domingo, 29 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Sete (Último)

Acordar levou algum esforço. Vanessa abriu os olhos lentamente, desorientada por um momento sobre onde ela estava. Instintivamente, ela deslizou sua mão sobre os lençóis ao lado dela, procurando o aconchego familiar. Zac  não estava lá.
O pensamento em Zac conseguiu arrancar totalmente seu cérebro de sonolência, e lembrando dos acontecimentos de ontem à noite deu-lhe uma dor de cabeça instantânea. Amanhã ela precisava ir para Oxford para o seu tratamento. Hoje era sua última chance de enfiar algum sentido na cabeça de Zac e fazê-lo partir.
Vanessa tomou um banho rápido, vestiu um moletom e uma camiseta, e desceu as escadas. Cheiros fantásticos vinham da cozinha - ovos fritos, torradas, manteiga e café. Pela primeira vez desde que ela voltou, o estômago de Vanessa rosnou com fome. Comer tornou-se uma tarefa que ela fazia apenas para agradar sua mãe.
Entrando na cozinha, Vanessa enfrentou uma imagem idílica - Gina sentada à mesa lendo o jornal e bebendo uma xícara de café, enquanto Zac estava cozinhando no fogão atrás dela e colocando ovos fritos em três pratos.
— Você deve estar de sacanagem comigo. — Vanessa murmurou, quando caminhou em direção a máquina de café. Tanto sua mãe como Zac estalaram a cabeça em sua direção.
— Bom dia, querida — Gina disse alegremente. Vanessa murmurou um “Hum-hum” e pegou um copo para se servir de um café. Zac olhou para ela por um longo momento, mas ela o ignorou. Se ele queria ficar, azar. Mas ela não ia fingir que estava bem com isso.
Zac e Vanessa comeram em silêncio, enquanto Gina tentou aliviar o clima, discutindo os artigos no jornal. Não funcionou, então ela desistiu e terminou seu próprio café da manhã em silêncio. Depois que todo mundo tinha terminado seu prato, Gina os mandou embora e recusou qualquer ajuda com arrumação. Vanessa sabia que sua mãe estava tentando deixá-la a sós com Zac. Por um momento ela pensou em ir direto para o seu quarto e trancar a porta, mas, em seguida, ela se irritou com a ideia. Era a casa dela, ela podia fazer o que quisesse. E agora ela queria assistir TV e ficar deitada no sofá, até que suas costas começassem a doer.
Vanssa se esparramou no sofá, ligou a TV e ignorou Zac completamente, que estava sentado na outra ponta, direto em seus pés. Ela podia sentir o calor vindo de seu corpo e afastou seus pés para longe dele.
— Como você está? — Ele perguntou em voz baixa.
— Eu não sei. Você vai embora? — Vanessa lançou-lhe um olhar sombrio e ele se retraiu.
— Não.
— Então, eu não estou bem. — Ela começou a zapear os canais, realmente não vendo nada na tela, porque a única coisa que ela sentia eram os olhos de Zac sobre ela. Ele se levantou, pegou o controle remoto de sua mão, silenciando a TV e sentou-se na mesa de centro na frente dela.
— Vanessa... — ele começou.
— Nem comece, Zac. Não há nada que você possa dizer que me fará acreditar que arruinar sua vida por minha causa está bem.
— Eu estou arruinando a minha vida, se eu ficar sem você, Vanessa. Como você não pode ver isso? — Ele disse baixinho e tentou tocar a mão dela, mas ela afastou para o lado.
— Eu posso morrer amanhã, Zac. Morrer. E mesmo se não acontecer isso, eu estou condenada a passar toda a minha vida em hospitais, recebendo tratamentos e check-ups. Mesmo se, por algum milagre, eu ficar curada ou eles encontrarem um doador, eu ainda vou ter que ser averiguada em uma base regular. O câncer será uma sombra constante na minha vida e, consequentemente, na vida de qualquer um que esteja perto de mim.
— Ninguém está seguro contra doença ou tragédia, amor. Você pode estar perfeitamente saudável um dia e no dia seguinte se diagnosticada com câncer. Ou sair de férias e se afogar no mar. Isso não significa que não podemos viver nossas vidas.

Vanessa foi pega de surpresa por suas palavras. Ele estava certo. Seu pai e Eric estavam vivos e saudáveis em um minuto e no próximo estavam no necrotério. Ela poderia ter câncer quando tivesse quarenta e cinco anos e dois filhos adolescentes.
— A diferença é que eu sei que o meu futuro reserva agora. Eu não quero essa vida para você.
— Não é sua opção. — Zac disse e, quando Vanessa abriu a boca para protestar, ele silenciou levantando sua mão. — Você está errada, Vanessa. Você não sabe o que o futuro reserva para você. A vida tem uma tendência a nos surpreender.
Vanessa olhou para ele, confusa. Por que ele sempre tem que virar suas palavras contra ela?
— Eu quero que você lute, Vanessa. Você é forte e contanto que você não desista você vai chutar o traseiro do câncer todo o caminho de volta para o inferno. E eu vou estar ao seu lado. — Ele se levantou, inclinou e beijou o topo de sua cabeça, antes de desaparecer pelas escadas.
Vanessa estava atordoada por suas palavras. Ele via tudo sob uma luz completamente diferente. Pela primeira vez desde que ela o deixou, Vanessa se perguntou se tinha feito a coisa certa - se correr não tinha sido apenas uma reação instintiva. Ela estava certa ao te-lo deixado sem lhe dizer a verdade? Sem lhe dar uma escolha? E se tivesse sido o contrário? E se fosse ele fosse que estivesse doente, e tivesse desaparecido, sem qualquer explicação?
Deus, ela teria ficado furiosa! Ela provavelmente teria reagido exatamente da mesma maneira que ele.
— Querida, como você está se sentindo? — Sua mãe perguntou, sentando ao seu lado no sofá e arrastando um braço em volta dos seus ombros.
— Traidora. — disse Vanessa, e olhou para Gina de forma acusadora. Porém ela não conseguiu manter uma cara séria por muito mais tempo, e seus lábios se abriram em um sorriso genuíno. Gina sorriu e beijou o rosto da filha.
— Me desculpe, eu fiz tudo isso pelas suas costas, querida. Mas eu não me arrependo por ajudar Zac, ou por ele estar aqui. Esse rapaz te ama tanto, Nessa. Pare de lutar com ele. Pela primeira vez, a vida está lhe dando uma tábua de salvação.  Agarre-a.
Vanessa fechou os olhos, tão perto de subir as escadas e se atirar em seus braços.
— Ontem à noite, depois que você disse aquelas coisas horríveis e correu para o seu quarto, eu podia ouvir Zac caminhando ao redor do seu quarto. Eu fui lá para verificar se ele estava bem ou se ele queria alguma coisa para comer, e ele desabou. Sentou-se na cama e chorou. Eu fui lhe dar um abraço, e todo o seu corpo tremia em meus braços. — Gina fez uma pausa para limpar uma lágrima do rosto de Vanessa. — Ele me disse que se culpava, por você passar por tudo o que aconteceu nas últimas duas semanas sem ele. Ele lamentou não ter sido mais persistente e não tê-la impedido de partir. — Gina inclinou o queixo de Vanessa para cima e a fez olhar em seus olhos. — Zac fará tudo por você, Vanesa. Sua maior preocupação não é o seu próprio futuro, mas o seu. Ele é o tipo de homem que quando ama, ama com tudo o que ele tem. Ele quer te proteger, cuidar de você, te ajudar. Deixe-o. Não o afaste, porque você vai acabar com ele.
As lágrimas de Vanessa estavam escorrendo pelo rosto livremente agora. Gina deu a ela um lenço de papel e esperou que assuasse o nariz, antes de falar novamente.
— Vá até ele, querida. Deixe-o estar lá para você.
As palavras de Zac e agora as palavras de sua mãe estavam começando a fazer muito mais sentido do que o seu desejo obstinado em protegê-lo. Ela sentiu as paredes começando a rachar e a vontade de mantê-lo longe desmoronou.
Vanessa enxugou as lágrimas, e antes que ela percebesse, suas pernas tinham levado ela direto para o quarto de Zac por sua própria vontade.
Ela bateu de leve na porta e um momento depois que abriu. Zac estava diante dela, várias emoções passando por seu rosto quando a viu - surpresa, esperança, entendimento, e alívio. Então, tudo se dissipou ao amor.
Ele pegou a mão dela e a arrastou para dentro, fechando a porta atrás dela e puxou-a em seus braços. Ele a abraçou com tanta força que Vanessa não conseguia respirar, mas ela não se queixou e lhe rodeou o pescoço com os braços, abraçando-o de volta.
— Eu senti tanto sua falta. — disse ela, inalando seu aroma e deixando atravessar seus sentidos.
— Nunca mais fuja de mim, Vanessa. Eu não vou ser capaz de aguentar, se você fizer isso de novo. — disse Zac, levantando a cabeça e olhando em seus olhos. Seus olhos estavam ardendo com lágrimas não derramadas e ao vê-lo tão vulnerável fez os lábios de Vanessa tremer.
— Eu te amo. — ela disse, e sua voz tremeu.
— Eu sei.
Ele abaixou-se e a beijou, fazendo-a esquecer o resto do mundo. Ela derreteu em seus braços e sentiu inflamar a esperança em seu coração, com renovada paixão. Se ela tivesse Zac, ela poderia fazer qualquer coisa - incluindo combater o câncer e lhe dar a vida que sonhou.
*
O quarto do hospital era pequeno, mas pelo menos era limpo e arrumado. Se tudo corresse bem, Vanessa não teria sequer que passar a noite aqui e não precisava suportar o cheiro horrível do hospital por muito tempo. Isso já estava sufocando-a.
Gina caminhou atrás dela, carregando as roupas que Vanessa precisava usar para o procedimento.
— Apresse-se e vista isso, querida. O médico vai estar aqui a qualquer minuto e levá-la para a cirurgia. — ela disse, e empurrou o vestido de algodão simples em suas mãos. Vanessa olhou para Zac, que também apareceu na porta, encostado no batente. Ele lhe deu um aceno encorajador e a certeza absoluta de que tudo ia ficar bem brilhava em seus olhos. Era exatamente o que Vanessa precisava agora, porque ela não tinha tanta certeza de si mesma.
Ela entrou no pequeno banheiro, deixou o vestido do hospital sobre o balcão e lavou o rosto com água fria. Seus nervos estavam começando a levar o melhor, quando Vanessa pegou a toalha com as mãos trêmulas. Um par de dias atrás, ela realmente não se importava se iria viver ou morrer, tão vergonhosa como essa afirmação possa parecer. Tudo o que ela sentiu foi culpa, porque ela não tinha força para lutar - se não por si mesma, então, por Gina.
Uma leve batida na porta a assustou fora de seus pensamentos, e quando Vanessa abriu, viu a razão pela qual estava determinada a chutar o traseiro do câncer. Como ela poderia não ter percebido o quanto precisava de Zac até agora?
— Hey. Precisa de alguma ajuda? — Ele perguntou. Vanessa olhou para sua mãe, que estava conversando com uma enfermeira do outro lado da sala. Recuando um pouco, ela deixou Zac entrar, e fechou a porta atrás dele.
— Sim, acho que preciso.
Essa simples declaração foi mais difícil de dizer e ainda mais difícil de assumir, e isso significava muito para ambos. Zac concordou e ajudou Vanessa a tirar a roupa, dobrando-a ordenadamente em uma pilha sobre o balcão. Quando ela estava só de calcinha, Vanessa se virou para pegar o vestido do hospital e ouviu Zac suspirar pesadamente atrás dela. Virando a cabeça por cima do ombro para olhar para ele, o viu olhando para sua tatuagem. Vanessa tinha esquecido completamente disso, e o fato de que Zac não sabia que ela tinha acrescentado outro símbolo por ele.
Zac cobriu a distância entre eles em um movimento rápido e ajoelhou-se atrás de Vanessa, tocando a tatuagem com os dedos.
— Você adicionou? — Ele perguntou, sua voz saindo um pouco sem fôlego. — Quando?
— Logo depois que eu voltei. No dia anterior que recebi a notícia de que o câncer estava de volta.
— Estou feliz — Ele beijou todos os símbolos, com especial atenção ao mais recente - a esperança. Ele permaneceu nele por alguns momentos, mais do que no resto, traçando com a ponta de sua língua. Vanessa percebeu que aqui, neste momento, era o lugar mais impróprio para sentir seu desejo por Zac acender em todo o seu corpo, mas ela não podia evitar. Tremendo violentamente, ela agarrou o balcão com as duas mãos, tentando recuperar algum controle.
Zac levantou-se atrás dela e encontrou seus olhos no espelho sobre a pia. Vanessa conhecia muito bem o olhar que ele lhe deu. Ele a queria também. A determinação repentina para sobreviver e deliciar-se com aquele olhar por um longo tempo atravessou Vanessa, e ela sorriu para ele.
Zac a ajudou a colocar o vestido e envolveu-a em seus braços.
— Você vai ficar bem, tesoro — ele murmurou contra o pescoço dela, e Vanessa sentiu as lágrimas que ameaçavam algum tempo fazer uma aparição. Zac se afastou, olhou diretamente em seus olhos e disse: — Eu prometo.
Ela acreditou nele.
*
Zac não podia ficar parado. Ele andava pela sala de espera, deixando todo mundo ansioso, mas ele não poderia evitar. O procedimento não deve acabar antes de pelo menos uma hora, e tinham passado apenas dez minutos desde que Vanessa se afastou com o médico. Para Zac pareciam dez dias. Sem saber o que estava acontecendo por trás dessas portas fechadas o estava deixando louco.
O telefone em seu bolso tocou e assustou, quase o fazendo tropeçar. Conseguindo um olhar de desaprovação de uma enfermeira, ele tirou do bolso e caminhou em direção as portas que davam no corredor.
— Oi, Ash. — disse ele, depois que atendeu.
— Zac!  O que está acontecendo?  Ela está em cirurgia?  — Ele mandou uma mensagem a ela ontem à noite, dizendo que eles estavam juntos , e que ela estaria em cirurgia hoje.
— Sim, ela acabou entrar. — Ele enfiou a mão livre pelos cabelos e encostou-se à parede, tentando acalmar o suficiente para ter uma conversa normal com Ashley.
— Eu nunca tive tanto medo na minha vida. — Ele deslizou pela parede e sentou-se no chão, enterrando seu rosto na curva de seu braço. Zac precisava ser forte por Vanessa, mas conversar com Ashley o fez desmoronar.
—Zac, ela vai ficar bem, eu sei disso. Você e Vanessa estão destinados a ficarem juntos. Sua história não é apenas uma piada cruel, Zac. É real e é o que você tanto merece. A vida precisa fazer as pazes com os dois, e acho que é isso que está acontecendo.
Apenas Ashley poderia dizer algo como isso, e essa era uma das muitas razões pelas quais ele a amava tanto. Eles podiam brigar, discutir e irritar o inferno um para o outro, mas Ashley era sua amiga, e lhe ajudou mais vezes do que poderia contar.
Quando ele não disse nada, porque suas cordas vocais se recusavam a trabalhar, ela entendeu o recado e continuou:
— Minha mãe e eu reservamos passagens para visitá-los em duas semanas. Não diga a Vanessa, queremos surpreendê-la — Se eles já tinham reservado os seus voos, isso significava que não havia dúvidas em suas mentes que Vanessa ia ficar bem. Zac sorriu, com a força recém-encontrada florescendo em seu peito.
— Isso é bom, ela vai gostar. — ele disse.
— Há outra razão pela qual estamos indo. Eu disse a mamãe tudo, ela não sabia sobre o câncer de Vanessa, ninguém, exceto eu e tia Gina sabíamos. Quando ela soube, imediatamente sugeriu que fizéssemos o teste para verificar se uma de nós poderia ser um doador compatível para Vanessa.
Zac congelou no lugar. Por que ele mesmo não tinha pensado nisso? Sua mente estava tão preocupada em protegê-la e convencê-la a deixá-lo ficar com ela mais uma vez, que ele ainda não tinha pensado nisso.
— Você não pode dizer a ela, Zac, ela não nos permitia fazer isso. Não há nenhum ponto em discutir com ela, porque já temos nossas cabeças firmes sobre isso. Se um de nós for compatível, então vamos discutir. Escolha as nossas batalhas, certo? — Zac ouviu o sorriso na voz de Ashley e deu-lhe ainda mais esperança.
— Eu quero fazer o teste também. — disse ele.
— Ok, você pode fazer isso com a gente. Apenas... Não tenha esperanças demais, Zac. Gina foi testada quando descobriram o câncer e ela não era compatível, mesmo que fosse a parente mais próxima de Vanessa. Há uma forte possibilidade de que nenhum de nós seja compatível também.
— Nós temos que tentar.
— Eu concordo. Eu tenho que ir agora, mas, por favor, me mande uma mensagem assim que tiver uma atualização.
— Eu farei. Obrigado, Ash. Eu não sabia o quanto eu precisava falar com você antes que você ligasse.
Zac voltou para a sala de espera e encontrou Gina sentada ali, batendo o pé nervosamente. Era uma coisa estranha de ver, porque a mãe de Vanessa parecia sempre tão calma e serena. Vê-la acelerou o coração ansioso de Zac ainda mais.
Ele se sentou ao lado dela e ela colocou a mão sobre a dele, sem dizer nada.
O que pareceu um século mais tarde, o médico de Vanessa entrou pelas portas duplas e, ao encontrá-los com os seus olhos, foi direto na direção deles.
— Ela está bem. — disse ele, provavelmente sentindo que esta deveria ser a primeira coisa que ele tinha a dizer. — Tudo correu bem e eu tenho certeza que ela vai fazer um bom progresso. Ela precisa descansar por algumas horas e se ela se sentir bem depois, vocês podem levá-la para casa. Não há efeitos colaterais para este procedimento, por isso ela deve estar boa como nova amanhã. Traga-a de volta para um check-up no prazo de uma semana. — Ele deu-lhes um sorriso mecânico e um aceno de cabeça, e se virou para ir embora. A mão de Gina disparou e agarrou seu braço, impedindo-o.
— Obrigada, Doutor. — Ela engasgou com as palavras e no momento em que ele saiu, Gina escondeu o rosto no peito de Zac e soluçou.
O médico tinha razão - Vanessa estava tão boa como nova no dia seguinte. Ela estava um pouco cansada quando a levaram para casa após o procedimento, mas era mais por causa da anestesia do que qualquer outra coisa. Zac a segurou em seus braços e ela dormiu durante toda a viagem para casa. Após Gina chorar toda a sua dor na sala de espera, ela não conseguia parar de sorrir. Ela sorriu para ele toda vez que seus olhos se encontravam pelo espelho retrovisor.
O check-up, uma semana depois correu tudo bem - o exame de ressonância magnética mostrou que os tumores estavam menos definidos e começam a diminuir. A próxima consulta era em quatro semanas, e ele iria mostrar se seria necessário outro tipo de tratamento para Vanessa.
Vanessa estava linda, de volta como era antes. Gina voltou ao trabalho, deixando-a aos cuidados de Za. Ele não poderia ter ficado mais feliz.
Quando Ashley e Niki apareceram em sua porta, Vanessa estava na lua. Mais tarde, quando lhe disseram que tinham feito o teste de compatibilidade para ser doador, se descobriu que Niki tinha a compatibilidade perfeita para Vanessa, mas ela não queria nem ouvir falar disso. Ela se recusou a deixar sua tia arriscar a sua vida, como ela mesma disse, para salvar a dela. Além disso, o tratamento de quimio saturação lhe tinha dado grande esperança de que ela não precisaria sequer de um doador. Tudo dependia dos resultados do próximo check-up, dentro de duas semanas.
No final, para alcançar algum tipo de compromisso, Niki fez Vanessa prometer que, se em algum momento no futuro, ela precisasse de um transplante, ela lhe permitiria fazê- lo.
Os resultados das quatro semanas de check-up eram incríveis, os tumores quase desapareceram. O médico de Vanessa ficou surpreso, nunca teve resultados tão bons antes.
Depois de mais três meses, foi dado sinal verde a Vanessa, e ela estava oficialmente em remissão.
— É tudo por sua causa, amor. Você me salvou. — disse Vanessa, quando ela se aconchegou ao lado de Zac.
Ele tinha ansiado ouvir essas palavras por tanto tempo. A verdade era que um havia salvado o outro.
~♥~♥~♥~
Oi amores!!! Chagamos ao fim da adaptação de Num Piscar de Olhos! 
Ainda há o epílogo,então comentem bastante!!! 
Logo mais estarei postando o grand finale para encerrar essa história com chave de ouro!!!
Até mais meninas,xoxo

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Seis

Quando Zac viu o aviso de “ falha na entrega “ em sua caixa de entrada, ele sentiu como se um balde de gelo tivesse sido derramado sobre a sua cabeça. Seus dedos ficaram congelados no teclado e ele foi incapaz de se mover ou formar um pensamento coerente por alguns longos momentos. Quando o sangue começou a circular novamente, ele tentou se acalmar e não sentir que sua única ligação com Vanessa tinha acabado de ser cortada.
Talvez tenha sido um erro técnico. Emails se perdem e são devolvido ao remetente o tempo todo, certo? Ele digitou rapidamente um novo e-mail e clicou em “Enviar”. Os próximos dois minutos foram os mais longos de sua vida.
Até que email voltou sem ser entregue, e Zac sentiu seu coração quebrar.
Ele fechou seu laptop com força, mantendo todo o autocontrole que possuía, para que não o jogasse contra a parede. Andando em torno de seu quarto, Zac sentia-se impotente, irritado, desesperado, perdido. O que ele deveria fazer agora?
Havia apenas uma pessoa que poderia lhe dar o que ele queria e ele iria até lá para arrancar isso dela, fosse o que fosse preciso.
Zac estacionou seu carro na entrada da casa de Ashley e saiu totalmente preparado para uma briga enorme. Ele não iria deixar sua casa sem o número de telefone de Vanessa e endereço, mesmo que ele tivesse que prendê-la contra a parede de sua geladeira. Tocando a campainha, ele respirou fundo e rezou para que ela estivesse realmente em casa. A porta se abriu e Ashley ficou na frente dele, a surpresa estampada em seu rosto. Assim que Zac estava prestes a passar por ela e se lançar em um discurso furioso, seus olhos se encheram de lágrimas e a surpresa em seu rosto mudou para tristeza.
— Ashley, o que está acontecendo? — Zac perguntou, quando ela acenou para entrar e fechou a porta atrás de si. Ela foi até o sofá sem responder a sua pergunta e ele a seguiu.
— Eu estava pensando em você e estava tentando encontrar razões para não ir encontrá-lo. — disse Ashley, apressadamente enxugando as lágrimas que caiam de seus olhos.
— Apenas me diga o que está acontecendo. — A voz de Zac estava presa e dura. Ele sabia que isso tinha algo a ver com a Vanessa e o simples pensamento de que algo aconteceu com ela fez seu interior queimar.
— Vanessa ligou na noite passada. — disse Ashley, e olhou para ele com cautela. O corpo de Zac ficou rígido quando ouviu seu nome. Ele estava tão ansioso que sentia como se pudesse explodir a qualquer segundo. — Ela... — Asheley começou, um soluço escapou de seus lábios.
— Só me diga logo essa merda, Ashley! — Zac se ouviu gritar, mas ele realmente não registrou em seu cérebro. Todos os seus esforços conscientes estavam focados a sentar- se e apenas respirar.
— Ela tem câncer, Zac. É por isso que ela foi embora.
Zac sentiu o sangue drenar em todo o seu corpo. O tempo parou. Seus ouvidos começaram a buzinar e ele se sentiu tonto.
— Zac! — Ashley gritou, pulando para cima de seu lugar no sofá e debruçando sobre ele. Ele estava ciente de que ela estava lá, mas ele foi incapaz de fazer qualquer coisa. Sua cabeça estava girando, sua garganta estava seca, todo o seu corpo tremia. Ashley correu em algum lugar, voltando com um copo de água. Obrigou-o a levar ao lábios e beber, engolindo dolorosamente. Ela pegou o copo de suas mãos trêmulas e colocou-o sobre a mesa.
Zac sentiu o sangue começar a fluir novamente e ele estava ciente de ouvir a voz  de Ashley sobre o zumbido nos ouvidos.
— Zac, você está me assustando. Você está tão branco quanto um homem morto. Devo chamar uma ambulância? Você vai desmaiar em cima de mim?
Ele balançou “não” com a cabeça, e levou seus dedos até sua testa, tentando recuperar algum controle sobre seu corpo.
— Conte-me tudo — ele sussurrou.
Ashley contou-lhe toda a história - sobre o câncer de Vanessa, sobre as cirurgias, por que ela o afastou, a reação dela quando descobriu como o pai de Zac tinha morrido, sobre sua última consulta, quando foi confirmado que seu câncer estava de volta.
— Pode ser que o tratamento não funcione dessa vez, mas a mãe conseguiu levá-la uma consulta neste hospital que faz algum tipo de tratamento experimental.
No momento em que Ashley tinha terminado de falar, Zac estava se sentindo mais como ele novamente - apenas mais irritado.
— O que fez você me dizer? — ele perguntou, com os dentes cerrados.
— O tratamento produz resultados surpreendentes se for bem sucedido. Mas há uma chance de que não seja. É um tratamento muito intensivo e é por isso que ainda não foi aprovado para uso geral. — Ashley ergueu os olhos para o rosto dele e esperou até que ele olhou para ela também. — Há uma chance de que ela possa morrer Zac. Eu nunca me perdoaria se ela morresse e você não soubesse.
Zac levantou-se do sofá, incapaz de se sentar ao lado de Ashley por mais tempo. Ele estava além da raiva. Ele estava furioso.
— Eu não posso acreditar nisso. Como se atreve? Como se atreve a esconder isso de mim? Você acha que eu sou um covarde? Que eu não vou ficar com a mulher que eu amo quando ela está doente?
— Exatamente o oposto. Vanessa tinha certeza que você não iria deixá-la quando contasse. Ela não queria deixá-lo nessa situação novamente. Uma vez é mais do que suficiente para uma vida. Não foi a minha decisão, Zac, foi dela, eu só concordei em não lhe contar. Até agora, pelo menos.
— É uma pena. Não era a sua escolha - era minha. Dê-me seu endereço e número agora. — Sua voz era mortal, mesmo que ele tentasse controlar sua raiva.
— Antes de fazer isso, eu quero que você pense por mais um minuto...
— Eu não preciso pensar em nada. Eu a amo. Eu estarei lá por ela, não importa o que aconteça. Agora me dê o que eu preciso. Eu tenho que pegar um avião.
Ashley assentiu e escreveu as informações de Vanessa em um pedaço de papel. Ela parou por um instante antes de pegar o seu telefone e digitar um número nele.
— Ligue para tia Gina, não apareça simplesmente lá. Ela vai estar do seu lado e, acredite,  você vai precisar de um aliado quando Vanessa te ver.
Eram 18:00 hs a hora que Zac havia desembarcado em Londres e entrou em um táxi. No caminho para a casa de Vanessa, ele tentou se acalmar e racionalizar tudo o que tinha acontecido desde esta manhã.
Ele havia ligado para Gina do aeroporto, como Ashley tinha sugerido. Ela estava feliz e talvez até mesmo aliviada ao ouvi-lo. Ela precisou de algum convencimento, mas concordou em deixá-lo ficar com elas e acompanhá-las até Oxford para o procedimento. Ele disse que não tinha intenção de sair do lado de Vanessa nunca mais. Se Gina não estivesse confortável dele permanecer em sua casa, ele iria alugar um apartamento nas proximidades, mas ele não ia voltar para Itália sem Vanessa. Gina suspirou e disse:
— Ela provavelmente vai me odiar por me aliar a você, Zac, mas eu sei que essa é a coisa certa a fazer. Eu sei que você a ama e eu sei que ela te ama, mas se prepare para ouvi-la negar. Vanessa te ama mais do que ama a si mesma, e eu a amo mais do que tudo, e é por isso que eu vou fazer tudo o que puder para ajudá-lo mesmo que isso signifique que seu coração seja quebrado no final. Sinto muito, Zac.
— Não se desculpe, Gina. Meu coração está quebrado agora. Ele não pode ficar pior do que isso.
Depois que eles desligaram, Zac pensou nas palavras de Gina. Ele entendeu completamente seu ponto de vista - para ela, Vanessa era mais importante do que ele. Ele estava bem com isso. Inferno, para ele, Vanessa era mais importante do que ele. Ter a aprovação de sua mãe significava muito para Zac, porque ele sabia que ela  nunca deixaria sua filha estar com alguém que não fosse bom o suficiente para ela.
Enquanto o táxi preto dirigia pelas ruas de Londres, a mente de Zac derivou para a última vez que tinha visto Vanessa. Como ela pôde fazer isso com ele? Para si mesma? Não era ruim o suficiente ela ter câncer: ela tinha que passar por isso sozinha? Como ela se atreveu a fazer sua escolha longe dele?
Zac ainda estava zangado com ela quando o táxi parou na casa de Vanessa, e ele tinha toda a intenção de deixá-la saber disso.
*
A campainha tocou e assustou Vanessa que estava cochilando no sofá, mesmo que a TV estivesse explodindo Kerrang! no volume máximo. Quem poderia ser? Era quase 20:00 e sua mãe não tinha mencionado que estava esperando qualquer convidado.
— Mãe! Campainha — ela gritou, mas Gina não saiu de seu quarto. Pelo menos, Vanessa presumiu que ela estava em seu quarto, ela não tinha visto sua mãe desde algum momento na parte da tarde, quando ela a tinha forçado a comer o almoço. Revirando os olhos e relutantemente deixando o sofá confortável, Vanessa arrastou-se até a porta. Se fosse qualquer tipo de vendedor ou pregador, ela usaria um pouco de sua energia negativa embutida e o estrangularia.
Abrindo a porta, Vanessa congelou no local, incapaz de se mover, falar ou respirar - porque Zac estava olhando para ela, uma mochila na mão. A expressão em seu rosto era ensurdecedora, quando ele passou por ela para entrar, sem esperar por um convite.
Encontrando sua voz quando fechou a porta, ela se virou para ele e disse:
— Eu vou matar Ashley. — Ela pisou com raiva até a mesa do café e pegou seu telefone, pressionando os botões freneticamente. Com um movimento rápido, Zac pegou o telefone da mão dela e, apontando para o sofá, rosnou,
— Sente-se.
Vanessa cruzou os braços na frente do peito e o olhou ameaçadoramente.
— Você não precisa me dizer o que fazer em minha própria casa. Que diabos você está fazendo aqui? Pensei que tinha deixado bem claro que eu não...
— Sim, sim: você não me ama. Pare de falar e sente-se. — Ele fixou-a com seu olhar firme e Vanessa se sentiu compelida a obedecer. Não faria mal ouvir o que ele tinha a dizer, certo? Ele tinha vindo de tão longe, então o mínimo que podia fazer era ouvi-lo, antes que ela o expulsasse.
— Ashley me contou tudo — disse ele, os olhos com raiva e mágoa, mas havia uma sombra de algo mais suave por trás de toda a raiva. Vaessa empalideceu - ela não esperava que sua prima lhe contasse tudo. Ela teria entendido se Ashley tivesse cedido e lhe dado seu endereço, ou se Zac houvesse roubado de alguma forma, mas isso? Por que ela faria uma coisa dessas? Ashley não se preocupa com ele? — Como você pôde, Vanessa?
Espere, o quê? Ele estava zangado com ela?
— Como eu pude o que, Zac? Expulsá-lo da minha vida, para que você não tenha que me testemunhar definhando e morrendo de câncer? Como eu sou cruel!
— É cruel. É cruel para você e para mim. Como você acha que eu me senti quando Ashley me contou sobre seu câncer e o que você está atravessando nessas últimas duas semanas? Como você acha que eu me sinto, sabendo que eu não fui capaz de estar com você?
— Você vai me esquecer, Zac. Você vai encontrar outra pessoa e ter o “felizes para sempre” que você merece. Eu não vou deixar você sacrificar tudo que você sonha por mim. — A voz de Vanessa tinha ficado tranquila, mas a expressão no rosto dela disse que  ela ainda estava determinada a manter Zac longe. Não havia nenhuma maneira dela deixá-lo ficar junto.
— Essa é a minha escolha Vanessa, não sua. Ninguém afasta minhas escolhas para longe de mim, nem mesmo você. Eu escolhi você. Eu vou ficar aqui com você, apoiá-la em tudo e ter o meu “felizes para sempre” com você.
— Não, você não pode ficar aqui. Essa é a minha escolha. Quero você fora da minha vida. — Vanessa engasgou com as últimas palavras e sentiu as lágrimas arderem em seus olhos. Zac não se moveu em direção a ela ou fez qualquer tentativa de sair. Ele olhou para ela como se isso fosse tudo culpa dela. — Saia, Zac. Eu não quero você aqui.
— Mas eu quero. — A voz de Gina veio das escadas enquanto ela caminhava. Ela foi para perto de Zac e lhe deu um abraço, pegando a mochila da mão dele. Vanessa não podia acreditar em seus olhos - sua mãe estava do lado de Zac? Ela estava no meio de tudo isso?
— Que merda é essa, mãe? Por que você está fazendo isso?
— Porque eu te amo. — Ela virou-se e levou a mochila de Zac para cima.
— Eu vou ficar, Vanessa. Eu vou com você para o hospital e eu estarei segurando sua mão quando acordar. Eu não vou a lugar nenhum. Lide com isso. — Ele virou as costas e seguiu Gina lá pra cima.
Vanessa olhou de boca aberta para ele subindo, incapaz de sequer começar a entender como isso poderia estar acontecendo. Quando ouviu a porta do quarto de hóspedes fechar, ela subiu as escadas batendo os pés e entrou e sem bater.
— Eu não sou a porra do seu caso de caridade, Zac. Encontre alguém para alimentar o seu complexo herói. Eu não preciso de você aqui. — ela gritou.
— Vanessa! — Gina levantou a voz, indignada, o que conseguiu tirar Vanessa de sua fúria cega, porque sua mãe gritava muito raramente. Zc não disse nada, ele apenas olhou para ela com firmeza, nem um pouco ofendido por seu comentário.
Vanessa bateu com a porta e bateu os pés até seu próprio quarto, batendo a porta  com força também. Ela pensou em ligar para Ashley e gritar com ela, mas qual era o ponto? Zac estava aqui, isso era o mais importante. Ele estava caminhando para arruinar sua vida, porque queria estar com ela. O que ela poderia fazer para afastá-lo? Todo mundo estava do lado dele, por alguma razão inexplicável. Não podiam ver que eles estavam condenando-o a uma vida miserável?
Um desamparo repentino a oprimiu, e um soluço escapou de seus lábios.
Vanessa desejava ser tão forte como fingia ser, mas no fundo tudo o que  ela realmente queria fazer era se aconchegar nos braços de Zac e deixá-lo corrigir tudo.  Seria muito difícil resistir a esse impulso, agora que ele estava aqui e mais do que disposto a deixá-la fazer isso.
Desde que ela tinha voltado da Itália, Vanessa tinha dormido muito levemente, acordando ao menor dos ruídos ou por nenhuma razão. Sabendo que Zac estava a duas paredes longe dela não lhe permitia dormir a noite toda. Ela estava enrolada em uma bola, olhando para a parede, incapaz de sucumbir ao sono que ela precisava.
Ela ouviu a porta abrir e fechar lentamente em silêncio. Em seguida, ela ouviu passos e sentiu Zac deitar na cama atrás dela, envolvendo o seu corpo de forma natural ao seu redor. Vanessa congelou. Ela nunca esperava que ele viesse aqui depois do que ela havia dito a ele algumas horas atrás.
E agora?
Instintivamente, tudo que Vanessa queria fazer era relaxar em seus braços e deixar ir. Parar de lutar com ele. Permitir que ele estivesse lá por e com ela, mas a sua consciência se recusou a ceder tão facilmente. Ele recusou-se a ficar bem com o fato de que ele arruinaria a sua própria vida por causa dela.
Enquanto Vanessa era dominada por suas emoções contraditórias, ela sentiu o corpo de Zac começa a tremer atrás dela. Ele apertou seus braços apertados ao redor dela e quando ele falou, ela sentiu as lágrimas em sua voz.
— Por favor, Nessa. Não me diga para ir embora.
Ela sabia o que ele queria dizer, não só agora, mas sempre. Seu coração encheu-se de todos os sentimentos que ela estava tentando suprimir estas últimas semanas. Lembrando como apenas algumas noites atrás, ela desejou que pudesse lhe dizer o quanto o amava, e pensava que nunca teria a chance, Vanessa abriu a boca para falar, mas fechou-a sem dizer uma palavra.
Não. Ela não podia fazer isso. Ele precisava ir.
— Eu te amo. — ele sussurrou e acariciou seu pescoço.
Vanessa não respondeu. Ela não se mexeu. Ela até tentou não respirar. Talvez se ela ficasse assim, ele pegaria a dica e partiria.

Zac não disse mais nada, mas ele não saiu. Ele permaneceu atrás dela, abraçando- a, até que ela não conseguiu segurar os olhos abertos por mais tempo e se entregou a exaustão.
~♥~♥~♥~
Não poderia deixar de parabenizar nosso loirinho dos olhos azuis 
que completou seus 30 anos dia nesta última quarta feira!!!
Zac, desejo a você toda felicidade,saúde,sucesso e todo amor do mundo!!! 
Que Deus continue abençoando sua vida 
e que você continue sendo esse ser humano incrível,
 me fazendo admirá-lo cada dia mais. Amo você  ♥


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Cinco

Os primeiros dias de volta em Londres foram pura tortura para Vanessa. Mesmo que fosse meados de agosto, estava muito mais frio do que em Gênova e ela teve pouco tempo para adaptar à mudança de temperatura. Só de pensar em desempacotar sua mala a deixava tonta. Tudo naquela mala lembrava Zac. Isso tinha que ficar trancado lá dentro, caso contrário, ela iria desmoronar.
Tudo o que ela tinha força era para ficar rodeando a casa, comer ocasionalmente, quando sua mãe a força, mudar os canais de TV sem rumo e ler. Vanessa não queria pensar ou falar. Ela estava dormente, e quanto mais tempo ela ficasse desse jeito, melhor, pensou.
Na sexta-feira à noite Gina sentou-se ao lado dela no sofá, pegou o controle  remoto da sua mão, desligou a TV e disse:
— Já chega. Eu esperei seu tempo para se chafurdar. Agora você vai me contar tudo, para que eu possa ajudá-la. Eu me recuso a ficar sentada, assistindo você ficar mais e mais deprimida.
Vanessa não queria falar, porque ela não viu nenhum ponto. Sua mãe não podia fazer nada sobre isso, então por que sobrecarregá-la com isso? Mas ela parecia determinada a descobrir o que tinha acontecido e Vanessa não tinha forças para discutir com ela.
Em uma voz constante, ela lhe contou tudo. Ela se sentia estranhamente bem em tirar do peito. No momento em que ela terminou, Vanessa já se sentia melhor. A carga compartilhada era fardo pela metade, certo? Gina não a interrompeu ou fez perguntas. Ela esperou pacientemente até que a história tenha terminado antes de falar.
— Eu acho que você cometeu um erro.
Como é?Vanessa sentou-se no sofá, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.
Quando você encontra alguém que te ama assim, você não deixar ir, Nessa. Nunca.
— Você ouviu alguma coisa que eu disse? Eu fiz isso por ele! Eu não quero que ele fique comigo no hospital, quando ele poderia estar livre para viver sua vida. — Vanessa gritou, com os olhos cheios de lágrimas. A única coisa que ela sempre podia contar era sua mãe estar ser lado dela, e agora ela parecia estar se voltando contra ela.
— Eu vi vocês juntos, querida, eu não sou cega. Esse menino nunca estará livre para viver sua vida se ele te ama tanto quanto eu suspeito que ele ama. — Gina aproximou-se de Vanessa e a abraçou. Ela não resistiu. — Eu entendo porque você fez o que fez. Mas me prometa uma coisa. — Ela se afastou para olhar nos olhos de sua mãe. Gina colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e afastou as lágrimas de Vanessa com seus polegares, segurando seu rosto.
Sua consulta com o doutor Hansen é na próxima semana. Prometa-me que, se você receber o sinal verde, você vai ligar para Zac.
Vanessa começou a sacudir a cabeça, mas Gina parou.
— Prometa-me, Nessa. Se você estiver em remissão, não há nenhuma razão para ficar longe.
— Pode sempre voltar, mamãe. Você sabe que...
— Querida, você não pode pensar assim, ou você nunca vai ser capaz de viver a sua vida. Você tem que aproveitar todas as oportunidades de vida te dá, e usá-lo para o seu pleno proveito.
Vanessa levou um momento para pensar sobre suas palavras. Será que mãe estava certa? E se o câncer tiver desaparecido? A chance era muito pequena, mas não era impossível.
— Prometa-me, querida.
— Ok. Se eu receber o sinal verde, eu vou ligar para ele.
Depois de conversar com Gina, Vanessa sentiu-se melhor do que se sentia em dias. Ela arrumou seu quarto, apesar de sua mala ainda permanecer trancada em seu armário. Então, ela tomou um longo banho, secou o cabelo e vestiu jeans e uma camiseta limpa, em vez do pijama que ela não tinha tirado durante os últimos quatro dias. Ela ainda encontrou forças para ligar seu laptop e falar com Ashley pelo Skype, que estava muito feliz em ouvi-la. Elas conversaram por quase uma hora, evitando temas como Zac e câncer. Depois que se despediram, Vanessa olhou para o e-mail e quase caiu da cama quando viu dois e-mails de Zachary Efron. Seu coração batia forte em seu peito e seus ouvidos tornaram-se surdos a tudo ao seu redor, exceto o sangue correndo para seu cérebro. Seu instinto foi o de excluí-los sem lê-los, mas seu dedo parou. Ela prometeu a sua mãe que iria dar ao seu relacionamento outra chance, se estivesse tudo bem com ela.
Então, talvez ela pudesse espiar a seus e-mails, não responder até que ela tivesse sua consulta com o médico.
Deus, ela sentia falta dele. Ela precisava saber o que ele tinha dito.
Nessa,
Eu sinto muito sua falta.
Eu não tenho outra maneira de entrar em contato com você - Ashley se recusa a me dar o seu endereço da casa ou número. Graças a Deus que você decidiu me enviar aquele vídeo hilário com o cavalo, que pelo menos eu tenho o seu endereço de e-mail.
Então, eu estou preso a escrever e-mails.
Por que você partiu? Eu me perguntei a mesma coisa várias vezes e eu ainda não tenho uma resposta. Eu não acredito por um segundo que você não me ama, então o que é? Sem saber por que você me deixou é horrível.
Eu estou perdido sem você, tesoro. Eu te amo.
Por favor... Escreva de volta. Ou ligue. Eu preciso ouvir a sua voz.
Com amor, Zac.
Vanessa mal conseguia ler as linhas finais. Sua visão estava embaçada pelas lágrimas.
Mãos trêmulas, ela clicou no segundo e-mail, que chegou essa manhã.
Nessa,
Você não escreveu de volta ou ligou. Isso não me surpreende, eu conheço você. Eu sei em primeira mão como você é teimosa - deve ser um traço de família, porque Ashley é tão teimosa quanto. Eu a procuro todos os dias para me dar o seu número, mas ela se recusa.
Eu não vou desistir. Eu sei que você recebe meus e-mails e eu também sei que você está muito curiosa para excluí-los sem ler. Vou chegar ao fundo deste caso, nem que seja a última coisa que eu faça. Eu te amo e eu não vou deixar você ir tão facilmente. Nunca é tarde demais para consertar o que você acha que está entre nós dois.
Ligue para mim. Por favor. Eu preciso de você, Vanessa.
Com amor, Zac.
Vanessa queria escrever de volta, mas ela não podia. Por que dar-lhe uma falsa esperança? Era da natureza de Zac ser tenaz e tentar consertar tudo. Em poucos dias,  ela saberia com certeza se o câncer voltou. Ela decidiria o que fazer em seguida, mas agora tudo o que ela podia fazer era ter esperança. E rezar.
Naquela noite, Vanessa sonhou que estava nos braços de Zac. Ele a abraçou e sussurrou o quanto a amava. Em seu sonho, Vanessa foi capaz de dizer-lhe que o amava muito. Era tão libertador, tão certo. Um sentimento distante que algo estava errado pairava no ar ao seu redor, mas Vanessa estava tão feliz que o ignorou. Do nada, Zac a afastou e olhou para ela, magoado e decepcionado.
— O que você quer dizer, você não me ama? — Ele perguntou.
— Não, Zac, não foi isso que eu disse. Eu disse que te amo. — disse Vanessa e tentou alcançá-lo novamente, mas ele balançou a cabeça e se afastou dela. — Eu te amo, Zac. Por favor, acredite em mim. — Ela estava implorando agora, mas tudo o que ele fez foi afastar mais e mais dela, o arrependimento nos olhos dele esfaqueando seu peito como uma faca.
Ela acordou ofegante, suando, e desorientada. Demorou alguns segundos para perceber onde estava e que tinha sido apenas um sonho. Mas a sensação de peso no peito persistiu.  Isso parecia tão real, ela finalmente contar  a  Zac que o amava. Percebendo que ela nunca foi capaz de fazer isso, Vanessa caiu de costas na cama,  enquanto o desespero pairava sobre ela.
Um pensamento surgiu em sua cabeça e ela levantou-se da cama de forma tão abrupta que se sentiu tonta. Firmando-se em seus pés, Vanessa correu para o seu armário e, pegou a mala, ela vasculhou até que encontrou o esboço que Ashley fez de Zac e ela. Alívio e calma tomou conta dela quando ela o segurou contra o peito. Era a única coisa que lhe restava de Zac. Voltando para a cama, ela olhou para o desenho por alguns longos momentos antes de traçar a sua forma na folha e sussurrar:
— Eu te amo.
*
No dia seguinte, Vanessa foi ao estúdio de tatuagem onde havia feito a sua tatuagem há dois anos. Ela disse a Zac que o amor, sonhos e sorte eram as três coisas que  ninguém poderia viver sem. Era hora de acrescentar à lista a que ele tinha sugerido: Esperança.
— Sinto muito Vanessa, mas a notícia não é boa. — disse Hansen, olhando-a por trás dos óculos de aros grossos. — O ultrassom mostra que o câncer está de volta, e desta vez ele está espalhado por todo o seu fígado. Não podemos operar para removê-lo.
Vanessa e sua mãe tinham ficado brancas no momento em que o médico disse suas primeiras palavras. Todo o mundo de Vanessa caiu ao seu redor enquanto ele falava. Era isso. Tinha acabado.
— O que podemos fazer, doutor Hansen? —  perguntou Gina.
— A quimioterapia. Essa é a nossa única opção agora. As chances de que vai curar completamente o câncer são pequenas, mas pelo menos vai lhe dar mais tempo.
Mais tempo? Por que ela precisa de mais tempo? Ela tinha perdido tudo o que ela queria viver. Não havia nada para lutar por mais tempo.
— Não. Eu não quero quimioterapia. Ela vai enfraquecer o meu corpo, mesmo que prolongue a vida por alguns meses. Eu não acho que vale a pena.
Vanessa... — sua mãe começou, mas ela interrompeu.
— Eu não vou passar pela quimio novamente, mãe. Eu me lembro muito bem o inferno que foi passar por ela a última vez, e para quê?
— Está em uma fase muito precoce, Vanessa. Quanto mais cedo você começar a quimioterapia, maior a sua chance de derrotá-la.
Gina estava olhando para ela com olhos arregalados e tristes. Vanessa devia a sua mãe, pelo menos, tentar.
— Eu vou pensar sobre isso. — ela mentiu, só porque ela não aguentava ver a tristeza nos olhos de Gina.
— Não demore muito. Uma semana no máximo. — disse o médico.
— Que tal um transplante? — Gina perguntou enquanto se levantava.
— Nós podemos colocá-la na lista de espera por um doador, se é isso que você quer. Mas deixe-me ser honesto: doadores de fígado são muito raros. Pode levar um longo tempo para encontrar um. Se você concorda com a quimioterapia, isso vai lhe dar uma chance para esperar. Mas se você não fizer isso, o câncer pode se espalhar para o resto do corpo de Vanessa, e nem mesmo um transplante será capaz de salvá-la.
No momento em que chegou em casa, Gina foi para o seu quarto e fechou a porta. Ela não tinha dito uma palavra desde que tinham deixado o consultório médico. Vanessa fechou-se em seu próprio quarto, e a primeira coisa que fez foi desativar sua conta de email. Não há mais Zac. Não há e-mails. Nenhum contato.
Ela ia morrer e ele estava muito melhor sem ela. Ela esperava que ele seguisse em frente e se esquecesse dela.
Esperar. Isso é tudo o que lhe restava.
Mesmo as lágrimas haviam secado completamente. Ela não podia chorar, não podia mesmo ficar zangada com a grande injustiça chamada “vida”. Tudo o que tinha de força era para dormir.
Vanessa deve ter dormido por algumas horas, porque, quando Gina a acordou sentiu- se descansada.
— Como você está se sentindo, querida? — Perguntou a sua mãe, e para surpresa de Vanessa ela não parecia como se tivesse chorado. No momento em que Gina tinha se fechado em seu quarto, Vanessa tinha pensado que era para chorar em privado, mas sua mãe parecia bem. Sem olhos inchados, sem manchas vermelhas. — Acabei de falar ao telefone com meia dúzia de pessoas. Eu estive ligando a todo mundo que conheço por toda à tarde.
— Ligar para quem? E por quê? — Perguntou Vanessa, confusa.
— Estive pesquisando novos métodos para tratar câncer de fígado há meses. Eu encontrei algo promissor logo depois que você foi para a Itália. Há este novo método, chamado de saturação quimioterapia. É ainda experimental, embora os pacientes tanto na América e na Europa têm respondido bem a ele, mas não é oferecido no NHS. Nós precisamos fazer isso em particular no Queen Ann hospital em Oxford - que é o único lugar no país que oferece o tratamento. Eu tive que puxar uns cordões, mas eu consegui para a gente na próxima semana! — ao rosto de Gina iluminou num sorriso animado. Vanessa se sentiu tonta. Isso era muita informação para processar em um tempo tão curto.
— Espere. Então, qual é o procedimento exatamente? — Ela perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente.
Eles dão uma dose muito maior de quimioterapia, injetam diretamente no fígado. Com quimioterapia tradicional, apenas cerca de dois por cento dos produtos químicos atingem os tumores, e o restante ficam espalhados em todo o corpo danificando tudo em seu caminho. Com saturação de quimioterapia, eles isolam temporariamente o fornecimento de sangue para o fígado e injetam os produtos químicos diretamente sobre ele, sem dar-lhes a chance de se espalhar para o resto do corpo.
— E os efeitos colaterais?
— Não há efeitos colaterais. Os pacientes costumam ir para casa no mesmo dia após o procedimento.
— Isso parece bom demais para ser verdade, mamãe. Por que então o Dr. Hansen não ofereceu hoje como uma possibilidade?
— Porque é um procedimento experimental, não é oferecido no SNS.
Vanessa precisava de tempo para processar tudo isso. Quanto mais pensava sobre isso, mais perguntas surgiam em sua cabeça.
— Quanto é? — Se não fosse no SNS, isso significava que eles teriam que pagar por isso - e não seria barato.
— Não se preocupe com isso, querida. Eu vou pagar por isso.
— Como?
Temos uma poupança. Inferno, eu vou empenhar a casa se eu tiver que fazer.  Se há alguma chance de que isso irá funcionar, eu venderia minha alma ao diabo para conseguir o dinheiro. — Os olhos de Gina se encheram de lágrimas e Vanessa se sentiu mal por ter pensado em desistir de sua luta.
— Existe uma chance que não vá funcionar? — perguntou Vanessa.
— Há sempre essa possibilidade, mas o câncer está na primeira fase, o que me deixa muito otimista sobre o resultado. É um tratamento muito intenso, que produz grandes resultados - no entanto, ele também não afasta o risco de fatalidade. — A voz de Gina balançou a última palavra. Mas ela era médica, e sabia que quase todos os procedimentos realizados em um hospital podem terminar sendo fatal. Vanessa viu a determinação nos olhos de sua mãe, e que ela devia isso a ela, encontrar a vontade de lutar novamente.
— Temos que tentar, querida. Mesmo que ele não a livre de todos os tumores completamente, ele vai nos dar muito mais tempo para encontrar um doador, e você vai ser capaz de viver plenamente a sua vida, sem quaisquer efeitos colaterais. Você poderia ir para a faculdade. Poderíamos viajar. Qualquer coisa que você quiser.
Vanessa nunca teria o que queria.
Mas ela faria isso por sua mãe. Gina merecia. Ela já perdeu muito-mais do que uma pessoa deveria perder em uma vida.
~♥~♥~♥~
TÁ ACABANDO AMORAS!!!
Faltam apenas mais dois capítulos e o epílogo!
Comentem bastante,porque vou tentar postar mais esse fim de semana!
Xoxo - Rafa