segunda-feira, 15 de maio de 2017

Capítulo Vinte e Oito

Zac queria ir com Vanessa, depois que ele estacionou o carro na garagem, mas ela insistiu em ir sozinha. Isso era entre ela e Ashley, e tanto  quanto ela apreciava o apoio de Zac, ela precisava ser madura e enfrentar sua prima. Sozinha.
Ele saiu, fazendo ela prometer que ligaria logo depois que tenha terminado de falar. No interior, Ashley estava sentada no sofá, à espera de Vanessa. Ela mandou uma mensagem a ela antes de saírem de casa de Beppe , e sabia que sua prima iria esperar por ela.
— Oi — disse ela, levantando-se com ansiedade, incerteza escurecendo seus olhos castanhos geralmente brilhantes.
— Oi — Vanessa respondeu, deixando sua bolsa no chão e caminhando para se sentar no outro sofá. Ashley sentou-se, com as mãos remexendo em seu colo. Ela estava nervosa, que não era um bom sinal. Se ela tinha tanta certeza que Vanessa iria entender seu raciocínio, ela não estaria tão nervosa. — Então fale. Estou pronta a ouvir com uma mente aberta o que você tem a dizer, Ash.
Limpando a garganta, Ashley começou, mas foi incapaz de encontrar os olhos de Vanessa.
— Eu conheci Chris algumas semanas antes do acidente. Ele veio para a galeria querendo comprar uma pintura muito específica. Claro que eu sabia quem ele era, sua foto estava constantemente esparramada em todas as revistas de fofocas. Eu tinha minha opinião formada sobre ele com base no que eu li, e acho que eu provavelmente olhei para ele com um pouco de desprezo. Ele pode ser o filho de um bilionário, mas nos meus olhos, ele não era nada mais do que um mimado playboy privilegiado. Ele pegou minha opinião sobre ele quase imediatamente, e não parecia satisfeito. Mas descobri que ele sabia muito sobre arte e era muito apaixonada por ela, assim começamos a conversar sobre pinturas, e senti que talvez eu estivesse sendo muito dura em minha opinião. Não era justo formar uma opinião dele baseada unicamente em fofocas. Eu nunca o conheci antes.
— De qualquer forma, ele comprou a pintura que estava procurando e saiu. Na semana seguinte, ele voltou, mas eu não estava trabalhando naquele dia. Ele pediu especificamente por mim, e recusou a ajuda de outra pessoa, então o dono da galeria me ligou e me pediu para ir e lidar com ele. Eu fui, e lhe vendi uma outra pintura. Antes de sair, ele me convidou para uma bebida. Eu realmente não queria ir, mas senti que eu ia deixar meu chefe chateado se eu não fosse - afinal, Chris era um grande cliente para ter em uma pequena galeria. Então saímos naquela noite e eu me diverti muito. Chris em particular foi era nada que os jornais demonstrava ser. Eu senti esta conexão estranha entre nós que eu não conseguia explicar.
— Quando ele me deixou em casa, ele me beijou. Eu me senti como se eu fosse atingida por um raio. Eu nunca, nunca, senti uma emoção tão intensa durante um beijo. Quando ele se afastou, eu sabia que ele tinha sentido algo semelhante, também. Isso estava em seus olhos.
Ashley parou e afastou uma lágrima de seu rosto. Em circunstâncias normais, Vanessa teria ido sentar-se ao lado dela e abraçá-la, oferecendo o máximo de apoio que  precisava. Não agora, no entanto. Ashley tinha que terminar a história antes que Vanessa decidisse se ela merecia algum consolo.
— Ele nunca me ligou depois disso. Eu o vi no dia do acidente, com uma morena em seu braço, e eles estavam andando pelo centro de compras, felizes e confortáveis juntos. Quando eu passei por eles, ele me viu. Ele olhou diretamente para mim, pesar e sofrimento na sua face. Eu não poderia lidar com isso, eu estava muito ferida e envergonhada para falar com ele. Então, eu só passei por eles como se eu não o conhecesse.
Naquela mesma noite, ele bateu com o carro e ficou em coma por vários dias. Eu não sei por que eu fui vê-lo no hospital, eu acho que precisava de algum tipo de encerramento. Ele parecia tão vulnerável e frágil na cama, com todas aquelas máquinas conectados em torno dele. Sentei-me ao lado dele, e senti que a única maneira que eu poderia ser capaz de seguir em frente era perdoá-lo pelo que fez, e através dele perdoar o homem que matou meu pai. — Outra lágrima escapou dos olhos de Ashley e Vanessa sentiu o familiar raio quente descer pelo seu rosto também. — Eu lhe contei a história da minha vida, pensando que ele não poderia me ouvir. No final, eu disse que o perdoava e me virei para ir embora. Eu não sei por que, mas eu senti a necessidade inexplicável em dar uma pausa na porta e olhar para ele uma última vez. — Ashley ergueu os olhos para Vanessa, pela primeira vez desde que ela começou a falar. A angústia neles apertou o coração de Vanessa. — Eu vi uma lágrima deslizar do canto de seu olho. Ele ouviu tudo o que eu tinha dito.
Ashley não podia continuar falando, porque um enorme soluço escapou de sua boca. Vanessa se levantou de onde estava sentada e sentou-se ao lado de sua prima, envolvendo os braços em torno dela e oferecendo o conforto que ela tanto precisava. Depois que ela se acalmou um pouco, Ashley continuou:
— Ele tinha danificado sua coluna no acidente, mas foi operado e lhe deram o sinal verde para começar a fisioterapia depois que ele saiu do coma. Ele se recusou. Ele não quer falar, andar, fazer qualquer coisa. Fui visitá-lo algumas vezes, me sentindo responsável, que ele estivesse deprimido por minha causa, por causa do que eu disse. Notei que pouco a pouco, os balões, cartões e flores em seu quarto começaram a desaparecer. Sua família estava muito envergonhada dele para levá-lo de volta para casa, ele tinha estragado todos os seus jantares extravagantes. Então, eles o colocaram nessa clínica e se esqueceram dele. Sua mãe o visita uma vez a cada duas semanas, por obrigação, não por qualquer outra coisa.
— Eu sinto que o que aconteceu com ele não foi justo. O homem que matou nossos pais e Eric pegou oito anos de prisão, ficando apenas quatro anos, e indenização. Agora ele está fora e livre para viver sua vida. Chris, por outro lado, não matou ninguém, mas está preso em uma cadeira de rodas, toda a vontade para a vida sugado para fora dele. Como isso é justo, Vanessa?
Não era uma pergunta retórica: Ashley realmente olhou para sua prima em busca de uma resposta. Vanessa não tinha uma resposta para isso, então ela apenas deu de ombros.
Eu comecei a visitá-lo na clínica mais e mais vezes. Mesmo que ele nem sequer foque seus olhos em mim, eu me sinto estranhamente aliviada com a sua presença. Se eu não o vejo por alguns dias, eu fico agitada, desconectada. Quero chegar até ele, fazê- lo querer viver novamente. Mas eu não sei como fazer, e isso está me matando, Vanessa.  Eu sou apaixonada por ele, eu nunca me senti assim com ninguém, eu faria qualquer coisa para ajudá-lo.
Ashley começou a soluçar de novo e Vanessa apertou os braços em volta dela. Ela podia entender estar apaixonado por alguém, apesar de todo pensamento racional. Ela também conseguia entender onde Ashley estava vendo a injustiça da situação. Quem era ela para julgar? Ela fez algumas coisas muito irracionais também. E Ashley estava certa - Chris não era o homem que matou seus pais e Eric. Vanessa tinha exagerado quando confrontou Ashley antes, e que era hora de pedir desculpas e admitir alguns de seus erros.
Ash, olhe para mim. — Ela levantou a cabeça e concentrou os olhos lacrimejantes no rosto de sua prima. — Sinto muito sobre como eu reagi antes. Eu deveria ter lhe dado a chance de explicar tudo, mas eu estava tão... Zangada. Não com você. Eu ainda estou com raiva de como eles morreram, o quão estúpido e desnecessário suas mortes foram. Eu não acho que algum dia vou ser capaz de superar isso, mas isso não é desculpa pela forma como eu reagi. Eu deveria ter deixado você explicar tudo, antes que eu saísse correndo. Eu sinto muito. — Ashley assentiu, aceitando o pedido de desculpas, mas as lágrimas continuavam escorrendo pelo rosto.
Vanessa sentiu necessidade de compartilhar algo tão duro de admitir, porque ela  estava cansada do buraco que ardia em seu coração. Ashley era a única pessoa que ela iria considerar fazer isso, e talvez faria sua prima se sentir melhor, sabendo que ela não era   a única pessoa carregando um enorme segredo.
Eu nunca disse a ninguém isso, nem mesmo a minha mãe. — ela começou, e as suas palavras fizeram com que Ashley inclinasse a cabeça para encará-la novamente. — O dia em que ele foi libertado da prisão, tanto eu como a minha mãe estávamos esmagadas. Não podia acreditar o quanto três vidas humanas valiam - quatro anos em uma prisão confortável e indenização. O canalha voltou para casa, para sua família, enquanto nossas vidas estavam arruinadas para sempre. Minha mãe passou o dia inteiro no cemitério, chorando. Eu encontrei-a dormindo no túmulo de Eric.
Eu nunca senti tanta raiva cega, Ash. Eu estava brava com ele, com o sistema judiciário, com o governo, a vida. Eu precisava fazer alguma coisa ou eu ia entrar em combustão. Então, naquela noite, eu fiz a coisa mais estúpida, irresponsável, e vil. Eu peguei uma faca de cozinha da gaveta, coloquei em minha bolsa e me dirigi para sua casa. Eu me escondi do lado de fora e esperei. No momento em que ele saisse de casa eu planejava correr até ele e esfaqueá-lo repetidamente, até que ele morresse nos meus braços.
Vanessa fechou os olhos, incapaz de olhar para Ashley. O que ela deveria estar pensando dela? Como uma pessoa em sã consciência poderia querer matar outro ser humano, não importa o que eles fez para merecer isso? Ela sentiu a mão de Ashley em seu rosto e abriu os olhos para encontrá-la, olhando para ela de forma encorajadora. Não havia  julgamento em seus olhos. Ainda.
Então, eu esperei. Eu o vi com sua família através da janela. Eles estavam jantando, conversamos e rindo. Eu chorei. Depois do jantar, ele saiu para passear com seu cachorro, com sua filha mais nova ao lado. Eu chorei mais. Eu não poderia fazer isso com ele, não só por causa da menina, mas porque eu simplesmente não conseguia. Eu não tinha isso em mim, matar alguém a sangue frio. Então, eu só parti.
Vanessa... — Ashley começou.
Não, eu não acabei. No dia seguinte, fui ao médico para uma consulta bastante tranquila, para o que eu pensava ser uma persistente azia. Eles me disseram que eu tinha câncer.
Nessa, isso não foi... — Ashley tentou interromper novamente, percebendo onde estava indo com isso.
Foi, Ash. Foi o meu castigo por querer matar alguém. Deus, eu sou uma pessoa tão inútil. — Vanessa escondeu o rosto entre as mãos , enquanto ela soluçava, com vergonha do que ela tinha acabado de admitir.
Você não é inútil. Nunca pense isso — Ashley agarrou Vanessa pelos braços e sacudiu- a, até que ela baixou as mãos do rosto e olhou para ela. — Você estava com raiva, e com razão. Seus instintos protetores estavam batendo após ver tia Gina tão arrasada. O que é importante é que você não foi adiante com seu plano, eu duvido que você pudesse ter ido. Você é uma boa pessoa, Vanessa, mas você é humana. Nós cometemos erros, fazemos coisas estúpidas - é o que nos torna humanos. Então, pare de julgar a si mesma.
Por que eu tenho câncer, Ashley? — Vanessa perguntou, sua voz calma, os olhos cheios de dor e pesar. Ashley sacudiu a cabeça. — Minha mãe não merecia perder outro filho. Eu não mereço isso depois de tudo que eu passei. Por quê? Eu sou uma pessoa tão ruim que eu preciso ser punida constantemente? Minha vida se transformou em um pesadelo e eu...

Vanessa não poderia continuar, pois sua garganta havia fechado e tudo o que saiu de sua boca eram soluços. Ashley a abraçou e ficaram assim, chorando e conversando e consolando uma a outra, para um longo tempo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Capítulo Vinte e Sete

No momento em que tinham terminado a sua refeição e limpado a cozinha, já era meia-noite. A exaustão em Vanessa bateu tão forte, que ela mal podia arrastar os pés para cima. Felizmente, ela já tinha tomado banho antes do jantar, por isso tudo o que tinha que fazer agora era tirar a roupa e subir na cama.

— Eu vou tomar um banho rápido, antes de me juntar a você. — Zac sussurrou em seu ouvido, com Vanessa quase dormindo. Ela conseguiu acenar com a cabeça e a última coisa que ela ouviu foi o chuveiro sendo ligado no banheiro.

Algum tempo depois, Vanessa acordou, desorientada. Por um momento, ela não tinha ideia de onde estava. Seu coração acelerou e sua respiração tornou-se superficial. Tudo o que podia sentir era o corpo quente de Zac atrás dela, sua perna cruzada sobre a dela, seus braços abraçando-a perto dele. Ela se acalmou imediatamente, lembrando-se de todos os eventos do dia e percebendo que ainda era meio da noite.

— Volte a dormir, querida. — ele murmurou, sua respiração formigando na sua nuca. Ela sorriu e, suspirando satisfeita, fechou os olhos e obedeceu.

*
No dia seguinte, foi um dos mais maravilhosos dias da vida de Vanessa. Ela não conseguia se lembrar da última vez que se sentiu tão despreocupada e feliz. Depois de preparar o café da manhã para ela, Zac a levou em uma viagem para mostrar-lhe algumas casas.

A Toscana era o mais perto do paraíso na Terra que Vanessa poderia imaginar. Ela não conseguia parar de olhar para fora da janela e memorizar a paisagem. Londres iria parecer tão claustrofóbica, quando ela retornasse em casa depois disso.

A primeira casa que viu estava tão degradada, que Vanessa se perguntou como não tinha caído ainda. Era um grande retângulo, de três andares, com enormes buracos no telhado e paredes parcialmente ausentes. A terra em torno dele foi negligenciada, e tinha uma necessidade desesperada de uma UTI.

Zac olhou para ele com tanta paixão e expectativa, que se Vanessa não soubesse o que ele estava olhando, ela teria pensado que eles estavam em pé na frente da mansão Playboy.

— O que você acha, querida? — Ele sorriu para ela, pegando sua mão e levando-a mais perto de casa.

— É... Eu acho que é... Velha. E mal se segura em pé.

Zac riu, andou atrás dela e a abraçou, trazendo sua boca ao lado de seu ouvido antes de falar.

— Feche os olhos. — disse ele, em voz baixa, roçando seus lábios sobre sua orelha. Ela fez. — Agora imagine que não há buracos no telhado e ele estava coberto de novíssimas telhas vermelhas. Imagine fumaça saindo da chaminé. Imagine batentes de madeira escura e janelas enormes. Uma madeira escura, porta sólida. Imagine as cortinas nas janelas dentro. — Vanessa sorriu, mantendo os olhos fechados e imaginando a cena que Zac descrevia a ela. Ele começou a tomar forma em sua mente e ela realmente gostou do que viu.

— Agora, vamos entrar. Você vê o piso de madeira? Você sente o chão aquecido? Olhe à sua direita – você vê a lareira original, completamente restaurada? Sente o calor das chamas dentro? — O timbre da voz do Zac tinha ficado baixa e rouca. Seu hálito quente na orelha dela estava enlouquecendo Vanessa. Ela não estava pensando na casa.   Ela os imaginou sentados no chão em frente à lareira, se beijando, arrancando as roupas um do outro. Um suave gemido escapou de seus lábios involuntariamente e os braços de Zac apertaram seu corpo.

— Vanessa? Você ainda está imaginando a casa? — Ele beijou seu pescoço sob a orelha, espalhando seus pensamentos muito além de qualquer imagem da casa. — Eu nem sequer descrevo os outros quartos ainda. Especialmente o quarto principal. Tenho grandes planos para ele. — Vanessa o sentiu sorrir contra sua pele. Virando-se para encará- lo, ela abriu os olhos e disse:

— Eu vou levá-la. — Zac jogou a cabeça para trás e riu.

— Eu pensei que você disse que era velha e mal estava em pé.

— Bem, você pode ser muito persuasivo. — Ele baixou a cabeça e a beijou.

— Isso é o que eu quero, baby. Eu quero uma casa como esta, cercado por minha própria terra, ter um pomar, uma vinha, uma horta, dois cães. Quero restaurar tantas casas quanto esta que eu puder, dar-lhes a vida que elas merecem. — A paixão nos olhos dele era contagiante e Vanessa sentiu seus lábios se espalhando em um enorme sorriso. A vida que Zac queria para si mesmo era incrível, e o conhecendo, ela tinha certeza de que um dia ele iria conseguir tudo o que sonhou.

Vanessa queria dizer-lhe tudo isso, mas por trás de seu sorriso havia uma pontada de tristeza. Por um momento, ela se imaginou nesse cenário futuro com Zac, mas depois ela teve que agitar-se mentalmente e se lembrar que seu futuro era muito incerto - e não incluia Zac. Com medo de que se ela falasse qualquer coisa, ele poderia sentir, ela só o beijou,tentando empurrar a tristeza para longe antes que ele a flagrasse nela.

Vamos, vamos lá. Temos mais algumas casas para ver. — ele disse, quando ela separou seus lábios dos dele.

*
As outras três casas que viram estavam em condições melhores, mas Vanessa olhou para elas com a mente aberta. Ela não via mais as ruínas de um prédio de tijolos, ela via a casa cheia de vida e possibilidades.
Já passava da hora do almoço, quando eles terminaram o seu passeio, e a barriga de Vanessa roncou para lembrá-la de que não tinha comido nada desde o café da manhã. Zac olhou para ela e sorriu, manobrando o carro. Ele pegou dois sacos de papel no porta- malas e deu um para Vanessa, gesticulando para que ela o seguisse. Sentaram-se na grama, a poucos metros de distância da estrada, e comeram os sanduíches que Zac tinha feito para eles.

Isso é apenas um aperitivo. Eu tenho planos para fazer algo especial no jantar hoje à noite.

Claro que ele tem. Como posso ter tanta sorte e ser tão condenada, tudo ao mesmo tempo?

O jantar foi realmente especial. Zac fez costeletas de cordeiro com um pouco de molho mágico, com ingredientes que ele se recusava a revelar. Vanessa não costumava comer cordeiro, mas a forma como Zac tinha preparado fez seu paladar pular de alegria e chorar por mais. A noite estava linda e quente, e Zac sugeriu que comessem a sobremesa na jacuzzi. Vanessa correu para cima para colocar seu biquíni, enquanto Zac cortava frutas em pedaços e as colocava em uma tigela grande.

Ele a alimentou com morangos, melão e pêssego, e beijou-a após cada mordida. Em algum momento ele tinha conseguido remover seu biquíni e descartá-lo na borda da jacuzzi, sem sequer Vanessa perceber. Não que ela estivesse reclamando.

Ele arrastou seus dedos ao longo de suas costas , enquanto ela se sentava em seu colo, montada nele e, literalmente, comendo em sua mão.

O que sua tatuagem significa? — Ele perguntou, enquanto arrastava com os dedos os símbolos nas costas.

Amor, sonhos e sorte.

Zac levantou uma sobrancelha, esperando algum esclarecimento.

Essas são as três coisas que eu acho que ninguém pode viver sem. Você tem que amar alguém ou alguma coisa, não importa se é romântico ou não, mas se você não tem algo que você ama em sua vida, então você está perdido. Danificado. Quebrado. — Vanessa suspirou e fez uma pausa antes de falar novamente. — Você precisa ter um sonho, caso contrário, o que está te esperando para olhar em frente? Sem um sonho, é como se estivesse andando em um túnel constantemente escuro e não há luz na outra ponta. E você precisa de sorte, é claro, porque sem ela as coisas não dão certo, por mais que você tente.

Zac olhou para ela enquanto ela falava, as sobrancelhas levemente franzidas sobre os olhos arregalados.

Você está certa. Eu nunca pensei sobre isso antes, mas você está certa. — disse ele, e alimentou Vanessa com um morango. Quando ela mordeu o fruto maduro, um pouco de suco escorreu do seu queixo e, instantaneamente, os olhos de Zac nublaram quando ele abaixou a cabeça e lambeu.

Você sabe, eu acho que há uma última coisa a adicionar à sua lista, no entanto. Algo tão importante quanto os outros três. — ele murmurou contra seus lábios.

O quê?

Esperança.

*
Mais tarde naquela noite, enquanto estavam deitados na cama nos braços um do outro, Zac suspirou e disse:

Você se lembra daquela noite no carro, depois que já tínhamos trabalhado no  bar juntos, quando eu lhe disse sobre o meu colapso depois que meu pai morreu? — perguntou Zac, roçando os dedos sobre o braço de Vanessa distraidamente.

É claro.

Eu lhe disse que o que me fez buscar ajuda, foi o fato de bater em uma cara e deixá-lo em coma. Essa parte era verdadeira. Mas houve outra coisa, que  me  fez perceber o pedaço inútil de merda que eu havia me tornado. Beppe tem sido meu melhor amigo desde que me lembro. Ele, Gia e eu éramos inseparáveis. Ele agarrou-se a nós para salvar sua vida. Ele estava em nossa casa, tanto que nossos pais começaram a tratá-lo como um dos seus filhos.

Por quê? Onde estavam os pais dele?

Seu pai era muito violento. Ele culpou Beppe e sua mãe por arruinar sua vida, quando foi o contrário. Os pais de sua mãe a deserdaram quando ela se casou com seu pai. Eles odiavam o cara, e com razão. Ela estava grávida, e cega de amor, e não podia ver que ele era um bastardo até que fosse tarde demais. Quando meu pai morreu e eu comecei a espiral fora de controle, Beppe estava lá por mim, mesmo que ele tivesse um monte de problemas pessoais. Gia se isolou de nós dois, e do mundo. Efetivamente eu tinha perdido minha irmã tanto quanto eu tinha perdido o meu pai. Comecei a odiar Beppe e sua constante importunação, eu pensei que ele não sabia o que eu estava passando, que ele não tinha o direito de me dizer o que fazer ou o que eu precisava. Ele ficou do meu lado, mesmo que eu fosse um idiota com ele. Se não fosse por ele, eu teria terminado muito pior do que eu terminei.

— Poucos dias antes que eu quase matei o cara, Beppe foi internado no hospital. Seu pai tinha batido tanto nele, que pensou que o tinha matado. O covarde que ele era, ele pegou uma faca e matou sua esposa antes de mergulhá-lo em seu próprio peito.

A mão de Vanessa voou para a boca. Ela ficou sem palavras, porque um caroço  enorme se formou em sua garganta. Zac abraçou um pouco mais apertado, antes de continuar:

Eu descobri sobre o assunto no noticiário da TV. Eu estava tão absorto em minha própria vida de merda, que eu tinha deixado o meu melhor amigo sozinho e desamparado. Eu não poderia nem mesmo lhe fazer uma visitá-lo no hospital. Naquela noite eu fiquei bêbado e queria morrer. Eu me senti tão inútil. Eu nem me lembro como a briga com o cara começou, eu só sabia que eu coloquei todo o meu desespero, tristeza, autopiedade e raiva sobre ele.

A voz de Zac balançou e ele fez uma pausa para se recompor.

Zac, você não tem que me dizer isso. — Vanessa sabia que falar sobre isso o fazia reviver tudo de novo, e ela não queria vê-lo com tanta dor.

Não, eu preciso. Eu tenho um ponto com tudo isso, eu prometo - apenas me ouça. O dia que visitei o cara no hospital, eu juntei a coragem de visitar Beppe  também. Ele estava fora da UTI e sua recuperação estava progredindo bem. Quando ele me viu, a dor em seus olhos quase me matou. Ele não estava com raiva de mim, ele estava ferido além do reparo. E não apenas por aquilo que tinha acontecido com ele, mas pela maneira que eu estava. Ele viu através de mim, e sabia que eu tinha ao ponto em que eu tentava me firmar, ou não haveria como voltar atrás. Ele não disse nada para mim, então, ele apenas olhou para mim. Ele sabia que não estava em condições de me ajudar, não fisicamente, não mentalmente. Eu não aguentei mais e sai.

A próxima vez que o vi foi dois anos depois. Depois que ele ficou melhor, ele foi morar com seu avô - pai de sua mãe - aqui na Toscana. Ele era a única pessoa da família de Beppe que havia restado, e desde que ele tinha dezessete anos, precisava de um guardião. Ele não voltou para Gênova, até ele completar dezoito anos, porque seu avô precisava dele aqui. Ele voltou um ano mais tarde, depois que seu avô decidiu vender tudo o que possuía, exceto essa propriedade, e mudar para a Sicília - de onde ele era originalmente - para se aposentar. Ele deu a maior parte do dinheiro para Beppe e o fez prometer que ele iria viver sua vida, fazer algo para si mesmo, encontrar um sonho, um objetivo.

Quando Beppe voltou, era como se ele nunca tivesse saído. O momento que eu o vi, senti a mesma conexão que costumava ter antes. Ele me perdoou sem pensar duas vezes, embora eu não merecesse isso.

Zac parou novamente, dominado pela emoção de falar sobre seu passado e de Beppe, e do amor que sentia por seu amigo.

Eu acho que o que eu estou tentando dizer - e eu sei que eu prometi que não iria falar sobre isso enquanto estivéssemos aqui, mas eu só vou dizer dessa vez, e não mencionarei isso nunca mais. Você tem que falar com Ashley, deixe-a explicar o que está acontecendo, e encontre espaço em seu coração para perdoá-la. Ela é sua melhor amiga, vocês duas tem uma vida de lembranças boas juntas. Jogar uma conexão assim longe por causa dos sentimentos que ela tem por Christopher, que eu tenho certeza que ela lutou contra, mas apenas não conseguiu evitar, seria imperdoável. Eu sei que você vai se arrepender se não se permitir dar a chance de entender. E perdoar. Você conhece Ash, e você sabe que ela nunca faria nada sem uma boa razão. Você sabe o quão grande é o seu coração. — Zac puxou o dedo sob o queixo de Vanessa, para ela olhar em seus olhos. Ela não resistiu.  Seus olhos estavam nublados, enquanto as lágrimas ameaçavam derramar a qualquer momento. — Me prometa que vai tentar, Nessa.

Balançando a cabeça, ela fechou os olhos e as lágrimas corriam pelo seu rosto.

*
Eles ficaram na casa de Beppe por mais um dia. Vanessa já tinha colocado em sua cabeça que ela ia falar com Ashley e tentar o seu melhor para perdoá-la, não só porque ela tinha prometido a Zac, mas porque ele estava certo sobre tudo. Elas tinham uma conexão muito especial, que ela não podia simplesmente jogar fora porque não concordava com a decisão da outra. Ashley era uma pessoa muito responsável, ela nunca faria nada sem considerar as consequências, e se ela sentia que cuidar de Chris era a coisa certa a fazer, então talvez fosse. Talvez ela precisasse de ajuda e aconselhamento. Vanessa tinha certeza de que sua prima não tinha compartilhado seu segredo com ninguém, e estava levando esse fardo enorme, por conta própria.


Vanessa precisava de mais um dia longe da realidade, no entanto. Ela gostava de estar sozinha com Zac no meio do nada. Ele cuidava tão bem dela, mimando-a com comida maravilhosa, fazendo-a rir. Se pudesse, Vanessa teria ficado aqui com ele para sempre.

***LEIAM COM ATENÇÃO***
Me perdoem pelo sumiço. As coisas estão difíceis por aqui.
Aproveitando a deixa, gostaria de avisar que estamos na reta final da história. 
Faltam apenas 10 capítulos para o fim. 
E já digo que esta será a última. Não adaptarei mais nenhuma história e também não escreverei mais fanfics. 
Primeiramente, não tenho mais a mente e o entusiasmo que eu tinha quando comecei a postar.
Segundo, eu venho me distanciando cada vez mais desse universo de Zanessa. Infelizmente, as chances de Zac e Vanessa voltar são uma em um milhão. Zanessa sempre fará parte de mim, da minha infância. Por causa deles, conheci pessoas inesquecíveis e disso não tenho o que reclamar.
Terceiro, porque eu preciso estudar. Estou tentando entrar na faculdade mais concorrida do meu estado e para isso preciso estudar muito. Não tenho tempo nem para respirar direito.
E quarto e último motivo, não posso escrever sobre aquilo que não presencio na minha vida. Talvez um dia eu volte a postar, mas será algo meu, pessoal. Não deixarei de escrever  nunca,até porque é algo que faço por amor. Talvez daqui  alguns anos vocês avistem por aí algum livro de auto ajuda da psicóloga Rafaela Diniz (sonho *-*)
Enfim,  obrigada por todo carinho que vocês têm por minhas fics, sem vocês nada disso seria possível,
Amo vocês para sempre ♥
P.S.: A história que comecei a pouco tempo, intitulada "Paixão Proibida" será excluída devido a todos esses motivos citados acima.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Capítulo Vinte e Seis

Zac a levou para sua casa. Vanessa estava tão entorpecida que, embora ela estivesse vagamente consciente do que estava acontecendo ao seu redor, ela era incapaz de tomar parte no processo. Tudo o que ela queria fazer era dormir e descobrir que quando ela acordasse, tudo isso nunca tinha acontecido. Zac a levou para seu quarto, deitou em sua cama, puxou as cobertas sobre ela e beijou sua testa.

—Descanse um pouco. Eu já volto, e eu prometo que nós vamos sair daqui por alguns dias. — Vanessa conseguiu acenar com a cabeça com seus olhos fechados, e apagou ao mundo real lá fora.

*
Quando ela acordou, Zac estava deitado ao lado dela, apoiado no cotovelo, olhando para ela.

—Oi. Sentindo-se melhor? — Ele perguntou.

—Eu não sei. Eu não sinto a necessidade de matar ninguém, então eu acho que é um bom sinal.

Zac se aproximou um pouco mais perto e beijou-a, em seguida, um grande sorriso apareceu em seu rosto.

—O quê foi? — Perguntou Vanessa, intrigada. Era incrível como com um beijo suave e um sorriso de Zac era capaz de fazê-la esquecer todo o resto, de forma que sua atenção estava unicamente nele.

—Vamos, levante-se, tesoro. Temos que ir. — ele disse, pulou da cama.

—Ir? Ir para onde?

—Você vai ver. Vamos lá, temos que ir agora, se queremos estar lá antes que o sol se ponha.

—Você está sendo estranho. Em quanto tempo estaremos “lá”? — perguntou Vanessa, fazendo aspas no ar e levantando-se da cama.

—Eu adoro quando você faz isso com os dedos. — Zac disse e, veio em sua direção , envolvendo-a nos braços para um beijo rápido. Então ele agarrou a mão dela e quase a arrastou para fora de seu quarto.

—Espere ...Você não respondeu minha pergunta. Se vamos passar a noite, eu vou precisar de algumas coisas, e eu realmente não quero voltar a...

—Eu cuidei disso. Fiz uma mochila para você por alguns dias, está no carro. — ele interrompeu-a e sorriu.

—E o seu trabalho? E tia Niki? Eu não posso simplesmente desaparecer, eu tenho que lhe dizer...

Cuidei de tudo isso, também. Agora, pare de falar e de se preocupar, e entre no carro.

Vanessa fez o que lhe foi dito. Uma vez no carro, ela relaxou e até sorriu.

Você é sexy quando está mandão. — ela brincou com Zac, enquanto ele entrava no assento do motorista.

Ele riu e ligou a ignição, manobrando o carro da garagem e até a estrada.

*
Eu tenho um pedido. — Vanessa disse, quando eles aceleraram ao longo da rodovia, enquanto ela olhava para fora da janela, admirando a paisagem pitoresca italiana. Ela não tinha ideia para onde estavam indo, porque Zac recusou-se a dizer a  ela, e, francamente, ela não se importava. Quanto maior a distância que ele colocasse entre ela e Ashley, melhor.

O que é, linda?

Eu não quero falar sobre o que aconteceu hoje. Nada. Preciso de algum tempo, antes que eu possa sequer começar a pensar sobre isso.

Não se preocupe. — Ele apertou sua mão sobre a marcha, e eles dirigiram em silêncio confortável o resto do caminho.

Ok, estamos quase lá, — Zac disse, e parou o carro. Vanessa olhou ao redor - eles ainda estavam no meio do nada: apenas a estrada e campos ao seu redor. Ela deve ter parecido confusa, porque Zac riu e disse:

Nós estamos quase lá. Eu preciso fazer alguma coisa antes que conduzir até o resto do caminho. — Ele abriu o porta-luvas e tirou uma máscara de dormir de cetim preto. — Coloque isso.

Quando eu disse que gostava quando você está mandão, eu não tinha sadomasoquismo em mente.

Zac revirou os olhos, mas não conseguia esconder o sorriso.

Deixe-me reformular: coloque isso, por favor.

Suspirando, Vanessa colocou a máscara.

Você pode ver alguma coisa?

Não.

Bom.

Ele ligou o motor novamente, e eles dirigiram por mais cerca de dez minutos, antes que pegassem uma curva acentuada e reduzisse consideravelmente a sua velocidade. A estrada que estavam agora era bastante irregular e acidentada, e Vanessa achava que era algum tipo de estrada vicinal e menor na lateral. Ela tinha desistido de fazer mais perguntas, porque Zac não cedia . Ele levava sua surpresa muito a sério, e estava completamente imune a sua sondagem de informações. Felizmente, eles não dirigiram nessa estrada por muito tempo, porque Vanessa já estava se sentindo um pouco enjoada. Logo, o carro parou e Zac desligou o motor.

Nós chegamos. — ele sussurrou em seu ouvido, e Vanessa se mexeu.

Eu odeio essa coisa. — disse ela, apontando para a máscara.

Talvez eu possa mudar sua opinião depois. — Zac disse em uma voz baixa e sedutora e o coração de Vanessa deu uma cambalhota. Como ele conseguia deixa-la tão excitada com uma única frase? — Espere aqui, eu vou abrir a porta para você.

Quando a porta se abriu, Vanessa, instintivamente, estendeu-lhe a mão e ele a pegou na sua. Ele a levou alguns passos, depois parou e tirou a máscara.
A visão na frente dela a deixou sem fôlego. Eles estavam no meio de um cartão postal! E não apenas qualquer cartão postal, mas aqueles mais bonitos, que você envia para as pessoas que você realmente não gosta para deixá-las com inveja de suas férias perfeitas.

Eles estavam à beira da estrada no meio de um campo que era de um verde mais surpreendente que Vanessa já tinha visto. Ao longe, havia colinas e uma floresta de pinheiros, e a frente, a estrada de pista única, que vieram dirigindo. No final da estrada havia uma casa, ou melhor, uma casa de campo. Parecia muito grande, mesmo de muito longe.

Onde estamos?

Toscana. — Zav parecia tão satisfeito consigo mesmo e com o fato de que Vanessa estava sem palavras. — Vamos lá, vamos voltar para o carro. Eu só queria mostrar-lhe o ponto de vista daqui.

Para onde vamos agora?

Zac apontou para a casa de campo em vez de responder. Vanessa deu uma última olhada ao redor, tentando imprimir o cenário em seu cérebro para sempre - os campos intermináveis, o sol laranja que tinha acabado de beijar os topos das colinas distantes, o cheiro de ar fresco surpreendente, o silêncio natural.

Eles estacionaram na garagem alguns minutos depois. Zac pegou as malas do porta-malas e se dirigiu até a porta da frente, pescando no bolso a chave. Vanessa saiu do carro e olhou em volta. O lugar era mágico! Havia árvores enormes que cercavam os jardins ao redor da casa, dando-lhe uma sensação de aconchego. Isso certamente foi planejado para dar privacidade, porque não havia campos ao seu redor e nada mais. Mas ainda assim, era acolhedor.

A casa não parecia nada de especial do lado de fora, era um grande edifício, quadradão feita de pedra cinzenta. No entanto, havia enormes janelas ao longo das paredes que pareciam bastante modernas, então Vanessa estava curiosa para saber o que ela iria encontrar lá dentro.

Zac abriu a porta e entrou, deixando-a aberta para ela. Quando ela atravessou a soleira, a boca de Vanessa abriu e ficou assim por um tempo. A casa era incrível dentro.  Eles haviam entrado em um grande espaço que era uma sala de estar, sala de jantar e cozinha tudo no mesmo espaço. Era muito moderno, com piso de madeira, paredes rebocadas e grandes janelas, que permitiam a entrada de muita luz. A sala de estar compunha de dois sofás, um monte de pufes e uma poltrona de couro. Havia uma lareira a gás e uma televisão de tela plana por cima. A cozinha era compacta e separada da área de estar por um bar e quatro bancos. Do outro lado havia uma grande mesa de jantar com oito cadeiras.

A decoração era minimalista, mas confortável. No entanto, Vanessa não conseguia encontrar toques pessoais em qualquer lugar - não havia fotos, nem revistas ou livros espalhados, nada sobre os balcões na cozinha. Ele parecia muito limpo e livre de confusão.

Que lugar é esse? — Ela perguntou a Zac, quando ele deixou as malas no chão e passou a abrir as portas de vidro que levavam para o jardim atrás.

É de Beppe. — Isso foi tudo que ele disse, enquanto abria as portas. A parede inteira que levava ao jardim desapareceu, quando Zac deslizou todos os seis painéis de vidro para o lado. Vanessa se juntou a ele, incapaz de resistir à tentação de olhar para fora por mais tempo. Ela saiu para um pátio de pedra. Um gramado verde exuberante espalhava para além , até as árvores que circundam o jardim. À sua esquerda, viu uma piscina oval, com uma tenda ao lado. Olhando mais de perto, ela percebeu que não era apenas uma tenda - havia uma banheira jacuzzi no interior. Levantando uma sobrancelha para Zac, que estava observando a reação dela, Vanessa apontou para a jacuzzi.

Como eu disse , é de Beppe. — disse Zac, e sorriu.

Por que ele não mora aqui, então?

Você pode ver Beppe vivendo no meio de lugar nenhum em tempo integral? Ele ficaria louco em dois dias no máximo.

Então por que ele comprou? — Vanessa odiava intrometer, mas parecia estranho comprar uma casa enorme, ainda mais em Toscana, e não viver nele.

Ele não comprou. Seu avô deixou para ele. — Zac respondeu a sua pergunta, mas era óbvio pelo seu tom de voz e postura rígida, que não queria elaborar mais. Vanessa deixou pra lá. Por que isso importa, afinal? 
Eles estavam em um casa bonita sozinhos, todo o resto era irrelevante.

Quanto tempo nós podemos ficar? — Ela perguntou.

Quanto tempo você quiser. Liguei para Antônio antes de sairmos, e ele deve ter abastecido o frigobar para nós. Isso vai nos sustentar, pelo menos, por alguns dias. Mas podemos ir à cidade e comprar mais comida, ou qualquer outra coisa que precisarmos. — Zac se moveu atrás dela e rodeou sua cintura com os braços, apoiando o queixo no topo de sua cabeça.

E o seu trabalho? Quando é que você tem que estar de volta?

Não se preocupe, linda, nós ficaremos o tempo que quiser. Ponto final. — Ele beijou o lado de seu pescoço e apertou seus braços com mais força ao redor dela.

Quem é Antônio?

Ele e sua esposa Cristina são os caseiros da casa.

Você quer dizer que não estamos sozinhos aqui? — Vanessa não conseguia esconder a decepção em sua voz. Zac riu.


Estamos. Eles moram em outra casa, ao lado do vinhedo.

Outra casa? Vinhedo? Quão grande é esta propriedade, exatamente?

Grande. Vou levá-lo para ver como eles fazem o vinho amanhã, se quiser. Eles adorariam conhecê-la.

Será que eles têm um daqueles enormes banheiras cheias de uvas que você pode misturar com os pés? — Os olhos de Vanessa iluminaram com entusiasmo. Ela sempre quis fazer isso, desde que ela tinha visto em um filme uma vez. Parecia uma experiência extraordinária.

Zac riu novamente.

Eles têm. Eles mantêm uma para entretenimento, eu acho, já que ninguém usa mais esse método para fazer o vinho. Mas é muito cedo para colher as uvas, eles geralmente começam em meados de agosto — Ele roçou o lado de seu pescoço novamente.. — Podemos voltar em agosto, se quiser.

Eu adoraria isso.

Vanessa virou a cabeça para olhar para ele, e não conseguia esconder o sorriso encantado. Grata a Zac por ele ter todo este trabalho em limpar a sua agenda e afastá- la de seus problemas, Vanessa beijou sua bochecha carinhosamente e sussurrou:

Obrigada. — Ele acenou com a cabeça, aceitando a sua gratidão e, puxando-lhe a mão, levou-a para dentro.

Está com fome? — Ele perguntou.

Sim.

Bom, porque eu estou morrendo de fome. Deixe-me ver o que posso fazer. — Ele abriu a geladeira e começou a tirar algumas coisas pra fora. — Se você quiser, pode ir lá para cima e desfazer as malas, tomar um banho ou algo assim. Eu vou fazer alguma  coisa para comermos enquanto isso.

Como era possível um homem tão maravilhoso existir? Ele era atencioso, generoso, apaixonado, incrivelmente sexy e carismático - e ele cozinhava! Vanessa ainda tinha que encontrar uma falha nele.

Você está olhando para mim de novo. — disse ele, produzindo um sorriso diabólico e afastando Vanessa de seus pensamentos. — Eu daria tudo para saber o que trouxe essa expressão sonhadora em seu rosto.

Você. — disse ela, seu sorriso desaparecendo de forma inesperada e seu rosto ficando sério. Sentindo a mudança, Zac cobriu a distância entre eles em poucos passos largos e esmagou sua boca na dela. Vanesssa respondeu imediatamente, abrindo os lábios para ele, e permitindo acesso total a sua boca, sua língua , sua alma. Ele agarrou seu cabelo na parte de trás de seu pescoço, puxando-o para trás e expondo sua garganta e queixo para ele explorar com beijos famintos. Havia algo de desesperado, animalesco, sobre a maneira como ele reagia à sua admissão com essa única palavra. Vanessa abriu os olhos, tentando recuperar os sentidos e viu Zac arrastando sua língua ao longo de seu pescoço, olhando para ela. Seus olhos castanhos estavam desfocados, ansiosos e desfocados com a necessidade. Havia algo de muito mais profundo acontecendo por trás deles, mas Vanessa estava muito desgastada e com muito medo de entrar nisso agora.


Zac... — disse ela, sua voz saindo rouca. Ele moveu os lábios para trás e abrandou, beijando-a com ternura, tentando recuperar o controle. Suas mãos se moveram para o lado de seu rosto, segurando seu rosto enquanto ele pressionou sua testa contra a dela, respirando pesadamente. Vanessa apertou a mão no peito dele , e sentiu seu coração batendo em um ritmo frenético.

Sinto muito. — disse ele em voz baixa, ainda não a soltando.

Não sinta. — Vanessa moveu a mão do peito dele até rosto, roçando-o com os dedos.

Eu sei que nós viemos aqui para manter a sua mente fora das coisas, e a última coisa que você precisa sou eu em cima de você desse jeito, mas é só que eu não consigo me controlar perto de você. Especialmente quando você está toda sonhadora e sexy, pensando em mim.

Isso não vai acontecer novamente. — disse Vanessa, e o olhar horrorizado nos olhos de Zac a fez rir. — Eu estou brincando! Eu não poderia evitar, mesmo se eu quisesse. Desde que eu te vi naquele dia na praia, tudo que eu penso é você.

Zac deu um passo para trás e sorriu, os olhos brilhando de alegria.

— Eu também. Você ainda tem aquele vestido amarelo que usava naquele dia? Eu adoraria arrancá-lo de você.

Espere , você se lembra de mim ?— Vanessa sempre pensou que Zac não tinha prestado atenção a ela naquele dia, e que ele só se lembrou de seu primeiro encontro “oficial” na praia no dia seguinte, quando ela machucou o pé.

Claro que eu me lembro de você. Você olhou para mim de boca aberta por um longo tempo, baby.

Hey. — Vanessa bateu na parte superior do seu braço de brincadeira. — Você estava saindo do mar em câmera lenta, todo bronzeado, lindo e molhado. O que eu deveria fazer?

Eu tenho certeza que estava me movendo a uma velocidade normal.

Não como eu vi. — Ela piscou para ele e ele sorriu. — E, além disso, deve haver uma tonelada de outras mulheres olhando para você o tempo todo. Eu pensei que você estava acostumado a isso.

Nem todas as mulheres que olham para mim têm pernas longas e magras, um cabelo caramelo incrível, pele pálida impecável e parece incrivelmente bonita em um vestido amarelo curto. — Enquanto ele falava, Zac se aproximou dela novamente, enfatizando cada palavra, enquanto seus olhos percorriam o corpo de Vanessa.

Quando eu vi você no dia seguinte sozinha na praia, eu não podia acreditar na minha sorte. Quando você feriu o pé, tive a oportunidade de bancar o seu herói. Cuidar de você — disse ele, e aproximou-se ainda mais. Vanessa podia sentir sua respiração sobre seus lábios, e seu coração acelerou novamente. — Eu fui um tolo em não te convidar para sair naquele dia, mas não iria me sentir bem em fazer um curativo em seu pé e dar em cima de você, nem passando cinco minutos. Quando eu te vi na casa de Ash, eu sabia  que havia uma razão para você continuar aparecendo na minha vida.

Ele roçou os lábios nos dela, e Vanessa estava hipnotizada com as suas palavras, sua boca, o jeito que ele olhava para ela. Ela ficou congelada no lugar, incapaz de se afastar. Recusando-se a se afastar. — Eu acho que é uma boa ideia você organizar a mala, porque se você ficar aqui, eu não posso prometer que vou resistir em jogá-la por cima do meu ombro e levá-lo até o quarto. — Ele beijou a pele embaixo da orelha e ela estremeceu.

Certo. Mover. Arrumar mala. Chuveiro. Definitivamente chuveiro.

Onde é o quarto? — Ela perguntou sem fôlego.

Lá em cima, segunda porta à sua esquerda. — Zac sorriu e, dando-lhe um último beijo no rosto, voltou a fazer o jantar.

Zac, esta é a segunda refeição incrível que você cozinhou para mim. Eu não posso acreditar que você não é um chef, assim como Gia. Você tem algumas habilidades especiais.

Ele tinha feito lasanha, cozido pão de alho a partir do zero e uma enorme salada com o molho mais saboroso que Vanessa já provara.

Eu considerei isso por um tempo. Meu pai era um chefe, e eu e Gia adorávamos vê-lo cozinhar. Eu acho que depois que ele morreu, eu não poderia fazer algo que me faria lembrar dele todos os dias. — Toda vez que Zac falava de seu pai, uma sombra inconfundível de tristeza surgia em seu rosto. Vanessa sabia que nunca iria embora, não importa quanto tempo se passasse. — Gia, por outro lado, estava mais determinada do que nunca em ser chef. Ela tinha dezessete anos quando ele morreu, e passou a estudar muito para entrar na faculdade. Todos os seus esforços eram em tirar boas notas e ser aceita no Instituto de Artes Culinárias. Eu acho que todo mundo lida com a dor de forma diferente , eu queria esquecer, enquanto tudo o que ela queria fazer era se lembrar dele.

Vanessa poderia entender isso completamente e, pela primeira vez desde que seu pai  e seu irmão morreu, ela se sentiu pronta para falar sobre isso com alguém além de sua mãe.

Você está certo, todo mundo chora da sua própria maneira. Após o acidente, Niki partiu com Ashley, deixando cada coisa que lembrava o marido para trás, inclusive eu e minha mãe. Minha mãe, porém, sentiu que precisava se lembrar de seu filho e seu marido todos os dias e se recusou a se mudar. Mas no final, não importa onde você mora ou o que você faz. Você se lembra das pessoas que perdeu a cada dia, quer você queira ou não. Eu acho que tudo o que podemos fazer é continuar com as nossas vidas da melhor maneira possível e chegar a um acordo com esse fato, embora nunca iremos esquecê-los, eles nunca vão voltar.

Zac assentiu com a cabeça, mas ficou em silêncio, como se as palavras de Vanessa estivessem sendo processadas. Eles terminaram a lasanha em silêncio, e mesmo que não fosse desconfortável, Vanessa sentiu Zac afastar. Ele tinha uma tendência a fazer isso às vezes, pensar tão duro sobre algo, que todos os seus outros sentidos desligavam. Agora Vanessa precisava dele lá, não distante em sua cabeça, e a vibração distante que ele  estava projetando era insuportável.

Então, me diga mais sobre esta casa. Quando Beppe a reformou? Tudo parece novo aqui. — Zac tomou um gole de sua bebida, tentando concentrar todos os seus pensamentos no presente, antes que ele falasse.

Cerca de três anos atrás. Ele contratou empreiteiras para fazê-lo, mas ele estava aqui quase todos os dias. Eu acompanhei e fiquei fascinado. Eu fiz tantas perguntas e queria estar envolvido em tudo o que estava acontecendo, que eu deixei todos loucos. Em um ponto, o gerente de projeto ameaçou sair se eu não desistisse. — Vanessa riu porque ela poderia perfeitamente imaginar Zac fazendo isso. Ela sabia, por experiência pessoal, como ele era determinado quando decidiu que queria algo, e ele tentava de tudo, até conseguir.

Meu palpite é que você não afastou, não é?

Sem chance — disse ele e sorriu, parecendo encantado que ela soubesse como ele reagiu. — Acionei meu charme, e ele estava comendo na minha mão nas próximas três semanas.

Às vezes eu acho que você não tem noção do que a palavra “não” significa.

Oh, eu sei o que significa. Eu só não gosto. — disse ele, e piscou para ela.

Foi por isso que você decidiu que queria seguir esse tipo de carreira? — perguntou Vanessa, levando a conversa de volta aos trilhos.

—Eu sempre fui interessado em edifícios, eu acho. Mas sim, esse foi o momento que percebi que não queria construir novos.  Prefiro salvar os negligenciados.  Na Itália, existem muitas casas antigas incríveis, deixadas para apodrecer sob os elementos da natureza. Muitas pessoas não querem assumir tais projetos, porque é difícil, a maioria dessas casas estão tombadas como patrimônio, e há uma série de questões burocráticas, lotes de licenças para conseguir. No lado positivo, elas são muito baratas para comprar e, geralmente, vêm com muita terra.

O coração de Vanessa inchou quando Zac falou. A necessidade de ajudar e proteger stava profundamente enraizada em seu DNA. Se ele quisesse seguir uma carreira com desenvolvimento de projetos em propriedade, seria muito mais fácil construir novas casas a partir do zero. Mas não, ele tinha que salvar as antigas, dar nova vida a eles. Torná-las felizes.

Eu posso te mostrar, se você quiser. — Vanessa percebeu que Zac ainda estava falando, e ela não tinha ouvido uma palavra nos últimos dois minutos.

Desculpe, o quê? — Ela perguntou, trazendo toda a sua atenção de volta para ele novamente.

Onde você foi? Você parecia sonhadora por um momento. Você tem que parar de pensar em mim o tempo todo, você sabe. — ele brincou com um sorriso encantador.

Eu vou fazer o meu melhor.

Então, eu estava perguntando se você queria ver algumas das casas que eu estou de olho. Elas não são longe, a maioria delas está aqui na Toscana.


Claro, eu adoraria. Amanhã?

***
Boa noite meninas!Espero que todas estejam bem ♥
O que estão achando da história???
Estão tão apaixonadas quanto eu?
Sim,eu sou viciada nesse livro *-*
Bom, sigam também minha mais nova criação "Paixão Proibida", 
fanfic inspirada no romance proibido de Aria e Ezra,
ou Ezria, meu shipper em Pretty Little Liars.
P.S.: Quem nunca viu PLL, eu super,mega recomendo. 
Melhor série do todas ♥
Comentem bastante e até mais,xoxo