir muito com ele - ele parecia ser alguém que gostava de uma boa risada. Ao mesmo tempo, ela não ficaria submetida a olhares intensos, crises de possessividade e flertes ultrajantes.

Mas ele não era o cara que ela queria.

Você está namorando Zac? — Ele perguntou, timidamente.

Não.

Você quer sair comigo?

Ela queria? Ele parecia realmente gostar dela.

Lembrou-se de sua dança no clube naquela noite, e como tinha sentido se sentido bem, antes da vadia da Antônia enfiar a língua na boca de Zac e estragar tudo.

Eu adoraria — ela disse, e sorriu para ele. Ele sorriu de volta, um pouco surpreso. Era um belo sorriso. Rico era bonito. E divertido. E exatamente o que Vanessa precisava agora.

Legal. Eu vou ligá-la na próxima semana. — disse ele e retornou em direção a escada, olhando para ela e sorrindo. Vanessaa sorriu de volta, e de alguma forma sentia que havia tomado a decisão certa. Zac iria descobrir de uma forma ou de outra, e, provavelmente, ficar puto, mas ela não estava namorando com ele, e ele não tinha o direito de dizer a ela o que fazer. Ela veio aqui para tentar tirar da sua mente o seu câncer e sua vida sem futuro - e não ser infeliz por um cara.

Quando Vanessa voltou, o jogo ainda não tinha começado, mas as equipes estavam de prontidão, o que significa que iria começar a qualquer minuto. Beppe estava sentado em sua cadeira, conversando com Zac. Ele não se moveu quando ela apareceu ao lado dele. Ele apenas olhou para ela, com os olhos brilhando com diversão, e os braços cruzados sobre o peito.

Você está no meu lugar. — ela disse, cruzando os próprios braços sobre o peito.

Então? Aposto que você vai ficar muito mais confortável dessa forma — disse ele, e piscou para ela.

Eu aposto que eu não ficaria.

É, provavelmente você está certa — disse ele, enquanto ostensivamente reajustava seus jeans. Vanessa não podia acreditar no que acabara de acontecer.

Mova-se, pervertido — disse ela, com a intenção de parecer ameaçadora, mas o encantador sorriso de Beppe venceu-a e, mordendo o lábio, ela não pôde deixar de sorrir também. Ele voltou para o seu lugar entre Gia e Lisa. Vanessa sentou-se e olhou para Zac, que parecia um pouco no limite, ainda. Mas, em seguida, deu-lhe um sorriso lento e tomou-lhe a mão, apertando-o levemente.

Aquele homem era um mistério para ela. Ela nunca conheceu ninguém que pudesse mudar de humor tão rapidamente. O que passava pela sua cabeça? Ele sempre foi assim, ou era ela o motivo?


Vanessa não tinha mais tempo para pensar sobre isso, porque as duas equipes entraram em campo e o estádio irrompeu novamente.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Capítulo Dez

O restaurante era agradável e acolhedor, embora estivesse na via XX Settembre que estava muita cheia esta noite. A noite estava quente, então eles escolheram uma mesa do lado de fora. As pessoas passavam ao lado da mesa, mas isso não parecia incomodar ninguém. Italianos amavam as suas caminhadas. Eles passeavam pelas principais ruas durante a noite, encontrando os amigos, rindo, sentando-se para um coquetel ou dois, em seguida, caminhando novamente.

Não admira que as pessoas aqui fossem tão saudáveis, Vanessa pensava. Pediram a comida e bebidas, e Vanessa pegou seu telefone, observando se sua mãe  lhe mandou alguma mensagem. Ela deixou-o em cima da mesa, para que pudesse ouvi-lo se Ashley ligasse - ela disse que se não estivesse muito cansada depois do trabalho, ela  poderia vir aqui se juntar a eles.
Suas bebidas chegaram rapidamente; Zac tinha pedido uma cerveja, uma vez que ele estava dirigindo e Stella pediu uma limonada espremida na hora.

—Você deve se transformar em bêbada terrível. — Zac disse, enquanto observava Vanessa saborear sua limonada.

—Desculpe-me?

—Você sabe, quando você bebe você se torna outra pessoa. Como uma versão maior, com mais raiva de si mesma

—O que te faz dizer isso?

—Eu nunca vi você beber álcool desde que você chegou. Você tem dezenove anos de idade, está no exterior sozinha, saindo com os amigos todas as noites. Seu controle tem que ter uma explicação. É essa que eu criei. — Ele sorriu para ela, obviamente orgulhoso de sua conclusão.

—Eu acho que você nunca vai saber — brincou Vanessa em troca.

—Oh, vamos lá: eu quero ver a Vanessa selvagem. Você não quer perder o controle?

—Eu não tenho que estar bêbada para isso. A Vanessa “selvagem” pode facilmente sair quando estou bem sóbria.

—Eu adoraria ver isso.

—Se você for um bom menino, talvez você veja. — Vanessa piscou para ele, brincando e Zac riu. Ele inclinou-se para ela sobre a mesa e baixando a voz disse:

—Eu não acho que o bom menino vai fazê-la mostrar. — Ele piscou de volta e colocou sua mão sobre a Vanessa.

Eles ficaram assim mais alguns segundos, olhando um para o outro, e o rosto de Zac estava sério. Vanessa não gostou da intensidade com que ele olhava para ela, e ela precisava desesperadamente de uma mudança de velocidade.

—Então, me fale sobre você, Zac.

O que você quer saber? — Ele se recostou na cadeira, soltando a mão dela.

—Porque Zac? Não muito italiano.

—Meu nome é Zachary. Mas minha mãe me chamou de Zac a partir do momento em que nasci, por isso pegou. Meu pai era o único que insistia em me chamar de Zachary.

Ele baixou as pálpebras, e evitou contato visual com Vanessa, o que a levou a pensar que ele realmente não queria falar sobre seu pai. Ela estava bem com isso.

—Zachary. Eu gosto.

Ele olhou para ela de uma maneira incerta, como se estivesse decidindo se ele gostava de outra pessoa, além do seu pai, usando o seu nome completo. Quase imediatamente, seu cenho desapareceu e um sorriso torto tomou seu lugar.

—Eu gosto de como você pronuncia, também. Você deve dizer isso mais vezes. — ele disse, enquanto seus olhos viajaram para seus lábios e permaneceram lá por um tempo.

Vanessa deveria ter limpado a garganta e dito alguma coisa, mudado de assunto - qualquer coisa. Mas tudo o que ela podia fazer era olhar para o rosto perfeito de Zac. E então ela fez a única coisa que não deveria ter feito - em um impulso ela lambeu o lábio inferior e segurou-a entre os dentes. Os olhos cazuis de Zac brilharam de volta para ela e escureceu.

—Vanessa... — sua voz era tão baixa que soou quase como um grunhido. Isso a despertou do momento e, limpando a garganta 10 segundos tarde demais, ela se recostou na cadeira para criar alguma distância entre eles. Com ele tão perto, tão focado nela, a atmosfera era muito mais intensa do que ela queria. Esta noite era para se conhecerem melhor e superar essa atração pura que sentiam um pelo outro, não para torná-la mais profunda.

—Conte-me sobre sua mãe.

—Uau, você sabe como estragar um momento.

Vanessa riu - pedir a um homem para falar sobre sua mãe definitivamente arrancava-o para fora de quaisquer pensamentos românticos. Como se com a sugestão, a garçonete trouxe sua comida, que parecia e cheirava deliciosamente. Eles imediatamente começaram a comer.

—Bem, minha mãe é da Inglaterra, e veio para a Itália como representante de  uma grande empresa, para cuidar de seu acampamento de férias, logo depois que ela terminou a escola. Ela pretendia tirar um ano sabático e decidir o que fazer com sua vida, ela nunca teve a intenção de ficar aqui. Mas ela conheceu meu pai e foi amor à primeira vista, eles se casaram um ano depois de se conhecerem. Além disso, ela realmente gostava de seu trabalho. Ela sempre foi boa com as pessoas e línguas, e era um trabalho perfeito para ela. No entanto, ela queria crescer e se desenvolver, não trabalhar em um acampamento de férias a vida inteira. Quando ela ficou grávida de Gianna, em vez de aproveitar o tempo fora e descansar, ela teve aulas de francês. Ela afirma que foi mamão com açúcar, uma vez que ela já falava espanhol e italiano. Ela aprendeu alemão quando engravidou de mim. Para encurtar uma longa história, em sete anos desde que ela chegou pela primeira vez na Itália, minha mãe falava cinco línguas e trabalhava como guia turístico em Veneza e região, bem como freelancer em passeios de barco privado e passeios em museus. Ao mesmo tempo, ela se casou e teve dois filhos — Vanessa percebeu o quão orgulhoso que Zac era de sua mãe. Estava estampado em todo o seu rosto.

—Ela parece uma força da natureza. — ela disse.

—Sim, ela é. Minha mãe é incrível. Não admira que meu pai caiu de quatro por ela. Eles foram muito felizes todos esses anos, era uma loucura assistir. Eles estavam sempre se beijando, abraçando, rindo e brincando entre eles.
Zac fez uma pausa e concentrou sua atenção em sua comida, como se estivesse tentando não pensar sobre o passado. Vanessa não queria deixá-lo desconfortável e decidiu não fazer mais nenhuma pergunta, deixando-o falar sobre o que ele queria.

—Ela trabalha muito agora. Eu raramente a vejo. Essa é a sua maneira de lidar, eu acho. — Ele tomou um gole de cerveja e olhou gravemente para Vanessa, observando atentamente a reação dela. Se ele esperava ver pena ou tristeza, ele iria se decepcionar. Tudo o que ela podia sentir era compreensão.

—Oh, eu quase esqueci — Vanessa começou, levando a conversa em uma direção completamente diferente, porque a dor nos olhos de Zac a estava matando. — Eu estava querendo te perguntar uma coisa , você pode me emprestar uma camisa do Gênova para o jogo amanhã?

—Você quer pegar minha camisa? — Seus lábios se esticaram em um sorriso preguiçoso.

—Uma de suas camisas.

—Como você sabe que eu tenho mais de uma?

Vanessa bufou. — Que tipo de fã é você, se você tivesse apenas uma camisa? Zac riu e acenou com a cabeça.

—OK. Eu posso lhe emprestar uma. Mas você já percebeu meu tamanho. — Seus olhos percorriam o corpo dela sugestivamente.

Eu vou pensar em alguma coisa.

—Claro — Zac deu de ombros. — Nós podemos passar em minha casa depois do jantar e eu vou entrego a você. Falando em jogos de futebol, eu jogo em um clube pequeno, estritamente amador. Vamos jogar este domingo no almoço. Ash e os outros geralmente vem, damos algumas risadas e comemos alguma coisa depois. Você quer vir?

—Eu não perderia por nada. Você é bom?

—Se eu sou bom? Baby, você está olhando para a cola que mantém toda a equipe.

—Em que posição você joga?

—Meio campo.

—Oh.

—Oh?

—Isso é uma posição de grande responsabilidade. Você sabe que eles sempre dizem que os jogadores são meio broncos. Eu, pessoalmente, acho que você não pode ser estúpido, se você é um meio-campista. Você tem o controle absoluto do jogo e tem que ser capaz de ver todos os ângulos. Você está no comando. Você se atrapalha, e toda a equipe sofre. E, claro, alguns dos gols mais bonitos não são marcados por atacantes, mas por meio-campistas. — Vanessa parou porque Zac a estava observando atentamente com um meio sorriso no rosto. — O quê foi?

—Você realmente gosta de futebol, não é?

—Eu acho que nós estabelecemos isso no primeiro dia em que nos conhecemos.

—Não, eu quero dizer você realmente gosta. Muito. Qualquer um pode memorizar fatos sobre equipes. Mas você fala com paixão.

Vanessa assentiu com a cabeça, mas não queria entrar em detalhes.

—Então você vai me fazer responder a todas essas perguntas pessoais, mas não vai devolver o favor? — Ele disse, com humor, mas havia desapontamento em sua voz. Vanessa sabia que não era justo perguntar-lhe sobre a sua família, e não falar nada sobre a dela.

—Eric adorava futebol. — disse ela depois de uma pausa. — Meu irmão. Ele me levava aos jogos, me fez estudar a história do Liverpool como se fosse uma matéria da escola. Sua paixão era contagiante. Depois que ele se foi, eu senti que se eu parasse de assistir futebol, ele ficaria louco se pudesse me ver. Foi difícil no começo, porque me lembrava muito dele. Mas eu não parei, e com o tempo tornou-se a única coisa que o mantinha vivo em minha mente.

Zac entrelaçou seus dedos com os de Vanessa sobre a mesa, e comeram em silêncio por um tempo.

—Você sabe, eu sempre pensei que comer com alguém é tão íntimo como ter relações sexuais com eles. — disse Zac, quebrando o silêncio e circulando a palma da mão de Vanessa com o polegar. Ela sorriu e olhou para ele com surpresa. — O quê foi?

—Isso é exatamente o que eu penso, também.

—Sério?

—Yeah. Mas há mais. Eu acho que você pode dizer como alguém é na cama ao vê- los comer.

—Mesmo? — Zac sorriu e levantou uma sobrancelha. — E o que você aprendeu sobre mim esta noite?

Assim que Vanessa estava pensando em como formular sua resposta, Rico apareceu  do nada e deixou-se cair ao lado dela.

—Oi, pessoal — disse ele em italiano.

—Hey — disse Vanessa, surpresa com sua aparição repentina. — O que você está fazendo aqui?

—Eu estava passando e vi você. Eu pensei que poderia terminar o que começamos hoje na praia — Ele piscou para ela. Bem na frente de Zac, que estava olhando para Rico com uma mistura de raiva e irritação. Rico, no entanto, não parecia nem pouco preocupado que houvesse um cara na frente dele, porque toda a sua atenção estava voltada para Vanessa.
Ele pegou o telefone, que ainda estava sobre a mesa, e começou a digitar nele.

Então, ele tirou o próprio telefone e digitou alguma coisa lá também.

—Pronto. Sem mais desculpas, belíssima. Eu ligo para você. — E com isso, ele se foi.

Vanessa não sabia o que fazer com esse cara - ele parecia encantador e amável, embora um pouco atrevido. Mas ela definitivamente não gostava dele. Quando ele perguntou a ela sobre o seu número hoje na praia, ela disse que tinha esquecido o  celular em casa. E essa foi a maneira de pagar pelo karma da mentira. Karma é uma cadela. Vanessa não pode deixar de sorrir ao pensar, e balançou a cabeça.

—Você está saindo com ele? — A voz de Zac estava séria e perigosamente baixa.

—O quê? Não... Eu... Ele pediu meu número hoje na praia. Eu disse que tinha esquecido meu telefone. Eu acho que eu não seria possível mentir hoje à noite.

—Por que você não quer lhe dar o seu número? Eu pensei que você queria alguém não muito intenso "para uma aventura de verão". — Zac fez aspas no ar com os dedos, que de alguma forma irritou Vanessa ainda mais do que seu tom de voz desagradável. 

Ela estava pronta para uma resposta cortante, mas as palavras de Zac na praia ontem soou em sua cabeça, como se tivesse acabado de dizer-lhes:

—Eu nunca fui tão malditamente ciumento na minha vida inteira, Vanessa... Eu queria arrastar aquele babaca do clube e bate-lo até restar uma polegada de sua vida, porque ele estava com as mãos em cima de você. E quando ele beijou seu pescoço... Eu pensei que eu ia explodir, Vanessa.
Ele estava com ciúmes de Rico, o que era ridículo. Vanessa não se sentia atraída nem mesmo remotamente pelo cara, para não falar outra coisa. Seus olhos suavizaram e ela decidiu que a melhor maneira de lidar com a situação era acalmar Zac. Ela não lhe devia nenhuma explicação, mas de alguma forma, a necessidade em tê-lo relaxado e feliz em sua companhia ultrapassou qualquer coisa.

—Zac, não vamos estragar um noite perfeitamente boa por causa de Rico. O que está feito está feito. Apenas esqueça-o. Eu já esqueci.

Ele acenou com a cabeça, e a raiva evaporou de seus olhos, mas ele ainda não estava à vontade.

—Vamos pedir a conta e tomar sorvete em outro lugar. —Zac assentiu novamente e tirou a carteira.

—O que você está fazendo?

—Eu estou pegando o dinheiro para a conta.

—É meu convite, lembra-se?

—Vanessa...

—Nem tente, Zachary. — Ela fixou-o com um olhar gelado e Zac riu, balançando a cabeça e colocando sua carteira de volta no bolso.

—Eu não deveria ter dito o meu nome completo. Soa tão sexy quando sai de sua boca que eu não posso resistir. Eu faria qualquer coisa que você pedir.

—Eu vou manter isso em mente.

Zac riu abertamente, e depois que Vanessa tinha pago a conta, ele pegou a mão dela e levou-a para fora do restaurante.

Eles tomaram sorvete de uma pequena barraquinha, e caminharam pela rua movimentada, apreciando a sobremesa, bem como a noite quente.

—Você vai para a universidade no próximo ano? — perguntou Zac. Vanessa tinha esperança de que quaisquer planos para o futuro não entrasse na conversa, porque ela realmente não tinha nenhum. Mas como ela poderia dizer que não tem planos para estudar ou trabalhar, e não parecer uma idiota preguiçosa?

—Eu não sei, ainda não decidi. — Ela esperava que fosse suficiente, e que ele não iria pressioná-la.

—Não? Você pelo menos pensou no que você gostaria de estudar? Ou trabalhar no futuro?

Sim, eu gostaria de sobreviver tempo suficiente para ser capaz de fazer essa escolha.

—Não.

Ele olhou para ela, surpreso com sua resposta única palavra.

—O que você gosta? Qualquer hobbies?

Ele não ia desistir, por isso ela decidiu dar-lhe alguma coisa. Pelo menos assim ele não iria pensar que ela era simplesmente uma pessoa difícil.

—Eu gosto de livros. E escrever. E moda. Fazer coisas, como jóias e acessórios. Design de interiores. — Antes que ele tivesse a chance de fazer mais cinco perguntas sobre o tema, ela disse: — E você? Quaisquer planos para universidade?

—Yeah. Eu gostaria de ir para a universidade no próximo ano. É por isso que eu venho trabalhando em dois empregos nos últimos dois anos. Eu não quero recorrer a nenhum empréstimo estudantil, então eu decidi ficar em casa com minha mãe e Gia, trabalhar e economizar o máximo que eu puder e, em seguida, não precisa me preocupar com dinheiro, enquanto estiver na universidade. Faz sentido, porque nós temos esta grande casa que está vazia o tempo todo, com mamãe viajando, e as longas horas de Gia no restaurante.

Se havia alguma chance da rua se abrir e engolir Vanessa, ela ia aceitar. Lá estava ela, uma ambiciosa e idiota preguiçosa completa, andando junto com um cara que trabalhava em dois empregos para economizar dinheiro para a universidade.

—Você sabe o que você quer estudar? — Ela perguntou, recusando-se a afogar-se na auto-piedade e vergonha.

—Arquitetura. Eu amo edifícios, por mais estranho que possa parecer. Eu gostaria de restaurar prédios antigos um dia. Trazê-los de volta à sua antiga glória. Manter o exterior o mais original possível, mas torná-los elegante, confortável e moderno no interior.

—Isso é incrível. — Disse Vanessa. — Tenho certeza de que você seria muito bom nisso.

Ele sorriu e lambeu o sorvete. — Vamos ver.

*
Zac estacionou o carro em sua garagem e desligou o motor. Estava escuro dentro  da casa, Gia provavelmente ainda estava fora, e sua mãe não voltaria até o final de domingo à noite. Ele olhou para Vanessa, que de repente parecia um pouco desconfortável. Não era completamente infundado - eles estavam em frente de sua casa vazia, sozinhos, e se ela pudesse espiar em sua cabeça e ver todas as coisas que ele imaginou que ele poderia estar fazendo com ela quando entrasse com ela pela porta... Vamos apenas dizer que, ela estaria muito mais desconfortável do que está agora.

—Você está bem? — Ele perguntou.

—Yeah. Eu vou... Eu posso esperar aqui, se quiser.

—Saia do carro, Vanessa. Você não vai ficar me esperando aqui fora. Não será nem um minuto. Eu só preciso encontrar a camisa e eu vou te levar para casa.

Isso pareceu relaxá-la um pouco e ela abriu a porta e saiu.

Uma vez que eles estavam dentro, Zac acendeu as luzes e Vanessa olhou com curiosidade ao redor.

—Você tem uma bela casa.

—Obrigado. Venha, vamos para o meu quarto.

Eu posso esperar aqui...

—Pelo amor de Deus. — Zac revirou os olhos e, tomando a mão de Vanessa, arrastou-a até as escadas. Ele a fez rir. — Que tipo de monstro que você acha que eu sou?

Sem esperar por uma resposta, ele abriu a porta do quarto, acendeu a luz e arrastou Vanessa dentro, antes que ele soltasse sua mão. Graças a Deus que ele tinha feito sua cama esta manhã. Estava relativamente limpo e arrumado. Seu quarto era muito grande, com uma cama king-size em uma extremidade, e uma área de estar com sofás e TV de tela plana na outra. Ele também tinha um closet, que era muito útil  para armazenar material fora do caminho.

—Por favor, sente-se, fique à vontade. Eu vou apenas procurar a camisa. — Ele apontou para a porta do closet. Vanessa assentiu com a cabeça e foi para o sofá.

Zac entrou em seu armário e deixou a porta aberta. Ele sabia exatamente onde suas camisas de futebol estavam, mas ele queria levar o máximo de tempo possível, e prolongar a presença de Vanessa em seu quarto por tanto tempo quanto possível. Felizmente para ele, ela não se sentou e olhava nervosamente para ele. Ela começou a andar em volta, olhando fotos e explorando. Zac valorizava sua privacidade e não conseguia se lembrar de quando foi a última vez que ele trouxe uma menina aqui. Mas de alguma forma, Vanessa olhar em volta não soava como uma intrusão. Parecia ser diferente quando era ela, e ele gostou.

Fingindo que estava procurando a camisa, ele a seguiu ao redor com os olhos. Ela pareceu relaxar um pouco, seu corpo não estava mais tão rígido. Bom: isso era exatamente o que ele queria. Ele não sonharia em fazer nenhum movimento quando ela estivesse esperando por isso. Mas tinha toda a intenção de beijá-la esta noite. A ideia de passar mais um dia sem provar seus lábios era insuportável. Ele precisava dela. Ele não conseguia explicar o que era exatamente que ele precisava dela. Tudo o que sabia era a pura necessidade em estar perto dela, que era tão forte que ele tinha uma mente própria e puxava-o para ela. Tentar se conter exigia muito esforço.

Vanessa não fez nenhuma pergunta. Ela olhou em silêncio ao redor, mas não disse nada. Zac se perguntou o que ela estava pensando. Eventualmente, ela se sentou no sofá, virando-se para encará-lo. Sua procura se tornou mais concentrada, agora que ela estava olhando para ele.

— Eu sei que você está enrolando — ela disse, e o fez sorrir. É claro que ela sabia.

—Por que você me quer aqui? — Ela perguntou, sua voz perdendo o tom brincalhão.

Ele pegou a camisa com um movimento rápido e saiu do guarda-roupa. Ele se sentou em frente a ela no sofá, imitando sua pose - o braço apoiado sobre a almofada, com uma perna dobrada na frente dele, a outra encostada no chão.

—Eu não sei — ele disse e lhe entregou a camisa. Ela pegou.

—Obrigada.

Eles permaneceram em silêncio por um tempo. Vanessa estava olhando para ele com expectativa. Zac sentiu que tinha de dizer alguma coisa, mas não sabia o quê. Tudo o que sabia era que ele não queria que ela fosse embora. Mas como ele poderia impedi-la?

—Eu acho que é melhor eu ir — disse ela e se levantou. Então, ela hesitou por um segundo e bastou para Zac para perceber exatamente o que ele necessitava dela. Algo dentro dele estalou e a vontade de segurá-la em seus braços inundou suas veias e definiu todo o seu corpo em chamas. Lentamente, ele levantou-se e pairou sobre ela.

—Você quer ficar? — Ele sussurrou. Não era um comentário de flerte ou sugestivo. Ele não queria provocá-la. Ele queria a resposta honesta a essa pergunta. De alguma forma, ela sabia disso, porque ela não sorriu ou revirou os olhos.

—Sim. — Sua resposta era positiva, mas a linguagem corporal dela definitivamente não era. — Mas eu não vou.

—Por que não? — Ele acariciou seus cabelos para trás sobre os ombros e acariciou sua bochecha com os dedos. Instantaneamente seus braços estavam cobertos de arrepios. Ela não respondeu de imediato, os olhos pensativos, como se estivesse  tentando descobrir o que dizer e o que deixar de fora. — Por que não, Vanessa?

Mais uma vez, silêncio. Bem, se ela não pudesse encontrar uma razão para sair, então talvez Zac poderia jogar isso para sua vantagem.

Ele segurou seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra acariciava seu braço e deslizava até a cintura. Ainda nada. Não há palavras, razões pelas quais eles não devem ficar juntos. Mergulhando a cabeça, e mantendo seus olhos focados nos dela, Zac cortou a distância entre seus lábios até que eles quase se tocaram. Ele estava tão perto que podia sentir seu hálito quente. Seu controle estava se esgotando e, a menos que ela falasse nos próximos dois segundos, ele iria...

—Eu não quero me apaixonar por você — ela deixou escapar.

Ele se afastou como se ela o tivesse esbofeteado. Ela fechou os olhos em arrependimento.

—Sinto muito, Zac. Eu não queria...

—Eu não estou pedindo para você se apaixonar por mim, Vanessa. — Ele não podia evitar soar um pouco na defensiva, até mesmo amargo. Ele nem sequer sabia por que essa afirmação o incomodou tanto.

—Não é uma questão de pedir. Você é... Incrível. Cada minuto que eu passo com você, eu percebo o quão demais você é. Eu não seria capaz de evitar.

—Então, não evite. Eu quero que você esteja tão obcecada por mim como eu estou por você. — Ele se aproximou dela novamente, o fogo dentro dele reacendendo com suas palavras. Ele a abraçou e beijou o topo de sua cabeça. Ela rodeou sua cintura com os braços e Zac suspirou satisfeito. — Não vá. Fique aqui esta noite — ele sussurrou em seu cabelo. Ela balançou a cabeça levemente, enquanto ele se afastava dele. Involuntariamente, ele a soltou. Ela deu um passo para trás e depois hesitou.  Novamente.
Péssimo movimento.


Estendendo seus braços, Zac agarrou-a e puxou-a contra ele, seus lábios colidindo. Ele sugou o lábio quando ela fez o mesmo com ele. Quando ele enfiou a língua não muito suavemente dentro de sua boca, ela recebeu-o ansiosamente, encontrando a sua e, em seguida, chupando-o. Zac gemeu com agradável surpresa, enquanto Vanessa continuou a chupar suavemente sua língua dentro da boca dela. Agora tudo o que podia pensar era em sua boca em cada parte do seu corpo.

Eles se beijaram pela vida um do outro, se entregando ao momento, entregando todo o controle. Zac enterrou os dedos no cabelo longo de Vanessa, puxando sua cabeça para trás e expondo seu pescoço. Ele arrastou a língua pelo pescoço e beijou-a clavícula. Sua outra mão se moveu para baixo de seu corpo e acariciou a lateral do seu peito. Vanessa respirou fundo e soltou o mais erótico som que Zac já tinha ouvido.


Se houvesse qualquer controle, ele escapou naquele momento. Ele a pegou e caiu de costas no sofá com Vanessa em cima dele. Ela caiu para a frente sobre seu peito, e pressionou seu corpo contra o dele, colocando as mãos ao lado de seu rosto quando o beijou. Zac espalmou suas coxas e deslizou suas mãos debaixo de seu vestido. Um tremor rolou por ele, quando Vanessa deixou sua boca e traçou a língua na sua mandíbula.

E então o telefone tocou.
O barulho foi tão alto que sacudiu os dois para fora de seu momento. Vanessa tirou do bolso e franziu o cenho para o display.

—Eu juro que se for Rico eu vou matá-lo — Zac resmungou, e Vanessa abanou a cabeça.

—Oi, Ash. O que foi? — Disse ela, sem fôlego. — Não, está tudo bem. Acho que perdemos a noção do tempo. — Ela olhou para ele e sorriu.

Deus, ela era tão sexy! Zac deslizou as mãos por suas coxas novamente, movendo- se barra de seu vestido ainda mais, até que ele alcançou seus quadris e sua calcinha. Vanessa fechou os olhos e mordeu o lábio. Esse telefonema nunca vai acabar?

—Eu estarei em casa em breve. Sim, eu também. Tchau.

Ela desligou, e de repente o silêncio na sala era enorme. Zac sentiu que não seria uma boa jogada beijá-la novamente, porque seu humor mudou. Como se a ligação de Ashley fosse um lembrete do por que ela não queria que eles ficassem juntos.

—Eu tenho que ir — disse ela e se afastou dele.

—Vanessa...

—Eu não posso falar sobre isso agora, Zac. Por favor... Eu preciso de algum tempo, ok?— Ele balançou a cabeça e se levantou. Deslizando-se uma das alças que  tinha deslizado para baixo do ombro, Zac sorriu e tentou arrumar o cabelo. Então, para tranquilizá-la, deu-lhe um abraço. Ela devolveu, e naquele exato momento, isso o atingiu.

Eu não quero me apaixonar por você.


Ele sabia por que essas palavras lhe bateram tão duro e tão inesperadamente. Porque ele já estava.

~*~*~*~
Como prometido,aqui está mais um capítulo para vocês!!!
Espero que aproveitem bastante!
E antes que eu me esqueça, 
já aviso que, provavelmente, voltarei aqui só no ano que vem!!!
Se tudo ocorrer tranquilamente, talvez eu volte antes, 
mas tudo depende de como vai ser o andamento das coisas por aqui!
Até mais,amoras!Beijinhos 
Amo vocês ♥